domingo, abril 27, 2008

sábado, abril 26, 2008

Trabalho no Zen Center de São Francisco

The Tassajara Summer Work Practice Program is a wonderful opportunity for living and working in a community where Zen meditation is the central practice. The daily schedule includes meditation in the morning and evening. There are lectures and classes on Buddhism, and opportunities for individual interviews with practice leaders. Our work focuses on taking care of our many summer guests as well as on general upkeep and maintenance of the monastery. Work areas include the kitchen, dining room, housekeeping, grounds and general maintenance.

Mais informações

quinta-feira, abril 17, 2008

domingo, abril 13, 2008

Não tocar

Na verdade pura do universo, as coisas não têm a qualidade de serem possuídas, de serem propriedade de alguém, isto é sim uma abstração humana. Sendo assim, não possuímos nada, estamos livres. Quanto mais pretendermos sermos donos de alguma coisa, mais estaremos invertendo os papéis, mais seremos possuídos pelo conceito que temos de tal coisa, num processo apenas mental. De uma forma mais sutil, nomear e conceituar objetos, pessoas e situações de forma fixa, também significa possuir, porquê significa enquadra-los em "nossa" maneira limitada de ver. Acredito que deixar as coisas em seu estado natural de liberdade nos ajudará a também encontrarmos nosso estado natural.

segunda-feira, abril 07, 2008

Shukke Tokudo

Atenção: Mudança do horário da ordenação – a cerimônia de Shukke Tokudo de Waryu será às 17:30.

Queridos amigos,
Convido-os para minha cerimônia de ordenação monástica, Shukke Tokudo, a ser realizada no dia 12 de abril de 2008 no Templo Busshinji-São Paulo, às 17:30. Será oficiada pelo mestre Dosho Saikawa Roshi, da escola Zen Budista Soto.

O Templo fica à Rua São Joaquim, número 285, Bairro Liberdade, Cidade de São Paulo.

Sejam bem-vindos!

gasshö,

no Dharma,

Martha Lages Rodrigues Waryu
"Mas quais são os princípios pelos quais somos guiados quando lidamos com todos os sistemas de Dharma?", foi a próxima pergunta de Chi Ch’eng. "Quando nossa Essência da Mente está livre de impurezas, paixões imaturas e perturbações", respondeu o Patriarca, "quando introspectamos nossa mente de momento para momento através do Prajna, e quando não nos apegamos a coisas e objetos fenomênicos, estamos livres e liberados. Por que nós deveríamos formular qualquer sistema de Dharma, quando nossa meta pode ser alcançada não importa se viramos à direita ou à esquerda? Uma vez que com nossos próprios esforços percebemos a Essência da Mente, e desde que a realização e a prática da Lei podem ambas ser vivenciadas instantaneamente, e não gradualmente ou organizadas através de estágios, a formulação de qualquer sistema de Lei é desnecessária. Como todo os Dharmas intrinsecamente são Nirvânicos, como pode haver graduação neles?" Chi Ch’eng fez reverência e ofereceu-se como assistente do Patriarca.

Sutra da Plataforma - fonte: site Shunya

quarta-feira, abril 02, 2008

Compaixão

"Por muita grande que seja a vossa veneração pelos mestres tibetanos e o vosso amor pelo povo tibetano, não falem mal dos chineses. As chamas do odio só podem ser apagadas pelo amor e se o fogo do ódio não se apagar é porque o amor não era ainda suficientemente forte."

Dalai Lama - 03/2008

segunda-feira, março 17, 2008

Trânsito zen

Em dia de trânsito recorde, monge budista dá dicas de como controlar o estresse

Em seu Uno ano 2002, ele enfrentou o trânsito de São Paulo num desaconselhável início de noite de sexta-feira. Levou buzinada e luz alta para sair da frente, assustou-se com um motoqueiro fazendo ultrapassagem em virada de esquina, enfrentou a obstinação de um caminhoneiro que não permitiu a troca de faixa e, naturalmente, viu-se encurralado num engarrafamento daqueles. Mas nem sequer se abalou.

"Se você tem que enfrentar o trânsito, que enfrente com sabedoria", diz o monge João Koun, 38. Ele é pregador da escola zen do budismo, que se concentra na meditação.

