
Não só os budistas se iluminam, dizer o contrário seria uma heresia do ponto de vista do próprio budismo. A iluminação refere-se ao gênero humano, e pronto. Esta percepção deve ser benéfica para nós praticantes do dharma brasileiros ou residentes no Brasil, já que vivemos num país cristão. Se nossos neurônios foram formados nessa realidade, com certeza o cristianismo está em nós, budistas. E não deveríamos negá-lo. E deveríamos perder o medo dessa herança. Porquê o medo é o desejo de não perder algo, e aqui no caso são os conceitos fixos sobre o cristianismo/catolicismo que vamos perder.
Ultrapassadas as questões dogmáticas da igreja católica, ultrapassados todos os dogmas, percorrido este caminho, vê-se que o prajna (a Sabedoria) é comum a todos em nossa potencialidade búdica, sejamos católicos, muçulmanos ou jainistas.
"Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." - João 14:6. Estas são palavras atribuídas a Jesus Cristo e encontradas na bíblia, e podem ser reveladas no dharma da seguinte forma: a primeira parte da frase diz que "Eu", "Caminho", "vida" e "verdade" são exatamente a mesma coisa, este "Eu" é cada um de nós manifestado neste mundo e a própria "vida" é o "caminho" e a única trilha verdadeira, a única trilha para se atingir a verdade, porquê o próprio caminho que é a vida já é a verdade intrínseca, não tem outra. Mas a mente humana e seus pensamentos sobrepostos cria outras verdades (dogmas) e não trilha o caminho da vida verdadeira, se perde nos desejos e se alivia dos sofrimentos na busca incessante de prazeres no sansara. A segunda parte da frase de Cristo fala do "Pai", que aqui é o ser plenamente realizado, o gênero humano maduro, o não-tempo. O "Pai" aqui é simbólico, mitológico. E ele termina dizendo que ninguém se torna um com esta mente "Pai" cósmica, se não for através "dele", ou seja, aqui a frase retorna ao início, este "dele" é o "Eu" que é a verdade e que é o próprio caminho manifestado, que por sua vez é a própria vida de cada um de nós - este espaço-tempo limitado que temos. Esta frase atribuída a Cristo é uma parábola, ou seja, é circular, o final da frase encontra o início e se potencializa. Esta compreensão talvez sirva para resolver conflitos internos.
Agora compreendido pode ser esquecido, neste momento.