quarta-feira, novembro 05, 2008

Novo prédio

Segue a todo vapor a construção do novo prédio do templo Busshinji (São Paulo). Nele haverá estacionamento coberto, salão de eventos, zendô e jardim suspenso. A previsão de término das obras é fevereiro de 2009. Apesar disso ainda falta verba para a total acabamento, como móveis, louças e decoração.



"Com este centro a escola zen budista mais importante do Japão começa um importante movimento, tornar possível formar monges e professores do Dharma, com o método tradicional da escola, sem que seja necessário morar no Japão e aprender sua língua (aprender a ler e escrever é uma tarefa de anos).

"Novos centros como este existirão na França (La Gendroniére) e nos EUA, isto marca a internacionalização formal da escola zen depois de meio século de presença no ocidente. Esperamos inaugurar o centro de SP no segundo semestre de 2009." texto complementar contribuição do blog O Pico da Montanha

Você pode fazer uma doação para a construção do novo prédio do Templo Busshinji, ligue para 11 3208-4515 ou 3208-4345 e fale com Satico Suzuki ou Mitsuyo Kamimura.

terça-feira, novembro 04, 2008

Treinamento monástico

"Nas condições ideais, ao receber a ordenação, o monge-noviço entra na fase do treinamento de “calar a boca e limpar o chão”, um período onde é permitido muito pouco contato com o público em geral (quanto menos “aparecer”, melhor) e todo o seu esforço é canalizado em sentar em zazen, praticar o samu (trabalho ou atividade diária) e observar, escutar, perceber – aprender com o corpo e o coração."

Leia mais no site da Monja Isshin.

Ouça também no final do texto a orientação dada por Saikawa Roshi ao monge Meiyô Vargas, durante sua recente (re)ordenação.

Monges em treinamento, templo Eiheiji, Fukui, Japão. Foto: Hiroji Kubota - Magnum Photos

domingo, novembro 02, 2008

Zazen no cemitério

sentado no cemitério
sem dividir vida e morte
a cerejeira dá sombra
o cipreste aponta o céu
por um só caminho
passam vivos e mortos
este monge permanece firme em seu propósito
praticando o não-saber
os visitantes comentam: este viveu muito, aquele pouco
o mestre sussurra no ouvido do aluno:
muito ou pouco, nem o céu pode medir
famílias trazem flores, baldes e vassouras
é dia de faxina nas sepulturas
os que podem pagam para alguém limpar o mármore
os que não podem esfregam eles mesmos o cimento, suando sob o sol
quando estamos sonhando, não há nada fora do sonho
quando se desperta, não há nada que já não estivesse desperto
não se guarda um pedaço de sonho, nem se retém o momento do despertar
de um lado do muro a criança corre, a mãe ralha, o pai se cala, a avó descansa
de outro lado, pedintes e inválidos sob a sombra do muro
os fantasmas transitam de um lado para o outro
um gato entra e sai sem passar pelo portão
ainda criança este monge sonhava
entender vida-e-morte
não há ninguém para entender
sobre uma lápide o gato lambe a pata

domingo, outubro 26, 2008

Refugiar-se


"Se o ser que mais amo no mundo (viesse) me perguntar que escolha ele deve fazer, e qual é o refúgio mais profundo, mais inatacável e mais doce, eu lhe diria para abrigar seu destino no refúgio da alma que se aperfeiçoa".

Maeterlinck

terça-feira, outubro 21, 2008

Sesshin da Iluminação - Busshinji

Estará acontecendo de 10 a 17 de dezembro no Templo Busshinji o Sesshin da Iluminação - Rohatsu Sesshin. Coordenado pelo Superior Dosho Saikawa e equipe de monges do templo. As inscrições podem ser feitas diretamente no Templo Busshinji a um custo de R$ 200. Não haverá pernoite no local. Aqueles que vierem de outros estados e países, devem solicitar a reserva de um hotel nas imediações, que pode ser feito pela recepção do templo.

domingo, outubro 19, 2008

Neurocientista vê seu cérebro se deteriorar

A norte-americana Jill Bolte Taylor descreve em livro sua experiência com o derrame que sofreu aos 37 anos


Jill Bolte, 49, que dá aulas de neuroanatomia


Às 7h de uma manhã de inverno, Jill Bolte Taylor acordou com uma forte dor de cabeça. A luz do sol ofuscava seus olhos. Ao ir até o banheiro, notou certa dificuldade para se equilibrar. Além disso, seu raciocínio estava confuso. Ainda assim, conseguiu tomar banho e se vestir. Só quando seu braço direito ficou paralisado, entendeu: estava tendo um derrame.
Neuroanatomista do Banco de Cérebros de Harvard, Jill passou as quatro horas seguintes observando a própria deterioração cerebral. O processo afetou linguagem, memória e movimentos -e a levou ao "nirvana". Era dia 10 de dezembro de 1996, e Jill tinha 37 anos. Neste ano, ela galgou a lista de mais vendidos nos EUA com o relato de sua recuperação -"A Cientista que Curou Seu Próprio Cérebro" (Ediouro).
O nirvana de Jill decorreu de especificidades de seu AVC (acidente vascular cerebral). Ela teve uma hemorragia no lado esquerdo do cérebro, ligado ao raciocínio lógico. Com o dano, prevaleceu o lado direito, mais abstrato e emocional. O resultado, conta, foi a suspensão da noção de tempo e a sensação de união com o universo.
Nesse ínterim, teve algumas "ondas de clareza". Numa delas, lembrou o telefone da mãe, mas não quis preocupá-la. Então ficou esperando outra "onda" que lhe permitisse lembrar o telefone do trabalho. Quando conseguiu ligar, descobriu que não sabia mais falar. Por sorte, reconheceram sua voz.
"Não senti medo", disse Jill à Folha. "Eu era uma cientista vendo meu cérebro avançar nesse processo incrível de deterioração e não previ que ficaria tão doente. E, quando chegou a hora em que eu poderia morrer, senti uma profunda paz."
A sensação era tão prazerosa que ela diz ter se questionado sobre o benefício da recuperação -o simples ato de ligar uma palavra à imagem mental certa levava horas e a deixava esgotada. O que a motivou a deixar a "divina serenidade" e encarar a reabilitação foi o desejo de ensinar aos outros como atingir a mesma tranqüilidade.
O que Jill propõe é uma forma de aquietar o lado esquerdo do cérebro para aproveitar as vantagens do lado direito.
Uma de suas estratégias consiste em focar a atenção em aspectos sensoriais (como aromas e sons) para se prender ao presente. Outra dica é orar e meditar. No livro, Jill cita um estudo que relaciona a neuroanatomia a experiências espirituais. A pesquisa avaliou praticantes de meditação e freiras e constatou que essas práticas reduziam a atividade de certas áreas do lado esquerdo.
"Nossa habilidade de experimentar a religião e a fé é baseada no cérebro. Quando os neurônios são ativados ou inibidos, experimentamos a união com algo maior", afirma Jill.

