Quarta-feira, Novembro 18, 2009



ROHATSU SESSHIN - BUSSHINJI
Sesshin da Iluminação

Acontecerá de 13 a 20 de dezembro no Templo Busshinji, São Paulo, o Sesshin da Iluminação, conhecido também por Rohatsu Sesshin. O valor da doação é de R$ 200. Tendo a frente o Superior Dosho Saikawa, abade desta instituição, as sessões iniciam-se às 5hs, sendo 4h30 o toque de acordar – shinrei – encerrando-se as atividades às 20hs. As instalações para se hospedar os praticantes não são adequadas, por isso pede-se que os interessados tragam saco de dormir. Será este o primeiro sesshin no zazendo do Pavilhão Daikankaku (Pavilhão do Grande Espelho) recentemente inaugurado.

Será também este o primeiro sesshin com a utilização de
tan, seja para o zazen, seja para as refeições. Em torno de doze zazen de 40 minutos serão realizados diariamente, incluindo-se a mesma postura para as cerimônias e refeições. Somente a refeição da tarde será servida em mesa em estilo ocidental.

As inscrições podem ser feitas no local, dia 13 de dezembro, na parte da manhã. Após o almoço daremos início ao sesshin. O encerramento ocorrerá na manhã de 20 de dezembro, em torno das 3hs.


Nosso endereço:
Rua São Joaquim, 285 • Bairro da Liberdade
São Paulo SP • Próximo à estação de Metrô São Joaquim
Tel.: 3208-4515 / 3208-4345 ou Fax: (0xx11) 3208-0418

A Grande Barca


        "O Iluminado parte na Grande Barca, mas não há ponto de partida. Ele parte do universo; mas na verdade, ele parte de nenhum lugar. Sua barca está equipada com todas as perfeições, e não é manejada por ninguém. Ela se apoiará em absolutamente nada e se apoiará no estado de tudo saber, que lhe servirá de não-apoio. Ademais, ninguém jamais partiu na Grande Barca; ninguém jamais partirá nela e ninguém está partindo nela agora. E por que isso? Porque nem aquele que está partindo nem o destino para o qual ele parte podem ser encontrados: por isso, quem estaria partindo e para onde?"
        O Bodhisattva Subhuti disse: "Profunda, ó Venerável, é a perfeita Sabedoria que vai além."
        E o Venerável respondeu: "Profunda como o abismo, como o espaço do universo, ó Subhuti, é a perfeita Sabedoria que vai além".
        Subhuti disse ainda: "Difícil de ser alcançada pelo Despertar é a perfeita Sabedoria que vai além, ó Venerável".
        Ao que o Venerável respondeu: "Essa é a razão, ó Subhuti, por que ninguém jamais a alcança pelo Despertar".


Segunda-feira, Novembro 16, 2009

Fotos do Cinquentenário do Templo Busshinji e Inauguração do Templo Daikankaku










Fotos: Rotsu Araujo

Quarta-feira, Novembro 11, 2009

Cinquentenário e Inauguração


Na foto Mestre Saikawa, sua esposa e discípulos, preparam o memorial do fundador do Templo Busshinji, Sokans e, em tamanho menor, logo atrás, dos monges, para a inauguração do novo prédio Dai Kankaku.

Confira a programação da cerimônia do cinquentenário do Templo Busshinji e inauguração do Pavilhão Dai Kankaku:

Dia 13 de novembro
10:00 - Cerimônia para Recepcionar o Shumu Socho
- Corte da Faixa de Inauguração e Descerramento da Placa
- Apresentação do novo prédio
11:00 - Cerimônia de Abertura da Imagem do Fundador
11:30 - Cerimônia dos 600 volumes do Sutra Prajna Paramita
12:30 - Banquete no Salão do Pavilhão Dai Kankaku


Dia 14 de Novembro
13:00 - Cerimônia de Abertura do Monumento
13:30 - Palestra
14:30 - Cerimônia Memorial dos Fundadores
15:30 - Cerimônia de Abertura dos Olhos das Imagens Daiguen Shuri Bosatsu e Daruma Soshi
16:30 - Cerimônia Memorial dos Antepassados(Grupo do Japão)
17:30 - Cerimônia do Manto Kuyo (Milhões de Luzes)


Dia 15 de Novembro
08:30 - Cerimônia para Recepcionar o Shumu Socho
09:00 - Cerimônia Memorial dos Monges e Professores falecidos da América do Sul
10:00 - Cerimônia Comemorativa do Cinquentenário do Templo Busshinji
- Entrega do Certificado de Honra ao Mérito de Shumucho para Convidados
11:00 - Cerimônia Memorial para todos os membros
- Entrega do Certificado de Honra ao Mérito do Busshinji para Convidados

Quinta-feira, Novembro 05, 2009

Nunca passei por aqui


Quando via um passarinho no caminho,
parava e esperava, só para ver seu vôo
fosse Sabiá, Bem-te-vi, Sanhaço, Rolinha, Periquito,
ou outro sem nome.

Costumava mudar de calçada sempre que via um pela frente
ciscando sementes, catando gravetos, assim
permanecia tudo em seu lugar

Nas noites difíceis, quando já não sentia nada, nada mesmo,
tocava o chão de pedra, ou de cimento, com a barriga
e o calor do sol ainda aquecia, era assim que me acalmava.

Mas nunca desconfiei da morte, nem me era dado pensar nela
tinha fé na ponta das minhas garras, na maciez do salto,
nas orelhas exatas e naquele grande bigode espigado.

Da morte, é melhor não falar, ou pensar.
A morte, é melhor viver, experimentar por si.
Não que se queira morrer, dessa morte definitiva,
pelo contrário, e é só por isso que estou aqui,
falando de passarinhos e de raios de sol.


Foto: Seigen Mitih

Quinta-feira, Outubro 29, 2009



Veio até nós, num dia comum

"Antes que você pense em ouvir, o ouvido já ouviu,
antes que você pense em ver, o olho já viu,
antes que você queira cheirar, o nariz já sentiu o cheiro,
antes que você queira sentir pelo tato, a pele já sentiu,
antes que você queira sentir o sabor, a boca já o sentiu."

"No Japão diz-se 'uma idéia veio até mim', e não 'eu tive uma idéia'

"Quem decidiu nascer?
Quem decidiu nascer homem ou mulher?
Quem decidiu nascer neste ou naquele país?
Quem decidiu nascer nesta ou naquela família?"


Koan apresentado pelo Mestre Saikawa, durante uma sessão de zazen no Templo Busshinji, em São Paulo.

Domingo, Outubro 25, 2009




Budismo para porcos

- Os porcos têm a natureza de Buda? - perguntaria o monge.
- Mu.

Esta provavelmente seria a resposta de Joshu ao monge, atualizada para nossos dias e geografia - do famoso koan onde a pergunta original se refere a um cachorro.

Os porcos em nossa sociedade são considerados os animais mais "baixos" e sujos, servindo de metáfora para tudo o que se relaciona com sujeira e miséria humana. Depois do porco, viria apenas o verme, e algumas culturas aboliram o consumo da carne de porco, por o elegerem um animal indigno. Colocaram o porco na berlinda, e Joshu tem razão ao responder daquela forma: "Mu". "Mu" significa vazio, não-dualidade. Cientistas constataram que a fisiologia dos porcos é a mais próxima dos seres humanos, o tamanho e a disposição dos orgãos quando comparados ao corpo humano é muito semelhante, a forma que o corpo reage aos hormônios e o funcionamento do coração também é muito próximo, tanto que os porcos vêm sendo utilizados como cobaias para estudos e cogita-se até a utilização de seus órgãos para transplante em humanos. Na literatura há uma recorrência à figura do porco, em geral como analogia ao gênero humano, para crianças há muitos exemplos, o mais conhecido: "Os Três Porquinhos", e tem o Bola de Neve, de literatura mais adulta, porco que se torna ditador na "Revolução dos Bichos" de George Orwell. A proximidade fisiológica entre porcos e seres-humanos chega ao extremo de se poder dizer o seguinte, ao comer a carne suína, é como se tívessemos uma pequena amostra do que seria comer a carne humana, bem, paremos por aqui. Agora, com relação à "imundice" dos porcos, isto depende, e muito. Minha esposa fala da criação de porcos de seu avô, que era um ambiente limpo e bem cuidado, os porcos eram tão limpos quanto os cavalos e as galinhas. As criações de porcos para o abate hoje em dia podem ser mais limpas do que nossa própria casa. Vale lembrar também que os porcos foram domesticados pelos Homens, e que seus parentes selvagens, os javalis, vivem em bandos pelas florestas.

Num documentário do canal National Geografic foram apresentadas duas experiências feitas por etólogos, ambas bastante esclarecedoras. As experiências utilizaram porcos filhotes, sabe-se que os filhotes tornam-se estressados, irritadiços, briguentos e, sobretudo, inseguros e incapazes de utilizar de maneira adequada sua inteligência natural, quando são desmamados antes da hora, ou seja, com apenas duas semanas após o nascimento, como é feito nas grandes criações industriais. Na primeira experiência porcos que foram desmamados antes da hora e porcos que tiveram o tempo de convívio adequado com a mãe são submetidos à mesma situação: circular por corredores elevados, uns com proteções laterais, outros abertos. Os filhotes que mamaram o tempo correto circularam livremente por todos os corredores, os desmamados prematuramente circularam apenas pelos corredores com proteções laterais. Na segunda experiência, os filhotes foram colocados um de cada vez numa grande banheira circular, com uma pequena plataforma elevada no fundo, próximo à uma das bordas, onde o filhote poderia se apoiar e até sair da banheira. Os filhotes desmamados prematuramente ficavam afobados dentro d'água, nadando em todas as direções sem sequer se darem conta da plataforma. Os outros, que mamaram o tempo adequado, em pouco tempo descobriram a plataforma e lá se apoiaram, parando de nadar. Minutos depois os mesmos filhotes eram submetidos à mesma situação, os que desmamaram cedo demais ficam sempre afobados e continuam não se dando conta da plataforma, os outros aprenderam a existência da plataforma e para lá se encaminham diretamente todas as vezes em que a experiência é repetida. A conclusão é que o leite e afeto proporcionados pela mãe nas primeiras semanas de vida são indispensáveis para um porco saudável, capaz de viver plenamente todas as suas faculdades originais, digamos assim.

