domingo, outubro 19, 2008

Neurocientista vê seu cérebro se deteriorar

A norte-americana Jill Bolte Taylor descreve em livro sua experiência com o derrame que sofreu aos 37 anos


Jill Bolte, 49, que dá aulas de neuroanatomia


Às 7h de uma manhã de inverno, Jill Bolte Taylor acordou com uma forte dor de cabeça. A luz do sol ofuscava seus olhos. Ao ir até o banheiro, notou certa dificuldade para se equilibrar. Além disso, seu raciocínio estava confuso. Ainda assim, conseguiu tomar banho e se vestir. Só quando seu braço direito ficou paralisado, entendeu: estava tendo um derrame.
Neuroanatomista do Banco de Cérebros de Harvard, Jill passou as quatro horas seguintes observando a própria deterioração cerebral. O processo afetou linguagem, memória e movimentos -e a levou ao "nirvana". Era dia 10 de dezembro de 1996, e Jill tinha 37 anos. Neste ano, ela galgou a lista de mais vendidos nos EUA com o relato de sua recuperação -"A Cientista que Curou Seu Próprio Cérebro" (Ediouro).
O nirvana de Jill decorreu de especificidades de seu AVC (acidente vascular cerebral). Ela teve uma hemorragia no lado esquerdo do cérebro, ligado ao raciocínio lógico. Com o dano, prevaleceu o lado direito, mais abstrato e emocional. O resultado, conta, foi a suspensão da noção de tempo e a sensação de união com o universo.
Nesse ínterim, teve algumas "ondas de clareza". Numa delas, lembrou o telefone da mãe, mas não quis preocupá-la. Então ficou esperando outra "onda" que lhe permitisse lembrar o telefone do trabalho. Quando conseguiu ligar, descobriu que não sabia mais falar. Por sorte, reconheceram sua voz.
"Não senti medo", disse Jill à Folha. "Eu era uma cientista vendo meu cérebro avançar nesse processo incrível de deterioração e não previ que ficaria tão doente. E, quando chegou a hora em que eu poderia morrer, senti uma profunda paz."
A sensação era tão prazerosa que ela diz ter se questionado sobre o benefício da recuperação -o simples ato de ligar uma palavra à imagem mental certa levava horas e a deixava esgotada. O que a motivou a deixar a "divina serenidade" e encarar a reabilitação foi o desejo de ensinar aos outros como atingir a mesma tranqüilidade.
O que Jill propõe é uma forma de aquietar o lado esquerdo do cérebro para aproveitar as vantagens do lado direito.
Uma de suas estratégias consiste em focar a atenção em aspectos sensoriais (como aromas e sons) para se prender ao presente. Outra dica é orar e meditar. No livro, Jill cita um estudo que relaciona a neuroanatomia a experiências espirituais. A pesquisa avaliou praticantes de meditação e freiras e constatou que essas práticas reduziam a atividade de certas áreas do lado esquerdo.
"Nossa habilidade de experimentar a religião e a fé é baseada no cérebro. Quando os neurônios são ativados ou inibidos, experimentamos a união com algo maior", afirma Jill.

Críticas
Pelo tom de auto-ajuda, o discurso atrai críticas. "Há cientistas com a cabeça fechada que estão interessados em discutir a ciência no livro, mas não há uma ciência nova lá. Só uma vivência que condensa o que já se sabe", diz Jill.
Para ela, um dos melhores "remédios" foi o sono. Nas primeiras semanas após o AVC, sua rotina consistia em dormir por seis horas, passar 20 minutos acordada, tentando alcançar algum avanço cognitivo ou físico, e dormir de novo.
Ela também destaca o estímulo que recebeu da mãe nas atividades do dia-a-dia: perguntas cujas respostas eram "sim" ou "não" foram substituídas por questões de múltipla escolha, para que a filha precisasse elaborar uma resposta. "Embora saibamos muito sobre o cérebro, acho que temos um trabalho relativamente pobre na reabilitação cerebral", afirma Jill. "Não honramos o poder curativo do sono. Nos EUA, é comum acordar os pacientes cedo, dar-lhes anfetaminas e empurrá-los para um local repleto de estímulos, com TV ou rádio ligados. Meu cérebro queria dormir justamente para não ter de processar a estimulação excessiva."
Outro erro comum, a seu ver, consiste em dizer aos pacientes que a recuperação pára após os primeiros seis meses. Jill só voltou a fazer operações matemáticas, por exemplo, cinco anos após o trauma.
Hoje, ela dá aulas de neuroanatomia na Universidade Indiana e retomou uma atividade: a de "cientista cantora". A alcunha surgiu quando Jill iniciou uma campanha em prol da doação de cérebros para pesquisa. Como o tema deixava as pessoas tensas, ela tentava descontraí-las passando a mensagem por meio de músicas.
Seu interesse sobre o cérebro tem uma origem familiar. Com um irmão portador de esquizofrenia, ela queria entender como ele pensava. Acabou entendendo mais sobre si mesma.

