quinta-feira, abril 09, 2009

Templo TAIKANJI

TEMPLO TAIKANJI , em Pedra Bela , no pé da Mantiqueira.
Zazen , yoga , deliciosa comida vegetariana , belíssima paisagem ....












ENJO-San é o Maestro que conduz com serenidade , gentileza e harmonia a integração dos praticantes com a Natureza.

Cada ásana me faz una com o Universo e me confundo com a majestosa ninféia no lago , com as flores lindas , diferentes , com o som dos insetos e das folhas dançando ao vento , com os bambus de várias espécies , com os cachorrinhos recém nascidos que dormem nos sapatos ....


Lá , até a chuva é mais bonita !

Ahhh, como é bela Pedra Bela !!!

segunda-feira, abril 06, 2009

O lado escuro da lua

É tão difícil e doloroso lidar com os outros
eles nos tiram do eixo e não correspondem
ao que gostaríamos que fossem
ou não estão a todo momento no mesmo palco (teatro) que nós

É tão difícil lidar com nós mesmos
acabamos sempre perdendo o eixo
e não somos como gostaríamos que fôssemos
ou erramos quase sempre nos mesmos pontos o nosso papel

O inferno são os outros, diz Sartre
O inferno somos nós mesmos

Um aparente jogo de espelhos
Carma circular gigantesco
se auto-alimentando dentro de um sonho
Perpetuando a ignorância em arroubos de descontroles e conveniências

Deixemos, agora, de acreditar, de verdade!, no teatro da sociedade...

Porquê toda a nossa dificuldade em lidar com o outro
é a mesma em lidar com nós mesmos
Toda agressividade que vem do outro
é a nossa agressividade quando respondemos a altura
ou nos chateamos com isso
Toda a gozação e despeito é o pouco caso que encerramos e manifestamos aqui dentro simultaneamente quando nos tornamos vítimas nesse jogo - a mesma moeda

Aí está o valor da sangha, convivemos com pessoas
que aceitam participar do mesmo palco, da mesma peça
Dramaturgia sem história, sem fim e sem princípio
Embora haja figurino, papéis e até objetivos aparentes

Devemos aceitar o vazio entre nós todos
E não mais uma vez sofrer (entrar em conflito) à altura do sofrimento (conflitos) do outro
Isso não é compaixão. Se eu puder ver a insatisfação do outro
e puder ver a minha própria insatisfação, e saber
silenciar, e saber calar aqui e agora, e contemplar...

O sofrimento do outro pede ação, ou não-ação
O ciúme, o mau-humor, a agressividade, a inveja, o medo
são sofrimentos nossos, dividimos isso. Ou não...
Também a dor, a doença, a perda e a velhice são comuns.
Ajudar efetivamente é compaixão.

Sobretudo, compartilhamos o caminho
Compartilhamos o método para o acordar
Somos inspiração, uns para os outros
Não seguimos nem somos os "nossos" carmas.
Observamos e somos o próprio Dharma.

sexta-feira, abril 03, 2009

Lendo o registro de Eihei Dogen

por Mestre Ryôkan

(traduzido para o francês e inglês por Daniel Leignton e Kazuaki Tanahashi)

Em uma noite sombria de primavera, por volta de meia-noite,
a chuva misturada à neve caía sobre os bambus no jardim.
Eu buscava tranqüilidade em minha solidão, mas não alcançava.
Minha mão, atrás de mim, alcançou o "Registro de Eihei Dogen".
Diante de minha mesa de estudos, sob a janela aberta, ofereci incenso, acendi uma luz e me pus a ler, tranqüilamente.
"Corpo-espírito abandonados" é simplesmente a verdade última.
Em milhares de posturas, dez mil aspectos: um dragão brinca com uma jóia.
Sua compreensão além das categorias [padrões condicionados], purifica a corrupção corrente [as impurezas da mente-espírito].
O estilo do grande mestre reflete a imagem da Índia.

