quinta-feira, janeiro 29, 2009

O Buda em Jesus


Não só os budistas se iluminam, dizer o contrário seria uma heresia do ponto de vista do próprio budismo. A iluminação refere-se ao gênero humano, e pronto. Esta percepção deve ser benéfica para nós praticantes do dharma brasileiros ou residentes no Brasil, já que vivemos num país cristão. Se nossos neurônios foram formados nessa realidade, com certeza o cristianismo está em nós, budistas. E não deveríamos negá-lo. E deveríamos perder o medo dessa herança. Porquê o medo é o desejo de não perder algo, e aqui no caso são os conceitos fixos sobre o cristianismo/catolicismo que vamos perder.

Ultrapassadas as questões dogmáticas da igreja católica, ultrapassados todos os dogmas, percorrido este caminho, vê-se que o prajna (a Sabedoria) é comum a todos em nossa potencialidade búdica, sejamos católicos, muçulmanos ou jainistas.

"Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." - João 14:6. Estas são palavras atribuídas a Jesus Cristo e encontradas na bíblia, e podem ser reveladas no dharma da seguinte forma: a primeira parte da frase diz que "Eu", "Caminho", "vida" e "verdade" são exatamente a mesma coisa, este "Eu" é cada um de nós manifestado neste mundo e a própria "vida" é o "caminho" e a única trilha verdadeira, a única trilha para se atingir a verdade, porquê o próprio caminho que é a vida já é a verdade intrínseca, não tem outra. Mas a mente humana e seus pensamentos sobrepostos cria outras verdades (dogmas) e não trilha o caminho da vida verdadeira, se perde nos desejos e se alivia dos sofrimentos na busca incessante de prazeres no sansara. A segunda parte da frase de Cristo fala do "Pai", que aqui é o ser plenamente realizado, o gênero humano maduro, o não-tempo. O "Pai" aqui é simbólico, mitológico. E ele termina dizendo que ninguém se torna um com esta mente "Pai" cósmica, se não for através "dele", ou seja, aqui a frase retorna ao início, este "dele" é o "Eu" que é a verdade e que é o próprio caminho manifestado, que por sua vez é a própria vida de cada um de nós - este espaço-tempo limitado que temos. Esta frase atribuída a Cristo é uma parábola, ou seja, é circular, o final da frase encontra o início e se potencializa. Esta compreensão talvez sirva para resolver conflitos internos.

Agora compreendido pode ser esquecido, neste momento.

terça-feira, janeiro 27, 2009

Aroadr

Se a gtnee tem que aroadr almuga csioa, essa csioa só pdoe ser o destonscruir dos nsosos pceronteicos avratés da pórpira liderbade adnivda do ovserbar o noã-pceronteico. E isso svree praa tduo, ddese os pceronteicos mias brara-pseada até o nmoe dqauela folr lliás que dá em ccahos nas vanardas.

segunda-feira, janeiro 26, 2009

quinta-feira, janeiro 22, 2009

O princípio



Esta plaquinha é muito comum nos banheiros masculinos, dentro dos boxes onde há o vazo sanitário. E por mais bizarro que pareça, é assim que começam as religiões. Hoje eu leio este aviso e penso: é claro, nem precisava colocar isso aí. Mas na minha adolescência, talvez não fosse assim tão claro, nada claro eu diria. Não que eu tivesse o hábito de depredar banheiros, mas também não ligava muito.

Na verdade, para quem isto é obvio? Muitos descontam suas pequenas misérias individuais nos bens de uso público, muitas mentes confusas em revolta, todas com suas razões pessoais, muitas vezes coisas da idade. Outros, mais velhos, talvez estejam muito ocupados com seus pensamentos particulares para tomarem tento com a situação em que se encontram, outros acham que sempre vai haver alguém para fazer as coisas por ele.

Sentimo-nos crianças ao ler estas palavras, crianças ouvindo o pai ou a mãe dando um pequeno sermão, de como se comportar bem quando se está sozinho. Este é um dos poucos lugares em que estamos realmente sozinhos. Algumas pessoas até mantém o banheiro limpo, mas agem por culpa ou porquê mesmo sozinhos sentem que alguém as está observando.