Amarílis Lage da reportagem local,Folha de São Paulo


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quarta-feira, outubro 08, 2008

Samsara

Praticar o Zazen, é a maneira de não permitir que os carmas da cultura do pensamento humano, manifestados também nas chamadas relações psicológicas cimentados na ficção social, se estagnem em nosso corpo-mente.
É manter apenas a Origem Criativa do Dharma.
Em todo aqui e agora.
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Representação do Patriarca Zen, Bodhidharma.

quinta-feira, setembro 25, 2008

SENTENCIADO À MORTE

Antes de ser um monge, Zhijue era um oficial do governo, justo é sábio.Uma vez servindo o imperador como administrador provincial, sem falar nada a ninguém, usou
dinheiro publico para ajudar os pobres.Outros oficiais descobriram isto e contaram ao
imperador, que ficou muito surpreso.Ele e outros oficiais da corte ponderaram porque Zhijue havia feito tal coisa. Ainda assim era um crime grave e foi sentenciado à morte.
Na condenação, no entanto, o imperador disse aos seus ministro,Ele é um academico e sábio. Talvez tenha profundas razões para ter cometido tal crime. Se ele se lamentar e vacilar quando for decapitado, vá em frente e o mate. No entanto, se não, deve ter razões para isto e não deve ser executado.
o dia da execução chegou. Os oficiais iam decapitar Zhijue. Mas não parecia se lamentar. Ao contrário,parecia feliz e disse, "Dou minha vida terrena para todos os seres viventes. "Ouvindo isto, os oficiais ficaram surpresos e em dúvida. Ao reportarem ao Imperador, ele disse, "Como pensei, ele deve ter profundas razões."
Quando interrogado da razão de ter cometido o crime, Zhijue respondeu, "Abandonando minha posição de oficial, sacrificando minha vida e dando ajuda aos outros, fiz do ensino Budista o meu fundamento e adotei um coração de compaixão para todos os seres vivos. No próximo mundo serei um monge e me devotarei completamente ao caminho Budista."
Ao ouvir isto, o imperador ficou profundamente comovido e anulou sua sentença pedindo-lhe que se tornasse um monge e adotasse o nome Yanshou porque seu tempo de vida (shou), foi extendido (yan).
Monges hoje devem ter a atitude que Zhijue demonstrou. Não ligando para suas vidas devem ter profunda compaixão pelas pessoas. devem se determinar para usar suas vidas de acordo com os ensinos de Buda.
Aqueles que tiveram esta atitude devem mantê-la. Sem experimentar esta atitude, é impossível se iluminar para o Dharma.

Shõbõgenzõ Zuimonki (vol. 2, seção 9).
Caminho Zen ( Vol.7, N° 1. 2002)

Sempre aberta

Se a mente não está presa pelas bordas
então o zen não é japonês e é brasileiro
sem ser ao mesmo. Não importa se comemos
susshi, usamos samuê ou entoamos sutras
na lingua do Nihon.