Críticas
Pelo tom de auto-ajuda, o discurso atrai críticas. "Há cientistas com a cabeça fechada que estão interessados em discutir a ciência no livro, mas não há uma ciência nova lá. Só uma vivência que condensa o que já se sabe", diz Jill.
Para ela, um dos melhores "remédios" foi o sono. Nas primeiras semanas após o AVC, sua rotina consistia em dormir por seis horas, passar 20 minutos acordada, tentando alcançar algum avanço cognitivo ou físico, e dormir de novo.
Ela também destaca o estímulo que recebeu da mãe nas atividades do dia-a-dia: perguntas cujas respostas eram "sim" ou "não" foram substituídas por questões de múltipla escolha, para que a filha precisasse elaborar uma resposta. "Embora saibamos muito sobre o cérebro, acho que temos um trabalho relativamente pobre na reabilitação cerebral", afirma Jill. "Não honramos o poder curativo do sono. Nos EUA, é comum acordar os pacientes cedo, dar-lhes anfetaminas e empurrá-los para um local repleto de estímulos, com TV ou rádio ligados. Meu cérebro queria dormir justamente para não ter de processar a estimulação excessiva."
Outro erro comum, a seu ver, consiste em dizer aos pacientes que a recuperação pára após os primeiros seis meses. Jill só voltou a fazer operações matemáticas, por exemplo, cinco anos após o trauma.
Hoje, ela dá aulas de neuroanatomia na Universidade Indiana e retomou uma atividade: a de "cientista cantora". A alcunha surgiu quando Jill iniciou uma campanha em prol da doação de cérebros para pesquisa. Como o tema deixava as pessoas tensas, ela tentava descontraí-las passando a mensagem por meio de músicas.
Seu interesse sobre o cérebro tem uma origem familiar. Com um irmão portador de esquizofrenia, ela queria entender como ele pensava. Acabou entendendo mais sobre si mesma.

Amarílis Lage da reportagem local,Folha de São Paulo


Leia mais sobre o assunto

quarta-feira, outubro 08, 2008

Samsara

Praticar o Zazen, é a maneira de não permitir que os carmas da cultura do pensamento humano, manifestados também nas chamadas relações psicológicas cimentados na ficção social, se estagnem em nosso corpo-mente.
É manter apenas a Origem Criativa do Dharma.
Em todo aqui e agora.
.

Representação do Patriarca Zen, Bodhidharma.

quinta-feira, setembro 25, 2008

SENTENCIADO À MORTE

Antes de ser um monge, Zhijue era um oficial do governo, justo é sábio.Uma vez servindo o imperador como administrador provincial, sem falar nada a ninguém, usou
dinheiro publico para ajudar os pobres.Outros oficiais descobriram isto e contaram ao
imperador, que ficou muito surpreso.Ele e outros oficiais da corte ponderaram porque Zhijue havia feito tal coisa. Ainda assim era um crime grave e foi sentenciado à morte.
Na condenação, no entanto, o imperador disse aos seus ministro,Ele é um academico e sábio. Talvez tenha profundas razões para ter cometido tal crime. Se ele se lamentar e vacilar quando for decapitado, vá em frente e o mate. No entanto, se não, deve ter razões para isto e não deve ser executado.
o dia da execução chegou. Os oficiais iam decapitar Zhijue. Mas não parecia se lamentar. Ao contrário,parecia feliz e disse, "Dou minha vida terrena para todos os seres viventes. "Ouvindo isto, os oficiais ficaram surpresos e em dúvida. Ao reportarem ao Imperador, ele disse, "Como pensei, ele deve ter profundas razões."
Quando interrogado da razão de ter cometido o crime, Zhijue respondeu, "Abandonando minha posição de oficial, sacrificando minha vida e dando ajuda aos outros, fiz do ensino Budista o meu fundamento e adotei um coração de compaixão para todos os seres vivos. No próximo mundo serei um monge e me devotarei completamente ao caminho Budista."
Ao ouvir isto, o imperador ficou profundamente comovido e anulou sua sentença pedindo-lhe que se tornasse um monge e adotasse o nome Yanshou porque seu tempo de vida (shou), foi extendido (yan).
Monges hoje devem ter a atitude que Zhijue demonstrou. Não ligando para suas vidas devem ter profunda compaixão pelas pessoas. devem se determinar para usar suas vidas de acordo com os ensinos de Buda.
Aqueles que tiveram esta atitude devem mantê-la. Sem experimentar esta atitude, é impossível se iluminar para o Dharma.

Shõbõgenzõ Zuimonki (vol. 2, seção 9).
Caminho Zen ( Vol.7, N° 1. 2002)

Sempre aberta

Se a mente não está presa pelas bordas
então o zen não é japonês e é brasileiro
sem ser ao mesmo. Não importa se comemos
susshi, usamos samuê ou entoamos sutras
na lingua do Nihon.

Pergunte ao sol, e ele responderá
com um caloroso silêncio.

domingo, setembro 21, 2008

Ser cósmico


Mesmo sabendo que o sol nascerá sempre
porquê ele nunca se põe, e que à noite,
o brilho prateado da lua ainda é sua luz.
Mesmo assim posso ficar triste.
Mas apenas uma tristeza de lua nova,
uma alegria de lua nova.

quinta-feira, setembro 18, 2008

Fonte


Na prática do sesshin ficamos livres para reconhecer nossa própria força de uma maneira profundamente nova, insuspeita.

sábado, setembro 06, 2008

Sesshin Especial

Sesshin Especial de Treinamento de Monges
Superintendência da Escola Zen Soto da América do Sul

Estará acontecendo de 6 a 10 de outubro no Templo Enkoji (Itapecerica da Serra – SP) sesshin especial, dirigido principalmente a monges dos grupos representativos em toda a América do Sul. Tem como responsável pelas atividades o Superior Dosho Saikawa, Superintendente da Escola Zen Soto da América do Sul. Inúmeros missionários (Fukyoshi) estarão auxiliando durante o curso.
Tem como objetivo a atualização e aprimoramento dos monges no que se refere às atividades formais da tradição budista Zen Soto. Inclui-se nesta a realização de cerimônias (Chôka, Nichu Fugin, Banka Fugin. Rakanpai, Ryaku Fusatsu e outros), a utilização de oryoki (tigelas), a recitação formal das orações durante as refeições (em japonês), as prostrações (sanpai), o uso correto do zagu etc.
As inscrições devem ocorrer antecipadamente no Templo Busshinji, São Paulo, com o pagamento de uma taxa de R$ 200,00. Durante o acontecimento haverá instalações para a acomodação dos interessados. Deve-se levar cobertor, lençol e chinelos, além dos objetos de uso pessoal. Se o interessado não puder participar diariamente das atividades o valor pago integralmente será mantido.
A condução será fornecida pela organização, levando e trazendo os inscritos do Templo Busshinji para o Templo Enkoji e o contrário.

Fone: (011) 3208-4515 - Templo Busshinji

domingo, agosto 31, 2008

Aos pés


Olhou o Buda dourado de tamanho descomunal e disse:
- Não faz sentido este Buda aí fora.

terça-feira, agosto 26, 2008

Zazen ao ar livre

Os mestres do passado meditavam sob árvores. Em cavernas, à beira de um regato, sentados em pedras ou pilhas de folhas secas. Desde Buda Shakiamuni os mestres são unânimes em ensinar: deve-se praticar aqui e agora, sem distinções ou delongas.

Hojes as grandes cidades são lugares complexos em que se vive separadamente, com raras experiências comunitárias. Com isso, a rede que une todos os seres não é percebida e muitas pessoas vivem uma vida de insatisfação.