Um ser humano que se torna neurótico pelo contato com a sociedade humana tem o budismo* para abandonar a sua condição enferma. Os porcos, por nós retirados de seu estado natural, não. Um porco inseguro, se solto na floresta recuperaria sua situação original? Será que apenas o contato direto com a natureza seria o suficiente para descondicionar as células do cérebro e do corpo? Ou, pelo contrário, este contato direto com a natureza iria piorar sua própria natureza de porco estressado e inseguro? Será que existe um mestre porco no interior da floresta que dê referências do caminho correto para o porco perdido? Segundo o documentário, porcos domésticos quando fogem ou são abandonados à própria sorte na natureza se adaptam muito bem, adquirindo características físicas bem próximas de seus primos javalis, como os pelos que crescem e se tornam espessos por todo o corpo, além disso, passam a integrar os bandos selvagens.

Hoje em nossa sociedade humana há um consenso pela necessidade do "relaxar", sempre associado ao prazer. A pessoa vive mal o dia-a-dia, porque não gosta ou não se adapta à cidade onde mora, porque não resolve o convívio saudável com a família, porque não gosta do trabalho, porque não se dá bem com o chefe ou ambiente de trabalho, porque tem mais necessidades que dinheiro, e assim por diante. Já acordamos ansiosos, preocupados e inseguros, e o estresse é um estado latente. Mas não observamos que somos os responsáveis por nosso estresse, colocamos a responsabilidade na cidade, família, trabalho, etc. Acreditando no estresse criamos o estresse do mundo. Quer dizer, vivemos na dualidade, estresse-relaxamento. Buscando o "relaxar" nos dirigimos naturalmente para o estresse, porque para relaxar precisamos estar tensos, e assim num movimento circular e entrópico, a mente acredita que é assim e pronto, e c'est la vie.

Nos deixamos ficar tensos ao extremo e depois vamos para o spa, nos "matamos" e depois vamos ver tevê, fazer zazen, meditação, sexo, beber álcool, tomar tranquilizantes e drogas em geral. O que poucos refletem é o seguinte: em vez de relaxar ou buscar o prazer depois de ficar estressado para depois estressar novamente, porque não, simplesmente, nem ficar estressado antes? Repetindo a pergunta: porque nem sequer começar a ficar estressado? Já fiz esta pergunta a algumas pessoas, aleatoriamente, e percebi que esta é uma questão que sequer tem espaço, ou nem a consideram, ou acham engraçado e absurdo, poucos começam a refletir. Bem, é preciso primeiro ser capaz de se colocar a questão, acomodar na mente espaço suficiente para ela, porque sim, é possível sim. É um caminho a ser percorrido que coloca apenas duas condições: 1. Que se caminhe de forma correta na direção correta; 2. Que seja você, exatamente você, a empreender a caminhada com seus próprios meios e condições.

Os porcos, quando têm a sorte de se livrarem da domesticação humana, encontram consequentemente sua natureza original nas matas e florestas. Nós, com ajuda do budismo e dos mestres, também podemos nos tornar livres. Dependemos então apenas de nossa própria iniciativa e esforço, da honestidade consigo mesmo no caminhar (preceito do não mentir) e da intensidade com a qual mergulhamos na prática do dharma-de-buda no dia-a-dia. Quanto ao estresse, podemos abrir mão dele agora, e a cada instante. O universo não para nunca, está em constante expansão, então não há porquê relaxar, na verdade não há como, e não há porquê perder um instante sequer de concentração nessa vida. Quando estiver cansado, descanse, concentre-se em descansar apenas. A atenção-plena, ou concentração, ao contrário do que se pode pensar, não cansa nem estressa. Por fim, esta prática traz consequências profundas e se torna o próprio Nirvana. Assim:

- É possível viver sem estresse?
- Mu.


* Ou outra escola não dogmática que proponha um método prático de total liberação do ser humano de seus condicionamentos.

Terça-feira, Outubro 20, 2009


Nada me tem, nem sou


Sou negro, sou pastor, nasci por aí, não tenho documento, nem raça, nem casta, sou um cachorro preto. Uma orelha cortada sem ponta, por baixo uma ferida aberta. Sou pirata. A ponta de uma pata é branca. A peste me ataca, deixando o pelo ralo em duas partes do meu corpo. (O que me cura?) Sou vira-latas, vivo num buraco da terra. Estou vivo, e se você for fazer aquela trilha da montanha eu te acompanho, sou forte, sou pastor, sou um cão negro. Sou sua sombra neste caminho sob o sol, nada mais me interessa, te acompanho no caminho estreito, curvo e íngreme. Me distancio e lá na frente, perto daquela nuvem, faço um cocô amarelo, sou cão, abano o rabo e deixo pendurada a língua no canto da boca. Um espinho penetrando lento a carne, uma dor me ataca no mais fundo do ouvido, balanço a cabeça violentamente, as orelhas batem e fazem um som característico (só assim posso pensar na cura). Me jogo no chão, solto ganidos, me arrasto com a cabeça a se esconder no capim, até passar, até me deixar, até voltar. Mas agora outra vez sou o cão negro. Estou pronto, estou alerta, sou todo atenção neste caminho. Não precisa passar a mão na minha cabeça, afeto para mim é apenas a nossa presença móvel neste fio de terra e pedras. Sou sombra e assim não vejo diferença entre eu e você. Quando você pensar em me acariciar já sumi no caminho à sua volta. Sou sombra de um ou de muitos, não importa, sou pastor, reuno, reuno a matilha nessa trilha sobre as montanhas. Assim sou feliz, sou cão, cão sem dono.

--
"Pelé" vive na Chapada, vila de uma só rua rodeada por uma bela serra, próximo à Ouro Preto.

Domingo, Outubro 18, 2009

Dia do professor, dia do aluno

57 Budas e linhagem

Bibashibutsu Daiosho
Shikibutsu Daiosho
Bishafubutsu Daiosho
Kurusonbutsu Daiosho
Kunagonmunibutsu Daiosho
Kashobutsu Daiosho
Shakamunibutsu Daiosho
Makakasho Daiosho
Ananda Daiosho
Shonawashu Daiosho
Ubakikuta Daiosho
Daitaka Daiosho
Mishaka Daiosho
Bashumitsu Daiosho
Butsudanandai Daiosho
Fudamitta Daiosho
Barishiba Daiosho
Funayasha Daiosho
Anabotei Daiosho
Kabimora Daiosho
Nagyaharajuna Daiosho
Kanadaiba Daiosho
Ragorata Daiosho
Sogyanandai Daiosho
Kayashata Daiosho
Kumorata Daiosho
Shayata Daiosho
Bashubanzu Daiosho
Manura Daiosho
Kakurokuna Daiosho
Shishibodai Daiosho
Bashashita Daiosho
Funyomita Daiosho
Hannyatara Daiosho
Bodaidaruma Daiosho
Taiso Eka Daiosho
Kanchi Sosan Daiosho
Daii Doshin Daiosho
Daiman Konin Daiosho
Daikan Eno Daiosho
Seigen Gyoshi Daiosho
Sekito Kisen Daiosho
Yakusan Igen Daiosho
Ungan Donjo Daiosho
Tozan Ryokai Daiosho
Ungo Doyo Daiosho
Doan Dohi Daiosho
Doan Kanshi Daiosho
Ryozan Enkan Daiosho
Taiyo Kyogen Daiosho
Toshi Gisei Daiosho
Fuyo Dokai Daiosho
Tanka Shijun Daiosho
Choro Seiryo Daiosho
Tendo Sokaku Daiosho
Setcho Chikan Daiosho
Tendo Nyojo Daiosho
Eihei Dogen Daiosho
Koun Ejo Daiosho
Tettsu Gikai Daiosho
Keizan Jokin Daiosho

Sexta-feira, Outubro 09, 2009

Livro 1 - Caso 7
Mestre Kyozan Ejaku Mestre Beiko
Koan

Mestre Beiko da cidade de Keicho pediu a um monge que fosse até o Mestre Kyozan Ejaku e fizesse a seguinte pergunta:
- Um homem que vive no momento presente precisa de iluminação ou não?

Mestre Kyozan Ejaku disse:
- Não seria verdade se dissesse que não há iluminação, mas não posso evitar de cair em uma consciência dualística.

Voltando para Mestre Beyko o monge lhe disse o que o Mestre Kyozan tinha dito. Mestre Beiko confirmou com ênfase as palavras do Mestre Kyozan.

Quarta-feira, Setembro 30, 2009

Shinji Shobogenzo
Livro 1 - Caso 6
Koan



Certo dia um monge perguntou para o Mestre Roiya Ekaku do distrito de Joshu:
- Fala-se que o Universo é puro e apresenta sua forma original. Como é possível para ele manifestar montanhas, rios e a terra?
Roya Ekaku respondeu:
- O universo global é puro e apresenta sua forma original. Como é possível para ele manifestar montanhas, rios e a terra!

Segunda-feira, Setembro 28, 2009

Sesshin cancelado

Atenção, o Sesshin da Primavera que aconteceria nos dias 16, 17, 18, 19 nov 2009 no Templo Busshinji foi CANCELADO por motivos internos do Templo.

O Sesshin da Iluminação continua de pé nos dias 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 20 dez 2009.

Obrigado pela compreensão.

Sexta-feira, Setembro 25, 2009

Ryaku Fusatsu

[*Tradicionalmente traduz-se "sange" por "arrependimento", palavra que alguns mestres comentam não ser adequada.]

II. A cura* e a extinção do mau carma

7. Os budas e os ancestrais, devido à sua ilimitada compaixão, abriram os portais do caminho para que todos os seres, humanos e celestiais, possam realizar a iluminação.
Apesar de a retribuição cármica por más ações aparecer em um dos três períodos de tempo, a cura diminui seus efeitos e elimina o mau carma, trazendo purificação.

8. Portanto, devemos nos curar, com toda sinceridade, diante de Buda. O poder do mérito que resulta de curar-se dessa forma diante de Buda nos salva e nos purifica. Esse mérito encoraja o livre crescimento da fé e do pleno esforço. Quando a fé surge, ela transforma a nós e a todos, e seus benefícios se estendem a todos os seres, animados e inanimados.

9. A essência da cura é expressa desta forma: “Apesar de termos acumulado muitos maus carmas no passado, produzindo causas e condições que obstruem nossa prática do caminho, que os budas e os ancestrais que alcançaram o Caminho de Buda sejam compassivos, nos libertando da retribuição cármica, removendo os obstáculos à prática do caminho e dividindo conosco sua compaixão, pois é por meio dela que seus méritos e ensinamentos preenchem todo o universo”. Buda e os ancestrais já foram como nós; no futuro, seremos como eles.