Na semana em que São Paulo bateu recorde de congestionamento -221 km na quinta-feira-, a Folha pegou carona com o monge para saber como se evita o estresse no trânsito paulistano.

Velocidade mínima
O passeio começou na Lapa (zona oeste), onde ele mora, passou pelas avenidas Doutor Arnaldo e Pacaembu e incluiu a marginal Tietê. O Uno precisou de uma hora e meia para percorrer um trajeto de 30 km -a uma velocidade média de apenas 20 km/h.

Cabeça raspada e roupa preta de monge, Koun conversou todo o tempo com a voz tranqüila. Jurou que não passou pela cabeça buzinar para o motorista que jogou o carro em sua frente com violência, sem dar a seta.

"No trânsito, olhamos só a máquina. Mas há uma pessoa ali dentro." O essencial, segundo o monge, está em algo insuspeito e bem concreto: a respiração. O motorista deve prestar atenção ao ar entrando nos pulmões e saindo. Para se concentrar na respiração, uma dica do monge é contar cada inspiração e expiração, de um a dez. O banco do carro deve ficar totalmente na vertical, para facilitar a entrada e a saída do ar.

Terminado o passeio, o monge Koun guardou seu Uno na garagem e revelou: "Se não fosse para a reportagem, eu jamais teria saído de carro a esta hora". Só sai de carro em casos excepcionais. Para chegar ao templo budista, na Liberdade (região central), vai de bicicleta. "Uma forma de não sentir raiva no trânsito é evitá-lo."

Ricardo Westin
Da reportagem local
Folha de São Paulo - 17/03/2008

domingo, março 09, 2008

Libertação dos gakis


No universo simbólico budista há a presença de dez estágios de entendimento. Tratemos, no entanto, dos “seis mundos inferiores” formados pelas vias de expiação, apego e ausência de luz nas seguintes categorias: inferno, animais, gaki, shura, homens e devas. O homem também está num estágio de apego não apenas à matéria, mas igualmente às idéias. As idéias dizem respeito ao espírito. Acima dos homens estão os devas, ainda apegados, mas possuidores de qualidades que os tornam melhores que os humanos. Entretanto, sofrem por causa da vaidade e falta de compaixão.

No entanto são os que se encontram abaixo da condição humana, os que mais sofrem. Um shura é um guerreiro incansável, extremamente apegado às suas convicções, metas e realizações. Pode ser visto como um ser humano, com diferença de se manter acorrentado às paixões de sua própria auto-realização, sem medir conseqüência de seus atos. Sofre em demasia diante das derrotas, pois visa apenas a vitória.

Abaixo deste estão os gakis. É representando como alguém de debilidade física, troncudo, meio corcunda, feio, faminto e com sede. Perambulam de um lado para outro, como fantasmas, pedindo alimento e água. Ainda que consigam alimento e água, o que os tornam barrigudos, não conseguem saciar fome e sede.

Estas categorias podem se referir ao próprio homem, em estados emocionais de queda, desde os apegos de ordem espiritual às de total dependência orgânica. No caso, o gaki somente se realiza, ainda que momentaneamente, comendo e bebendo. Claro que ele é extremamente apegado, beirando às condições sub-humanas de sobrevivência. Por isso, a salvação de um gaki estaria na mudança da sua mentalidade, mas enquanto isso não acontece precisa sanar suas necessidades imediatas. Dar de comer e beber a um gaki é um ato de compaixão, portanto totalmente isento de recompensa.


Um gaki consegue alimentar-se somente pela mão alheia, pois com as próprias mãos não obtém resultado. Por causa de seu aspecto horripilante, ninguém se aproxima dele. Ao contrário, foge. Ou ainda, não se importa com o sofrimento alheio.

Justamente no mundo em que vivemos, as condições apresentadas facilitam o aparecimento de gakis. Podemos dizer de outra forma: da miséria. E a miséria é a própria contradição da existência do acúmulo da riqueza. O gaki é uma representação sobrenatural de algo muito próximo de nossas vidas.