Me recordo de tempos passados, quando vivia no Monastério Entsu,
e meu mestre ensinava o Shobogen, o olho da verdadeira lei.
Naquela época, houve uma ocasião de me voltar para a Lei,
então pedi permissão para lê-lo, e eu o estudei intimamente.
Pude compreender que até então eu dependera somente de minhas próprias capacidades.
Depois disso, abandonei meu professor e perambulei por toda parte.
Entre Dogen e mim, que relação há?
Por toda parte onde eu ia, praticava com devoção o olho do verdadeiro Dharma.
alcançando as profundezas e chegando ao veículo [quantas vezes alcancei a corrente, quantas vezes alcancei as profundezas?]
Neste ensinamento, não há falta. Assim, estudei completamente o mestre de todas as coisas [aquilo que rege todos os fenômenos].

Agora, quando tomo em minhas mãos o Registro de Eihei Dogen e o examino,
o tom não se harmoniza com as crenças comuns.
Ninguém soube distinguir a jóia da pedra.
Por quinhentos anos esteve coberto de pó,
simplesmente porque ninguém teve um olho para distinguir o dharma.
Para quem toda esta eloquencia foi exposta? [a quem se destinavam estas palavras eloquentes?]
Lamento tempos passados e o presente me aflige. Meu coração está exausto. [Ansiando por tempos passados e lamentando o presente, meu coração está exausto].

Uma noite, sentado diante da luz, minhas lágrimas se puseram a correr, e caíram sobre o registro do antigo Buda de Eihei.
Pela manhã, o velho homem que morava ao lado veio ao meu eremitério de palha [minha cabana de palha].
Ele me perguntou por que o livro estava molhado.
Eu queria dizer algo, mas nada me ocorria.
Eu estava profundamente embaraçado, incapaz de dar uma explicação.
Meu espírito profundamente agitado, deixei pender a cabeça por um instante e então encontrei algumas palavras:
"A chuva da noite passada se infiltrou na cabana e encharcou minha estante de sutras".

(Tradução para o português: Martha Waryu)

Postagem a pedido de Karin Waryu

quinta-feira, abril 02, 2009

Dia sim

Não há nada melhor do que nada fazer
Seja de dia, à noite ou pela madrugada
Fazer nada, de pé, sentado ou deitado
E nem sequer cogitar ter feito algo

Assim perambulam os dias
Assim o tempo não vai passando
E o futuro não amedronta, porquê nunca vem
Só dormindo, que ainda não é possível - nada fazer.

Um conhecido revelou não ter tempo pois precisa se ocupar
em 4 trabalhos distintos para garantir a aposentadoria
Não tem tempo para cultivar o corpo (mente) além do samsara
Vendo assim é que me descobri aposentado, desde há muito
Tendo muito tempo para fazer muito daquilo que só teria tempo
de fazer quando enfim um dia me aposentasse.
Porém, como esse dia não há de chegar,
vou ainda produzindo coisas no dia-a-dia,
aperfeiçoando e vendendo coisas sem fim.
Muito embora reconheça a grandeza do Nada Fazer
Seja de dia, à noite ou pela madrugada...

domingo, março 29, 2009

Da fonte

Não saber que um sábio é sábio, é ingenuidade
Acreditar que um sábio é sábio, é ignorância
Ver além das formas é chamado de sábio e reune o que foi separado

terça-feira, março 24, 2009

Andar sem pegar



Sim, quando se está no caminho, passo a passo, cada passo é tão inteiro por si só, tão revelador, que morrer, se acaso acontecer, não será motivo para tristeza e aflição. Porquê estar no caminho é saber-se morto desde o início, é estar vastamente vivo, sem sequer supor possuir a vida, ou qualquer outra coisa. Porquê se afligir se a lua continuará o seu ciclo, o sabiá laranjeira sem nome ainda irá pousar no jacarandá mimoso e as ondas do mar irão lamber docemente os pés da criança iluminada. Se estou vivendo, estou vivo, se estou morrendo, então estou morto, neste instante. Sequer pensar nisso não invalida a questão, da mesma forma que pensar qualquer coisa que seja não legitima esta coisa. O Dharma tem uma lógica avassaladora mas é ainda mais. Manter-se na ignorância não gera segurança, caminhar pelas margens não nos une ao rio. Ver o céu sem a luz do sol não desfaz os mundos nem transcende vidas. Caminhar com os próprios pés é o único caminho.

sexta-feira, março 20, 2009

O Ciclo do Samsara



Esta animação foi produzida para Douleurs Sans Frontières (Dor Sem Fronteiras), uma Ong humanitária francesa que trabalha na área de saúde.

terça-feira, março 17, 2009

Encontro

O caminho...
Passos e respiração.
Rios de sangue comunicam o "dentro" pelo "fora"
Na rede de brahman todos os umbigos são um.