10. “Todo o mal cometido por mim é causado pelo apego, raiva e ignorância, que não têm origem. De todo mal cometido por meu corpo, fala e mente eu agora, sinceramente, me curo”. Se nos curarmos dessa forma, certamente receberemos a ajuda invisível dos Budas e ancestrais. Mantendo isso em mente e agindo da maneira correta, devemos nos curar sinceramente diante de Buda. O poder dessa cura cortará pelas raízes o mau carma.

[Em seguida, vêm os preceitos]

(Shushogi, de Mestre Dogen Zenji)

Quinta-feira, Setembro 24, 2009

Shinji Shobogenzo
Livro 1 - Caso 5
Koan

Um leigo chamado Ho-on, do distrito de Jo, perguntou ao Mestre Sekito:
- Que tipo de pessoa é independente de todas as coisas e dos fenômenos?
Mestre Sekito cobriu a boca do leigo com as suas mãos.
Neste momento o leigo percebeu a verdade clara e repentinamente.
Em outra ocasião, o leigo fez a mesma pergunta ao Mestre Baso Do-itsu.
Ho-on perguntou:
- Que tipo de pessoa é independente de todas as coisas e dos fenômenos?
Mestre Baso Do-itsu respondeu:
- Responderei depois que você beber toda a água do rio Sekito em um gole.
O leigo percebeu a verdade após ouvir essas palavras.

Quarta-feira, Setembro 23, 2009

Samadhi (musical)


Sivuca difundindo um "jazz" nordestino na Suécia em 1969. Repara na interação do músico com o instrumento e a música, é difícil determinar onde um começa e o outro termina.

Segunda-feira, Setembro 21, 2009

Retiro Zen


Retiro de Primavera no Templo Zen Budista Taikanji

10 a 12 de Outubro de 2009

Passe um feriado muito especial com práticas de Zazen, Kinhin, Samu e Hatha Yoga, além de uma alimentação vegetariana saudável e balanceada, em meio à natureza na Serra da Mantiqueira, no belo Templo Zen Budista Taikanji - Pedra Bela, SP.

Programação diária:

Zazen, 6 períodos de 30 min.

2 aulas de Hatha Yoga com Dafnis C. Proença da Escola Carmen Perez

Palestra sobre Budismo

Contribuição: R$ 80,00/dia pela programação completa (vagas limitadas)

OBS: desconto de 10% para pagamentos feitos antecipadamente.

Mais informações e reservas: Monge Enjo - (11) 9555-2378 ou (11) 2473-0912 (Segundas e Terças Feiras)

Domingo, Setembro 20, 2009

Olhar o que (quase)
ninguém quer ver

Quinta-feira, Setembro 17, 2009

Livro 1 - Caso 4
Mestre Baso e Ryo
Koan



Mestre Ryo, o Zasu (mestre do templo) do Monte Sei no distrito de Ko, certo dia se tornou discípulo do Mestre Baso.

Mestre Baso perguntou: Você faz palestras sobre qual sutra?

Ryo Respondeu: O Sutra do Coração.

Mestre Baso perguntou: Como você ensina o sutra?

Ryo disse: Eu o ensino com minha mente.

Mestre Baso disse: A mente é o protagonista. A vontade é um ator encorajador, e os seis sentidos seus seguidores. Dessa forma, como você pode ensinar o Sutra?

Ryo respondeu: É impossível para a mente falar sobre o Sutra, portanto estará você dizendo que apenas o espaço vazio pode falar sobre o sutra?

Mestre Baso disse: Até o espaço pode falar dele.

Ryo estava saindo da sala balançando as mangas do manto da maneira como tinha entrado quando Mestre Baso gritou para ele: Kansu!

Ryo girou a cabeça.

Mestre Baso disse: Isto é assim desde o nascimento até a morte!

Mestre Ryo percebeu a verdade e se escondeu no Monte Sei. Depois disso ninguém soube o que aconteceu com ele.

Terça-feira, Setembro 15, 2009

Curso especial

A tempo, para quem vive no sul do Brasil. Veja abaixo (publicado no Blog Águas da Compaixão):

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Curso Especial: Análise e Síntese Transacional e a Prática Zen Budista


Clique na imagem para ampliar

O Budismo nos transmite ensinamentos sobre “anatman”, geralmente traduzido como “não-self” ou “não-eu”. Professores buscam atitudes de “não-ego” nos alunos. Mas o que significa isto?

O poema chinês “Sandôkai – A Identidade do Relativo e do Absoluto” (recitado regularmente no serviço matinal nos mosteiros Zen) fala da harmonia e inter-ação dos planos Relativo e Absoluto, os comparando ao “pé na frente e pé detrás ao andar”. Como aplicamos este ensinamento à vida diária?

O que é o “ego” no Budismo? O que é o “eu”? E o “ego” Freudiano, o “ego” da psicologia ocidental? Será que precisamos “matar o ego” para ter uma prática espiritual correta?

Para investigar estas questões e esclarecer más-interpretações sobre a nossa prática – sobre a harmonia do Absoluto e do Relativo, teremos o Curso Especial “Análise e Síntese Transacional e a Prática Zen Budista”, sob a orientação da psicóloga Miriam Cibreiros e a Monja Isshin Havens.

A Análise Transacional é uma teoria de psicologia e psiquiatria social desenvolvida pelo psiquiatra canadense Eric Berne, a partir da década de 1950. Nas palavras do autor, “A Análise Transacional é uma teoria da personalidade e uma psicoterapia sistemática para o crescimento e a mudança pessoal”. Está baseada em valores humanísticos, de relação igualitária e confiança no potencial das pessoas de desenvolver sua autonomia.

Este curso introdutório usa metodologia teórico-vivencial e facilita compreender a comunicação entre as pessoas e os papéis que vivemos, assumir a responsabilidade pela própria vida e estimular o contato com o próprio núcleo saudável. Aponta o valor da espiritualidade e a meditação como um caminho para a saúde.

Tópicos
Facilitados por Miriam Cibreiros:
. Resenha da Análise Transacional e Síntese Transacional
. A personalidade humana
. A comunicação humana: análise das transações
. Reconhecimento humano: a matemática do amor
. Emoções e disfarces: doenças psicossomáticas
. A estruturação do tempo: a intimidade intimida
. Jogos psicológicos: o Triângulo Dramático
. O script de vida
. A filosofia perene
. O apego e a plena atenção
. A aceitação: o círculo da saúde
. A vocação e o serviço

Orientados por Monja Isshin:
. Psicologia Budista e Psicologia Ocidental
. O ego ocidental e o “não-self” do Budismo
. Zazen

Duração: 16 horas (12 horas AT & ST, 4 horas Zen)

Data: 19 e 20 de setembro (sábado e domingo, das 8:00 às 18:00 hs)

Doação Sugerida: R$ 200
(R$ 100 – membros/cotistas das Sangas)

Local (a confirmar): Espaço Dojimnon – R. Portugal 733 – Bairro Higienópolis – Porto Alegre (como chegar)

Facilitadoras:
Miriam Cibreiros, psicóloga, mestre em Psicologia Social e da Personalidade, Membro Clínico Certificado da UNAT-Brasil (União Nacional de Analistas Transacionais) e da ALAT (Associação Latino-Americana de Análise Transacional). Formação em Síntese Transacional pela Universidade Holística Internacional de Brasília – Unipaz.

Monja Isshin, ordenada na tradição Soto Zen de Budismo e discípula do Saikawa Roshi, superior-geral da Escola Soto Zen na América do Sul, realizou o seu treinamento no mosteiro feminino de Nagoya, Japão durante 4 anos, com treinamento avançado nos Estados Unidos durante 1 ano (Zen Center de Los Angeles e Zen Mountain Monastery de Mt. Tremper, Nova Iorque). Treinou mais um ano em São Paulo como assistente da Monja Coen no Zendo Brasil antes de se mudar para Porto Alegre no final de 2006. É orientadora espiritual das Sangas Águas da Compaixão, Aikikai e Energia Harmoniosa em Porto Alegre e do Zendo Virtual na Internet.

Domingo, Setembro 13, 2009

Como os pássaros
deixam flores
aos pés
do caminhante



Não acredite em direções, não siga direções
Se lhe disserem vá por aqui ou por alí,
considere ir por lá ou acolá
Ou mesmo aceitando a direção
Lembre-se que o Espaço está intimamente
ligado ao Tempo, são inseparáveis,
originais desde sempre e até o fim, ainda que imutáveis

É só porque o meu norte é o seu sul
que nos encontramos, nada mais.

Pegadas na água são da melhor qualidade,
mesmo assim não convém segui-las
Direções são sempre convencionais,
de pouco servem a quem trilha o caminho do "original"
(que está além das condições)
Mas não confunda Original com original no senso mundano,
capitalista-neoliberal. Não confunda Original
com: "seu jeito de ser e de fazer"
nem confie em "o importante é ser você mesmo"
não confie no "custom", não confie na "personalização"
ou que "você tem direito" e ainda: "que você merece".
Tudo isso está longe ser Original no sentido do Zen, da Verdade
Tudo isso é consumível apenas,
toda essa "liberdade"
logo precisará ser descartada,
se está aí à venda é porquê são falsas direções.
Tenha certeza disso, e o problema não é o estar "à venda"
o carro, o cigarro, a pasta-de-dente, a conta no banco
e os livros, todos necessários
A questão é que direções são convencionais e ficam
fixas no tempo, na memória.
Também não confie na memória,
por melhor que ela seja não é bom segui-la.

A memória só é boa quando pode ser comparada
com o que acontece agora, quer dizer,
quando não pode ser,
e nos vemos sem direção.
Sim, isto é bom: Sem direção, sem aonde ir
- Não poderia ser mais livre

Vejo aquele Buda, não sigo aquele Buda
- Não poderia ser mais livre
Quem caminha a trilha do Original
sabe que toda direção nasce na hora
e no lugar onde estão seus pés.
Ainda que o corpo e a mente observem
muito atentamente na paisagem,
este ou aquele ser Desperto em movimento,
e com as mãos abertas receba seus passos.

Saiba também que a não-meditação, o Zazen
desconfunde a mente em direção... em que direção?

