sexta-feira, fevereiro 27, 2009

A chuva

Depois de cinco dias de muito calor durante
o Sesshin da Gratidão, a primeira chuva chegou
no meio da tarde e disse:

Só a chuva pode chover.
Apenas o gênero humano pode agir em compaixão.
No universo, absolutamente nada muda, nada.



Nada muda, neste exato momento.
Cada coisa está em seu devido lugar.

Precisamos dizer sim ao mundo!
Sim às tragédias, à guerra, à violência,
à liberdade e à alegria simples.

E a maneira que temos de dizer sim
ao mundo é a compaixão.

Somos a chuva.


Os participantes do retiro.

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Mente aberta

Obama faz discurso chocante para alguns mas realista e atual para outros. Para que não se confunda mais mitos (revelação mística) particulares e conhecimento humano secular, esse deve funcionar para todos sem distinção, de maneira que todos tenham acesso à segurança. Embora saibamos que discurso e prática política muitas vezes acabem não correspondendo, há aqui um bom indício, vindo da boca do presidente da nação mais influente do planeta.

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Locais de prática

Além da prática diária no templo Busshinji, membros desta Sanghakaya promovem sessões de zazen com instruções nos seguintes locais:

ZAZEN NO HOSPITAL

Aberto ao público em geral.

Local:
Hospital do Servidor Público Municipal
9º andar – Sala de Meditação.
Rua Castro Alves, 60 – Aclimação
Metrô Vergueiro

Horários:
Segundas e terças-feiras, das 7 às 10h.

ZAZEN NA PRAÇA

Aberto ao público em geral

Local:
Praça Barão Pinto Lima – conhecida como Praça do Boaçava (Alto de Pinheiros)
(na praça, dirija-se ao lado oposto ao das quadras, onde há uma grande paineira)

Horário:
Domingos, às 10:00. Em caso de chuva, não há prática.

Informações:
zazenoeste@yahoo.com.br
http://zazenoeste.blogspot.com/

Todos estão convidados a comparecer e a divulgar.

Haikais de Ano Novo

.
.
Durante o Ano Novo
as melancias cortadas
num grande sorriso.
Jisho Handa


Ano Novo.
Corre a seiva leitosa
dos galhos podados.
Wajun Ezê


Coruja branca!
Flap, flap, some no céu negro.
Fogos de de fim de ano.
Seigen Mitih


Feliz Ano Novo...
do outro lado da linha
uma voz mais fraca.
Waco Baldan


no asilo, em silêncio
todos dormem profundamente
noite de ano novo.
Koun Campos


Publicado no Jornal Busshin, edição de janeiro.