O cansaço se cansa, pouco mais, pouco menos
A dor dói e as paisagens continuam lá, onde não estão
a memória sempre acaba e já não há trilhas a vista
O olho olha sem ver, o desejo deseja sem o objeto

Um pé atrás do outro, qual vai à frente?
Acácias deslizam como sonhos palpáveis pelos cantos dos olhos
Calçadas seguem seu curso para nenhum lugar
Caminhos se cruzam sem nunca chegar

domingo, março 15, 2009

Como praticar zazen

"Quando eu me impulsionava para frente eu era arrastado. Quando eu ficava no mesmo lugar eu afundava. Assim eu cruzei a torrente sem me impulsionar para frente e sem ficar parado no mesmo lugar."

(Ogha-tarana Sutta, Cruzando a Torrente, em Acesso ao Insight)

sexta-feira, março 06, 2009

Margha

Seguirei aquela nuvem
até que chova em meus pés.
Perambulando sem nunca chegar
É assim que agora me encontro...

Já não há lembranças
Nem mais tempo para viver
Junto este corpo às margaridas sem dono da beira da estrada
e às estrelas que na cidade não se vê.

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

A chuva

Depois de cinco dias de muito calor durante
o Sesshin da Gratidão, a primeira chuva chegou
no meio da tarde e disse:

Só a chuva pode chover.
Apenas o gênero humano pode agir em compaixão.
No universo, absolutamente nada muda, nada.



Nada muda, neste exato momento.
Cada coisa está em seu devido lugar.

Precisamos dizer sim ao mundo!
Sim às tragédias, à guerra, à violência,
à liberdade e à alegria simples.

E a maneira que temos de dizer sim
ao mundo é a compaixão.

Somos a chuva.


Os participantes do retiro.

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Mente aberta

Obama faz discurso chocante para alguns mas realista e atual para outros. Para que não se confunda mais mitos (revelação mística) particulares e conhecimento humano secular, esse deve funcionar para todos sem distinção, de maneira que todos tenham acesso à segurança. Embora saibamos que discurso e prática política muitas vezes acabem não correspondendo, há aqui um bom indício, vindo da boca do presidente da nação mais influente do planeta.

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Locais de prática

Além da prática diária no templo Busshinji, membros desta Sanghakaya promovem sessões de zazen com instruções nos seguintes locais:

ZAZEN NO HOSPITAL

Aberto ao público em geral.

Local:
Hospital do Servidor Público Municipal
9º andar – Sala de Meditação.
Rua Castro Alves, 60 – Aclimação
Metrô Vergueiro

Horários:
Segundas e terças-feiras, das 7 às 10h.

ZAZEN NA PRAÇA

Aberto ao público em geral

Local:
Praça Barão Pinto Lima – conhecida como Praça do Boaçava (Alto de Pinheiros)
(na praça, dirija-se ao lado oposto ao das quadras, onde há uma grande paineira)

Horário:
Domingos, às 10:00. Em caso de chuva, não há prática.

Informações:
zazenoeste@yahoo.com.br
http://zazenoeste.blogspot.com/

Todos estão convidados a comparecer e a divulgar.

Haikais de Ano Novo

.
.
Durante o Ano Novo
as melancias cortadas
num grande sorriso.
Jisho Handa


Ano Novo.
Corre a seiva leitosa
dos galhos podados.
Wajun Ezê


Coruja branca!
Flap, flap, some no céu negro.
Fogos de de fim de ano.
Seigen Mitih


Feliz Ano Novo...
do outro lado da linha
uma voz mais fraca.
Waco Baldan


no asilo, em silêncio
todos dormem profundamente
noite de ano novo.
Koun Campos


Publicado no Jornal Busshin, edição de janeiro.

