domingo, janeiro 27, 2008

Cerimônia de ordenação de uma das discípulas de Taisen Deshimaru em 1975. Repare na descontração e alegria. Assista no vídeo abaixo:

Kesa



Em breve Sodô será monja. Hospedada em minha casa, concentra-se na costura de seu manto, o kesa.

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Ypê

Contemplo o rio
que corre parado
e a dançarina de pedra
que evolui
Completamente
sem metas, sentado
não tenho sido, eu sou, não serei nem fui
A mente quer ser
mas querendo erra
pois só sem desejos
é que se vive o agora
Vede o pé do Ypê
apenasmente flora
revolucionariamente
apenso ao pé da serra

(Belchior)

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Sesshin de Carnaval

Acontece no Templo Busshinji, de 30 de janeiro a 04 de fevereiro, o Sesshin (retiro) do Carnaval.

A participação é aberta a todos os interessados. Todos devem vestir roupas pretas. Durante a prática do sesshin não serão permitidas saídas inesperadas ou entradas atrasadas. Não se traz telefone celular e nem usa o telefone do templo. Na hora do samu (trabalho), deve executar as tarefas com afinco. Evitar conversar durante os intervalos. Como não temos acomodações apropriadas, os participantes retornam para as suas casas à noite.

O custo para este sesshin é de R$ 200. Ou R$ 30 por dia para participação avulsa.

O Templo Busshinji fica na Rua S. Joaquim, 286, Bairro da Liberdade, São Paulo. Inscrições no local. Tels: (0xx11) 3208-4345/4515

terça-feira, janeiro 22, 2008

Postura

"Hoje, eu gostaria de falar sobre a postura zazen. Quando você se senta na posição de lótus completo, seu pé esquerdo fica sobre sua coxa direita, seu pé direito, sobre a coxa esquerda. Ao cruzarmos as pernas desse jeito, embora tenhamos uma perna esquerda e outra direita, elas se tornam uma só. A postura expressa a unidade da dualidade: nem dois, nem um. Este é o ensinamento mais importante: nem dois, nem um. Nosso corpo e mente não são dois, nem um. Se você pensa que seu corpo e mente são dois, está errado. Se pensa que são um, também está errado. Nosso corpo e mente são dois e um ao mesmo tempo. Habitualmente, pensamos que se algo não é um, é mais do que um; que se algo não é singular, é plural. Mas, na prática, nossa vida não é só plural, é também singular. Cada um de nós é duas coisas ao mesmo tempo: dependente e independente.

Depois de viver certo número de anos, morremos. É errado pensar que isto seja o fim de nossa vida. Mas, por outro lado, achar que não morremos também está errado. Morremos e não morremos. Este é o entendimento correto. Alguns podem dizer que nossa mente, ou alma, existe para sempre e que é apenas nosso corpo físico que morre. Isso não é bem assim porque ambos, corpo e mente, têm fim. Mas, também é verdade que ambos existem eternamente. Embora se diga corpo e mente, eles são de fato dois lados da mesma moeda. Este é o entendimento correto. Assim, a postura zazen simboliza essa verdade. Quando meu pé esquerdo está sobre o lado direito de meu corpo e o pé direito sobre o lado esquerdo, eu não sei qual é qual. Tanto pode ser um como outro.

A coisa mais importante na postura zazen é manter a coluna reta. Orelhas e ombros devem ficar alinhados. Relaxe os ombros e estique a parte superior da cabeça em direção ao teto. O queixo deve ficar ligeiramente recuado para dentro. Quando o queixo está erguido, você não tem firmeza na postura, com o que e provável que sua mente se ponha a vaguear. Assim, para reforçar sua postura, pressione o diafragma para baixo, em direção ao seu hara ou parte baixa do abdome. Isso o ajudará a manter o equilíbrio físico e mental. Ao tentar manter essa postura, poderá encontrar alguma dificuldade inicial em respirar de maneira natural, mas quando se acostumar a ela será capaz de respirar normal e profundamente.

Suas mãos devem formar o mudra cósmico. Se puser o dorso da mão esquerda sobre a palma da direita, as juntas dos dedos médios encostadas umas sobre as outras, as pontas dos polegares tocando-se levemente (como se estivessem segurando uma folha de papel), suas mãos formarão um belo oval. Mantenha esse mudra cósmico com todo cuidado, como que segurando algo precioso. Suas mãos devem estar junto ao corpo, de forma que os polegares fiquem à altura do umbigo. Mantenha os braços livres e relaxados, ligeiramente afastados do tronco, como se estivessem segurando um ovo em cada axila, sem quebrá-lo.

Não deve inclinar-se para os lados, nem para a frente, nem para trás. Deve ficar sentado bem reto, como se estivesse sustentando o céu sobre a cabeça. Isto não é apenas postura ou respiração. Isto expressa o ponto chave do buddhismo. E uma expressão perfeita da sua própria natureza búddhica. Se você busca a verdadeira compreensão do buddhismo, tem de praticar deste modo. Estas formas não são meios para obter um estado mental correto. Assumir a postura já é, em si, o propósito da nossa prática. Ao se colocar nessa postura, sua mente fica naturalmente em estado correto; portanto, não há necessidade de buscar um estado especial da mente. Quando você tenta obter algo, sua mente começa a divagar por outros lugares. Quando você não se ocupa em obter algo, seu corpo e sua mente permanecem juntos, presentes onde você está. Um mestre Zen diria: "Mate o Buddha". Isto é, mate o Buddha se ele existe em algum outro lugar. Mate o Buddha porque é você que deve reaver sua própria natureza búddhica.