Na prática da meditação zazen não se rejeita ou se retém nada, momento após momento, sem dar preferência a uma ou outra coisa. O que quer que surja na mente, deixamos que venha, deixamos que vá.

Ao ar livre, sentar, praticar, limpar o local e seguir. Nada para levar, nada para deixar.

“Purifique a mente junto a um regato ou sob uma árvore.
Observe a impermanência sem descanso,
isso irá encorajá-lo a buscar o Caminho.”

(Keizan Zenji, Zazen Yojinki)

Instruções e prática (durante o inverno):

Domingos, às 10:00. Em caso de chuva, não há prática.

Praça Barão Pinto Lima – conhecida como Praça do Boaçava
(na praça, dirija-se ao lado oposto ao das quadras, onde há uma grande paineira)

Informações:


9911.7469 (Monge Koun)




Poesia chan

"Por muitos anos de sonhos, deixei o mundo.
Onde encontrar o elixir da imortalidade?
Num mundo confuso e decadente,
Sorrindo, deixo os sutras de lado
E repouso em retiro.
O dragão voltou para o mar,
O tigre foi para as montanhas.

"Os ventos do outono empilham
Levas de folhas caídas.
Eu as varro por mil vezes,
Mas persistem em cair...
Súbito sorrio e me sento confortado:
Que caiam e se tornem cinza por si mesmas!"

Mestre Chan Budista Nan Huai Chin

quarta-feira, agosto 13, 2008

Zafu

O zazen é simples e difícil. Não se trata de uma técnica complicada, que exige um elaborado sistema. Por isso muitos logo se desinteressam pela sua prática. Na verdade, não há atividade mais simples. Bodhidharma pôde ensiná-la sem palavras e assim ocorre até hoje. Mas é difícil. É importante que, terminado o zazen, os zafus sejam arrumados adequadamente. Devem ser colocados cuidadosamente ao lado dos outros, alinhados na estante, com as fitas brancas também alinhadas. Em casa, o mesmo deve ser feito. É muito simples deixar os zafus arrumados, mas muito difícil também. Deixá-los de qualquer jeito, bagunçados, é fácil. Mas bastante complexo.

segunda-feira, agosto 11, 2008

domingo, agosto 10, 2008

A sombra no espelho



Sou,
volkswagen, óleo de soja, amendoeira, creme nívea, coca-cola, jesus cristo, maionese, manjericão, meu cachorro da adolescência chamado rostof, minha mãe, fantástico o show da vida, micro organismos, pasta jóia, Itapemirim, sorbato de potássio, jonh lennon, plebe rude, plaza, maconha, novalgina, nossa senhora, bilhete único, buda, topogígio, aspirina, plano collor, guerra fria, kichute, kibon, cimento, vaselina, sol, fungos, meu pai, meu irmão, suco de uva, carnaval, estresse, varig, brasil, japão, beirute, flauta doce, emorróida, condicionador, sinal de trânsito, caramelos, couve-flor, ácido ascético, estômago, índios na tv, mundo virtual, física quântica, tatu bola, rios subterrâneos, carimbo no correio, minha mulher, adidas, zen, monge, ketchup, felicidade, música, bomba, fome, mendigo, ibiscus, corrupção, maldade, herói do terremoto chinês, sabedoria cósmica, xampu anti-caspa, mercedez bens, basquiat, pequena lacraia no meu tênis, corredor vazio, sesshin, mala postal, dúvidas mil, copa do mundo, a filhinha dos meus vizinhos, sabor azedo, poste de luz, mariposa amarela, o gato ordenado, poluição, rio tietê, lavoura arcaica o filme, tambor, celular, blog, sanghamargha, motoboy sangrando, hélice de helicóptero, raiva passageira, uísque, violetas no necrotério, Jorge Bush, guerra, dente-de-leão, salvador, quanta estupidez, vaidade, centauro, canequinha de chá, saudades, vinho tinto, refri, hóstia, revolução agrária, suicídio, shikan taza, coragem, lua, buraco negro, avenida paulista, ilha, sal grosso, gillette, honda, hermafroditas, hábitos, vícios, mudança, lantejoulas, vídeo, serial killer, ondas, desejos, sexo, espinafre, popai, labirintite, maha prajna, caminho óctuplo, ...

sou o caminho correto, pronto dentro de mim, à espera da minha inteligência, sou os pés da minha iniciativa, aqui, agora.

sábado, agosto 02, 2008

Flávio Jôshin,


Nossas ondas de tristeza

por tua partida tão rápida,

se dissipam ao encontrarem

as ondas de alegria de nosso

samadhi atualizado em Shikan taza.


Nossa prática espelha tua prática.

Vai sereno, segue tua carta náutica.

Atravessa as ondas que jogam a mente

pequena de um lado para o outro como numa 

tempestade em alto mar.


Felipe, amigo, segura-te firme ao leme!!!

sexta-feira, agosto 01, 2008

Shikan Taza


"Logo que Dogen chegou à montanha Tiantong (China), seu professor e companheiro de viagem, Myozen, morreu. Dogen continuou a participar do rigoroso programa de treinamento Zen, no monastério de Rujing. De acordo com o Registro da Era Baoqing, Rujing ensinava que estudar o Zen é 'abandonar corpo e mente' e que os estudantes não deveriam se comprometer com outras práticas tais como recitar o nome de Buda, entoar sutras ou manter ritos de arrependimento. Ele ensinava um método de meditação chamado Zhigan dazuo (agora melhor conhecido, na sua transliteração japonesa, por Shikan taza) - uma meditação de postura sentada de mente-única simples, em que não se tenta resolver questões ou atingir a percepção."

do livro A Lua numa Gota de Orvalho

quinta-feira, julho 24, 2008

Sangha Margha


O questionamento budista parte de um ponto que teria intrigado Sidharta, quando de sua saída do palácio, ganhando as ruas. Deparou-se ele com o sofrimento. Assim, teria surgido o Aryasatya, quer dizer, as Quatro Nobres Verdades. São elas, Duhkha, o sofrimento existe; Samudaya, o sofrimento que existe tem uma causa; Nirodha, detectado uma causa, pode-se acabar com ela, cessar; e, finalmente, Margha, o Caminho do não sofrimento. Seria este o Caminho do Dharma, o do praticante da verdade, o que corresponde a todos os alunos das inúmeras escolas e tradições do budismo.

Fotos de Michel Cunha. Sesshin de Inverno da Sangha de Florianópolis.

terça-feira, julho 22, 2008

Natureza Original

"Todo Prajna vem da Essência da Mente e não de uma fonte exterior. Não tenham a noção errada sobre isso. Isto é chamado "Auto-usufruto da Natureza Original". Uma vez que o Tathata (aquilo que é, a Essência da Mente) é conhecido, a pessoa estará livre da delusão para sempre."

Daikan Eno

quarta-feira, julho 02, 2008

1+1=1

"Quando nosso espírito se acha livre de peias - e não cogita do bem ou do mal -. é preciso não abismar-se no vazio puro e assumir a imobilidade da morte. Melhor esforçar-se para ampliar o saber e os conhecimentos a fim de alcançar a consciência do próprio espírito e compreender a fundo o ensino essencial de todos os iluminados. Deve-se cultivar um espírito de harmonia simpática com os outros e banir a idéia paralisante do ''eu" e do "tu" até chegar à completa iluminação e à plena consciência de sua verdadeira natureza - que é imutável."
Huei-Neng
Fonte: site Shunya

segunda-feira, junho 30, 2008

Sangha de Floripa

A sangha de Florianópolis reunida em mais um retiro, no último mês de maio, em Cachoeira do Bom Jesus.