Experimenta

Sexta-feira, Setembro 11, 2009

Impermanência

Quarta-feira, Setembro 09, 2009

Nirvana


"As imagens refletidas num pequeno lago soprado pelo vento são entrecortadas, fragmentárias e continuamente oscilantes. Mas se o vento parasse de soprar e a superfície ficasse imóvel - Nirvana: "além, ou fora (nir-) do vento (vana)" - poderíamos ver não imagens entrecortadas, mas o reflexo perfeito de todo o céu, das árvores em volta e, nas profundezas calmas do próprio lago, seu belo fundo arenosos e os peixes. Poderíamos então ver que todas as imagens entrecortadas, que antes percebíamos fugazmente, eram na verdade apenas fragmentos dessas formas fixas reais, agora vistas de modo nítido e estável. E poderíamos ter à nossa disposição, em consequência, tanto a possibilidade de imobilizar a superfície do lago para apreciar a forma fundamental, quanto a de deixar o vento soprar e a água encrespar-se, pelo simples prazer do jogo (lila) das transformações. Já não se tem medo quando uma vem e a outra vai: nem mesmo quando a Forma Original desaparece. Pois Aquela que é tudo permanece para sempre: transcendente - além de tudo; porém também imanente - presente em tudo."

Joseph Campbell em As Máscaras de Deus - Mitologia Oriental

Sexta-feira, Setembro 04, 2009

Foto: Bruno Mitih

Quinta-feira, Setembro 03, 2009

CASO 1-51
Gozu / Nansen


Certo dia um monge perguntou ao Mestre Nansen:
- Por que centenas de pássaros pegavam flores e levavam até Mestre Gozu quando ele ainda não tinha visto o Quarto Patriarca da China?
Mestre Nansen respondeu:
- Porque Mestre Gozu estava se movendo passo a passo no caminho dos budas.
O monge disse:
- Por que os pássaros não pegaram mais flores e levaram até ele após ele ter encontrado o Quarto Patriarca?
O Mestre respondeu:
- Apesar dos pássaros não terem vindo mais, Mestre Gozu se encontrava no mesmo nível de verdade que eu.

Domingo, Agosto 30, 2009

Imperdível



Em cartaz, último filme do cineasta dinamarquês, Enfant Terrible do cinema atual, Lars Von Trier. Um filme altamente simbólico, lida diretamente no campo do inconsciente revelando mitos como Eros e Thanatos, sexo e morte, bem e mal. Também uma Obra de Arte cinematográfica. O Filme contém cenas de sexo e violência fortes, não é aconselhável para pessoas muito sensíveis.

- Fala-se em lidar com o inconsciente e seus signos nos sonhos. Mas, não seria o inconsciente individual o mesmo que o chamado inconsciente coletivo? Como no budismo, onde não há porquê falar em carma individual. Não seria possível lidar diretamente, de forma individual, com este inconsciente (carmas)? No dia-a-dia, e de olhos bem abertos? Não é isto o que acaba acontecendo a quem pratica o Zen?

Assim percebe-se a sociedade humana hiper-simbólica e voltada para dentro, rodando em torno de si mesma, de seus próprios mitos. Assustada com a natureza, sua própria natureza.

Sexta-feira, Agosto 28, 2009

CASO 3-1
BODHIDHARMA / TAISO EKA


Bodhidharma, um pouco antes de sua morte reuniu seus discípulos e disse:
- Minha hora está chegando, gostaria que vocês expressassem o que aprenderam.
O discípulo Dofuku disse:
- Gostaria de expressar que não me tornei apegado às palavras, mas ao mesmo tempo não as ignoro. Eu pratico o estado de verdade.
O Mestre disse:
- Você pegou minha pele.
A monja Soji disse:
- O que compreendi se assemelha ao Mestre Ananda que olhou para o país do Buda Ashiku uma vez, mas nunca mais olhou para ele.
O Mestre disse:
- Você pegou minha carne.
Doiko disse:
- Os quatro elementos (terra, água, fogo e vento) são originalmente como se não fossem nada (isto é, vazio), e os cinco agregados (matéria, sensação, percepção, ação consciência) não têm existência real. Portanto meu ponto de vista não tem uma entidade fixa.
O Mestre disse:
- Você pegou meus ossos.
Finalmente, Mestre Taiso Eka parou em sua frente, fez uma prostração e permaneceu em seu lugar.
O Mestre disse:
- Você pegou minha medula.
Então o Mestre transmitiu o Dharma e deu os mantos ritualísticos à seus discípulos.

Quarta-feira, Agosto 26, 2009

Sesshin em Enkoji


Ocorrerá mais um retiro (Sesshin), do dia 5 (sexta-feira) ao dia 7 (segunda-feira) de Setembro de 2009, no templo Enkoji, em Itapecerica da Serra.

A programação envolve sessões de zazen, palestras, trabalhos manuais, refeições vegetarianas, exercícios ao ar livre e outras atividades, numa programação mais leve, voltada para as pessoas que não estão acostumadas à prática, porém envolvente e dinâmica.

Inscrições até 29 de agosto.

Mais informações pelo telefone (11) 4667-5345 ou pelo endereço: temploenkoji@gmail.com

Domingo, Agosto 23, 2009

O Zen e o Banho Natural




Em primeiro lugar, o que é um banho natural? O banho natural é aquele que acompanha as estações do ano e que está em total sincronia com o tempo atual, o tempo no momento em que o tomamos. Explico melhor. O banho natural é mais conhecido como banho frio, e que não é frio apenas, como veremos, ou seja, Banho Natural é quando desligamos a resistência do chuveiro, simplesmente. Esta é uma prática Zen, por vários motivos, veja só a seguir.

O Banho Natural, segundo pesquisa rápida na internet: "promove o bem-estar 'exigindo' do organismo uma formidável reação. Isso acontece porque o choque de temperatura produz endorfinas, vaso constrição, ativa o metabolismo e o funcionamento de todos os órgãos. Privilegia o cérebro (e não só como veremos) deixa o corpo mais acordado e lúcido, pronto para a ação." * A endorfina é um neuro-hormônio que, quando liberado no organismo provoca a sensação de bem-estar tendo também a qualidade sedativa, é produzido pelo próprio organismo, pela hipófise. Segundo pesquisas seus principais efeitos são: melhoria da memória, bom-humor, resistência, aumento da disposição física e mental, melhoria do sistema imunológico, bloqueio de lesões em vasos sanguíneos e tem ainda efeito anti-envelhecimento, removendo os famosos radicais livres. Isso quer dizer que podemos curar a nós mesmos através de nós mesmos, com um simples estímulo. Como no Zazen, tudo o que precisamos já está aqui, desde sempre, requer apenas uma ação decidida na direção correta. Bem, no caso, o Banho Natural é bem mais "fácil", digamos, que o Zazen, quer dizer, basta abrir a torneira do chuveiro desligado e dar um pequeno passo em sua direção, só. Um pequeno gesto que para muitos parecerá ser o resultado de quilômetros de coragem e disposição, que eles imaginam jamais possuírem.

Veja, o banho morno ou quente tem suas propriedades também, são sobretudo relaxantes, tonificantes e ajudam a eliminar toxinas do organismo mas aqui entra uma característica do Banho Natural, ou Banho Zen, que é o sincronismo com a natureza. Quando a água não passa pela resistência elétrica do chuveiro, ela é aquecida ou resfriada pelo universo, aqui representado pelo nosso singular planeta, que se manifesta em marés, ventos, correntes e outras belas e fortes entidades do tipo, que por sua vez correspondem a uma ordem muito mais ampla. Se estamos no inverno a água fica mesmo gelada, parece queimar a pele às vezes, se a temperatura ambiente está mais amena a água fica apenas fria, se estamos no auge do verão, a água do chuveiro desligado pode ficar tépida. Tudo isso sentimos e constatamos com toda a extensão do nosso corpo, nervos, poros, pelos, pele, entre outras entidades vizinhas conectadas em rede, por onde passamos e tomamos existência e, consciência. Assim, o Banho Zen é harmonizar o corpo, que não exclui a mente, com todo o universo. Se está muito frio, como agora (10ºc), a água fica geladíssima, e aí parece uma contradição, "justo agora que está tão frio tomaremos uma banho gelado?" Pois é, estamos falando de sincronia, de harmonia e de, um pouco de coragem e atitude, pois sem isso não se caminha.

Quando a água está gelada num dia gélido, saímos do banho com o corpo aquecido, quer dizer, a temperatura do corpo fica ligeiramente inferior à do ar e por instantes não sentimos frio nenhum. Se esta ação se transforma em nosso cotidiano, aos poucos o corpo vai sentindo menos frio e menos necessidade de agasalhos, vai ficando mais resistente às doenças por estar mais próximo da natureza e do mundo como ele é. Se é um dia quente de verão, a água fria refresca, fazendo o mesmo efeito no corpo.

Os Haikais, forma de poesia Zen, usam apenas temas ligados às estações do ano, de forma sintética, descritiva e simples. O Banho Natural, possui a mesma poética, digamos, a poética do momento presente, porquê ao entrar debaixo da ducha natural não sobra espaço para nenhum tipo de pensamento, é quase impossível pensar em o que quer que seja, só existe aquele momento, aquele instante. Somos UM com todo o universo que se manifesta agora no giro do planeta em torno de si e em torno de uma estrela, e tudo isso está naquele banho.

Ao tomar o Banho Zen, é preciso lembrar de alguns detalhes importantes, é preciso deixar a água fria bater em todo o corpo mas, sobretudo, em três pontos cardeais, a saber: a cabeça, o baixo ventre (o centro do corpo, porção irrigadíssima que corresponde a um Chakra e ponto pelo qual se respira durante o zazen - fica a quatro dedos abaixo do umbigo) e, finalmente, toda a extensão da coluna vertebral que, como continuação do cérebro comunica com todo o corpo, esta mesma coluna que durante o zazen mantemos erguida e equilibrada.

Diferente do banho quente que relaxa e prepara o sono, o Banho Natural Desperta, acorda, nos torna alertas, e é disso que nós budistas somos feitos, dessa matéria que desperta incessantemente, esta é a nossa religião.

* Pessoas com problemas cardíacos precisam se aconselhar com um médico.