Fazer algo é expressar nossa natureza. Não existimos por nenhuma outra razão senão a de sermos nós mesmos. Esse é o ensinamento fundamental, expresso nas formas que observamos. Por exemplo, quando nos sentamos ou ficamos em pé no zendô, seguimos certas regras. O propósito dessas regras não é fazer com que todos sejam iguais e sim permitir que cada um expresse o seu próprio eu mais livremente. Por exemplo: cada um de nós tem sua própria maneira de ficar em pé - nossa postura em pé é baseada na proporção do nosso corpo. Quando estiver em pé, seus calcanhares devem ficar separados um do outro a uma distância que corresponda à medida de seu punho: os dedões dos pés devem ficar alinhados com os mamilos. Assim como no zazen, temos que pôr alguma força no abdome. Aqui também suas mãos devem expressar o que você é. Ponha a mão esquerda contra o peito, com os dedos circundando o polegar, e a mão direita sobre ela. Colocando o polegar esquerdo apontado para baixo e os antebraços em linha paralela ao chão, você se sentirá firme como se estivesse seguro a uma grande coluna de um templo, sem possibilidade de encolher-se ou pender para os lados.

O mais importante é estar de posse do próprio corpo físico. Se você se encolhe, está se perdendo de si mesmo. Sua mente estará divagando alhures; você não estará presente em seu corpo. Não é assim que deve ser. Nós temos que existir no aqui e agora. Este é o ponto chave. Você tem que estar de posse de seu corpo e mente. Tudo deve existir no lugar certo e de maneira certa. Então não há problemas. Se o microfone que eu uso quando falo estiver colocado em outro lugar, ele não estará servindo ao seu propósito. Quando nosso corpo e mente estão em ordem, tudo o mais está no seu devido lugar, de forma certa.

Usualmente, sem que tenhamos consciência disso, tentamos mudar as coisas em vez de mudar a nós mesmos; tentamos arrumar as coisas que estão fora de nós. Mas é impossível ordenar as coisas se você mesmo não está em ordem. Quando você faz as coisas de forma certa, no momento oportuno, tudo o mais se organiza. Você é o chefe. Quando o chefe está dormindo, todos dormem. Quando ele faz algo bem feito, todos os demais o fazem igualmente bem e no tempo certo. Este é o segredo do buddhismo. Portanto, procure manter a postura correta, não apenas quando pratica zazen mas em todas as suas atividades. Adote a postura certa quando estiver dirigindo um carro ou quando estiver lendo. Se você lê numa posição displicente, não pode ficar lúcido por muito tempo. Experimente. Você descobrirá como é importante manter a postura correta. Este é o ensinamento verdadeiro. Ensinamentos escritos no papel não são verdadeiros ensinamentos, são alimento para o cérebro. Claro que é preciso alimentar o cérebro; porém, o mais importante é ser você mesmo praticando a forma correta de viver.

Eis por que o Buddha não pôde aceitar as religiões que existiam na sua época. Ele estudou várias religiões mas não ficou satisfeito com suas práticas. Não encontrou respostas no ascetismo ou nas filosofias. Ele não estava interessado nos aspectos metafísicos da existência, e sim em seu próprio corpo e sua própria mente no aqui e agora. E quando encontrou a si mesmo, descobriu que tudo quanto existe tem natureza búddhica. Essa foi sua iluminação. Iluminação não é uma sensação agradável ou algum estado particular da mente. O estado da mente que existe quando você se senta em postura correta é, por si só, iluminação. Se você não está satisfeito com o estado da mente que tem no zazen, significa que sua mente está divagando por aí afora.

E nosso corpo e nossa mente não devem oscilar nem vaguear. Nessa postura, não há por que falar em estado correto da mente. Você já o possui. Esta é a conclusão do buddhismo."

Do livro Mente Zen, Mente de Principiante - Shunryu Suzuki.

segunda-feira, dezembro 31, 2007

Ano novo

(Sutra da Perfeição da Sabedoria do Diamante que Corta as Ilusões)

Assim devemos pensar sobre este mundo efêmero:
uma estrela ao amanhecer, uma bolha na correnteza
o brilho de um relâmpago numa nuvem de verão
uma lamparina tremulante, um fantasma, um sonho.

segunda-feira, dezembro 24, 2007

A importância de um sesshin

Perguntar-se sobre a importância de um sesshin, para aqueles que o fazem, fizeram ou farão, é uma das questões que soa desnecessária, até mesmo retórica. Um sesshin é importante; por que, de outra forma, as pessoas deslocariam-se de longe para passar dias e dias sentados no zafu? Eu, contudo, peguei-me fazendo esta pergunta, inspirado pela lembrança das minhas dores, dramas e desistências.