"Abandonei mente e corpo. Por pensar que tenho corpo e mente, é que me sinto só; mas quando percebo que tudo é apenas uma centelha na vastidão do universo, me sinto muito forte e minha existência, plena de significado. Esta é a nossa prática."

Inspirada nos textos de Shunryu Suzuki. /\;
Michel V. Cunha.

sexta-feira, junho 27, 2008

Fazer o bem, não fazer o mal. Manter a mente pura.

Esta história me fez lembrar um dos preceitos budistas, expresso no título desta postagem. Seria possível fixar as regras do bem e do mal? Não estariam estes dois conceitos sujeitos á lei da impermanência? Como propõem os mestres, buscamos a sabedoria dentro de nós mesmos através do descondicionamento da mente, indo além do bem e do mal.

Acompanhe a seguir:

Ativistas tentam libertar indiano preso por fazer de urso animal de estimação



Associated Press
Em Nova Déli (Índia)

Era para ser um conto de fadas de um homem que tirou das florestas do leste da Índia um urso órfão e o levou para casa para criá-lo como parte de sua família, consolando a filha pequena que havia acabado de perder a mãe. Mas quando funcionários de uma entidade do governo indiano conheceram a história na imprensa indiana, na última semana, o conto de fadas dissipou-se.

Ram Singh Munda, 35, foi preso por violar leis do país, que proíbem a domesticação de animais selvagens; o urso foi enviado a um zoológico onde tem se recusado a comer e a filha, de seis anos, foi mandada de navio a um orfanato estatal.

Agora, ativistas de defesa dos animais, impressionados pelo ato de Munda, estão protestando por sua liberdade. "Condenamos fortemente a maneira como os funcionários do departamento florestal prenderam o pobre analfabeto que não sabia da legislação do governo", disse nesta terça-feira Jiban Ballav Das, chefe do grupo "Pessoas pelos Animais" da província de Orissa.

Munda, um trabalhador que pertence a uma tribo indígena que mora na floresta 200 quilômetros ao norte da capital da província, Bhubaneswar, disse que encontrou o filhote de urso no ano passado quando recolhia gravetos.

Ele levou o urso, chamado Rani ("Rainha", em português), para casa e fez dele seu animal de estimação.

Imagens de TV gravadas antes da prisão mostram o urso brincando com a filha de Munda, Dulki, enquanto tentam subir na traseira da bicicleta do indiano.

Se for condenado, Munda pode ser condenado a até três anos de prisão. "Eles me prenderam. Como minha filha sobreviverá?", disse Munda a uma subsidiária da rede americana CNN enquanto era levado para a prisão. "Não entendo porque fui punido por cuidar de um urso que havia sido abandonado na floresta e que teria morrido se eu não o tivesse trazido para casa".

O diretor do zoológico de Nandan Kanan, para onde Rani foi levado, defendeu a decisão do governo. "Munda foi preso em respeito a uma lei que tem como intenção proteger a vida selvagem", disse.

Entretanto, o ativista Jiban Das afirma que apesar de condenar a retirada de animais do meio selvagem, apóia a atitude de Munda de tentar recuperar o urso e diz que o governo está sendo muito rigoroso. "Ele nunca torturou o animal, nunca o utilizou para propósitos comerciais. Portanto, não deveria ser preso", disse Das.

No zoológico, Rani está em uma jaula isolada e está se recusando a comer. "Os ursos desenvolvem grandes laços com os seres humanos e são muito ligados a seus tratadores", disse Biswajit Mohanty, secretário da "Sociedade para a Vida Selvagem" de Orissa.

Já Das afirma que Munda ganhará um emprego assim que for solto. "Decidimos dar a ele um emprego em nosso centro de reabilitação de animais".

quarta-feira, junho 25, 2008

Sim, não há fronteiras


Mestre Saikawa prepara-se para o zazen.

"Cada vez mais a vida numa cidade grande, como São Paulo, vem enfrentando as conseqüências de seu próprio crescimento. Há falta de transportes e, por ironia, aumenta o número de veículos domésticos nas vias públicas. Não somente isso, a poluição principalmente nos dias de inverno torna o ar denso e não apropriado para a inalação. Sem contar a quantidade de pessoas que trafegam pelas ruas, muitas delas em situação crítica: desemprego, sub-emprego, aposentados, marginalizados e policiais.

Rostos anônimos que desconhecem a amizade e qualquer tentativa de aproximação pode ser vista com desconfiança. Neste caldeirão social que ferve com todos os seus conflitos, sem que possa resolver os problemas, repartimos a geografia física. São Paulo é uma grande bolha espacial e psicológica. Pela manhã a correria nos pontos de ônibus, estações de metrô e pedestres calcando o chão ainda fresco de uma noite nem sempre calma. Após horas de labuta, antes que anoiteça o processo se repete: a multidão se forma. E assim, um dia se foi. São Paulo está condicionado a produzir sempre, independente das condições emocionais de seus habitantes.

Em cada rua trafegada, as marcas dos pés acabam deixando rastros invisíveis e impregnados de sentimentos. As vozes abafadas do centro continuam ecoando no silêncio da alma. São Paulo não cessa de respirar uma única vez. No avançar da noite, outros ocupantes vão se dispersando como saídos de seus ninhos protegidos pelos murais de concreto: seres fluidos usando roupas espaciais em constante metamorfose.

Qualquer tentativa de reverter esta situação nos parece duvidosa. Entretanto, aquiescermos diante das condições apresentadas seria irônico. Levando em consideração a quantidade energia desencontrada, devido a sua diversidade de interesses, classes e padrões culturais, o que converge é justamente a ocupação territorial. Todos somos paulistas apesar das diferenças. O que se pode fazer então? Criar condições para a criação de harmonia. E podemos falar em harmonia quanto existe justamente a diferença. Se a diferença existir enquanto diferença apenas, a harmonia não poderá se fazer presente. Mas a convivência na diferença, penetrando nos meandros de sua aparente contradição faz surgir a harmonia e conseqüentemente a compaixão.





Método
Acreditando que o mundo ocorre numa rede de interdependência, na qual uma ação ou não ação acaba repercutindo em todos os cantos, a atuação proposta é a meditação vazia (zazen) realizada no alto de um edifício na cidade de São Paulo. Ficar em postura meditativa com a mente alerta é capaz de produzir a harmonia desejada. De maneira objetiva não vai resolver os problemas da grande metrópole mas subjetivamente, através da sintonia entre as mentes, uma calma poderá surgir. Na verdade, a mente de todos os habitantes desta metrópole, 12 milhões, são uma mente única. Desencadear uma reação harmoniosa só é possível quando uma parte mínima desta mente provoque um choque em rede."
Texto: Jisho


Seigen, Saikawa Roshi, Jisho e Wajun no dia 20/06.

terça-feira, junho 17, 2008

Gratidão



Esmaece a foto
do ascendente samurai.
Início de outono.
Wajun

dia de outono
floresce nos trópicos
o Dharma de Buda
Koun

Gente do Nihon
trazem frutos e raiz.
Como sou grato!
Seigen

No jardim do tempo
um canteiro semeado.
Incontáveis mãos
Wako

Na ponta da enxada
nas costas do agricultor
o grilo passeia.
Jisho

100 anos de imigração japonesa no Brasil. Domingo passado fizemos juntos, monges e praticantes leigos do Busshinji, uma pequena homenagem aos imigrantes japoneses, que atravessaram e ainda atravessam o mundo para enriquecer nossa vida com sua cultura. Permitindo assim que o Zen chegasse até nós.

