
Não acredite em direções, não siga direções
Se lhe disserem vá por aqui ou por alí,
considere ir por lá ou acolá
Ou mesmo aceitando a direção
Lembre-se que o Espaço está intimamente
ligado ao Tempo, são inseparáveis,
originais desde sempre e até o fim, ainda que imutáveis
É só porque o meu norte é o seu sul
que nos encontramos, nada mais.
Pegadas na água são da melhor qualidade,
mesmo assim não convém segui-las
Direções são sempre convencionais,
de pouco servem a quem trilha o caminho do "original"
(que está além das condições)
Mas não confunda Original com original no senso mundano,
capitalista-neoliberal. Não confunda Original
com: "seu jeito de ser e de fazer"
nem confie em "o importante é ser você mesmo"
não confie no "custom", não confie na "personalização"
ou que "você tem direito" e ainda: "que você merece".
Tudo isso está longe ser Original no sentido do Zen, da Verdade
Tudo isso é consumível apenas,
toda essa "liberdade"
logo precisará ser descartada,
se está aí à venda é porquê são falsas direções.
Tenha certeza disso, e o problema não é o estar "à venda"
o carro, o cigarro, a pasta-de-dente, a conta no banco
e os livros, todos necessários
A questão é que direções são convencionais e ficam
fixas no tempo, na memória.
Também não confie na memória,
por melhor que ela seja não é bom segui-la.
A memória só é boa quando pode ser comparada
com o que acontece agora, quer dizer,
quando não pode ser,
e nos vemos sem direção.
Sim, isto é bom: Sem direção, sem aonde ir
- Não poderia ser mais livre
Vejo aquele Buda, não sigo aquele Buda
- Não poderia ser mais livre
Quem caminha a trilha do Original
sabe que toda direção nasce na hora
e no lugar onde estão seus pés.
Ainda que o corpo e a mente observem
muito atentamente na paisagem,
este ou aquele ser Desperto em movimento,
e com as mãos abertas receba seus passos.
Saiba também que a não-meditação, o Zazen
desconfunde a mente em direção... em que direção?
Experimenta