Há várias coisas das quais sentimos a diferença somente depois que elas acabam. Engana-se quem acha que, findo um evento, findas as suas repercussões. Durante um sesshin podemos sentir e vivenciar várias coisas, todos nós o sabemos. É somente, porém, quando voltamos para casa, quando voltamos para a nossa rotina, que vemos coisas novas desenrolarem-se – algo que talvez estava lá antes mesmo da viagem.

Uma das importâncias óbvias de um sesshin é o simples fato de que os praticantes reunidos ajudam a manter a prática uns dos outros. Podemos passar a admirar a coragem de Sidarta em sentar-se em zazen sozinho, sem professor, preceptor ou colegas, depois que vemos o quão fracos somos se não praticamos com outros. Não precisamos evocar forças ou energias: a simples pressão social de não abandonar uma sessão de zazen faz maravilhas – eu teria escapado muito, muito antes do terceiro dia.

Importante, também, praticar, neste caso, do lado de um roshi , e de pessoas que praticam o zazen por anos e décadas.

Importante ter a oportunidade – devido a um tempo planejado de prática intensiva – de aprofundar-se no zazen, de poder descobrir estados ainda não conhecidos, de poder ir um pouco mais longe que a prática cotidiana nos permite.

Tudo isto, enfim, importante. Valioso.

Mas há outra coisa importante que desejo deixar para falar aqui: importante é fazer um sesshin, com todas as suas importâncias – e desimportâncias – para ter esta experiência e voltar para as nossas vidas.

Como dizia antes, há coisas das quais o peso delas cai depois: seja fazer sentido depois, seja cair a ficha depois, seja simplesmente revestir-se de outras vivências, depois. Para ser sincero, não tinha muita certeza de porque eu fazia o tal sesshin – ah, por causa do rakussu, uma península de orgulho (o lado bom do orgulho, nos faz fazer coisas que não faríamos com pretensa humildade), para não decepcionar a mim mesmo e aos outros, por uma sede de saber, por um desejo inominável, para pura e simplesmente praticar. Ah, miríades de razões. Mas não tinha certeza e, acima de tudo, nos momentos mais desesperados, para a pergunta "por que você não vai embora?", eu só sabia dizer, depois de um certo tempo: "eu não sei". Prometia a mim mesmo que iria até o final do dia e então, somente de noite, iria ver se ia embora ou não. Cada dia acabava em si mesmo: cada dia um novo dia, nova prática. Cada novo momento. Apesar das várias coisas, apesar das dores e delícias, apesar do rakussu para terminar, apesar dos transeuntes noturnos de São Paulo, apesar do delicioso nabo amarelo, íamos somente indo, fazendo zazen na hora do zazen. Apesar dos diversos pensamentos e distrações.

É agora que, então, olhando para lá, para a semana passada, me pergunto: como foi possível? E não é que aconteceu? Aconteceu. Ao mesmo tempo que pode parecer um sonho, ter um toque de irreal, tem a realidade das coisas não-sonhadas.

O valioso de um sesshin é ter a experiência da prática viva, presente, como um marco. Esta prática constante, este breve período em que nos permitimos e permitimos aos outros que praticassem com mais afinco, ecoará dias e semanas e meses depois, nos lembrando da nossa prática. Mesmo que sentemos muito pouco, mesmo que esqueçamos temporariamente do zazen, mesmo que o ritmo de nossas vidas exija outras prioridades, a experiência está "lá", podemos (tentar) voltar a qualquer momento e nos servir dela.

Qual experiência?

Dogen usava uma expressão interessante para referir-se à prática: prática-esclarecimento, ou prática-iluminação. A prática é iluminação, iluminação é prática; uma não difere da outra. Dizer, porém, que elas são "uma mesma coisa", só que "duas faces de uma mesma moeda" é perder a experiência com palavras: mesmo dizer do Um é perdê-lo irremediavelmente como Um. As palavras vêm, necessariamente, depois, e têm o seu gosto peculiar, muitas vezes saboroso; mas a prática, porém, está além das palavras, não no sentido que as negue.

Zazen é negar nada e afirmar nada. Se tivesse eu feito um esforço para "livrar-me" de todos os impedimentos, de todas as distrações, de todos os "venenos" durante o sesshin, isto não seria zazen: isto seria eu fazendo esforço para livrar-me de impedimentos, distrações e "venenos". Na maior parte do tempo, era isto que fazia: lutando com a dor ou tentando agüenta-la, pensando em desistir e depois arrependendo-me de pensar em desistir. Mas, embora isto não seja o zazen, isto é zazen: eis a nossa vida, eis a nossa prática. Nada de especial, de excepcional, no sentido de que antes mesmo que pudéssemos falar enquanto praticamos ela está lá. É simples, não é? Todos nós o sabemos. Simples mesmo em sua tremenda dificuldade.

"Nadem quanto queiram, os peixes não encontram um fim no mar; voem quanto queiram, os pássaros não encontram um fim no céu." Dogen Zenji, Shobogenzo Genjokoan.

Afinal, quando falamos de prática, sobre quem estamos falando?

Agora mesmo eu falo de importante e não-importante, de valioso, de prática e iluminação e vida, como se fossem coisas ou separadas ou excepcionais. É uma maneira de falar, uma maneira de passar algo – que eu espero que agrade a uns e sirva a todos.