Na foto acima, vê-se à direita o pai do Jisho, ainda rapaz numa plantação de algodão no interior de São Paulo.

segunda-feira, junho 09, 2008

Transmissão


A mente do grande sábio da Índia estava intimamente ligada de leste a oeste.
Entre seres humanos, há sábios e tolos, mas no caminho não há patriarcas do sul ou do norte.
A fonte sutil é clara e brilhante; os rios ramificados fluem através da escuridão.
Estar apegado às coisas é ilusão; encontrar o absoluto ainda não é a iluminação.
Um e todos, o sujeito e o objeto estão relacionados e, ao mesmo tempo, são independentes.
Estão relacionados, mas funcionam diferentemente,
apesar de cada um manter o seu próprio lugar.

A forma faz com que o caráter e a aparência sejam diferentes;
os sons distinguem o conforto e o desconforto.

A escuridão faz todas as palavras serem uma; o brilho distingue frases boas e más.
Os quatro elementos retornam à sua natureza assim como uma criança retorna à sua mãe.

(Sekito Kisen, Sandokai)

domingo, junho 08, 2008

Textos e autores

A prática fundamental do Zen é o Zazen, que literalmente significa “meditação sentada”. Dentro da linhagem Zen, podem ser distinguidas duas formas de praticar o Zazen: Shikantaza (apenas sentar) e Koan (meditação sobre um caso). Na linhagem Soto Zen pratica-se tradicionalmente o Shikantaza. Por isso, em textos e nos ensinamentos da Soto Zen, quando se fala em Zazen quer-se referir ao Zazen Shikantaza.

A prática do Zazen Shikantaza remonta à iluminação de Buda Shakyamuni, que se deu há mais de 2500 anos, na Índia. Transmitida de mestre a discípulo face a face, foi levada da Índia para a China por Bodhidharma, por volta do século V d.C. No século XIII, Dogen Zenji viaja do Japão à China, onde a aprende com seu mestre Tendo Nyojo, disseminando-a posteriormente ao retornar a seu país.

Por ser substancialmente uma experiência concreta, realizada e transmitida com o próprio corpo, e não uma doutrina teórica, são poucos os textos clássicos que abordam o Shikantaza. Entre os mestres chineses encontram-se ecos de menções a essa prática em alguns poemas, que se referem a ela como “Iluminação Silenciosa”. É Dogen Zenji que adota e estabelece a denominação Shikantaza: apenas sentar. Em seus textos Dogen e outros mestres geralmente se referem ao Shikantaza simplesmente como Zazen.


Dogen Zenji (1200-1253)

Dogen Zenji é o fundador da linhagem Soto Zen no Japão.
Em 1225 empreende viagem à China, onde, sob orientação de seu mestre Tendo Nyojo, aprende o Shikantaza (nome que Dogen atribui à prática da “Iluminação Silenciosa”, que seu mestre ensinava) e logra alcançar a iluminação.
Ao retornar ao Japão, compõe Fukanzazengi e outros textos em que apresenta instruções e aspectos do Shikantaza.

Fukanzazengi
Zazengi
Zanmai-Ozammai
Zazenshin

Koun Ejo (1198-1280)

Koun Ejo foi discípulo de Dogen Zenji. Em Komyozo Zanmai, apresenta orientações e advertências sobre o Zazen Shikantaza.

Komyozo Zanmai

Keizan Zenji (1268-1325)

Keizan Zenji também é considerado, ao lado de Dogen Zenji, fundador da linhagem Soto Zen no Japão. Em seus textos sobre o Zazen Shikantaza, Keizan reforça as instruções de Dogen e acrescenta outras orientações.

Zazen-Yojinki
Sankon zazen setsu

Hongzhi Zhengjue (1091–1157)

Hongzhi Zhengjue foi um importante mestre chinês que ensinou no mosteiro do Monte Tiantong, onde anos mais tarde Dogen Zenji encontraria seu mestre. Hongzhi é responsável pela formalização em texto da prática da “Iluminação Silenciosa”, que Dogen posteriormente denominaria Shikantaza.

Iluminação silenciosa
Cultivando o campo vazio


Sekito Kisen (700 - 790)

Sekito Kisen foi discípulo do sexto patriarca na China. Em Soanka, Sekito apresenta importantes observações e instruções sobre o Zazen Shikantaza.

Soanka

Soto Zen Shu

A Soto Zen Shu representa a linhagem Soto Zen oriunda de Dogen Zenji. Presente em inúmeros países atualmente, tem sua sede no Japão, onde se encontram os dois templos-sede: Eiheiji e Sojiji. Em suas publicações, assim como em seu website, são apresentadas orientações sobre como praticar Zazen.

Guia com imagens

quarta-feira, junho 04, 2008

Após derrame, neurocientista alcança "o nirvana"

A neurocientista Jill Bolte Taylor trabalhava no centro de pesquisa cerebral da Universidade Harvard quando chegou ao nirvana. Mas o fez tendo um derrame. Em 10 de dezembro de 1996, Taylor, que então tinha 37 anos, acordou em seu apartamento perto de Boston com uma dor penetrante por trás do olho. Um vaso sangüíneo havia estourado em seu cérebro. Em poucos minutos, o lobo cerebral esquerdo - a fonte do ego, da análise, do juízo e do contexto - começou a falhar. Estranhamente, a sensação era ótima.

» Após derrame, idoso reaprende a falar cantando
» Estudo: chochilos diários indicam risco de derrame
» Ouvir música pode ajudar pacientes de derrame
» Fórum: opine sobre a experiência de Jill

O ruído incessante que costumava ocupar seus pensamentos desapareceu. As preocupações cotidianas de sua vida - sobre seu irmão esquizofrênico e seu emprego desgastante - romperam as amarras e se foram. E suas percepções também mudaram. Ela começou a perceber os átomos e moléculas de seu corpo e como eles se combinavam com o espaço que a cercava; o mundo todo e as criaturas que ele contém eram todos parte do mesmo, e magnífico, campo de energia reluzente.

"Minha percepção das fronteiras físicas deixou de estar limitada ao contato de minha pele com o ar", escreveu Taylor em My Stroke of Insight, seu livro de memórias, que acaba de ser publicado. Depois de experimentar dor intensa, ela afirma, seu corpo se desconectou de sua mente. "Eu me sentia como um gênio libertado da garrafa", afirma no livro. "A energia do meu espírito parecia fluir como uma grande baleia percorrendo um mar de euforia silenciosa".

Enquanto seu espírito ascendia, seu corpo lutava pela sobrevivência. Ela tinha um coágulo do tamanho de uma bola de golfe no interior da cabeça, e sem o uso do hemisfério esquerdo do cérebro, ela perdeu funções analíticas como a capacidade de falar, de compreender números ou letras e, inicialmente, até a de reconhecer sua mãe.