Mas voltando ao "óbvio". É claro que aquele banheiro não é só meu, claro que depois de mim alguém mais entrará, e este alguém serei eu mesmo, várias vezes ao longo do dia. Pois se somos todos Budas, também somos Budas no banheiro urinando e evacuando. E depois de nós outros Budas entrarão para fazer suas necessidades fisiológicas. Então está claro, utilizo o momento presente, o aqui e agora, que é o único tempo que disponho para agir, e deixo o ambiente harmônico para a próxima pessoa. Bem, esta obviedade toda precisa ser escrita por algum motivo, e aí nascem os novos testamentos, os torás, os vedas, tri-pitakas, alcorões e outros, cada um sob um ponto de vista, uns mais, outros menos abertos. Mas aí nascem as religiões, no interior de cada banheiro.

quarta-feira, janeiro 21, 2009

Sesshin da Gratidão

Acontece durante o período do carnaval (19 a 24 de fevereiro), o Sesshin da Gratidão, no Templo Busshinji. As pessoas interessadas, sejam alunos desta instituição, bem como de outros templos, poderão se inscrever. O custo total é de R$ 200,00. Para os períodos curtos, de um a dois dias, o custo é de R$ 30 a diária. Como no dia 19, quinta, e 20, sexta, muitos ainda trabalham, poderão fazer, se assim desejarem, o sesshin a partir do sábado. Aconselha-se que os interessados tenham experiência em zazen, pois o tempo de meditação é bastante longo. Fazemos 40 minutos, com 10 minutos para kinnhin, sobrando apenas 10 minutos para o descanso. A alimentação também é realizada sentada na sala de zazen. O início se dá às 6 horas, encerrando às 19h30.


Não temos condições de aceitar aceitar alunos que dependam de acomodações para dormir, pois inexiste, no momento, infra-estrutura adequada para isso. A sugestão é que hospedem-se nos hotéis das redondezas.


Usar roupas apropriadas: na cor preta, calça de moleton ou similar; trazer sandálias havaianas.


As normas deste sesshin são os seguintes: não trazer e nem usar telefones, não deixar o templo no período das atividades, fazer as tarefas requisitadas, não conversar, chegar no horário e sair no horário. Os casos excepcionais serão resolvidos pelos monges.


Aqueles que têm problemas de alimentação (pressão alta, alergia, recomendações médicas), problemas de socialização, problemas emocionais, recomendamos não participar.


Inscrições no Templo Busshinji, no dia de abertura, dia 19, às 9h30. Ocasião em que haverá instruções para a utilização de oryoki - utensílios para as refeições, e distribuição de cadernos de sutras. O encerramento acontece dia 24, às 12h. Em casos de desistência, o valor pago não será devolvido. Mais informações: 11 3208-4515 ou 3208-4345


terça-feira, janeiro 20, 2009

Haicai

Final de ano chega.
Catando todos os trecos
mendigo em mudança.


Calendário velho.
Com um beijo me despeço
da moça sem nome.


O trovão ribomba.
Debaixo da mesma cama
o cachorro e o gato.


Quebrando o silêncio
repicar em meus ouvidos.
Chuva de verão.


Caminho de casa
me indica a dama-da-noite
na curva sem luz.

Mal chega janeiro
as contas a pagar batem
a porta de casa.

Nos passos do velho
o tempo quase parado.
Janeiro arrastado.

sábado, janeiro 17, 2009

Silêncio!



Novo blog da zen-budista Sodö, de Florianópolis. Confira textos e atividades ligadas à prática zen na ilha.

sexta-feira, janeiro 16, 2009


Os mensageiros animais, enviados pelo Poder Invisível, já não servem mais, como nos tempos primevos, para ensinar e guiar a humanidade. Ursos, leões, elefantes, cabritos e gazelas estão nas jaulas dos nossos zoológicos. O homem não é mais o recém-chegado a um mundo de planícies e florestas inexploradas, e nossos vizinhos mais próximos não são as bestas selvagens, mas outros seres-humanos...
Joseph Campbell


Garoto palestino atira pedra em policiais israelenses de
fronteira num campo de refugiados na Cisjordânia (jornal Folha de São Paulo, 30/12/2008)

terça-feira, janeiro 13, 2009

Dentro

Dentro
(Ferreira Gullar)