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Sesshin da Iluminação

Da forma como Buda almejou libertar-se

Não foi este o primeiro sesshin realizado em nossas vidas, nem o segundo e nem o terceiro. Foram muitos, que perdemos da conta. Mas sempre é como se fosse o primeiro. E, se tratando do Sesshin da Iluminação, algo diferente acontece. Nestes oito dias de retiro, sentando-se mais de oito horas, repetimos o gesto que levou Sidharta a Bodhigaya a sentar-se abaixo da árvore da sabedoria. Teria sido lá, a mais de 2500 anos que o príncipe de Kapilavastu alcançou a Iluminação. Foi quando disse, “neste momento eu e simultaneamente todos os seres existentes tivemos a experiência da libertação. Não apenas Sidharta, mas todos: humanos, animais, vegetais, montanhas, rios e vales”.

Assim conta a lenda. Maravilhoso do ponto de vista da narrativa fantástica, na qual incluem os seres fantásticos. “Se Buda tivesse dito que se Iluminou, quem acreditaria?” – provocou o Superior Dosho Saikawa. Por isso, a dúvida da Iluminação de Buda, pode ser colocada a prova através de uma confirmação prática. Sente-se, apenas sente-se, da maneira ensinada pelas palavras de Dogen Zenji: Shikantaza! Teria agido desta forma o Buda, quando escolheu o Caminho do Meio e entregou-se a sentar em zazen por oito dias. Não poderia ser diferente para um praticante do Zen, que ao invés de acreditar simplesmente, num ato cego de fé, faz o mesmo que Buda fez. E abre a possibilidade de conhecer as etapas que Buda experimentou no corpo e mente.

Penetrando fundo no zazen, Sidharta enfrentou as filhas do demônio Mara. Que venha cada uma delas, na forma de sensualidade, de medo, de raiva, enfim de todos as manifestações de apego à abstração da mente iludida. Se num primeiro momento Mara surgia como um sedicioso mago da confusão egoísta, sofredor de suas próprias angústias, depois Mara apresenta-se com o semblante calmo de Buda. Não se tratava este de um ser externo ao seu criador, nunca existiu além da própria mente. Ao tentar seduzi-lo numa última cartada, Buda aponta para a terra e Mara reconhece a derrota. Mais do que o céu – quer dizer as idéias – no budismo enfatiza-se a terra – ou seja, a não dualidade.

Como discurso, a Iluminação de Buda é algo maravilhoso, que se admira e respeita, mas sempre se trata de um ato realizado pelo outro. É o outro que se Ilumina. Pode-se ter idéia da Iluminação, mas nunca a idéia substitui a verdade. Para que a Iluminação se torne uma verdade comprovada, os céticos do Zen participam do Sesshin da Iluminação.

No Templo Busshinji tornou-se comum um sesshin em que sentar é o ponto mais alto da experiência. Saikawa Roshi disse a respeito: ”o nosso sesshin é uma atitude simples e alegre de conhecer a nós próprios”. No último dia, a experiência se estende pela madrugada, devendo encerrar-se às 3hs. Foi pela manhã que Sidharta vislumbrou adiante a estrela matutina, cuja luz ao refletir em seus olhos, percebeu que o universo não se encontrava dividido e ele próprio era parte da totalidade sem distinções. Nos outros dias de sesshin costuma-se dormir à noite, o mesmo não acontecendo na última. Aliás, no Japão alguns templos não encerram o sesshin na madrugada que Buda se tornou Iluminado, mas estendendo-se pelo dia todo em reconhecimento ao patriarca chinês Taisso Eka. Dizem que se Eka não tivesse insistido com seu mestre indiano Bodhidharma, o budismo zen não teria chegado à China e provavelmente desaparecido. Em agradecimento a Eka, se faz mais um dia de sesshin. Esta prática não foi ainda incorporada no Brasil, pelo que se tem conhecimento.

Só de se falar em sesshin, alguns arrepiam de medo. “Não é para mim”, ouve-se de um canto para outro. Argumenta-se também que os que participam do sesshin são os mais preparados ou que não sentem dores nas pernas. Ledo engano. Esta idéia é errada. Pensar desta forma é insistir na dualidade e cair na delusão. Não apenas isso, é uma atitude discriminatória. Nem os que participam do sesshim podem ser considerados melhores em detrimento aos que não participam.

Mas durante o sesshin conhecemos um pouco de nós mesmos. Em atitude de observação, pudemos constatar alguns pontos: todos sentem dores, inclusive aqueles mais treinados; a resistência de alguns tem menos a haver com a condição física (flexibilidade e força) do que a condição espiritual (mente tranqüila ou intranqüila). Responsabilizar a dor física como único fator para a desistência ou ainda para a produção de confusão mental é menos verdadeiro do que o fluxo de pensamento egotista possibilitar a desconcentração e, conseqüentemente, valorizar a dor física. Dizer que fazer zazen não passa de uma técnica convencional, que deve ser dominada, não me parece tão verdadeiro assim. Zazen de cada dia é um zazen novo, como fosse o zazen da primeira vez.