Sábado, Agosto 22, 2009

CASO 2-74
ANANDA / MAHAKASYAPA



Certo dia Buda Gautama instruía o Mestre Ananda e disse:
- Daqui a pouco é hora da refeição. Você deve ir até a cidade e encher a tigela.
Mestre Ananda concordou com o Buda Gautama.
Buda Gautama disse:
- Quando estiver com a tigela você deve contar com o comportamento dos Sete Budas do passado.
Mestre Ananda perguntou:
- Qual é o comportamento dos Sete Budas do passado?
Buda Gautama gritou:
- Ananda!
Ananda respondeu:
- Sim?
Buda Gautama disse:
- Pegue a tigela imediatamente.

Sexta-feira, Agosto 21, 2009



"O que eu sou hoje (e a casa dos que me amarram treme através das minhas lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É eu estar sobrevivente a mim mesmo como um fósforo frio..."

Álvaro de Campos, ou, Fernando Pessoa

...

"Onde, agora? Quando, agora? Quem, agora?

Samuel Beckett

Segunda-feira, Agosto 17, 2009

"Let it come,
let it go..."

Sexta-feira, Agosto 14, 2009

CASO 2-70
ANANDA / BUDA
O Bom Cavalo

Certo dia um não budista falou para o Buda: não estou pedindo palavras, não estou pedindo por não palavras. Buda Gautama apenas continuou sentado. O não budista o elogiou dizendo: A grande benevolência e a grande compaixão do Buda Gautama abriram as nuvens da ignorância e me possibilitaram conhecer a verdade. Então se prostrou diante do Buda e saiu.

Em seguida Mestre Ananda perguntou ao Buda: Que tipo de verdade o não budista realizou quando te elogiou?

Buda Gautama disse: É como o bom cavalo que apenas ao ver a sombra do chicote já sai correndo.

Comentário ao Koan
CASO 2-69
ANANDA / MAHAKASYAPA

Mestre Ananda perguntou o que tinha sido transmitido pelo Buda Gautama que tivesse sido diferente do manto dourado do Buda. Mestre Mahakasyapa simplesmente chamou Ananda que deve ter respondido, “sim.” O chamado do Mestre Mahakasyapa e a resposta da Ananda fazem parte de uma conversa típica da vida diária dos seres humanos.

A intenção do Mestre Mahakasyapa foi de mostrar que aquilo que recebeu do Mestre Gautama foi exatamente o comportamento natural da vida do dia a dia. Para enfatizar isto mais profundamente, Mestre Mahakasyapa pediu ao Mestre Ananda que descesse a bandeira do mastro da frente do templo, talvez um trabalho que estivesse sendo esperado para ser feito.

...

Koan publicado em postagem logo abaixo.

Quarta-feira, Agosto 12, 2009

Zazen no hospital


Sala de meditação do Hospital do Servidor Público Municipal

Sessões de Zazen 2ªs, das 7:00 às 9:00,
e 3ªs das 7:00 às 10:00.

O hospital fica na estação Vergueiro do Metrô
e a sala de meditação é no 9º andar.

A prática é aberta ao público em geral.

Sexta-feira, Agosto 07, 2009

CASO 2-69
ANANDA / MAHAKASYAPA
Descendo a Bandeira



O Segundo Patriarca, Mestre Ananda, perguntou ao Mestre Mahakasyapa:
- Respeitoso irmão estudante, que tipo de coisas concretas você recebeu que seja diferente do manto de ouro de Gautama Buda?
Mestre Mahakasyapa chamou-o e disse:
- Ananda. - Ananda olhou para ele.
Mestre Mahakasyapa disse:
- Por favor, desça a bandeira do mastro da frente do templo.
...

Koan

Segunda-feira, Agosto 03, 2009

Atenção-plena



Repara na quantidade de braços e faces. Veja os detalhes: as mãos, objetos, olhar, corpo. Assim viu o artista a compaixão (dentro da concepção budista). Como numa imagem congelada de cinema, o Avatar olha nas 10 direções e com milhares de braços ajuda a todos os seres.

Clique na imagem para ampliar

Como seria a ação de uma mente não-condicionada, ou muito menos condicionada? A que exatamente se prende (?) a atenção de um Bodhisattva? Como ele lida com os acontecimentos do dia-a-dia?

Lembre-se que isto é apenas uma representação, uma interpretação de algo que não possui forma, ou que está além da forma, mas que mesmo assim é extremamente acessível.

Quinta-feira, Julho 30, 2009

Agende-se

Veja as datas dos próximos Sesshins (retiro zen) no Templo Busshinji


Sesshin da Primavera
16, 17, 18, 19 nov 2009
Colaboração: R$ 150,00


Sesshin da Iluminação
13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 20 dez 2009
Colaboração: R$ 200,00


Inscrições no local ou por telefone.

O retiro será coordenado pela equipe de monges do Templo Busshinji, tendo como responsável o Mestre Saikawa Roshi.

O Templo Busshinji fica na Rua São Joaquim, 285. Bairro da Liberdade, São Paulo - SP. Tels: (0xx11) 3208-4345/4515



Saikawa Roshi e discípulos no Sesshin de Inverno 2009

Terça-feira, Julho 28, 2009



Mundo, tão pequeno mundo...


Aquele que não é livre, enxerga um mundo restrito, acredita num mundo medíocre, utiliza uma linguagem que quer confirmar a não-liberdade e faz isso a todo tempo porquê precisa provar para si mesmo a existência deste mundo fictício que cria para si. Transforma suas relações com objetos e outras pessoas neste sistema fechado, quer convencer os outros de suas idéias, fica muito chateado se tiram seu chão e, sobretudo, fica embasbacado e sem ação quando vê um outro, livre, e sofre, sofre muito quando percebe sob seu nariz a liberdade "caótica" subjacente à própria existência.

Aquele que vive o sentimento de culpa, alimenta o sentimento de culpa como se fosse um peixe num aquário, precisa confirmar este sentimento de quando em quando para que ele não desapareça, ele pede confirmação para os outros, e inclui os outros nele, e acredita que obtém um certo alívio quando percebe que outros também têm essa mesma coisa, chegam a ficar felizes até, de uma alegria fosca e volátil feita de cumplicidade triste. Levam a vida assim, no dia de ontem.

Aquele que é negativo vê um mundo azul, azul chumbo. Tudo traz no fundo a semente do mal ou da tragédia engendrada, tudo é colocado numa moldura de horror, e todo cuidado é pouco. Seu mundo esta a beira do colapso a todo o tempo e se os outros não vêem o mesmo, então talvez todas as suas crenças, e sua vida por conseqüência, possam estar envenenadas ou com mal-agouro, encosto. Ele inclui os outros em seu mundo sombrio, não raro ele se torna a vítima.

A vítima precisa do algoz, então transforma o mundo à sua volta na causa dos seus problemas. E qualquer coisa pode ser a causa, o amigo, o inimigo, o tempo frio demais, a falta de tempo, a caixa de fósforos úmida, o pólen, qualquer coisa serve para alimentar e justificar sua existência tão sofrida. A vítima precisa de outros para existir assim tão frágil e desprotegida, vivendo em seu mundinho estreito.

Aquele que é estressado agita e enerva o que está a sua volta sempre que possível, assim seu frágil mundo ganha algum sentido e ele respira aliviado, ainda que mais estressado, mas isso não importa, importa dar sentido ao seu estado de nervos.

Aquele que é simpático traz um belo e convincente sorriso no rosto, adora sorrir para os outros, acredita levar a alegria a todo lugar. Fica preocupado porque o mundo já não sorri tanto ou porque alguém não correspondeu ao seu sorriso. Não entende porque há tanta gente mal-humorada no mundo. Muitas vezes não se importa se o mundo não corresponde sua expectativa, mas gostaria que as pessoas fossem mais felizes, como ele.

Aquele que é bom, está sempre fazendo o melhor possível, procura sempre fazer o bem para os outros, alguns, até em detrimento de si mesmo. Assim ele espera o reconhecimento de sua bondade através dos atos bons dos outros também. Fica inconsolável quando alguém corresponde sua bondade com indiferença, malícia ou maldade. Gostaria de ser reconhecido e adorado por todos por suas boas ações. Assim ele precisa de outros atores comprometidos na sua nobre causa para existir com alegria neste mundo.

O humilde abaixa a cabeça nas situações adequadas para que continue a ser humilde no momento oportuno, assim ele reconhece sua posição limitada diante das circunstâncias. Ele vê "os de cima" em cima e se vê embaixo, porque "os de baixo" estão abaixo. A humildade é a sua bandeira, sua guerra é manter as coisas separadas, os suntuosos e arrogantes confirmam sua posição no tabuleiro e assim ele, humildemente, sabe o seu lugar.

O trabalhador acorda cedinho para a labuta, todos os dias (domingo não), e sabe: "Deus ajuda quem cedo madruga." Oferece assim convicto as melhores horas do seu dia ao trabalho, não importa muito qual, desde que o dia se consuma e no final haja a féria. Desvaloriza aqueles que não acordam tão cedo ou não trabalham tanto assim. Sente-se forte contrapondo sua posição com a dos que trabalham menos e, sempre que a vida se torna um peso, lembra que é um trabalhador exemplar, que quase não tem tempo para outras coisas na vida além do trabalho, e mesmo assim não fez nada de mal, pelo contrário, e isto o alivia, ainda que não remova o tal peso. Dessa maneira o trabalhador molda o seu mundo e ocupa o seu lugar.

Esses são eu.

....

Poderia ainda descrever dez mil parágrafos como estes falando do vaidoso, do louco, do desajustado, do habilidoso, do genioso, do general, do médico, do goleiro, do amador, do caridoso, genial, humorista, idiota, servente, presidente, executivo, vendedor, lixeiro, amoroso, extrovertido, forte, fraco, compenetrado, disperso, etc, etc, etc... Cada qual com o seu mundo, cada qual defendendo seu pequeno lote cercado, sua pequena parcela, seu pequeno quinhão de vida. Que criaram para ele, que ele acredita, cria e mantém. Vivendo na água turva e viciada do aquário, com a água que há tempos retiraram do fluxo incessante de um grande rio sem começo nem fim. Vão viver assim, acreditando num início e num fim que só se enxerga nos limites do aquário. Todos têm em comum a concepção epidérmica extremamente dualista que se define delineando bordas a todo instante entre o seu e os deles, entre o si e o outro. Todos criam e sustentam uma linguagem que mantém seu mundo intacto como uma rocha ou um castelo de cartas. Essa linguagem precisa da confirmação de outros, senão desaparece, perde o sentido. Essa linguagem, que se expressa na fala, nos gestos e nas ações, precisa ver-se refletida nos outros para perpetrar. Então criam associações para se confirmarem mutuamente, aí ganham muito mais força. E fazem algo muito, muito perigoso. Que é incluir os outros em pequenos jogos de ego, ínfimos jogos de malícia e mesquinhez que servem ainda para dar força e aparente coerência aos seus pequenos mundinhos de águas seletas. E aqueles que entram nos jogos de outros, ainda acreditam estarem fazendo os seus próprios jogos e aí não se sabe mais quem começou, não se sabe onde vai terminar, "onde acaba este sofrimento". Fazem isso de boa vontade, quase sempre, fazem porque é assim que acreditam na vida, de outra forma não sabem, não sabem viver. De outra forma encarariam um vazio tremendo, um vazio pavoroso, um vazio de trincar o dentes e ouvir os urros das bestas mais medonhas, de ouvir ecos de gerações e gerações atormentadas por todos os tipos de misérias, como as suas.