“O um é um e não é dois”
Parmênides, de Platão

estamos dentro de um dentro
que não tem fora

e não tem fora porque
o dentro é tudo o que há

e por ser tudo
é o todo:
tem tudo dentro de si

até mesmo o fora se,
por hipótese,
se admitisse existir

terça-feira, dezembro 30, 2008

O Honrado-pelo-mundo aponta para o chão

Shoyoroku, O Livro da Serenidade

Caso 4 – O Honrado-pelo-mundo aponta para o chão

Quando o Honrado-pelo-mundo caminhava com sua assembléia, apontou para o chão com sua mão e disse:
“Este é um bom lugar para se construir um templo.”
Indra pegou um talo de relva, o espetou no chão e disse:
“O templo está pronto.”
O Honrado-pelo-mundo sorriu.

domingo, dezembro 28, 2008

Perguntas de férias II

Se o caroço do pêssego parece um cérebro,
seria o cérebro uma semente?

Onde se esconde o silêncio da raiva?

Qual o limite do mar morto,
se há tantos petroleiros à deriva?

Por que as abelhas não se associam aos
vagalumes para fazerem mel à noite?

Boas novas/velhas


Palavras que confirmam e reforçam nossa prática.
Obrigado a todos que têm se empenhado para que o verdadeiro Dharma chegue até nós.

sábado, dezembro 27, 2008

Margha

"(...) Mas também existe a idéia fundamental. A palavra sânscrita para isso é Margha, e significa caminho. É a trilha de volta a você mesmo. O mito provém da imaginação e leva de volta a ela. A sociedade ensina o que são os mitos, e em seguida o libera para que em suas meditações você possa seguir o caminho certo."

Joseph Campbell, do livro "O Poder do Mito"

quarta-feira, dezembro 24, 2008

Perguntas de férias I

Quem solta no céu as
gaivotas como papagaios?

Onde vai dar esta estrada
que vai do nada ao nada?

Por que ninguém faz um abaixo assinado
contra a extinção dos vulcões?

quarta-feira, dezembro 10, 2008

POR QUE O BUDISMO ENCANTA O OCIDENTE?

O budismo faz tanto sucesso no Ocidente porque possui
características que correspondem às tendências da pósmodernidade
neoliberal. Num mundo em que muitas religiões se
sustentam em estruturas autoritárias e apresentam desvios
fundamentalistas, o budismo apresenta-se como uma nãoreligião,
uma filosofia de vida que não possui hierarquias,
estruturas nem códigos canônicos. No budismo não há a idéia
de Deus, nem de pecado. Centrado no indivíduo e baseado na
prática da yoga e da meditação, o budismo não exige
compromissos sociais de seus adeptos, nem submissão a uma
comunidade ou crença em verdades reveladas. Há, contudo,
muitos budistas engajados em lutas sociais e políticas.
Nessa cultura do elixir da eterna juventude, em que o
envelhecimento e morte são encarados, não como destinos, mas
como fatalidades, o budismo oferece a crença na reencarnação.
Acreditar que será possível viver outras vidas além dessa é
sempre consolo e esperança para quem se deixa seduzir pela
idéia da imortalidade e não se sente plenamente realizado nessa
existência.
Outro aspecto do budismo que o torna tão palatável no Ocidente
é a sua adequação a qualquer tendência religiosa. Pode-se ser
católico ou protestante e abraçar o budismo como disciplina
mental e espiritual, sem conflitos. Mesclar diferentes tradições
religiosas é uma tendência crescente para quem respira a
ideologia pós-moderna do individualismo exacerbado, segundo
a qual cada um de nós pode ser seu próprio papa ou pastor, sem
necessidade de referências objetivas.
Como método espiritual, o budismo é de grande riqueza, pois
nos ensina a lidar, sem angústia, com o sofrimento; a limpar a
mente de inquietações; a adotar atitudes éticas; a esvaziar o
coração de vaidades e ambições desmedidas; a ir ao encontro
do mais íntimo de nós mesmos, lá onde habita aquele Outro que
funda a nossa verdadeira identidade.