Nem mesmo o mais flexível dos homens, um ginasta, o homem borracha do circo, conseguem sentar-se em zazen se a mente não tiver treino suficiente para manter a tranqüilidade. Será um tormento ficar imóvel. Homens com corpo malhado, marcado pelos exercícios de levantamento de pesos não fazem frente a frágeis meninas que, no entanto, têm força mental. Quanto menos se valoriza o ego, maior é o abandono dos apegos, conseqüentemente a mente se torna mais tranqüila. Maior é a força mental quanto é menor o apego. De fato, vivemos momentos de grande intranqüilidade, pois temos apegos ao nosso próprio valor, à nossa capacidade, ao nosso talento, à nossa inteligência, à nossa beleza e não apenas aprendemos a “ser melhores”, mas temos que “parecer melhores”. Tudo isso não passa de ilusão. Sabemos disso, mas recusamo-nos a abandoná-los. Sofremos, mas não queremos, inclusive, abandonar o sofrimento. Tudo por uma questão de vaidade.

Arriscar-se em realizar um sesshin até as profundezas de nossa medula é cair em febre, quando o ego sente-se ameaçado de perder a identidade. A identidade é uma ilusão, criada por nós próprios e pelos nossos próximos. De tão acostumados que estamos em deitar no colchão confortável da ilusão, sentimo-nos agredidos quando temos de assumir responsabilidades pelas nossas ações. E assim delega a responsabilidade para os outros e Iluminação não prescinde dela.

Realizar o Sesshin da Iluminação é ser o Buda por oito dias, vencendo etapas, enfrentando demônios e não seduzir pelas promessas vãs dos deuses. Não basta acreditar na Iluminação, pouco isso importa. Deve ser saboreado em seu total paladar.

sábado, dezembro 08, 2007

Seshin da Iluminação

Acontece no Templo Busshinji, de 9 a 16 de dezembro, o Sesshin da Iluminação (Rohatsu Sesshin). A participação é aberta a todos os interessados. Todos devem vestir roupas pretas. Durante a prática do sesshin não serão permitidas saídas inesperadas ou entradas atrasadas. Não se traz telefone celular e nem usa o telefone do templo. Na hora do samu (trabalho), deve executar as tarefas com afinco. Evitar conversar durante os intervalos.
Mesmo os praticantes de outras escolas podem participar, desde que se adaptem às normas da casa. Como não temos acomodações apropriadas, os participantes retornam para as suas casas à noite.
O custo para este sesshin é de R$ 200.
O Templo Busshinji fica na Rua S. Joaquim, 286, Bairro da Liberdade, São Paulo. Inscrições no local.

terça-feira, novembro 27, 2007

Aparecida Kannon Bosatsu da Paz Universal II

CONVITE do Templo Busshinji:

Realizar-se-á HOJE dia 27 de novembro, às 12h, no portal do Templo Busshinji, a Cerimônia de Aparecida Kannon Bosatsu da Paz Universal. Na ocasião, durante o ato religioso haverá a distribuição de pratos de alimentação a todos os participantes. Tal fato pretende estender o ensinamento budista da compaixão, que consiste na ajuda mútua entre os Homens.

O Templo Busshinji fica na rua São Joaquim, 285 Liberdade São Paulo SP

sábado, novembro 24, 2007

quinta-feira, novembro 22, 2007

Prática dos preceitos

Em teisho realizado durante o Sesshin anual, em outubro, no Templo Busshinji, Wendy Egyoku Nakao Roshi, abadessa do Zen Center of Los Angeles, falou sobre a importância da prática dos preceitos no dia-a-dia.

Indagada sobre como podemos manter a mente que busca o Caminho quando nos levantamos da almofada de meditação, Wendy Egyoku Roshi respondeu: estudem e pratiquem os preceitos.

Em seguida, apresentou os preceitos observados pela Zen Peacemaker Order. Trata-se de uma aplicação dos 16 preceitos à nossa realidade histórica.

As 16 práticas da ZEN PEACEMAKER ORDER

Os três refúgios de um Zen Peacemaker


(Os Três Tesouros)

Convidando todas as criações na mandala de minha prática e fazendo o voto de ajudá-las, tomo refúgio em:

Buddha, a natureza desperta de todos os seres;
Dharma, o oceano de sabedoria e compaixão;
Sangha, a comunidade daqueles que vivem em harmonia com todos Buddhas e Dharmas.

Os três princípios de um Zen Peacemaker
(Os Três Preceitos Puros: Não fazer o mal, Fazer o bem, Benecifiar os outros)

Tomando refúgio e entrando na correnteza da espiritualidade comprometida, faço o voto de viver uma vida de:

Não-saber, assim abandonando idéias fixas sobre mim e sobre o universo.
Testemunhar a alegria e o sofrimento do mundo.
Curar a mim e aos outros.

As dez práticas de um Zen Peacemaker
(Os Dez Graves Preceitos)

Atento à interdependência da Unidade e Diversidade, e desejando realizar meus votos, comprometo-me à prática de:

1. Reconhecer que não sou separado de tudo o que existe. Este é o preceito de Não matar.
2. Estar satisfeito com o que tenho. Este é o preceito de Não roubar.
3. Encontrar todas as criaturas com respeito e dignidade. Este é o preceito da Conduta sexual pura.
4. Ouvir e falar com o coração. Este é o preceito de Não mentir.
5. Cultivar uma mente que vê claramente. Este é o preceito de Não se iludir.
6. Incondicionalmente aceitar o que cada momento oferece. Este é o preceito de Não falar sobre erros e falhas dos outros.
7. Falar o que percebo ser a verdade, sem culpa ou censura. Este é o preceito de não louvar alguém nem culpar os outros.
8. Usar todos os ingredientes de minha vida. Este é o preceito de Não ser mesquinho.
9. Transformar sofrimento em sabedoria. Este é o preceito de Não ser raivoso.
10. Honrar minha vida como um instrumento para promover a paz. Este é o preceito de Não difamar os Três Tesouros.