Um amigo a levou ao hospital, onde passou por uma cirurgia, seguida por oito anos de recuperação. O desejo de contar aos outros sobre o nirvana, conta Taylor, a motivou fortemente a reintroduzir seu espírito no corpo e se curar.

A história de Taylor não é comum entre os pacientes de derrames. As lesões no lobo esquerdo do cérebro em geral não conduzem a uma prazerosa iluminação; as pessoas muitas vezes afundam em um estado de irritabilidade constante, e perdem o controle de suas emoções. Taylor também foi ajudada pelo fato de que o hemisfério esquerdo de seu cérebro não foi destruído, e isso provavelmente explica porque ela conseguiu se recuperar plenamente.

Hoje ela se diz uma nova pessoa, capaz de "penetrar a consciência de meu hemisfério direito" sempre que assim deseja, e de ser "uma com a totalidade da existência". E ela diz que isso nada tem a ver com a fé, e sim com a ciência. Taylor oferece profunda compreensão pessoal a algo que havia estudado por muito tempo: a grande diferença entre as personalidades das duas metades do cérebro.

O hemisfério esquerdo em geral nos fornece contexto, ego, tempo, lógica. O hemisfério direito nos oferece criatividade e empatia. Para a maioria das pessoas de fala inglesa, o hemisfério esquerdo, que processa a linguagem, é dominante. A percepção de Taylor é que isso não tem necessariamente de ser verdade.

A mensagem dela, a de que as pessoas podem escolher viver uma vida mais pacífica e espiritual deixando de lado a porção esquerda do cérebro, atrai muita gente.

Em fevereiro, ela palestrou na conferência TED, sobre tecnologia, meio ambiente e design, um fórum anual para a apresentação de idéias científicas inovadoras. O resultado foi eletrizante. Depois que sua palestra de 18 minutos foi postada no site da TED, ela se tornou uma espécie de celebridade instantaneamente.

Mais de dois milhões de pessoas assistiram ao vídeo, e mais de 20 mil ao dia continuam a fazê-lo. Ela também concedeu uma entrevista veiculada no site de Oprah Winfrey e foi escolhida como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo em 2008, pela revista Time.

Também recebe mais de 100 e-mails de fãs ao dia. Alguns deles são cientistas especializados no estudo do cérebro, fascinados com o fato de que uma colega tenha sofrido um derrame e agora tenha podido retornar e traduzir essa experiência nos termos que eles estão acostumados a empregar. Outros são vítimas de derrames ou profissionais de saúde que trabalham nessa área, interessados em contar suas histórias e em agradecê-la pela franqueza.

Mas muitos dos que a procuram têm interesse em fenômenos espirituais, especialmente budistas e praticantes de meditação, para os quais a experiência pela qual ela passou confirma sua crença de que existe um estado de alegria ao qual se pode chegar.

Taylor decidiu estudar o cérebro - e obteve um doutorado em ciências com especialização em neuroanatomia -, porque seu irmão enfrentava uma doença mental e sofria ilusões de que estava em contato direto com Jesus. E de seu antigo laboratório de pesquisa em Harvard, ela continua a falar em defesa das pessoas mentalmente doentes.

Mas reduziu sua carga imensa de trabalho. Ela vive em beco arborizado a alguns minutos de distância da Universidade de Indiana, onde fez seu curso de graduação e onde hoje leciona na Escola de Medicina.

O vestíbulo da casa está pintado de uma cor púrpura intensa. Ela recebe os visitantes com abraços calorosos e, quando fala, seus olhos de um azul pálido não se desviam dos olhos de seus interlocutores. Solteira, ela vive com seu cachorro e dois gatos, e não hesita em definir sua mãe, 82 anos, como sua melhor amiga.

Taylor diz que escreveu suas memórias porque acredita que haja muito de aproveitável em sua experiência, no que tange à recuperação de pacientes de trauma cerebral.

Quanto a questões mais sérias, como a paz mundial, ela diz que não sabe como atingi-la, mas acredita que o hemisfério direito do cérebro possa ajudar - ao menos foi o que disse na conferência TED. "Creio que quanto mais tempo usarmos os circuitos de paz de nosso hemisfério direito, mais paz projetaremos no mundo, e mais pacífico será o planeta". Quase parece ciência.

Tradução: Paulo Migliacci ME

sábado, maio 17, 2008

O Samadhi do Celeiro da Grande Sabedoria


Não procure a iluminação. Não tente escutar os fenômenos ilusórios. Não odeie os pensamentos que surgirão, nem os ame, e sobretudo não os guarde. De qualquer maneira, pratique o grande fundamento, aqui e agora. Se você não guardar o pensamento, ele não voltará por si só. Se você se entregar à expiração e deixar a inspiração enchê-lo, em um vaivém harmonioso, nada mais restará do que uma almofada sob o céu vazio, o peso de uma chama.

Se você não esperar nada do que faz e negar a considerar o que quer que seja, poderá eliminar tudo apenas pela meditação sentada.

Apesar de as oitenta e quatro mil ilusões irem e virem, se você não lhes der importância e as abandonar, nesse momento, de cada uma delas, uma depois da outra e todas juntas, poderá surgir o maravilhoso mistério do celeiro da grande sabedoria.

Texto integral

terça-feira, maio 13, 2008

Os fantasmas do zazen

Que tipo de zazen fazer?

Com freqüência ouvimos dizer de um ou outro: “o zazen de hoje foi bom”. O que quer dizer isso? Suponho que seja um zazen tranqüilo, sem dores nas pernas, com a mente mais concentrada. Na verdade, o que falta é uma prática mais intensiva de zazen. Não fazemos zazen para relaxar a nossa mente, nem para tornar as pernas mais flexíveis. Fazer zazen uma vez por semana é pouco, mas muito para quem faz uma vez por mês. Fazer duas vezes por semana é melhor do que fazer uma vez só. Mas duas vezes por semana pode ser pouco para quem faz três vezes ou quatro. Fazer zazen deve ser encarado como uma atividade normal como respirar, comer, tomar água, fazer as necessidades básicas exigidas pelo corpo.

Entretanto, por algum motivo, o zazen é encarado como uma atividade especial. Nem respirar, nem comer são assuntos especiais, pelo contrário. Se o zazen for realizado sem inserção em nossa rotina, então começaremos a falar “o zazen de hoje foi bom”, o “zazen de hoje foi difícil”. Esta separação em bom e mal só cria mais confusão ainda. Só existe o zazen do dia, independente de sua categoria. O zazen só deve ser realizado como parte de uma atividade comum, tal qual respirar, comer... Talvez deva se fazer o zazen sem ao menos pensar em estar fazendo zazen.<

Tem se ensinado com freqüência: “Quando você se senta sem zazen, impreterivelmente os pensamentos surgem. Quando acontecer isso, não toque no pensamento. Se o pensamento for agradável não o agarre para se lembrar depois. Se o pensamento for desagradável não o expulse. Deixe o pensamento vir, deixe o pensamento ir. Assim penetrem mais fundo no zazen e acabem com a dualidade. Tornem-se um com o universo”.