FREI BETTO

Monges fazem do Copan um templo zen.

Uma vez por mês, eles praticam do alto do prédio ‘zazen’, a meditação sentada.


Uma vez por mês, o edifício Copan, um dos principais cartões-postais de São Paulo, se transforma num inusitado templo budista. É toda terceira sexta-feira do mês, às 7h, quando monges zen da escola Busshinji sobem os 37 andares até o heliponto para praticar a meditação sentada – zazen, sendo “za” sentar e “zen” meditação.

Em fileira, de pernas cruzadas, colunas ereta e atenção na respiração, eles têm à frente centenas de prédios e, no horizonte, o pico do Jaraguá, na zona norte. Apesar do barulho, desligam-se do mundo exterior por uma hora, até ouvirem as oito badaladas do sino da igreja Nossa Senhora da Consolação, na vizinha Praça Roosevelt.

A meditação do alto do prédio surgiu com o cineasta Bruno Mitih, 41, budista há quatro anos. “A primeira idéia foi levar a prática do templo para a rua, e o edifício Copan se apresenta como a montanha dos budistas zen da cidade”.

O professor-monge Jisho Handa, 53, vê o Copan como representação de São Paulo; por isso a escolha. “No heliponto estamos num dos pontos mais altos do centro e a observamos num ângulo de 360°. Assim, expandimos nossas energias.”

O objetivo do grupo, diz Handa, é levar harmonia e compaixão ao maior número de pessoas possíveis. “Vivemos numa cidade cheia de desordem e injustiça. Queremos criar uma sintonia com toda a cidade e inconscientemente a cidade medita conosco, como se fosse uma onda de radio.”

A meditação no alto do Copan é aberta a interessados.

Segundo o sindico do Copan, Afonso Celso dos Prazeres, 69, a idéia foi aceita já no primeiro pedido do grupo. “Sou solidário a qualquer demonstração de ajuda a cidade”, diz. “Inclusive faço meditações em casa.”


Danilo Verpa - repórter-fotográfico.

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Caminho para a maturidade



Cinco coisas que podem trazer a maturidade para a prática do Dharma:
  1. Um amigo espiritual, um bom companheiro na vida sagrada
  2. O treinamento para a moralidade e a conduta perfeitas
  3. Envolvimento em conversas adequadas. Conversas não centradas no ego e que dizem respeito à libertação do coração, à liberdade e à iluminação. São conversas sobre querer pouco, contentamento, retiro, energia, moralidade, meditação, sabedoria, liberação e sobre o conhecimento e a visão das coisas como elas realmente são
  4. A energia e o esforço para abandonar estados da mente que são cheios de luxúria, raiva e confusão, e para o desenvolvimento de estados mentais claros cheios de genorosidade de compaixão. É preciso vigor e persistência para cultivar estes estados mentais positivos
  5. Desenvolvimento da compreensão e da percepção, que por fim irão levar à sabedoria e e à percepção dos Budas
O Buda

quinta-feira, novembro 27, 2008

Onde encontrar o Dharma

Uma vez, fiz um vídeo-retrato de uma pantera negra. Depois de tirar as correntes do animal, parte da equipe saiu e a domadora avisou: "Se a pantera correr em direção a você, não se mova". Durante a filmagem, o animal ficou meia hora sem se mexer, assim como eu e os técnicos. O que foi marcante é que, de certa maneira, todos nos sentimos como a pantera: estávamos todos escutando e respirando juntos. Havia uma entidade na sala. E estávamos ouvindo não só com os ouvidos, mas da forma como uma pantera ouve: com o corpo. Uma das chaves para entender todo o meu trabalho é a natureza de um animal. Acho que foi [o escritor e dramaturgo alemão Heinrich von] Kleist (1777-1811) quem disse que um bom ator é como um urso: jamais será o primeiro a atacar. Bob Wilson, dramaturgo, para a Folha de São Paulo