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Meu cão, meu mestre



Já faz muito tempo, uns 25 anos mais ou menos, mas lembro como se fosse hoje, aquilo é como uma fonte, até hoje me sirvo dela. Eu devia ter uns 16 anos, vivia com minha família e tínhamos um cão, um Husky Siberiano, aquele cão de puxar trenó, preto e branco de olhos azuis. O criamos em nosso quintal desde os 4 meses de idade, eu particularmente era como um irmão para ele, assim ele devia considerar, dava comida, banho e brincava muito, rolávamos no chão muitas vezes. Seu nome era Rostof, um nome meio besta, mas que já veio com o bicho, coisas de criador imagino, um nome russo já que a raça vem da Sibéria. Às vezes ele sumia pulando a cerca do quintal e aí coincidentemente sumia uma galinha de um vizinho não muito distante. Quando passeava com ele normalmente era obrigado a andar apressadamente, tentando resistir à força daquele cachorro puxador de trenó. Rostof era um ser muito especial, sentava-se como gente, as patas dianteira no chão da sala e a traseira sobre o sofá, ficava assim, com a lingua de fora, olhando com naturalidade. Outras vezes ele "falava". Lembro de um encontro de família onde os primos se reuniram sentados no chão em círculo para brincar de telefone sem fio, ou algo do gênero, e ele sentou ao lado e começou uma ladainha gutural, que não era nem latido nem uivo, se o jogo teve ganhador, Rostof sem dúvida levou a melhor. Mas um dia o tempo fechou, cheguei em casa e ele havia feito xixi na minha cama, e não era a primeira vez. Bem, eu o chamei, ele já veio com o rabo entre as pernas e a cabeça baixa, mostrei a ele o que não devia ter feito e aí, indo além, muito além das minhas capacidades racionais, comecei a bater nele cada vez mais forte, e mais forte, e ele não reagia, apenas aguentava, e eu batia mais, até que resolvi bater com um pedaço de tábua, bati, uma, duas, três vezes. Então ele simplesmente abriu e fechou a boca controladamente no meu pulso esquerdo, deixando as marcas dos caninos na minha pele. Não saia sangue, mas estavam lá, quatro furos profundos. Assustado, soltei meu amigo, que foi em pequeno trote se recolher em sua casinha no fundo do quintal. Passaram-se dias, um, dois, três. Ficamos de mau, não olhávamos mais um para o outro, eu não dava mais comida nem sentia aquele pelo grosso entre as mãos, nem o levava mais para passear. Ele da sua parte também resistia. No terceiro dia, eu estava sentado numa cadeira baixinha falando ao telefone com um amigo quando sinto algo roçando em minhas pernas, era ele, Rostof. Encostou-se em mim suavemente e ficou imóvel. Olhei para aquele animal e fui brutalmente convencido daquele ato, era um ato puro de compaixão, era um momento de de extrema Inteligência. Afaguei seu corpo, sua cabeça, senti um grande alívio. Então eu me pus a pensar, de onde veio toda aquela raiva que me cegou diante do meu amigo, e por que ele não resistia a urinar em minha cama? Nesse dia, aquele cão, que chamava de "meu cão", me ensinou a compaixão e ganhou a liberdade, não era mais o "meu" cão, era apenas Cão. Algo ali estava a mais e era o significado daquele pronome possessivo em minha mente, então na verdade quem ganhou a liberdade fui eu. Algum tempo depois meus pais mudaram-se e tivemos que nos separar de Rostof, foi quando ele realmente ganhou a liberdade, indo morar numa chácara com uma bela companheira. Depois disso nunca mais o vi.

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Aparecida Kannon - Janeiro

Durante a cerimônia de Aparecida Kannon (BODHISATTVA da compaixão), são oferecidos doces ao público que passa na calçada em frente ao templo Busshinji. As pessoas então podem oferecer velas expressando seus desejos de compaixão. Simultaneamente doações a partir de 1 real são recolhidas para a construção do novo prédio e manutenção do templo existente.






quinta-feira, janeiro 29, 2009

O Buda em Jesus


Não só os budistas se iluminam, dizer o contrário seria uma heresia do ponto de vista do próprio budismo. A iluminação refere-se ao gênero humano, e pronto. Esta percepção deve ser benéfica para nós praticantes do dharma brasileiros ou residentes no Brasil, já que vivemos num país cristão. Se nossos neurônios foram formados nessa realidade, com certeza o cristianismo está em nós, budistas. E não deveríamos negá-lo. E deveríamos perder o medo dessa herança. Porquê o medo é o desejo de não perder algo, e aqui no caso são os conceitos fixos sobre o cristianismo/catolicismo que vamos perder.

Ultrapassadas as questões dogmáticas da igreja católica, ultrapassados todos os dogmas, percorrido este caminho, vê-se que o prajna (a Sabedoria) é comum a todos em nossa potencialidade búdica, sejamos católicos, muçulmanos ou jainistas.

"Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." - João 14:6. Estas são palavras atribuídas a Jesus Cristo e encontradas na bíblia, e podem ser reveladas no dharma da seguinte forma: a primeira parte da frase diz que "Eu", "Caminho", "vida" e "verdade" são exatamente a mesma coisa, este "Eu" é cada um de nós manifestado neste mundo e a própria "vida" é o "caminho" e a única trilha verdadeira, a única trilha para se atingir a verdade, porquê o próprio caminho que é a vida já é a verdade intrínseca, não tem outra. Mas a mente humana e seus pensamentos sobrepostos cria outras verdades (dogmas) e não trilha o caminho da vida verdadeira, se perde nos desejos e se alivia dos sofrimentos na busca incessante de prazeres no sansara. A segunda parte da frase de Cristo fala do "Pai", que aqui é o ser plenamente realizado, o gênero humano maduro, o não-tempo. O "Pai" aqui é simbólico, mitológico. E ele termina dizendo que ninguém se torna um com esta mente "Pai" cósmica, se não for através "dele", ou seja, aqui a frase retorna ao início, este "dele" é o "Eu" que é a verdade e que é o próprio caminho manifestado, que por sua vez é a própria vida de cada um de nós - este espaço-tempo limitado que temos. Esta frase atribuída a Cristo é uma parábola, ou seja, é circular, o final da frase encontra o início e se potencializa. Esta compreensão talvez sirva para resolver conflitos internos.

Agora compreendido pode ser esquecido, neste momento.

terça-feira, janeiro 27, 2009

Aroadr

Se a gtnee tem que aroadr almuga csioa, essa csioa só pdoe ser o destonscruir dos nsosos pceronteicos avratés da pórpira liderbade adnivda do ovserbar o noã-pceronteico. E isso svree praa tduo, ddese os pceronteicos mias brara-pseada até o nmoe dqauela folr lliás que dá em ccahos nas vanardas.

segunda-feira, janeiro 26, 2009

quinta-feira, janeiro 22, 2009

O princípio



Esta plaquinha é muito comum nos banheiros masculinos, dentro dos boxes onde há o vazo sanitário. E por mais bizarro que pareça, é assim que começam as religiões. Hoje eu leio este aviso e penso: é claro, nem precisava colocar isso aí. Mas na minha adolescência, talvez não fosse assim tão claro, nada claro eu diria. Não que eu tivesse o hábito de depredar banheiros, mas também não ligava muito.

Na verdade, para quem isto é obvio? Muitos descontam suas pequenas misérias individuais nos bens de uso público, muitas mentes confusas em revolta, todas com suas razões pessoais, muitas vezes coisas da idade. Outros, mais velhos, talvez estejam muito ocupados com seus pensamentos particulares para tomarem tento com a situação em que se encontram, outros acham que sempre vai haver alguém para fazer as coisas por ele.

Sentimo-nos crianças ao ler estas palavras, crianças ouvindo o pai ou a mãe dando um pequeno sermão, de como se comportar bem quando se está sozinho. Este é um dos poucos lugares em que estamos realmente sozinhos. Algumas pessoas até mantém o banheiro limpo, mas agem por culpa ou porquê mesmo sozinhos sentem que alguém as está observando.

Mas voltando ao "óbvio". É claro que aquele banheiro não é só meu, claro que depois de mim alguém mais entrará, e este alguém serei eu mesmo, várias vezes ao longo do dia. Pois se somos todos Budas, também somos Budas no banheiro urinando e evacuando. E depois de nós outros Budas entrarão para fazer suas necessidades fisiológicas. Então está claro, utilizo o momento presente, o aqui e agora, que é o único tempo que disponho para agir, e deixo o ambiente harmônico para a próxima pessoa. Bem, esta obviedade toda precisa ser escrita por algum motivo, e aí nascem os novos testamentos, os torás, os vedas, tri-pitakas, alcorões e outros, cada um sob um ponto de vista, uns mais, outros menos abertos. Mas aí nascem as religiões, no interior de cada banheiro.