Aquele que participa destes mundos, que percebe estes mundos por todos os sentidos do corpo e da mente, aquele que freqüenta estes mundos sem discriminar, sem escolher, sem pegar e sem se apegar é chamado de Bodhisattva, ou "apto ao despertar". Aquele que encara o vazio com tranqüilidade, não vê mais a si, sabe que o vazio é um fluxo incessante sem si próprio, sem princípio, sem fim. Ele não tem medo, porque o mundo dos medos é apenas mais um e, diferente do fluxo incessante que é a existência, em total sincronia com o universo, o medo tem começo e tem fim, começa e termina neste exato momento.

Contudo, mesmo os que acreditam terem fixado seja o que for, seja qual mundo for nesta existência, estes ainda fazem parte do grande fluxo sem nome e sem mundos, que a tudo e a todos banha sem discriminação, sem escolher e sem se apegar. Que banha e conduz as marés e os oceanos verde-azulados, as aves migratórias, o céu inacreditável de tantas estrelas cintilantes, os ventos, os verões e invernos, as rãs, o cheiro de pedra molhada na beira do rio e o sol, entre tantos, tantos seres iluminados.

Domingo, Julho 19, 2009

União

Sempre que nos encontrarmos será a primeira vez
Temos assim um pacto de oportunidade mútua e imediata
Vejo você pela primeira vez e deixo que me veja pela primeira
vez também a cada reencontro - um pacto de liberdade

Reafirmo este ato de liberdade com todos os objetos
do cotidiano. Que a colher, o telefone, o computador,
a dor, a saudade e a mais pura alegria me vejam pela primeira vez
Você sabe, eles nos dão esta oportunidade.

Sempre que te encontrar será pela última vez
Que nosso encontro seja assim, a cada vez
E aquela história linear e fixa de cada um
e de todos nós tornar-se-á obsoleta, vaga

A vida fica viva, pulsante, presente, inteira.
E tudo isso não é preciso adquirir, nem entender
Isto já está bem aqui, faz parte da realidade em que
habitamos, como disse o Patriarca Zen Daikan Eno, isto é apenas:

Auto-usufruto da Natureza Original

Então sempre que nos encontrarmos será uma descoberta
Quando nos despedirmos se abrirá um novo mundo
Fiquemos assim, na borda da mudança eminente, sempre
façamos este pacto, caminhemos no vazio.




Quinta-feira, Julho 16, 2009

Comentário ao
Livro 1 - caso 3

Diferentemente do comentário inicial que cheguei a colocar aqui, o que Joshu chamou de "reconhecer a existência", não parece ser exatamente a iluminação, mas sim o estado que nos encontramos quando temos a certeza de que é preciso entrar no caminho da prática do dharma, assim tudo muda de figura, e chegamos a esta conclusão juntos na última reunião do grupo de estudos no Busshinji. Juntos percebemos que a resposta de Nansen é bastante prática, indicando o caminho do Unsui, ou seja, do monge noviço, que entra para um mosteiro (templo).

Um grande pega que tivemos foi a palavra "castrado", esta metáfora pode ser terrível para nós ocidentais, lembra animais ociosos e gordos e limitação radical - fulano se castra muito, cicrano é castrador e por aí vai. Mas o "búfalo castrado" de Nansen é o ser que propõe a si mesmo castrar seu touro interior, digamos assim, e isto significa submeter o ego selvagem a um treinamento, este sim será castrado para que apareça em seu lugar, radiante, o ser original. Sem os impulsos e desejos desenfreados do ego. A tal casa localizada na frente do portal do templo, segundo o Jisho nos contou por experiência própria, é um lugar onde os postulantes a monge, ou a entrar naquele mosteiro específico, ficam por uma semana inteira, sujeitos a um teste severo para serem admitidos ou não, aí precisam baixar a cabeça e submeter-se - um desafio para o touro selvagem. Por fim, a janela aberta para o despertar, uma visão simples e cotidiana na metáfora recorrente para iluminação, a lua.


Veja abaixo o koan ao qual se refere este comentário.

Domingo, Julho 12, 2009

Shinji Shobogenzo
Mestre Dogen
Livro 1 - Caso 3

Mestre Joshu Jushin do distrito de Jo perguntou ao Mestre Nansen: O que acontece para a pessoa que reconheceu a existência? Para onde ele vai?

Mestre Nansen disse: Ele vai viver numa casa de um templo localizada em frente do portal do templo e se transformará em um búfalo castrado.

Joshu Jushin disse: Mestre, muito obrigado pelos ensinamentos que recebi.

Mestre Nansen disse: A noite passada a meia noite a lua atravessou minha janela.

Comentário do
Mestre Dogen

(sobre o último koan publicado. Veja abaixo: Livro 1 - caso 2)

Este koan é idêntico à estória de Sakra Devanan Indra que perguntou ao Buda, “Como posso proteger quem quer praticar o Darma?” Buda respondeu perguntando, “Você pode ver o Darma que quer proteger? Onde ele está? O desejo de proteger o Darma é como o desejo de proteger o próprio espaço. Os praticantes budistas protegem o Darma e aos outros vivendo na verdade.”

A primeira questão do Mestre Obaku era abstrata. Ele queria saber a melhor maneira de enquadrar intelectualmente o conteúdo dos ensinamentos do seu mestre. A resposta de Hyakujo foi similar ao do Buda, porém mais direta. Mestre Hyakujo respondeu apresentando sua própria prática budista, continuando sentado em zazen.

Mestre Obaku compreendeu a intenção do comportamento do mestre. Ele então fez uma pergunta de uma maneira mais concreta. Como ele poderia transmitir os ensinamentos no futuro para aqueles com quem ele poderia não ter nenhum contato direto. Em resposta Mestre Hyakujo apenas disse que a compreensão de Obaku das ações de seu mestre, ao lado de sua preocupação com os futuros discípulos mostrou que ele era um homem que vivia na realidade.

Mestre Hyakujo ficou satisfeito por Obaku ter mudado de um nível de filosofia abstrata para um nível mais prático e realista de preocupação por seus discípulos e seus descendentes. Ele não tinha dúvida da habilidade do Mestre Obaku de resolver seus problemas.

Sexta-feira, Julho 10, 2009

Cortar em um


natthi ragasamo aggi natthi dosasamo gaho
natthi mohasamaj jalaj natthi tanhasama nadi

Não há fogo como a paixão (rāga), não há armadilha como a aversão (dosa);
não há rede como a delusão (moha), não há rio como a sede (taṇhā).

Conheça o blog do Seigaku, da sangha de Floripa.

Quarta-feira, Julho 08, 2009

Shinji Shobogenzo
Mestre Dogen
Livro 1 - Caso 2


Mestre Obaku Ki-un do Monte Obaku do distrito de Ko perguntou ao Mestre Hyakujo Ekai: Quando quiser dividir os ensinamentos que nos deu com os outros, como deverei ensiná-los?

Mestre Hyakujo Ekai apenas permaneceu sentado em seu zafu sem dizer nada.

Obaku Ki-un disse: Como posso ensinar os filhos e netos dos discípulos no futuro?

Mestre Hyakujo disse: O que você disse mostra que você é uma pessoa real.


Apresentado por Kakuho

Terça-feira, Julho 07, 2009

Estado de atenção

Sim, estou entre poucos.
Entre o "a pouco" e o "daqui a pouco".
Enfim, até o preconceito conta seus dias.

Terça-feira, Junho 30, 2009

Shinji Shobogenzo
Mestre Dogen
Livro 1 - Caso 1



Certo dia Mestre Sekito Kisen visitou o Mestre Seigen Gyoshi do templo de Jogo, no Monte Seigen no distrito de Ki.

Mestre Seigen perguntou a ele: De onde você veio?

Mestre Sekito respondeu: Vim do Monte Sokei.

Mestre Seigen levantando seu hossu perguntou: Existe alguma coisa parecida com isto no Monte Sokei?

Mestre Sekito respondeu: Não, nem no Monte Sokei, nem mesmo na Índia.

Mestre Seigen disse: Você nunca esteve na Índia, esteve?

Mestre Sekito respondeu: Se tivesse ido à Índia poderia ter encontrado um hossu como o seu.

Mestre Seigen disse: Você nunca esteve na Índia, portanto deveria dizer algo de acordo com sua experiência.

Mestre Sekito disse: O Mestre poderia expressar uma ou duas palavras concretas ao invés de deixar tudo para mim, Kisen.

Mestre Seigen Respondeu: Não me recuso a dizer algo para você, mas se o fizer você não seria capaz de atingir a meta por si mesmo.


Comentário

Mestre Seigen Gyoshi foi um discípulo do Mestre Daikan Eno, o Sexto Patriarca na China, e Sekito Kisen iria se tornar seu discípulo. Mestre Sekito tinha vindo do Monte Sokei, onde Mestre Daikan tinha vivido. Mestre Seigen Gyoshi se orgulhava muito de suas palestras sobre budismo, e usando seu hossu, perguntou ao Mestre Sekito se as palestras no Monte Sokei explicavam o budismo tão bem como ele fazia. O hossu, uma pequena escova ornada com de crinas de cavalo, carregado pelos mestres budistas é um símbolo da verdade budista.