Disponível em <http://www.zencenter.org>

terça-feira, novembro 13, 2007

raiva

"E foi então que eu acertei com a verdade fiel: que aquela raiva estava em mim, produzida, era minha sem outro dono, como coisa solta e cega. As pessoas não tinham culpa de naquela hora eu estar passeando pensar nelas. (...) Mas, na ocasião, me lembrei dum conselho que Zé Bebelo, na Nhanva, um dia me tinha dado. Que era: que a gente carece de fingir às vezes que raiva tem, mas raiva mesma nunca se deve tolerar de ter. Porque, quando se curte raiva de alguém, é a mesma coisa que se autorizar que essa própria pessoa passe durante o tempo governando a idéia e o sentir da gente; o que isso era falta de soberania, e farta bobice, e fato é."
João Guimarães Rosa em Grande Sertão: Veredas

segunda-feira, novembro 12, 2007

A miséria da metafísica


Muitos são os alunos das faculdades particulares que procuram o templo budista a fim de elaborar seus trabalhos acadêmicos. Não se sabe direito o que realmente desejam. Assim, desnorteados, fazem a pergunta mais óbvia, sem perceber a falta de preparação para tanto: “fale-me sobre o budismo”. Falar sobre o budismo, há a possibilidade de discorrer horas a respeito. Assunto não faltará. Mas ainda assim, haverá uma lacuna de fragilidade metodológica no tema em questão. O que é o budismo?
Quando interpelado pelo Imperador Wu, o patriarca indiano Bodhidharma respondeu: “O Budismo é como este céu imenso, totalmente vazio”. Será que alguém alheio à prática do budismo está preparado para ouvir esta resposta. Provavelmente os próprios praticantes tenham dúvidas a respeito dela. Ao mesmo tempo que a resposta incomoda, a pergunta revela imaturidade. Não temos que ter vaidade em se evitar perguntas imaturas. Nisso, inclui os próprios praticantes. Afinal, o que é o budismo? Nisso vem a calhar questão levantada por Eihei Dogen em Shobogenzo Genjo Koan: “conhecer o budismo é conhecer a si próprio, conhecer a si próprio é esquecer-se de si”.Portanto, qualquer outra querela não passaria de especulação abstrata.
Podemos recorrer aos livros para saber mais sobre o budismo, mas isso não quer dizer que possamos aprender o suficiente, que possa servir em nossa prática concreta. Não falamos de sonhos e nem idealismos. Mas no agora! Não vivemos no mundo ideal, entretanto a vida se reproduz sobre as ruínas da miséria humana com todas as suas contradições. Assim, procurar um budismo que esteja além do mundo em que vivemos, cairemos nas elucubrações profundas de nosso desespero.
Reuniões acadêmicas que discutem budismo é uma inutilidade visto pelo prisma da prática concreta. Mais se assemelha a um ajuntamento de amigos como interesses comuns, que resolvem entregar-se à metafísica. Pode-se discutir idéias ou palavras mas nunca idéias ou palavras conseguem abarcar a própria verdade. Esteja além de toda linguagem, por isso faça zazen. Um praticante do zen budismo que não faz zazen e quer debruçar-se nos livros e discussões torna-se num grande teórico, jamais num candidato à Iluminação. Não se ilumina lendo livros, e talvez nem se saiba do que realmente se trata o budismo.
Lembro-me de uma história chinesa que ilustra o caso em questão. Existia um pintor na China que gostava de desenhar dragões. Por isso, todas as formas de dragões viravam tema para ele. Sua vida era os dragões. Certo dia, um dragão de verdade lhe apareceu e amedrontado saiu em fuga. Penso que o budismo atrai a muitos, mas não querem conhecer a prática verdadeira, nem mesmo a iluminação. Brincam de sentar-se em zazen e distrair-se com os textos. Mas budismo não se restringe em arranhar o verniz da caixa do dharma, é preciso radicalizar, perfurá-lo, apossar-se de seu conteúdo e tornar-se íntimo com o seu conteúdo.
Praticar o budismo além da linguagem e da metafísica é mais difícil do que ir à Índia a pé. É mais difícil do que banhar-se no Ganges e beber do Eufrates. Praticar além da linguagem é mergulhar no eu completo e destruí-lo completamente. Isso só é possível através da experiência da prática. Destruir o ego é renunciar a ele. Quando o ego é renunciado acabamos com o apego, com as vaidades, com a ignorância. Se isso acontecer, causa medo. Perdemos a nossa identidade, aquilo que é tão valioso em nossa cultura dual e racionalizada. Identidade que é pura ilusão. O dramaturgo Antunes Filho disse certa vez: “o ator pode ser qualquer coisa, pois não tem identidade”.
Temos medo de perder, por isso o budismo idealizado acaba imperando no mundo desencantado em suas formas e manifestações. O budismo idealizado pelas cabeças sonhadoras, da infantilidade racionalista, deve ser substituído pelo budismo real, muitas vezes trágico, mas capaz de acabar com a ilusão.
Numa composição poética, diz Mitsuo Aida:

O Caminho sou eu quem constrói.
O Caminho sou em quem abre.
As coisas que os outros fizeram não são o meu Caminho.

quinta-feira, novembro 08, 2007

Capacidade de interferir

Sendo o budismo zen menos lógico do que pode apreender a nossa inteligência racional e discriminadora, como podemos ter certeza que algum tipo de atuação no mundo possa ser verdadeira. Nem mesmo dizemos que aquilo que a cabeça pensante discrimina como verdadeira, pode ser vista de igual forma a partir da mutabilidade que ora ocorre no universo, ora ocorre em nossa própria mente. Desconhecemos as causas a que os fenômenos sansáricos estão condicionados numa cadeia ininterrupta de acontecimentos.
Por isso, a Iluminação experimentada a partir da prática é fundamental. Acima de tudo, esta prática é a mesma que direcionou o príncipe Sidharta a sentar-se em zazen em Bodhigaya. Dizer que o zazen é uma atitude passiva me parece questionável, pois ensinaram os antigos que existe movimento na quietude e quietude no movimento. Ensinou-me o meu training teacher que uma represa é capaz de reter milhões de litros de água. Será a represa passiva? Em sua aparente passividade, a represa com sua energia contrária a da água em suas paredes, a retém.
Num mundo em que a atitude exposta, como os movimentos, discursos e reações são comuns, de que forma os ditos praticantes do budismo, ou seja da harmonia, da sabedoria, da compaixão, podem atuar conforme as suas crenças. Se uma reação existir no interior do trama das paixões, ou seja da ilusão, ainda estaremos reproduzindo os mesmos erros dos iludidos e deludidos. Mas não somos melhores do que os que estão fora desta prática. Esta afirmação é verdadeira. Ainda que seja assim, uma atitude radical é necessária.
Não há definição melhor de budismo como esta que ouvi de um monge do Mosteiro Saijoji. Disse ele: “quando uma flecha atinge alguém, a nossa atitude imediata é a de retirar a flecha; não interessa no momento quem a atirou, qual foi a velocidade da flecha, o peso da flecha, se a ponta da flecha era feita de metal ou pedra”. Posto de outra maneira, discussão demais pode ser imoral naquele momento. Toda abstração a respeito da flecha é imoral diante da vida que pode se perder. Devemos, então, é arrancar a flecha e salvar o ferido.
Mas para isso acontecer, devemos estar livres da ilusão. A mente atenta evita discussões, aquieta-se. Somente assim, a atitude pode ser correta, pois o coração é puro. O homem da prática deve agir com o coração puro. Outros podem agir com o coração impuro e, inclusive, alcançar objetivos de bem comum. Agem desta forma os políticos, os líderes sindicais, os representantes de classe, os filósofos e jornalistas.
Tratando-se de praticantes do dharma, a atuação da mente não se restringe à mente pequena, condicionada e carregada de apegos e vaidade. Devemos ser como Buda, aquele que senta-se nos altares, imóveis, irradiando uma alegria nos lábios. Diante da maré ilusória e que gera sofrimento, ele se compadece de nossa dor, mas nada pode fazer pois a Iluminação depende da iniciativa do próprio sofredor. A atitude que ele espera é que o sofrimento tenha um fim. Que se acabe. Para que tal fato aconteça, deve acabar concomitante com a ilusão.
Mas temos apegos demasiados com as nossas próprias ilusões. Como num sonho: lutamos com os supostos inimigos e nos cansamos de tanta movimentação ao brandir espadas e lanças; nos esforçamos tanto que, num momento de maior excitação, conseguimos desarmar o inimigo e relaxamos; quando relaxamos, a nossa bexiga se livra da tensão e acordamos molhados. E neste momento, pensamos: tudo foi um sonho, mas era tão real?
A vida como num sonho, se um praticante levar a sério demais os acontecimentos da Roda do Samsara, poderá acreditar que a ilusão é real. Terá que ver o sonho como sonho e o real como real. Por isso, devemos criticar as atitudes precipitadas, ainda envoltas na lama da ilusão. Um praticante deludido é aquele que acha ser Iluminado, por isso age conforme a sua vontade. Erro. Assemelha-se o caso àquele do cego que conduz outros cegos em direção ao abismo. Perigo.
Avessas à metafísica, o praticante deve ter uma relação orgânica e direta com a vida. Se o sofrimento é uma condição na vida ilusória, ainda que pouco, tentemos amenizá-la. O necessitado pode estar mais próximo do que se pensa.
Acima de tudo, um praticante que não busca a Iluminação através da prática, não quer sair do mundo da ilusão. É um personagem de um sonho, que sabendo tratar-se de um sonho se recusa a acordar.