Alimentando os gakis


Durante a realização da Cerimônia de Equinócio costuma-se montar uma mesa com fartura na entrada do templo. Ocasião em que acontece o Sejiki - doação de alimentos. Canta-se na ocasião o Portal da Ambrosia (Kanromon), em que o monge oficiante liberta e chama os gakis para o banquete, abre em seguida as suas bocas e depois deposita um pouco de alimento. Feliz, os gakis reconhecem o ato de compaixão e, em retribuição, dançam demonstrando alegria e, em seguida, retornam ao seu mundo.

Desta vez, a representação dos gakis, durante o canto do Portal da Ambrosia aconteceu na Cerimônia de Equinócio de Outono (Aki Higan), dia 9 de março, domingo, no Templo Busshinji. Oportunidade única, pois serviu de transmissão pedagógica do que realmente dizia o Portal da Ambrosia: doação de alimentos.

Costuma-se nesta ocasião, no Equinócio, ir ao encontro dos antepassados ao atravessar “a outra margem”. Os alimentos são oferendas aos nossos antepassados, mas também a todos os outros que necessitam, entre eles os marginalizados e desprezados gakis. Seres tristes, corroídos pelo sofrimento, são devidamente alimentados pela ação boa dos homens de bem.


Uma cerimônia é um ato simbólico que representa as nossas profundas intenções no plano real. O contrário disto vira apenas espetáculo. Por isso, ao participar de uma cerimônia é assumir compromissos. Em referência, ajudar a todos sem distinção.

quarta-feira, março 05, 2008

Batizado

do filho nasce o pai
tudo é testamento

(Tomás recebe as Três Jóias de Saikawa Roshi. Seu nome do Dharma é Homan: pleno do Dharma)

Pureza

"O Patriarca (um dia) endereçou-se à assembléia como segue:
Em nosso sistema de meditação, nós nem enfatizamos a mente (em contraposição à Essência da Mente) nem a pureza. Tampouco aprovamos a Não-atividade. Quanto a enfatizar a mente, devemos saber que ela é principalmente delusiva; e quando percebemos que ela é apenas um fantasma, não haverá nenhuma necessidade de enfatizá-la. Quanto a enfatizar a pureza, nossa natureza já é intrinsecamente pura; e uma vez que nos libertamos de toda ‘idéia’ delusiva, nada mais haverá além da pureza em nossa natureza, porque é a idéia delusiva que obscurece o Tathata (Aquilo que é). Se direcionarmos nossa mente para enfatizar a pureza, estaremos criando apenas outra ilusão, a ilusão da pureza. Considerando que a ilusão não tem nenhum lugar permanente, é delusivo procurar enfatizá-la. A Pureza não tem forma nem aspecto; mas algumas pessoas vão tão longe que inventam uma ‘Forma da Pureza’, e lidam com isto como um problema o qual devemos procurar uma solução. Sustentando tal opinião, estas pessoas tentam dominar a pureza, e sua Essência da Mente é assim obscurecida."

Sutra da Plataforma, Hui-Neng

Fonte: site Shunya

segunda-feira, março 03, 2008

Da perfeição da vida

Por que prender a vida em conceitos e normas?
O Belo e o Feio... O Bom e o Mau... Dor e Prazer...
Tudo, afinal, são formas
E não degraus do Ser!

(Mário Quintana)

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Carma

Não temos os "nossos carmas",
os carmas são os carmas do mundo.
E é para eles que se dirige o (ZA)ZEN que praticamos.
Cada aqui e agora descoberto é nossa oração para o mundo.

Não salvamos a nós, salvamos o mundo.
Assim entoamos os votos do BODHISATTVA ao fim do dia.

Quem disse isso, eu não sei.

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

O inimigo sou eu

Recentemente num consultório médico me deparei com uma reportagem muito interessante, como a reportagem era grande, pedi a revista para a secretária que me deu sem problemas. É a história de uma jornalista que foi enviada pelo seu editor para fazer um retiro de meditação no interior do Rio. O que era uma tarefa profissional apenas, acabou transformando profundamente a vida da jornalista.