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Meu cão, meu mestre



Já faz muito tempo, uns 25 anos mais ou menos, mas lembro como se fosse hoje, aquilo é como uma fonte, até hoje me sirvo dela. Eu devia ter uns 16 anos, vivia com minha família e tínhamos um cão, um Husky Siberiano, aquele cão de puxar trenó, preto e branco de olhos azuis. O criamos em nosso quintal desde os 4 meses de idade, eu particularmente era como um irmão para ele, assim ele devia considerar, dava comida, banho e brincava muito, rolávamos no chão muitas vezes. Seu nome era Rostof, um nome meio besta, mas que já veio com o bicho, coisas de criador imagino, um nome russo já que a raça vem da Sibéria. Às vezes ele sumia pulando a cerca do quintal e aí coincidentemente sumia uma galinha de um vizinho não muito distante. Quando passeava com ele normalmente era obrigado a andar apressadamente, tentando resistir à força daquele cachorro puxador de trenó. Rostof era um ser muito especial, sentava-se como gente, as patas dianteira no chão da sala e a traseira sobre o sofá, ficava assim, com a lingua de fora, olhando com naturalidade. Outras vezes ele "falava". Lembro de um encontro de família onde os primos se reuniram sentados no chão em círculo para brincar de telefone sem fio, ou algo do gênero, e ele sentou ao lado e começou uma ladainha gutural, que não era nem latido nem uivo, se o jogo teve ganhador, Rostof sem dúvida levou a melhor. Mas um dia o tempo fechou, cheguei em casa e ele havia feito xixi na minha cama, e não era a primeira vez. Bem, eu o chamei, ele já veio com o rabo entre as pernas e a cabeça baixa, mostrei a ele o que não devia ter feito e aí, indo além, muito além das minhas capacidades racionais, comecei a bater nele cada vez mais forte, e mais forte, e ele não reagia, apenas aguentava, e eu batia mais, até que resolvi bater com um pedaço de tábua, bati, uma, duas, três vezes. Então ele simplesmente abriu e fechou a boca controladamente no meu pulso esquerdo, deixando as marcas dos caninos na minha pele. Não saia sangue, mas estavam lá, quatro furos profundos. Assustado, soltei meu amigo, que foi em pequeno trote se recolher em sua casinha no fundo do quintal. Passaram-se dias, um, dois, três. Ficamos de mau, não olhávamos mais um para o outro, eu não dava mais comida nem sentia aquele pelo grosso entre as mãos, nem o levava mais para passear. Ele da sua parte também resistia. No terceiro dia, eu estava sentado numa cadeira baixinha falando ao telefone com um amigo quando sinto algo roçando em minhas pernas, era ele, Rostof. Encostou-se em mim suavemente e ficou imóvel. Olhei para aquele animal e fui brutalmente convencido daquele ato, era um ato puro de compaixão, era um momento de de extrema Inteligência. Afaguei seu corpo, sua cabeça, senti um grande alívio. Então eu me pus a pensar, de onde veio toda aquela raiva que me cegou diante do meu amigo, e por que ele não resistia a urinar em minha cama? Nesse dia, aquele cão, que chamava de "meu cão", me ensinou a compaixão e ganhou a liberdade, não era mais o "meu" cão, era apenas Cão. Algo ali estava a mais e era o significado daquele pronome possessivo em minha mente, então na verdade quem ganhou a liberdade fui eu. Algum tempo depois meus pais mudaram-se e tivemos que nos separar de Rostof, foi quando ele realmente ganhou a liberdade, indo morar numa chácara com uma bela companheira. Depois disso nunca mais o vi.

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Aparecida Kannon - Janeiro

Durante a cerimônia de Aparecida Kannon (BODHISATTVA da compaixão), são oferecidos doces ao público que passa na calçada em frente ao templo Busshinji. As pessoas então podem oferecer velas expressando seus desejos de compaixão. Simultaneamente doações a partir de 1 real são recolhidas para a construção do novo prédio e manutenção do templo existente.






quinta-feira, janeiro 29, 2009

O Buda em Jesus


Não só os budistas se iluminam, dizer o contrário seria uma heresia do ponto de vista do próprio budismo. A iluminação refere-se ao gênero humano, e pronto. Esta percepção deve ser benéfica para nós praticantes do dharma brasileiros ou residentes no Brasil, já que vivemos num país cristão. Se nossos neurônios foram formados nessa realidade, com certeza o cristianismo está em nós, budistas. E não deveríamos negá-lo. E deveríamos perder o medo dessa herança. Porquê o medo é o desejo de não perder algo, e aqui no caso são os conceitos fixos sobre o cristianismo/catolicismo que vamos perder.

Ultrapassadas as questões dogmáticas da igreja católica, ultrapassados todos os dogmas, percorrido este caminho, vê-se que o prajna (a Sabedoria) é comum a todos em nossa potencialidade búdica, sejamos católicos, muçulmanos ou jainistas.

"Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." - João 14:6. Estas são palavras atribuídas a Jesus Cristo e encontradas na bíblia, e podem ser reveladas no dharma da seguinte forma: a primeira parte da frase diz que "Eu", "Caminho", "vida" e "verdade" são exatamente a mesma coisa, este "Eu" é cada um de nós manifestado neste mundo e a própria "vida" é o "caminho" e a única trilha verdadeira, a única trilha para se atingir a verdade, porquê o próprio caminho que é a vida já é a verdade intrínseca, não tem outra. Mas a mente humana e seus pensamentos sobrepostos cria outras verdades (dogmas) e não trilha o caminho da vida verdadeira, se perde nos desejos e se alivia dos sofrimentos na busca incessante de prazeres no sansara. A segunda parte da frase de Cristo fala do "Pai", que aqui é o ser plenamente realizado, o gênero humano maduro, o não-tempo. O "Pai" aqui é simbólico, mitológico. E ele termina dizendo que ninguém se torna um com esta mente "Pai" cósmica, se não for através "dele", ou seja, aqui a frase retorna ao início, este "dele" é o "Eu" que é a verdade e que é o próprio caminho manifestado, que por sua vez é a própria vida de cada um de nós - este espaço-tempo limitado que temos. Esta frase atribuída a Cristo é uma parábola, ou seja, é circular, o final da frase encontra o início e se potencializa. Esta compreensão talvez sirva para resolver conflitos internos.

Agora compreendido pode ser esquecido, neste momento.

terça-feira, janeiro 27, 2009

Aroadr

Se a gtnee tem que aroadr almuga csioa, essa csioa só pdoe ser o destonscruir dos nsosos pceronteicos avratés da pórpira liderbade adnivda do ovserbar o noã-pceronteico. E isso svree praa tduo, ddese os pceronteicos mias brara-pseada até o nmoe dqauela folr lliás que dá em ccahos nas vanardas.

segunda-feira, janeiro 26, 2009

quinta-feira, janeiro 22, 2009

O princípio



Esta plaquinha é muito comum nos banheiros masculinos, dentro dos boxes onde há o vazo sanitário. E por mais bizarro que pareça, é assim que começam as religiões. Hoje eu leio este aviso e penso: é claro, nem precisava colocar isso aí. Mas na minha adolescência, talvez não fosse assim tão claro, nada claro eu diria. Não que eu tivesse o hábito de depredar banheiros, mas também não ligava muito.

Na verdade, para quem isto é obvio? Muitos descontam suas pequenas misérias individuais nos bens de uso público, muitas mentes confusas em revolta, todas com suas razões pessoais, muitas vezes coisas da idade. Outros, mais velhos, talvez estejam muito ocupados com seus pensamentos particulares para tomarem tento com a situação em que se encontram, outros acham que sempre vai haver alguém para fazer as coisas por ele.

Sentimo-nos crianças ao ler estas palavras, crianças ouvindo o pai ou a mãe dando um pequeno sermão, de como se comportar bem quando se está sozinho. Este é um dos poucos lugares em que estamos realmente sozinhos. Algumas pessoas até mantém o banheiro limpo, mas agem por culpa ou porquê mesmo sozinhos sentem que alguém as está observando.

Mas voltando ao "óbvio". É claro que aquele banheiro não é só meu, claro que depois de mim alguém mais entrará, e este alguém serei eu mesmo, várias vezes ao longo do dia. Pois se somos todos Budas, também somos Budas no banheiro urinando e evacuando. E depois de nós outros Budas entrarão para fazer suas necessidades fisiológicas. Então está claro, utilizo o momento presente, o aqui e agora, que é o único tempo que disponho para agir, e deixo o ambiente harmônico para a próxima pessoa. Bem, esta obviedade toda precisa ser escrita por algum motivo, e aí nascem os novos testamentos, os torás, os vedas, tri-pitakas, alcorões e outros, cada um sob um ponto de vista, uns mais, outros menos abertos. Mas aí nascem as religiões, no interior de cada banheiro.

quarta-feira, janeiro 21, 2009

Sesshin da Gratidão

Acontece durante o período do carnaval (19 a 24 de fevereiro), o Sesshin da Gratidão, no Templo Busshinji. As pessoas interessadas, sejam alunos desta instituição, bem como de outros templos, poderão se inscrever. O custo total é de R$ 200,00. Para os períodos curtos, de um a dois dias, o custo é de R$ 30 a diária. Como no dia 19, quinta, e 20, sexta, muitos ainda trabalham, poderão fazer, se assim desejarem, o sesshin a partir do sábado. Aconselha-se que os interessados tenham experiência em zazen, pois o tempo de meditação é bastante longo. Fazemos 40 minutos, com 10 minutos para kinnhin, sobrando apenas 10 minutos para o descanso. A alimentação também é realizada sentada na sala de zazen. O início se dá às 6 horas, encerrando às 19h30.