terça-feira, novembro 06, 2007

Dia das crianças

Dia 12 de outubro, ao final do Sesshin anual, que se realizou no templo Busshinji, em São Paulo, ocorreu uma singela porém inspiradora cerimônia em homenagem às crianças. Em frente à imagem de Jizo Bosatsu, protetor das crianças e dos viajantes, leigos e monges entoaram o Shariraimon e o Hannya Shingyo, dedicando a recitação em benefício de todos os seres vivos e, nesta ocasião, especialmente às crianças.
Os participantes trouxeram inúmeras oferendas, como doces, biscoitos, salgadinhos e brinquedos.
As doações foram distribuídas entre as crianças da comunidade do Jardim Luciana, em Franco da Rocha.
Agradecemos a todas as crianças, mentes de principiantes, seres de pureza e alegria, que enchem nosso coração de ternura e esperança.
Que todas possam ser felizes, estar seguras e ter o coração pleno de bem-aventurança!
Azaléias cor-de-rosa
sob a chuva miudinha.
A cada passo uma novidade

quarta-feira, outubro 31, 2007

Cerimônia à Aparecida Kannon Bosatsu

Cerimônia à Aparecida Kannon Bosatsu

Em sua primeira versão, aconteceu em 30 de outubro, na entrada do Templo Busshinji, com a participação do público em geral a Cerimônia à Aparecida Kannon Bosatsu. Na ocasião, foram ofertadas em torno de duzentas refeições aos transeuntes e populares em geral. Ao meio dia deu-se início à cerimônia, com recitação do Sutra do Coração e Grande Sabedoria, seguida dos “Dez nomes de Kannon Bosatsu”, que somente encerrou às 14hs. Teve como oficiante o Superior Dosho Saikawa, auxiliado pelos monges Seiho Kono, Hoju Abe, Koun Campos, Yushin Nishimura e Jisho Handa. A refeição foi preparada pelo Departamento Feminino do Templo Busshinji.
Foi esta uma atividade social junto à comunidade, que o Templo Busshinji, através do Superior Dosho Saikawa, pretende repetir em outras datas, dedicadas a Aparecida Kannon Bosatsu da Paz Universal. “Servir a todos os seres, justifica a existência deste templo”, explicou Saikawa Roshi. Conforme ensinou, Aparecida Kannon é a representação da compaixão, que deve se realizar concretamente em nossas vidas. Em suas diversas manifestações, Kannon é o ser que apareceu para ajudar a todos, sem nenhuma forma de distinção. Assim, encarnar o espírito de Kannon é deixar aparecer também em nossos corações este sentimento compassivo.
Assim, o público interessado em participar deste evento social religioso, que trafegava pela rua São Joaquim, era convidado. Fazia-se a oferta de incenso e recebia em seguida o prato de curry rice, salada de repolho e suco. Muitos foram os que puderam servir-se daquele alimento entre os transeuntes: idosos, trabalhadores, vizinhança, sindicalistas e estudantes. “Fico envergonhada em receber esta oferta”, anunciou a senhora Tanaka. Mas o monge que a atendeu, explicava “não há motivos para isso, por favor receba este alimento de Aparecida Kannon”. Surpresa com a designação Aparecida, ela tomou o seu lugar na fila. Não apenas ela, mas outros se emocionaram ao receber o prato de alimento e sem custo. Alguns, depois de satisfeitos, quiseram permanecer nas cadeiras, acompanhando a recitação dos sutras.
Para quem desconhece, a Kannon Bosatsu é uma das figuras mais populares do cannon budista, um dos avatares do Buda Shakyamuni. Quer dizer, ela manifesta a própria compaixão. Não se trata de nenhuma atitude espetacular, pelo contrário. A compaixão é um dos motores que rege a prática budista. Ausente de ego, a compaixão torna-se um ato de sabedoria quando reconhece a interdependência do universo. Ajudar, sem desejar retorno teria sido o juramento dos Bodhisattvas (Bosatsu em japonês), seres que renunciaram ao próprio interesse em função dos outros.
Ao se praticar os votos dos Bodhisattvas, não se pretende encontrar um ser extraordinário fora de nós próprios, mas da relação concreta do praticante com o mundo que nos cerca. E neste mundo sansárico, o sofrimento existe, devido a ignorância e provocado pelas circunstâncias advindas de ações passadas, por isso a compaixão é o único veículo que permite-nos salvar a nós próprios e a todos. Por isso, dar e receber tem o mesmo grau de compaixão, isento de diferenças.

Os dez nomes de Kannon

Kan ze on
Namu Butsu
Yo Butsu Uin
Yo Butsu Uen
Buppo Soen
Jo Raku Gajo
Tyonen Kanze on
Bonen Kanze on
Nen nen ju shin ki
Nen nen fu ri shin

domingo, outubro 28, 2007

Aparecida Kannon Bosatsu da Paz Universal

CONVITE do Templo Busshinji:

Realizar-se-á dia 30 de outubro, às 12h, no portal do Templo Busshinji, a Cerimônia de Aparecida Kannon Bosatsu da Paz Universal. Na ocasião, durante o ato religioso haverá a distribuição de pratos de alimentação a todos os participantes. Tal fato pretende estender o ensinamento budista da compaixão, que consiste na ajuda mútua entre os Homens.

O Templo Busshinji fica na rua São Joaquim, 285 Liberdade São Paulo SP