"Esta é a história de uma aventura que desafia os limites do corpo e da mente. A repórter de ÉPOCA fez um retiro de meditação, no interior do Rio de Janeiro. Foram dez dias sem falar, ler ou escrever, mais de uma centena de horas imóvel. O objetivo do curso era mudar o funcionamento da mente para eliminar o sofrimento. Dos 61 participantes, cinco desistiram em diferentes etapas do percurso. A seguir, o relato dessa longa viagem pela geografia interior"

Leia a matéria na íntegra.

quarta-feira, fevereiro 20, 2008


"Se em todos os momento e em todos os lugares nós firmemente mantivermos nossos pensamentos livres de desejos imaturos, e agirmos sabiamente em todas as ocasiões, então estaremos praticando Prajna (sabedoria). Uma única noção imatura é suficiente para afastar Prajana, enquanto que um único pensamento sábio irá trazê-lo de volta novamente."

Sutra da Plataforma, Hui-Neng

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Kômyôzô Zanmai

O Samadhi do Celeiro da Grande Sabedoria

Não procure a iluminação. Não tente escutar os fenômenos ilusórios. Não odeie os pensamentos que surgirão, nem os ame, e sobretudo não os guarde. De qualquer maneira, pratique o grande fundamento, aqui e agora. Se você não guardar o pensamento, ele não voltará por si só. Se você se entregar à expiração e deixar a inspiração enchê-lo, em um vaivém harmonioso, nada mais restará do que uma almofada sob o céu vazio, o peso de uma chama.

Se você não esperar nada do que faz e negar a considerar o que quer que seja, poderá eliminar tudo apenas pela meditação sentada.

Apesar de as oitenta e quatro mil ilusões irem e virem, se você não lhes der importância e as abandonar, nesse momento, de cada uma delas, uma depois da outra e todas juntas, poderá surgir o maravilhoso mistério do celeiro da grande sabedoria.
Não há apenas a sabedoria do tempo de meditação sentada. Há também aquela que, passo a passo, ato após ato, faz você ver progressivamente que cada fenômeno pode se realizar instantaneamente, independentemente de sua inteligência e de seu pensamento. Essa é a certificação verdadeira e autêntica de que o fenômeno existe sem perturbar a manifestação da sabedoria. É o poder espiritual do não-agir pela luz que ilumina a si mesma. Por isso, mesmo que muitos buddhas compreendam a sabedoria no samsara, eles não são do samsara. E, estando livres no nirvana, também não estão lá.

Na hora do seu nascimento, a sabedoria não existia.

Na hora da sua morte, ela não desaparecerá. Do ponto de vista do estado búddhico, ela não aumenta. Do ponto de vista dos sentidos, não diminui.

Assim como, quando tem ilusões ou dúvidas, você não pode fazer a boa pergunta; do mesmo modo, quando você obtiver a iluminação, não poderá expressá-la. Momento após momento, não considerará nada com a consciência. Durante todas as vinte e quatro horas do dia, você deve ter a calma e a grande tranqüilidade dos mortos. Não pense em nada por sua iniciativa. Assim, praticando a expiração e a inspiração, sua natureza profunda e sua natureza sensitiva se tornarão, inconscientemente, o não-saber, a não compreensão.

A partir daí, tudo poderá se tornar naturalmente calmo, irradiação da sabedoria, na unidade da mente e do corpo. É por isso que, quando a chamamos, ela deve responder depressa. É uma só e a mesma sabedoria que harmoniza num todo as pessoas da iluminação e as das ilusões. Assim, mesmo que se ponha em movimento, o movimento não deve perturbá-lo. E a floresta, as flores, as hastes de relva, os animais, os seres humanos, todos os fenômenos — longos ou curtos, quadrados ou redondos — serão compreendidos automática e independentemente de sua inteligência e ação pessoal do seu pensamento.

Não se apegue às roupas, nem à comida, nem à casa. Não sucumba ao desejo sensual nem ao aperfeiçoamento do amor, semelhantes às práticas animais.

É inútil interrogar os outros sobre a sabedoria, já que a sabedoria deles não pode ser de qualquer utilidade para você.
Originalmente, esse samadhi é o lugar de prática sagrado, como o oceano de todos os buddhas. Então, é o maior e mais sagrado de todos os fundamentos transmitidos diretamente pelo Buddha através da prática sagrada universal. Como é um discípulo do Buddha, você deve praticar a meditação sentada tranqüilamente sobre seu assento.