Desconheço o motivo, mas quando classifica-se o zazen de “bom” e “mal”, estamos esperando uma intenção no sentarmo-nos em zazen. Esta intenção é dispensável. Ainda que todos os zazen sejam mal, continuem sentando-se. O zazen “mal” pode ser, talvez, uma falta de concentração. Se isso for verdade, a dificuldade pode ser sanada por mais treino da mente e do corpo fazendo zazen. No caso, treinar a mente é tão importante quanto ao atleta que deve treinar o corpo. Um velocista tem de treinar muito a flexibilidade das pernas, os músculos, a velocidade e a mente. Da mesma forma, o praticante de zazen deve fazer zazen. Quanto mais se faz zazen, terá mais chances de conhecer a si próprio, de treinar a concentração, apaziguar os fantasmas da mente, controlar a respiração, disciplinar a ansiedade e diminuir a dor.

Mas não é tão fácil assim. Principalmente para aqueles que não tem o costume de sentar-se em zazen, ou senta-se pouco, esta prática requer uma disposição maior. Não se pode ensinar alguém a fazer zazen, sendo as dificuldades os momentos de melhor aprendizagem. Não obstante, arrisco-me em dar alguns conselhos. Os conselhos podem ser seguidos ou não. Eis a sugestão: no meio do zazen somos assaltados pelos pensamentos e, por alguns instantes a divagação nos arrasta numa cadeia incontrolável de emoções; a mente turva-se e torna-se impura; a pureza da mente é retomada quando me dou conta do que ocorre e imediatamente corto o ciclo do pensamento, alinho a coluna e respiro profundamente levando o ar ao abdômen e solto demoradamente pela boca. Faça isso e a mente se acalmará em instantes.

Se soubessem como o zazen é importante para a nossa qualidade de vida, de descondicionamento mental, do entendimento do dharma, da descoberta da compaixão, enfim da senda da Iluminação, não perderiam tempo com frivolidades. Ainda que em cada final de zazen repitamos “a vida e a morte são assuntos importantes, não percam tempo, iluminem neste instante”, continuamos deludidos. E a nossa delusão se tornou um apego. É uma pena, é uma pena. De qualquer forma, o momento para o entendimento não aconteceu ainda...

domingo, maio 11, 2008

Debate Público sobre a Questão Tibetana

Dia 12 de Maio às 10 Horas
Plenário da Câmara Municipal do Rio de Janeiro - Palácio Pedro Ernesto - Praça Marechal Floriano, s/n, Cinelândia, Rio de Janeiro.

Veja mais no site do Monge Genshö

sexta-feira, maio 09, 2008

Dado a uma pessoa Zen


Lá, onde se transforma a grande função, o céu inteiro se move.
Penetrar; nenhum rastro na estrada sinuosa.
Sozinho, canto no balcão; apenas a cor da lua
tinge as nuvens. Aguaceiro de inverno umedece a névoa ardente.


Eihei Dogen

domingo, maio 04, 2008

Mente Original

"Não fique tenso, nunca fique tenso. Esteja aonde estiver, este é o melhor lugar para você, seja quem forem as pessoas à sua volta, estas são as pessoas certas. Isto é viver no presente."

Jayesh Patel

Karin me disse uma vez: "Você está sempre no lugar certo."

domingo, abril 27, 2008

sábado, abril 26, 2008

Trabalho no Zen Center de São Francisco

The Tassajara Summer Work Practice Program is a wonderful opportunity for living and working in a community where Zen meditation is the central practice. The daily schedule includes meditation in the morning and evening. There are lectures and classes on Buddhism, and opportunities for individual interviews with practice leaders. Our work focuses on taking care of our many summer guests as well as on general upkeep and maintenance of the monastery. Work areas include the kitchen, dining room, housekeeping, grounds and general maintenance.

Mais informações

quinta-feira, abril 17, 2008

domingo, abril 13, 2008

Não tocar

Na verdade pura do universo, as coisas não têm a qualidade de serem possuídas, de serem propriedade de alguém, isto é sim uma abstração humana. Sendo assim, não possuímos nada, estamos livres. Quanto mais pretendermos sermos donos de alguma coisa, mais estaremos invertendo os papéis, mais seremos possuídos pelo conceito que temos de tal coisa, num processo apenas mental. De uma forma mais sutil, nomear e conceituar objetos, pessoas e situações de forma fixa, também significa possuir, porquê significa enquadra-los em "nossa" maneira limitada de ver. Acredito que deixar as coisas em seu estado natural de liberdade nos ajudará a também encontrarmos nosso estado natural.

segunda-feira, abril 07, 2008

Shukke Tokudo

Atenção: Mudança do horário da ordenação – a cerimônia de Shukke Tokudo de Waryu será às 17:30.

Queridos amigos,
Convido-os para minha cerimônia de ordenação monástica, Shukke Tokudo, a ser realizada no dia 12 de abril de 2008 no Templo Busshinji-São Paulo, às 17:30. Será oficiada pelo mestre Dosho Saikawa Roshi, da escola Zen Budista Soto.

O Templo fica à Rua São Joaquim, número 285, Bairro Liberdade, Cidade de São Paulo.

Sejam bem-vindos!

gasshö,

no Dharma,

Martha Lages Rodrigues Waryu
"Mas quais são os princípios pelos quais somos guiados quando lidamos com todos os sistemas de Dharma?", foi a próxima pergunta de Chi Ch’eng. "Quando nossa Essência da Mente está livre de impurezas, paixões imaturas e perturbações", respondeu o Patriarca, "quando introspectamos nossa mente de momento para momento através do Prajna, e quando não nos apegamos a coisas e objetos fenomênicos, estamos livres e liberados. Por que nós deveríamos formular qualquer sistema de Dharma, quando nossa meta pode ser alcançada não importa se viramos à direita ou à esquerda? Uma vez que com nossos próprios esforços percebemos a Essência da Mente, e desde que a realização e a prática da Lei podem ambas ser vivenciadas instantaneamente, e não gradualmente ou organizadas através de estágios, a formulação de qualquer sistema de Lei é desnecessária. Como todo os Dharmas intrinsecamente são Nirvânicos, como pode haver graduação neles?" Chi Ch’eng fez reverência e ofereceu-se como assistente do Patriarca.

Sutra da Plataforma - fonte: site Shunya

quarta-feira, abril 02, 2008

Compaixão

"Por muita grande que seja a vossa veneração pelos mestres tibetanos e o vosso amor pelo povo tibetano, não falem mal dos chineses. As chamas do odio só podem ser apagadas pelo amor e se o fogo do ódio não se apagar é porque o amor não era ainda suficientemente forte."

Dalai Lama - 03/2008

segunda-feira, março 17, 2008

Trânsito zen

Em dia de trânsito recorde, monge budista dá dicas de como controlar o estresse

Em seu Uno ano 2002, ele enfrentou o trânsito de São Paulo num desaconselhável início de noite de sexta-feira. Levou buzinada e luz alta para sair da frente, assustou-se com um motoqueiro fazendo ultrapassagem em virada de esquina, enfrentou a obstinação de um caminhoneiro que não permitiu a troca de faixa e, naturalmente, viu-se encurralado num engarrafamento daqueles. Mas nem sequer se abalou.

"Se você tem que enfrentar o trânsito, que enfrente com sabedoria", diz o monge João Koun, 38. Ele é pregador da escola zen do budismo, que se concentra na meditação.