Em sua resposta Mestre Sekito usou o hossu como um símbolo concreto dos ensinamentos do Mestre Seigen. Ele disse que não havia outro ensinamento como o do Mestre Seigen em nenhum lugar, nem mesmo no lugar do qual ele veio, a Índia.
Mestre Seigen ressaltou que Mestre Sekito não poderia saber sobre a Índia, uma vez que não esteve lá, mas Mestre Sekito respondeu que poderia ser possível achar os mesmos ensinamentos do Mestre Seigen na Índia, a terra de Gautama Buda.

Porem Mestre Seigen pensou que ele poderia ser mais realístico naquilo que estava dizendo. Disse que poderiam apenas falar de nossa própria experiência.
Mestre Sekito sentiu-se um pouco perdido em como responder de maneira que satisfizesse Mestre Seigen e pediu para o mestre ajudá-lo.

Finalmente, Mestre Seigen Gyoshi disse que seria fácil para ele dizer algo, mas agindo dessa forma privaria Mestre Sekito de ter a chance de expressar sua própria verdade.

A estrutura dessa estória contém quatro diferentes pontos de vista. Primeiro o ponto de vista idealístico ou intelectual, representado pela questão do Mestre Seigen sobre discursos budistas e simbolizado pelo hossu. O segundo ponto de vista é Mestre Sekito olhar para as coisas materialisticamente. O hossu – o hossu físico real que Mestre Seigen levantou – existe apenas naquele exato lugar, não na Índia ou no Monte Sokei. Mestre Seigen não ficou satisfeito e quis ouvir algo de um ponto de vista mais realístico. Ele sabia que Mestre Sekito não estivera na Índia e pediu para ele falar de sua experiência e não de suposições. Do ponto de vista supremo, Mestre Seigen sabia que Mestre Sekito deveria aprender a como expressar sua própria verdade. Ninguém poderia fazer isso por ele.

Apresentado por Kakuho.

Segunda-feira, Junho 15, 2009

Arraial Zen - A festa

Imagens do 1º Arraial Zen: material de divulgação, preparação do material de decoração, arrumação do salão e a festa. Sábado que vem, dia 20/06 tem mais! Compareçam e tragam seus
seus amigos e familiares!!!












Sábado, Junho 06, 2009

Arraial Zen - 13 & 20 de junho


Clique na imagem para ampliar

Você está convidado(a)!

Cartaz: Wajun Eze

Quinta-feira, Junho 04, 2009

Cultivando o campo vazio

Cultivando o campo vazio
(Hongzhi Zhengjue)

[Traduzido de Taigen Dan Leighton e Yi Wu]

[Hongzhi Zhengjue (1091–1157) foi um importante mestre chinês que ensinou no mosteiro do Monte Tiantong, onde anos mais tarde Dogen Zenji encontraria seu mestre. Hongzhi é responsável pela formalização em texto da prática da “Iluminação Silenciosa”, que Dogen posteriormente denominaria Shikantaza.]


A prática da Verdadeira Realidade

A prática da verdadeira realidade é simplesmente sentar serenamente em silenciosa introspecção. Quando você penetra isso, não pode mais ser desviado por causas externas e condições. Essa mente vazia e amplamente aberta é sutil e corretamente iluminadora. Vasta e satisfeita, sem a confusão interna dos pensamentos ávidos, efetivamente supere o comportamento habitual e compreenda o ser que não é possuído pelas emoções. Você deve ter a mente ampla, em tudo não se apoiando nos outros. Esse espírito aprumado e independente inicia-se não se perseguindo situações degradantes. Aqui você pode descansar e tornar-se limpo, puro e lúcido. Brilhante e penetrante, você pode imediatamente retornar, harmonizar-se e reagir, lidando com os acontecimentos. Tudo é desimpedido, as nuvens graciosamente flutuam sobre os picos, o luar resplandecentemente escorre pelos riachos das montanhas. O lugar todo é brilhantemente iluminado e espiritualmente transformado, totalmente desobstruído e claramente manifestando uma interação responsiva, como a caixa e sua tampa ou flechas [se encontrando]. Prosseguindo, cultive e nutra a si mesmo para incorporar a maturidade e alcançar estabilidade. Se você se harmonizar com todo os lugares com perfeita claridade e cortar fora arestas, sem depender de doutrinas, como o touro branco ou o gato selvagem, [favorecendo que o milagre surja], você poderá ser chamado de uma pessoa completa. Portanto, ouvimos que é assim que alguém do caminho da não-mente age, mas antes de concebermos a não-mente nós ainda temos que superar grandes adversidades.

Cumprindo a tarefa de Buda

[O campo vazio] não pode ser cultivado ou comprovado. Desde a origem é totalmente completo, imaculado e límpido até seu fundo. Onde tudo é correto e totalmente suficiente, conquiste o puro olho que ilumina plenamente, completando a libertação. A iluminação envolve decretar isso; a estabilidade se desenvolve com a prática disso. Nascimento e morte originalmente não têm raiz ou caule; aparecer ou desaparecer originalmente não têm sinais ou traços distintivos. A luz primordial, vazia e vigorosa, ilumina o topo da cabeça. A sabedoria primordial, silenciosa mas também gloriosa, reage às condições. Quando você alcança a verdade sem meio ou bordas, cortando fora o antes e o depois, então você compreende a totalidade da unidade. Em todo lugar as faculdades dos sentidos e os objetos apenas acontecem. Aquele que segura firme sua grande e larga língua transmite a inesgotável lâmpada, faz radiar a grande luz e executa o grande trabalho de buda, desde o início não tomando emprestado dos outros um átomo que esteja fora do dharma. Claramente essa questão ocorre no interior de sua própria casa.

Com confiança total, vagueie e brinque em Samadhi

Vazio e sem desejos, frio e fino, simples e genuíno, assim é que se derrubam e desmoronam os hábitos restantes de muitas vidas. Quando a mancha dos velhos hábitos se extingue, a luz original aparece, flamejante através de seu crânio, não admitindo outros assuntos. Vasto e espaçoso, como o céu e a água se misturando no outono, como a neve e a lua exibindo a mesma cor, esse campo é sem limites, além de direções, uma entidade de forma magnífica sem margens ou suturas. Além disso, quando você se volta para dentro e abandona tudo completamente, a realização acontece. Exatamente no momento do total abandono, deliberações e discussões ficam mil ou dez mil milhas distantes. Além disso, nenhum princípio é discernível, então o que pode haver para ser apontado ou explicado? Pessoas cujo fundo do vaso se desprendeu imediatamente encontram a total confiança. Assim, é dito para nós simplesmente concretizarmos a reação mútua e explorarmos a reação mútua, então retornarmos e entrarmos no mundo. Vagueie a brinque em samadhi. Todo detalhe claramente aparece diante de você. Som e forma, eco e sombra acontecem instantaneamente sem deixar traços. O mundo de fora e o eu-mesmo não dominam um ao outro, apenas porque nenhuma percepção de objetos surge entre nós. Apenas esse não-perceber comporta o espaço vazio das majestosas dez mil formas do domínio do dharma. Pessoas com a face original devem decretar e completamente investigar esse campo, sem negligenciar um só fragmento.

O passo atrás e o caldeirão aprumado

Com as profundezas claras, totalmente silenciosas, completamente ilumine a fonte, vazia e energizada, vasta e brilhante. Mesmo que você tenha lucidamente escrutinizado sua imagem e nenhuma sombra ou eco encontre, ao procurar você vê que ainda distinguiu entre os méritos de centenas de promessas. Então você deve dar um passo atrás e alcançar o meio do círculo de onde a luz é emitida. De maneira extraordinária e independente, você ainda precisa abandonar a busca por méritos. Cuidadosamente perceba que o nomear engendra seres e que eles ascendem e caem com complexidade. Quando você puder compartilhar a si mesmo, então poderá lidar com as questões e terá o puro selo que estampa as dez mil formas. Viajando pelo mundo, encontrando condições, o ser alegremente entra em samadhi em todas as delusões e aceita sua função, que é esvaziar a identidade e não preencher a si mesmo. O vale vazio recebe as nuvens. A correnteza fria limpa a lua. Sem partir, sem permanecer, muito além de todas as mudanças, você pode oferecer ensinamentos sem nada obter ou esperar. Tudo em toda parte retorna ao velho chão. Nem um fio de cabelo foi movido, inclinado ou erguido. Apesar das centenas de feiúras ou milhares de estupidezas, o caldeirão aprumado é naturalmente benéfico. As respostas de Zhaouzhou “lave sua tigela” e “tome seu chá” não exigem preparativos; desde o início elas sempre foram perfeitamente aparentes. Plenamente observar cada coisa com todo o olho é a conduta espontânea de um monge que enverga o manto de tiras.

A conduta da lua e das nuvens

A conduta de pessoas do caminho é como as nuvens que fluem, sem uma mente que agarra, como a lua cheia refletindo universalmente, sem estar confinada em qualquer lugar, resplandecendo em cada uma das dez mil formas. Digno e aprumado, emerja e faça contato com a variedade de fenômenos, imaculado e sem confusão. Funcione da mesma forma para com todos os outros uma vez que todos têm a mesma substância que você. A linguagem não pode transmitir essa conduta, especulações não a alcançam. Lançando-se além do infinito e cortando fora o que depende, seja prestativo sem visar a méritos. Essa proeza não pode ser mensurada pela consciência ou pela emoção. Na jornada aceite sua função, em sua casa, por favor a execute. Compreendendo nascimento e morte, abandonando causas e condições, genuinamente conceba que desde o princípio seu espírito não pode ser detido. Assim, é dito que a mente que abarca as dez direções não se detém em nenhum lugar.

Os incríveis seres vivos

Nossa casa é um simples campo, limpo, vasto, luzidio, claramente auto-iluminado. Quando o espírito está livre de condições, quando a atenção é serena e sem cogitações, então budas e ancestrais aparecem e desaparecem, transformando o mundo. Entre os seres viventes é que se localiza o lugar original do nirvana. Quão surpreendente é que todos tenham isso mas não consigam poli-lo até torná-lo claramente brilhante. Na escuridão do não-despertar, eles fazem com que a tolice cubra sua sabedoria e a supere. Um vislumbre de iluminação pode romper isso e fazê-lo saltar fora da poeira de kalpas. Radiante e claramente branco, o campo único não pode ser desviado ou alterado nos três tempos; os quatro elementos não podem modificá-lo. A glória solitária é profundamente preservada, resistindo através do tempo antigo e do tempo presente, assim como a mescla da identidade e da diferença torna-se a mãe de toda a criação. Esse domínio manifesta a energia dos muitos milhares de seres, todas as aparências são meramente sombras desse campo. Verdadeiramente declare essa realidade.