Não se sente sobre a almofada do inferno, dos pretas, dos animais ou asuras, nem mesmos dos humanos ou deuses. Apenas pratique o simplesmente sentar-se. Não desperdice o tempo. Aí está o que chamamos de autêntico espírito do dôjô, o verdadeiro samadhi do celeiro da grande sabedoria, a iluminação maravilhosa e esplêndida.


Koun Ejo
Fonte: Dharmanet

Kômyôzô Zanmai

O Samadhi do Celeiro da Grande Sabedoria

Não procure a iluminação. Não tente escutar os fenômenos ilusórios. Não odeie os pensamentos que surgirão, nem os ame, e sobretudo não os guarde. De qualquer maneira, pratique o grande fundamento, aqui e agora. Se você não guardar o pensamento, ele não voltará por si só. Se você se entregar à expiração e deixar a inspiração enchê-lo, em um vaivém harmonioso, nada mais restará do que uma almofada sob o céu vazio, o peso de uma chama.
Se você não esperar nada do que faz e negar a considerar o que quer que seja, poderá eliminar tudo apenas pela meditação sentada.

Apesar de as oitenta e quatro mil ilusões irem e virem, se você não lhes der importância e as abandonar, nesse momento, de cada uma delas, uma depois da outra e todas juntas, poderá surgir o maravilhoso mistério do celeiro da grande sabedoria.
Não há apenas a sabedoria do tempo de meditação sentada. Há também aquela que, passo a passo, ato após ato, faz você ver progressivamente que cada fenômeno pode se realizar instantaneamente, independentemente de sua inteligência e de seu pensamento. Essa é a certificação verdadeira e autêntica de que o fenômeno existe sem perturbar a manifestação da sabedoria. É o poder espiritual do não-agir pela luz que ilumina a si mesma. Por isso, mesmo que muitos buddhas compreendam a sabedoria no samsara, eles não são do samsara. E, estando livres no nirvana, também não estão lá.
Na hora do seu nascimento, a sabedoria não existia. Na hora da sua morte, ela não desaparecerá. Do ponto de vista do estado búddhico, ela não aumenta. Do ponto de vista dos sentidos, não diminui.

Assim como, quando tem ilusões ou dúvidas, você não pode fazer a boa pergunta; do mesmo modo, quando você obtiver a iluminação, não poderá expressá-la. Momento após momento, não considerará nada com a consciência. Durante todas as vinte e quatro horas do dia, você deve ter a calma e a grande tranqüilidade dos mortos. Não pense em nada por sua iniciativa. Assim, praticando a expiração e a inspiração, sua natureza profunda e sua natureza sensitiva se tornarão, inconscientemente, o não-saber, a não compreensão.

A partir daí, tudo poderá se tornar naturalmente calmo, irradiação da sabedoria, na unidade da mente e do corpo. É por isso que, quando a chamamos, ela deve responder depressa. É uma só e a mesma sabedoria que harmoniza num todo as pessoas da iluminação e as das ilusões. Assim, mesmo que se ponha em movimento, o movimento não deve perturbá-lo. E a floresta, as flores, as hastes de relva, os animais, os seres humanos, todos os fenômenos — longos ou curtos, quadrados ou redondos — serão compreendidos automática e independentemente de sua inteligência e ação pessoal do seu pensamento.
Não se apegue às roupas, nem à comida, nem à casa. Não sucumba ao desejo sensual nem ao aperfeiçoamento do amor, semelhantes às práticas animais.

É inútil interrogar os outros sobre a sabedoria, já que a sabedoria deles não pode ser de qualquer utilidade para você.
Originalmente, esse samadhi é o lugar de prática sagrado, como o oceano de todos os buddhas. Então, é o maior e mais sagrado de todos os fundamentos transmitidos diretamente pelo Buddha através da prática sagrada universal. Como é um discípulo do Buddha, você deve praticar a meditação sentada tranqüilamente sobre seu assento.

Não se sente sobre a almofada do inferno, dos pretas, dos animais ou asuras, nem mesmos dos humanos ou deuses. Apenas pratique o simplesmente sentar-se. Não desperdice o tempo. Aí está o que chamamos de autêntico espírito do dôjô, o verdadeiro samadhi do celeiro da grande sabedoria, a iluminação maravilhosa e esplêndida.


Koun Ejo
Fonte: Dharmanet