Pergunte ao sol, e ele responderá
com um caloroso silêncio.

domingo, setembro 21, 2008

Ser cósmico


Mesmo sabendo que o sol nascerá sempre
porquê ele nunca se põe, e que à noite,
o brilho prateado da lua ainda é sua luz.
Mesmo assim posso ficar triste.
Mas apenas uma tristeza de lua nova,
uma alegria de lua nova.

quinta-feira, setembro 18, 2008

Fonte


Na prática do sesshin ficamos livres para reconhecer nossa própria força de uma maneira profundamente nova, insuspeita.

sábado, setembro 06, 2008

Sesshin Especial

Sesshin Especial de Treinamento de Monges
Superintendência da Escola Zen Soto da América do Sul

Estará acontecendo de 6 a 10 de outubro no Templo Enkoji (Itapecerica da Serra – SP) sesshin especial, dirigido principalmente a monges dos grupos representativos em toda a América do Sul. Tem como responsável pelas atividades o Superior Dosho Saikawa, Superintendente da Escola Zen Soto da América do Sul. Inúmeros missionários (Fukyoshi) estarão auxiliando durante o curso.
Tem como objetivo a atualização e aprimoramento dos monges no que se refere às atividades formais da tradição budista Zen Soto. Inclui-se nesta a realização de cerimônias (Chôka, Nichu Fugin, Banka Fugin. Rakanpai, Ryaku Fusatsu e outros), a utilização de oryoki (tigelas), a recitação formal das orações durante as refeições (em japonês), as prostrações (sanpai), o uso correto do zagu etc.
As inscrições devem ocorrer antecipadamente no Templo Busshinji, São Paulo, com o pagamento de uma taxa de R$ 200,00. Durante o acontecimento haverá instalações para a acomodação dos interessados. Deve-se levar cobertor, lençol e chinelos, além dos objetos de uso pessoal. Se o interessado não puder participar diariamente das atividades o valor pago integralmente será mantido.
A condução será fornecida pela organização, levando e trazendo os inscritos do Templo Busshinji para o Templo Enkoji e o contrário.

Fone: (011) 3208-4515 - Templo Busshinji

domingo, agosto 31, 2008

Aos pés


Olhou o Buda dourado de tamanho descomunal e disse:
- Não faz sentido este Buda aí fora.

terça-feira, agosto 26, 2008

Zazen ao ar livre

Os mestres do passado meditavam sob árvores. Em cavernas, à beira de um regato, sentados em pedras ou pilhas de folhas secas. Desde Buda Shakiamuni os mestres são unânimes em ensinar: deve-se praticar aqui e agora, sem distinções ou delongas.

Hojes as grandes cidades são lugares complexos em que se vive separadamente, com raras experiências comunitárias. Com isso, a rede que une todos os seres não é percebida e muitas pessoas vivem uma vida de insatisfação.

Na prática da meditação zazen não se rejeita ou se retém nada, momento após momento, sem dar preferência a uma ou outra coisa. O que quer que surja na mente, deixamos que venha, deixamos que vá.

Ao ar livre, sentar, praticar, limpar o local e seguir. Nada para levar, nada para deixar.

“Purifique a mente junto a um regato ou sob uma árvore.
Observe a impermanência sem descanso,
isso irá encorajá-lo a buscar o Caminho.”

(Keizan Zenji, Zazen Yojinki)

Instruções e prática (durante o inverno):

Domingos, às 10:00. Em caso de chuva, não há prática.

Praça Barão Pinto Lima – conhecida como Praça do Boaçava
(na praça, dirija-se ao lado oposto ao das quadras, onde há uma grande paineira)

Informações:


9911.7469 (Monge Koun)




Poesia chan

"Por muitos anos de sonhos, deixei o mundo.
Onde encontrar o elixir da imortalidade?
Num mundo confuso e decadente,
Sorrindo, deixo os sutras de lado
E repouso em retiro.
O dragão voltou para o mar,
O tigre foi para as montanhas.

"Os ventos do outono empilham
Levas de folhas caídas.
Eu as varro por mil vezes,
Mas persistem em cair...
Súbito sorrio e me sento confortado:
Que caiam e se tornem cinza por si mesmas!"