Não temos condições de aceitar aceitar alunos que dependam de acomodações para dormir, pois inexiste, no momento, infra-estrutura adequada para isso. A sugestão é que hospedem-se nos hotéis das redondezas.


Usar roupas apropriadas: na cor preta, calça de moleton ou similar; trazer sandálias havaianas.


As normas deste sesshin são os seguintes: não trazer e nem usar telefones, não deixar o templo no período das atividades, fazer as tarefas requisitadas, não conversar, chegar no horário e sair no horário. Os casos excepcionais serão resolvidos pelos monges.


Aqueles que têm problemas de alimentação (pressão alta, alergia, recomendações médicas), problemas de socialização, problemas emocionais, recomendamos não participar.


Inscrições no Templo Busshinji, no dia de abertura, dia 19, às 9h30. Ocasião em que haverá instruções para a utilização de oryoki - utensílios para as refeições, e distribuição de cadernos de sutras. O encerramento acontece dia 24, às 12h. Em casos de desistência, o valor pago não será devolvido. Mais informações: 11 3208-4515 ou 3208-4345


terça-feira, janeiro 20, 2009

Haicai

Final de ano chega.
Catando todos os trecos
mendigo em mudança.


Calendário velho.
Com um beijo me despeço
da moça sem nome.


O trovão ribomba.
Debaixo da mesma cama
o cachorro e o gato.


Quebrando o silêncio
repicar em meus ouvidos.
Chuva de verão.


Caminho de casa
me indica a dama-da-noite
na curva sem luz.

Mal chega janeiro
as contas a pagar batem
a porta de casa.

Nos passos do velho
o tempo quase parado.
Janeiro arrastado.

sábado, janeiro 17, 2009

Silêncio!



Novo blog da zen-budista Sodö, de Florianópolis. Confira textos e atividades ligadas à prática zen na ilha.

sexta-feira, janeiro 16, 2009


Os mensageiros animais, enviados pelo Poder Invisível, já não servem mais, como nos tempos primevos, para ensinar e guiar a humanidade. Ursos, leões, elefantes, cabritos e gazelas estão nas jaulas dos nossos zoológicos. O homem não é mais o recém-chegado a um mundo de planícies e florestas inexploradas, e nossos vizinhos mais próximos não são as bestas selvagens, mas outros seres-humanos...
Joseph Campbell


Garoto palestino atira pedra em policiais israelenses de
fronteira num campo de refugiados na Cisjordânia (jornal Folha de São Paulo, 30/12/2008)

terça-feira, janeiro 13, 2009

Dentro

Dentro
(Ferreira Gullar)

“O um é um e não é dois”
Parmênides, de Platão

estamos dentro de um dentro
que não tem fora

e não tem fora porque
o dentro é tudo o que há

e por ser tudo
é o todo:
tem tudo dentro de si

até mesmo o fora se,
por hipótese,
se admitisse existir

terça-feira, dezembro 30, 2008

O Honrado-pelo-mundo aponta para o chão

Shoyoroku, O Livro da Serenidade

Caso 4 – O Honrado-pelo-mundo aponta para o chão

Quando o Honrado-pelo-mundo caminhava com sua assembléia, apontou para o chão com sua mão e disse:
“Este é um bom lugar para se construir um templo.”
Indra pegou um talo de relva, o espetou no chão e disse:
“O templo está pronto.”
O Honrado-pelo-mundo sorriu.

domingo, dezembro 28, 2008

Perguntas de férias II

Se o caroço do pêssego parece um cérebro,
seria o cérebro uma semente?

Onde se esconde o silêncio da raiva?

Qual o limite do mar morto,
se há tantos petroleiros à deriva?

Por que as abelhas não se associam aos
vagalumes para fazerem mel à noite?

Boas novas/velhas


Palavras que confirmam e reforçam nossa prática.
Obrigado a todos que têm se empenhado para que o verdadeiro Dharma chegue até nós.