Na semana em que São Paulo bateu recorde de congestionamento -221 km na quinta-feira-, a Folha pegou carona com o monge para saber como se evita o estresse no trânsito paulistano.

Velocidade mínima
O passeio começou na Lapa (zona oeste), onde ele mora, passou pelas avenidas Doutor Arnaldo e Pacaembu e incluiu a marginal Tietê. O Uno precisou de uma hora e meia para percorrer um trajeto de 30 km -a uma velocidade média de apenas 20 km/h.

Cabeça raspada e roupa preta de monge, Koun conversou todo o tempo com a voz tranqüila. Jurou que não passou pela cabeça buzinar para o motorista que jogou o carro em sua frente com violência, sem dar a seta.

"No trânsito, olhamos só a máquina. Mas há uma pessoa ali dentro." O essencial, segundo o monge, está em algo insuspeito e bem concreto: a respiração. O motorista deve prestar atenção ao ar entrando nos pulmões e saindo. Para se concentrar na respiração, uma dica do monge é contar cada inspiração e expiração, de um a dez. O banco do carro deve ficar totalmente na vertical, para facilitar a entrada e a saída do ar.

Terminado o passeio, o monge Koun guardou seu Uno na garagem e revelou: "Se não fosse para a reportagem, eu jamais teria saído de carro a esta hora". Só sai de carro em casos excepcionais. Para chegar ao templo budista, na Liberdade (região central), vai de bicicleta. "Uma forma de não sentir raiva no trânsito é evitá-lo."

Ricardo Westin
Da reportagem local
Folha de São Paulo - 17/03/2008

domingo, março 09, 2008

Libertação dos gakis


No universo simbólico budista há a presença de dez estágios de entendimento. Tratemos, no entanto, dos “seis mundos inferiores” formados pelas vias de expiação, apego e ausência de luz nas seguintes categorias: inferno, animais, gaki, shura, homens e devas. O homem também está num estágio de apego não apenas à matéria, mas igualmente às idéias. As idéias dizem respeito ao espírito. Acima dos homens estão os devas, ainda apegados, mas possuidores de qualidades que os tornam melhores que os humanos. Entretanto, sofrem por causa da vaidade e falta de compaixão.

No entanto são os que se encontram abaixo da condição humana, os que mais sofrem. Um shura é um guerreiro incansável, extremamente apegado às suas convicções, metas e realizações. Pode ser visto como um ser humano, com diferença de se manter acorrentado às paixões de sua própria auto-realização, sem medir conseqüência de seus atos. Sofre em demasia diante das derrotas, pois visa apenas a vitória.

Abaixo deste estão os gakis. É representando como alguém de debilidade física, troncudo, meio corcunda, feio, faminto e com sede. Perambulam de um lado para outro, como fantasmas, pedindo alimento e água. Ainda que consigam alimento e água, o que os tornam barrigudos, não conseguem saciar fome e sede.

Estas categorias podem se referir ao próprio homem, em estados emocionais de queda, desde os apegos de ordem espiritual às de total dependência orgânica. No caso, o gaki somente se realiza, ainda que momentaneamente, comendo e bebendo. Claro que ele é extremamente apegado, beirando às condições sub-humanas de sobrevivência. Por isso, a salvação de um gaki estaria na mudança da sua mentalidade, mas enquanto isso não acontece precisa sanar suas necessidades imediatas. Dar de comer e beber a um gaki é um ato de compaixão, portanto totalmente isento de recompensa.


Um gaki consegue alimentar-se somente pela mão alheia, pois com as próprias mãos não obtém resultado. Por causa de seu aspecto horripilante, ninguém se aproxima dele. Ao contrário, foge. Ou ainda, não se importa com o sofrimento alheio.

Justamente no mundo em que vivemos, as condições apresentadas facilitam o aparecimento de gakis. Podemos dizer de outra forma: da miséria. E a miséria é a própria contradição da existência do acúmulo da riqueza. O gaki é uma representação sobrenatural de algo muito próximo de nossas vidas.

Alimentando os gakis


Durante a realização da Cerimônia de Equinócio costuma-se montar uma mesa com fartura na entrada do templo. Ocasião em que acontece o Sejiki - doação de alimentos. Canta-se na ocasião o Portal da Ambrosia (Kanromon), em que o monge oficiante liberta e chama os gakis para o banquete, abre em seguida as suas bocas e depois deposita um pouco de alimento. Feliz, os gakis reconhecem o ato de compaixão e, em retribuição, dançam demonstrando alegria e, em seguida, retornam ao seu mundo.

Desta vez, a representação dos gakis, durante o canto do Portal da Ambrosia aconteceu na Cerimônia de Equinócio de Outono (Aki Higan), dia 9 de março, domingo, no Templo Busshinji. Oportunidade única, pois serviu de transmissão pedagógica do que realmente dizia o Portal da Ambrosia: doação de alimentos.

Costuma-se nesta ocasião, no Equinócio, ir ao encontro dos antepassados ao atravessar “a outra margem”. Os alimentos são oferendas aos nossos antepassados, mas também a todos os outros que necessitam, entre eles os marginalizados e desprezados gakis. Seres tristes, corroídos pelo sofrimento, são devidamente alimentados pela ação boa dos homens de bem.


Uma cerimônia é um ato simbólico que representa as nossas profundas intenções no plano real. O contrário disto vira apenas espetáculo. Por isso, ao participar de uma cerimônia é assumir compromissos. Em referência, ajudar a todos sem distinção.

quarta-feira, março 05, 2008

Batizado

do filho nasce o pai
tudo é testamento

(Tomás recebe as Três Jóias de Saikawa Roshi. Seu nome do Dharma é Homan: pleno do Dharma)

Pureza

"O Patriarca (um dia) endereçou-se à assembléia como segue:
Em nosso sistema de meditação, nós nem enfatizamos a mente (em contraposição à Essência da Mente) nem a pureza. Tampouco aprovamos a Não-atividade. Quanto a enfatizar a mente, devemos saber que ela é principalmente delusiva; e quando percebemos que ela é apenas um fantasma, não haverá nenhuma necessidade de enfatizá-la. Quanto a enfatizar a pureza, nossa natureza já é intrinsecamente pura; e uma vez que nos libertamos de toda ‘idéia’ delusiva, nada mais haverá além da pureza em nossa natureza, porque é a idéia delusiva que obscurece o Tathata (Aquilo que é). Se direcionarmos nossa mente para enfatizar a pureza, estaremos criando apenas outra ilusão, a ilusão da pureza. Considerando que a ilusão não tem nenhum lugar permanente, é delusivo procurar enfatizá-la. A Pureza não tem forma nem aspecto; mas algumas pessoas vão tão longe que inventam uma ‘Forma da Pureza’, e lidam com isto como um problema o qual devemos procurar uma solução. Sustentando tal opinião, estas pessoas tentam dominar a pureza, e sua Essência da Mente é assim obscurecida."

Sutra da Plataforma, Hui-Neng

Fonte: site Shunya

segunda-feira, março 03, 2008

Da perfeição da vida

Por que prender a vida em conceitos e normas?
O Belo e o Feio... O Bom e o Mau... Dor e Prazer...
Tudo, afinal, são formas
E não degraus do Ser!

(Mário Quintana)