Na floresta de madeira de sândalo não cresce nenhuma outra árvore. Só os leões vivem nessa floresta profunda, densa, silenciosa. E por toda parte, nesse bosque tranqüilo, os leões brincam livremente. Todos os animais da terra e todos os pássaros do céu fogem do leão; só os leõezinhos caminham atrás do leão. Com apenas três anos de idade, eles já são capazes de rugir. E mesmo se os chacais quisessem imitar esses leões, reis do Dharma, eles não poderiam impedir que os cem mil demônios abrissem a boca livremente.Yoka Daïshi, do livro Shodoka - O Canto do Satori Imediato

quarta-feira, novembro 26, 2008

Sesshin da Iluminação 2008

Sesshin da Iluminação – Busshinji

Estão abertas as inscrições para o Sesshin da Iluminação (Rohatsu Sesshin) no Templo Busshinji, São Paulo. As atividades iniciam-se no dia 10, a partir das 9 horas. Na parte da manhã serão dadas instruções gerais e a maneira de se utilizar o oryoki, para as refeições formais. Serão entregues também o livro de orações. Após o almoço, às 13h15, haverá o ingresso do monge Shussô (líder dos alunos e demais monges) e a Cerimônia de Abertura.
As atividades diárias iniciam-se às 6horas, estendendo-se até às 19h30. No total haverá dez sessões de zazen, de 40 minutos, 10 minutos de kinnhin, e 10 para o uso do banheiro. As refeições da manhã (Tempatsu) e o almoço (Tempatsu) serão realizados na Sala de Buda, na postura de zazen. O chá da tarde, igualmente, nesta posição. O jantar (yakuseki) será feito de maneira informal, na sala de chá.
No encerramento deste sesshin da Iluminação, atendendo a tradição deste templo e, igualmente, outros centros de prática, as atividades estender-se-ão até as 3 horas, da manhã de 17. Após a finalização, haverá uma cerimônia de encerramento e de iluminação do príncipe Sidharta, que se tornara no Buda. De acordo com a transmissão, Buda sentara-se no décimo segundo mês por sete dias, sendo que na manhã do sétimo, ele alcançara a libertação. Esta experiência é realizada também pelos alunos inscritos no Sesshin da Iluminação. Nesta manhã, o monge superior (Docho) submete-se ao shosan, quando alguns praticantes colocam questões (mondo) a ele, e respondidas publicamente.
Na cerimônia, os praticantes têm a oportunidade de servirem-se de gomishuku (alimento dos cinco paladares), remetendo-se ao encontro de Sidharta com a camponesa Sujata. Diz a lenda que Sujata teria oferecido para o príncipe aquele alimento, assim pode recuperar-se do desgaste e, fortalecido, logrou obter a iluminação.
Para este sesshin, o custo é de R$ 200. Não temos no momento uma infra-estrutura para acomodar os praticantes. Por isso, para aqueles vêm de lugares distantes, um hotel nas proximidades deve ser providenciado. Quanto a isso, a recepção do Templo Busshinji poderá fazer a reserva. Informações pelo telefone 11-3208-4515. Rua São Joaquim, 285, Liberdade, São Paulo.

sexta-feira, novembro 21, 2008

No caminho do meio, a pedra é o caminho


Se todo carma é ação
está além da reação.
Cada objeto nesse mundo
é puro percurso, pura ação.

Todo objeto é caminho.
A banana, da terra ao cacho
A pedra, do pó ao pó
A montanha, em seu movimento incessante

Todo objeto vai do ponto A ao ponto B
A raiva passa
O amor vem e vai
A amizade também tem seu tempo

A atenção-plena é acessada apenas pela atenção-plena.
Toda verdade não prescinde da verdade para ser observada.
Ela abre os olhos de quem a procura profundamente
eliminando toda a ignorância do percurso.
Se há medo ou desânimo, a verdade diz que é ilusão
Se há alegria, diz que é só a metade
Se encontra a liberdade, diz: é Verdade!

Mas como saber se é liberdade, se dela não se provou?
Como buscar a liberdade sem saber a verdade?
Mas... e quem vai querer?

Renasce o sol miudinho nos meus olhos tristes
Rebenta um vulcão na boca do estômago
Me visita todo dia pela manhã o Sabiá Laranjeira.
Pergunto a ele o que é a liberdade
Ele me olha atento e deixa chegar bem pertinho
depois voa com uma pitanga no bico.

Fico não pensando nisso.