Mestre Chan Budista Nan Huai Chin

quarta-feira, agosto 13, 2008

Zafu

O zazen é simples e difícil. Não se trata de uma técnica complicada, que exige um elaborado sistema. Por isso muitos logo se desinteressam pela sua prática. Na verdade, não há atividade mais simples. Bodhidharma pôde ensiná-la sem palavras e assim ocorre até hoje. Mas é difícil. É importante que, terminado o zazen, os zafus sejam arrumados adequadamente. Devem ser colocados cuidadosamente ao lado dos outros, alinhados na estante, com as fitas brancas também alinhadas. Em casa, o mesmo deve ser feito. É muito simples deixar os zafus arrumados, mas muito difícil também. Deixá-los de qualquer jeito, bagunçados, é fácil. Mas bastante complexo.

segunda-feira, agosto 11, 2008

domingo, agosto 10, 2008

A sombra no espelho



Sou,
volkswagen, óleo de soja, amendoeira, creme nívea, coca-cola, jesus cristo, maionese, manjericão, meu cachorro da adolescência chamado rostof, minha mãe, fantástico o show da vida, micro organismos, pasta jóia, Itapemirim, sorbato de potássio, jonh lennon, plebe rude, plaza, maconha, novalgina, nossa senhora, bilhete único, buda, topogígio, aspirina, plano collor, guerra fria, kichute, kibon, cimento, vaselina, sol, fungos, meu pai, meu irmão, suco de uva, carnaval, estresse, varig, brasil, japão, beirute, flauta doce, emorróida, condicionador, sinal de trânsito, caramelos, couve-flor, ácido ascético, estômago, índios na tv, mundo virtual, física quântica, tatu bola, rios subterrâneos, carimbo no correio, minha mulher, adidas, zen, monge, ketchup, felicidade, música, bomba, fome, mendigo, ibiscus, corrupção, maldade, herói do terremoto chinês, sabedoria cósmica, xampu anti-caspa, mercedez bens, basquiat, pequena lacraia no meu tênis, corredor vazio, sesshin, mala postal, dúvidas mil, copa do mundo, a filhinha dos meus vizinhos, sabor azedo, poste de luz, mariposa amarela, o gato ordenado, poluição, rio tietê, lavoura arcaica o filme, tambor, celular, blog, sanghamargha, motoboy sangrando, hélice de helicóptero, raiva passageira, uísque, violetas no necrotério, Jorge Bush, guerra, dente-de-leão, salvador, quanta estupidez, vaidade, centauro, canequinha de chá, saudades, vinho tinto, refri, hóstia, revolução agrária, suicídio, shikan taza, coragem, lua, buraco negro, avenida paulista, ilha, sal grosso, gillette, honda, hermafroditas, hábitos, vícios, mudança, lantejoulas, vídeo, serial killer, ondas, desejos, sexo, espinafre, popai, labirintite, maha prajna, caminho óctuplo, ...

sou o caminho correto, pronto dentro de mim, à espera da minha inteligência, sou os pés da minha iniciativa, aqui, agora.

sábado, agosto 02, 2008

Flávio Jôshin,


Nossas ondas de tristeza

por tua partida tão rápida,

se dissipam ao encontrarem

as ondas de alegria de nosso

samadhi atualizado em Shikan taza.


Nossa prática espelha tua prática.

Vai sereno, segue tua carta náutica.

Atravessa as ondas que jogam a mente

pequena de um lado para o outro como numa 

tempestade em alto mar.


Felipe, amigo, segura-te firme ao leme!!!

sexta-feira, agosto 01, 2008

Shikan Taza


"Logo que Dogen chegou à montanha Tiantong (China), seu professor e companheiro de viagem, Myozen, morreu. Dogen continuou a participar do rigoroso programa de treinamento Zen, no monastério de Rujing. De acordo com o Registro da Era Baoqing, Rujing ensinava que estudar o Zen é 'abandonar corpo e mente' e que os estudantes não deveriam se comprometer com outras práticas tais como recitar o nome de Buda, entoar sutras ou manter ritos de arrependimento. Ele ensinava um método de meditação chamado Zhigan dazuo (agora melhor conhecido, na sua transliteração japonesa, por Shikan taza) - uma meditação de postura sentada de mente-única simples, em que não se tenta resolver questões ou atingir a percepção."

do livro A Lua numa Gota de Orvalho