Quarta-feira, Junho 03, 2009

Nem tempo, nem espaço

No ponto central da floresta
No âmago da natureza
O Dharma nunca foi pronunciado
nunca ouvido.

Terça-feira, Junho 02, 2009

Festa Junina Busshinji



Estamos organizando duas festas juninas para arrecadar fundos para a construção do prédio anexo ao Templo Busshinji.

As festas acontecerão nos dias 13 e 20 de junho a partir das 19h no templo Busshinji. Teremos canjica, paçoca, arroz-de-carreteiro, pipoca, milho-verde, entre outro quitutes da roça, jogos e brincandeiras e o nosso exclusivo Quentão de Saquê.

Caso queira reservar ingressos, por favor entre em contato comigo pelo e-mail brunoviana@uol.com.br

Segunda-feira, Junho 01, 2009

O que é justo

Depois de muitos anos de esforço, de prática e dedicação, ela foi contemplada, não com dinheiro, ou poder - pelo seu esforço e dedicação - mas apenas com uma doce desilusão e o sabor da verdade na ponta da língua - iluminando os olhos. Ela não ganhou a megassena, nem foi finalmente recompensada com a riqueza material pelo trabalho, que por tanto tempo julgare-se merecedora de, um dia receber. Agora, ela apenas foi sacudida e depois levada por uma alegria sem condições, portanto sem causas, e então o seu apartamento amplo, seu carro do ano e sua roupa boa simplesmente deixaram de ser seus. Mas na verdade, nada, mas nada mesmo ainda havia sido ganho, mesmo o sabor da verdade e o brilho no olhar ainda haviam de ser colhidos dia após dia...

Quinta-feira, Maio 28, 2009

Cerimônia de Aparecida Kannon
Bosatsu da Paz Universal



Desta vez faremos a cerimônia das 9h da manhã até às 20h em frente ao templo.

Durante o dia será vendido cachorro-quente, velas aquáticas e um adesivo da Cerimônia.

Todo um esforço para angariar fundos para a conclusão das obras do novo prédio, o Grande Espelho.

Apareça e contribua!

Templo Busshinji
Rua São Joaquim, 285 - Bairro da Liberdade - São Paulo

Mal

"...eu não posso causar mal, mal nenhum, a não ser a mim mesmo..."
Cazuza

Sexta-feira, Maio 22, 2009

Sesshin de inverno 2009


Clique na imagem acima para ampliar

Acontece de 22 a 26 de junho no Templo Busshinji o Sesshin de Inverno 2009.

As inscrições estão abertas e o período de cinco dias tem um custo de 150 reais. Avisamos que não dispomos de hospedagens, por isso os interessados devem providenciar alojamentos nos hotéis próximos, pensões ou na casa de amigos.

A Cerimônia de Abertura deve ocorrer no dia 22, às 10hs. Os inscritos devem chegar antes deste horário para os preparativos como entrega e preparo de oryoki, para os que não tiverem, ocupação dos locais de prática, funções, etc.

O retiro será coordenado pela equipe de monges do Templo Busshinji e, como responsável, o Superior Dosho Saikawa.

O Templo Busshinji fica na Rua S. Joaquim, 285, Bairro da Liberdade, São Paulo. Inscrições no local. Tels: (0xx11) 3208-4345/4515

Terça-feira, Maio 19, 2009

O que você está fazendo!!?



Segunda-feira, Maio 18, 2009


O tempo psicológico está para as pessoas assim como o vidro está para a mosca.
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Terça-feira, Maio 12, 2009

Sankon Zazen Setsu

Sankon Zazen Setsu
Três tipos de praticantes Zen

Keizan Zenji

Aquele cujo zazen é do tipo mais profundo não tem interesse em como os Budas podem surgir no mundo atual. Ele não especula sobre as verdades que não podem ser transmitidas nem pelos Budas e Ancestrais. Ele não tem nenhuma doutrina sobre “todas as coisas serem expressão do self” porque ele está além de “iluminação” e “delusão”. Uma vez que suas visões nunca partem de ângulos dualistas, nada o obstrui, mesmo quando distinções aparecem. Ele apenas come quando tem fome. Ele apenas dorme quando está cansado.

Aquele cujo zazen é do tipo médio abandona tudo e rompe todas as amarras. Através do dia ele nunca está ocioso e assim cada momento da vida, cada respiração, é a pratica do Dharma. Ou então ele pode concentrar-se em um koan, olhos fixos, com o olhar em um ponto como a ponta do nariz. Considerações sobre vida e morte, ir e ficar não são vistas em sua face. A mente da discriminação não pode jamais penetrar a mais profunda imutável verdade, nem entender a Mente-de-Buda. Uma vez que não há pensamentos dualistas, ele é iluminado. Do mais distante passado até o presente momento, a sabedoria é sempre brilhante, límpida e reluzente. Todo o universo através das dez direções é subitamente iluminado por sua fisionomia, todas as coisas são vistas em detalhe em seu corpo.

Aquele cujo zazen é apenas comum vê as coisas de todos os lados e liberta-se de boas e más condições. A mente naturalmente expressa a Verdadeira Natureza de todos os Budas porque Buda está exatamente onde seus pés estão. Assim, ações incorretas não surgem. As mãos se unem no mudra da realidade e não estão atadas a nenhuma escritura. A boca está firmemente fechada, como se os lábios estivessem selados, e nenhuma palavra de doutrina é dita. Os olhos nunca estão plenamente abertos nem fechados. Nada é visto do ponto de vista da fragmentação e palavras boas e más não são ouvidas. O nariz não discrimina os cheiros como bons ou maus. O corpo não se apóia em nada e toda a delusão cessou. Uma vez que delusões não perturbam a mente, nem pesar nem júbilo aparecem. Exatamente como uma escultura de madeira de Buda, tanto a substância quanto a forma são verdade. Pensamentos mundanos podem surgir, mas eles não perturbam porque a mente é um espelho brilhante, sem traços de sombras.

Os Preceitos surgem naturalmente do zazen, sejam eles os cinco, oito ou os Grandes Preceitos do Boddhisattva, os Preceitos monásticos, as três mil regras de conduta, os oitenta mil Ensinamentos ou o supremo Dharma dos Buddhas e Ancestrais Despertos. Nenhuma prática, definitivamente, pode ser equiparada ao zazen.

Se um só mérito pode ser alcançado com a prática do zazen, é mais vasto que a construção de cem, mil ou incontáveis mosteiros. Pratique shikantaza, apenas sentando-se incessantemente. Fazendo isso, nos libertamos do nascimento e morte e realizamos nossa própria Natureza-de-Buda que está escondida.

Em perfeito bem-estar, vá, fique, sente e deite-se. Vendo, ouvindo, entendendo e sabendo são a manifestação natural da Verdadeira Natureza. Do princípio ao fim, mente é mente, além de argumentos sobre conhecimento e ignorância. Apenas faça zazen com tudo aquilo que você é. Nunca se perca disso ou distancie-se disso.

Segunda-feira, Maio 04, 2009

Refúgio


"Verdade é o que nunca foi escondido. Se você tiver olho, dá para ver à sua frente, está tudo manifestado."
Mestre Tokuda

Sexta-feira, Maio 01, 2009



- Mestre, o que faço para parar de pensar tolices? A todo momento me vêm coisas inúteis à mente.
- Jusshi - respondeu o mestre - você fala tolices na presença do mestre para que o mestre as ouça?
- Não, não. Na presença do mestre procuro me concentrar, muitas vezes não consigo pensar em nada sequer! - respondeu o discípulo.
- Jusshi, você fala coisas inúteis com o mestre?

O discípulo olhou para o mestre e a resposta estava em seus olhos, nenhuma palavra saiu de sua boca. O mestre ficou em silêncio, e o silêncio perdurou por poucos segundos sem fim. Neste momento Jusshi se iluminou.

º º º

Uma grande prática é parar de falar coisas inúteis, repetitivas, que sabemos que não servem e não acrescentam nada a nada. Que, se servem, servem apenas para esconder o silêncio, o silêncio da amizade, da beleza de uma planta, ou de uma cadeira velha. Esta prática se torna mais difícil na presença de grupos de amigos onde acreditamos estar presentes alimentando este tipo de conversa inútil. Nessas horas calar e observar é uma grande coisa. A fala é a nossa expressão, a fala é um sistema, ela alimenta corpo e mente num ciclo onde corpo e mente voltam a alimentar novamente a fala. Esse círculo é constante e sem fim, então se o alimentamos com inutilidades ele gera inutilidades, perda de energia e tempo, e se o alimentamos com essas coisas, essas coisas terão que sair em algum momento, e aí é difícil não falar, parece quase impossível não falar tolices, estamos transbordando. Ao mesmo tempo que se o alimentamos com o nobre silêncio, ou com conversas consequentes dentro da prática da iluminação, é nessa direção que nosso corpo e mente seguirão.

A roda do samsara e a roda do dharma.

Claro que, o bom, velho e fino, senso de humor é uma outra categoria.

Quarta-feira, Abril 29, 2009

O novo prédio para a prática do zen

Grande espelho é nome do novo prédio anexo ao Templo Busshinji. Grande espelho é a ausência total de ego e profunda integração com a natureza original das coisas.

Continuamos recebendo doações para finalização das obras, faça a sua colaboração!

Você pode fazer uma doação para a construção do novo prédio do Templo Busshinji, ligue para 11 3208-4515 ou 3208-4345 e fale com Satico Suzuki ou Mitsuyo Kamimura.








Aqui faremos a prática do total silêncio, de corpo e mente, o Shikan-taza. Aqui é o zendô.


Vista do terraço, onde haverá jardins.

Terça-feira, Abril 28, 2009

Aparecida Kannon mês de Abril









Segunda-feira, Abril 27, 2009

Aniversários


Nesta quinta-feira passada foi aniversário de 60 anos de nosso Mestre Saikawa. Comemoramos no sábado seguinte com um pouco de vinho, alegria e muita descontração, logo após a cerimônia de Aparecida Kannon Bosatsu.


E foi também aniversário de nossa inestimável amiga e companheira Sawa San.


(Clique na imagem para ampliar)

Sexta-feira, Abril 24, 2009

Arhat


Os contemplativos empenham-se,
em morada eles não se aprazem;
Como cisnes abandonando a lagoa,
abandonam eles morada após morada.
(Dhammapada)