quarta-feira, janeiro 21, 2009

Sesshin da Gratidão

Acontece durante o período do carnaval (19 a 24 de fevereiro), o Sesshin da Gratidão, no Templo Busshinji. As pessoas interessadas, sejam alunos desta instituição, bem como de outros templos, poderão se inscrever. O custo total é de R$ 200,00. Para os períodos curtos, de um a dois dias, o custo é de R$ 30 a diária. Como no dia 19, quinta, e 20, sexta, muitos ainda trabalham, poderão fazer, se assim desejarem, o sesshin a partir do sábado. Aconselha-se que os interessados tenham experiência em zazen, pois o tempo de meditação é bastante longo. Fazemos 40 minutos, com 10 minutos para kinnhin, sobrando apenas 10 minutos para o descanso. A alimentação também é realizada sentada na sala de zazen. O início se dá às 6 horas, encerrando às 19h30.


Não temos condições de aceitar aceitar alunos que dependam de acomodações para dormir, pois inexiste, no momento, infra-estrutura adequada para isso. A sugestão é que hospedem-se nos hotéis das redondezas.


Usar roupas apropriadas: na cor preta, calça de moleton ou similar; trazer sandálias havaianas.


As normas deste sesshin são os seguintes: não trazer e nem usar telefones, não deixar o templo no período das atividades, fazer as tarefas requisitadas, não conversar, chegar no horário e sair no horário. Os casos excepcionais serão resolvidos pelos monges.


Aqueles que têm problemas de alimentação (pressão alta, alergia, recomendações médicas), problemas de socialização, problemas emocionais, recomendamos não participar.


Inscrições no Templo Busshinji, no dia de abertura, dia 19, às 9h30. Ocasião em que haverá instruções para a utilização de oryoki - utensílios para as refeições, e distribuição de cadernos de sutras. O encerramento acontece dia 24, às 12h. Em casos de desistência, o valor pago não será devolvido. Mais informações: 11 3208-4515 ou 3208-4345


terça-feira, janeiro 20, 2009

Haicai

Final de ano chega.
Catando todos os trecos
mendigo em mudança.


Calendário velho.
Com um beijo me despeço
da moça sem nome.


O trovão ribomba.
Debaixo da mesma cama
o cachorro e o gato.


Quebrando o silêncio
repicar em meus ouvidos.
Chuva de verão.


Caminho de casa
me indica a dama-da-noite
na curva sem luz.

Mal chega janeiro
as contas a pagar batem
a porta de casa.

Nos passos do velho
o tempo quase parado.
Janeiro arrastado.

sábado, janeiro 17, 2009

Silêncio!



Novo blog da zen-budista Sodö, de Florianópolis. Confira textos e atividades ligadas à prática zen na ilha.

sexta-feira, janeiro 16, 2009


Os mensageiros animais, enviados pelo Poder Invisível, já não servem mais, como nos tempos primevos, para ensinar e guiar a humanidade. Ursos, leões, elefantes, cabritos e gazelas estão nas jaulas dos nossos zoológicos. O homem não é mais o recém-chegado a um mundo de planícies e florestas inexploradas, e nossos vizinhos mais próximos não são as bestas selvagens, mas outros seres-humanos...
Joseph Campbell


Garoto palestino atira pedra em policiais israelenses de
fronteira num campo de refugiados na Cisjordânia (jornal Folha de São Paulo, 30/12/2008)

terça-feira, janeiro 13, 2009

Dentro

Dentro
(Ferreira Gullar)

“O um é um e não é dois”
Parmênides, de Platão

estamos dentro de um dentro
que não tem fora

e não tem fora porque
o dentro é tudo o que há

e por ser tudo
é o todo:
tem tudo dentro de si

até mesmo o fora se,
por hipótese,
se admitisse existir

terça-feira, dezembro 30, 2008

O Honrado-pelo-mundo aponta para o chão

Shoyoroku, O Livro da Serenidade

Caso 4 – O Honrado-pelo-mundo aponta para o chão

Quando o Honrado-pelo-mundo caminhava com sua assembléia, apontou para o chão com sua mão e disse:
“Este é um bom lugar para se construir um templo.”
Indra pegou um talo de relva, o espetou no chão e disse:
“O templo está pronto.”
O Honrado-pelo-mundo sorriu.

domingo, dezembro 28, 2008

Perguntas de férias II

Se o caroço do pêssego parece um cérebro,
seria o cérebro uma semente?

Onde se esconde o silêncio da raiva?

Qual o limite do mar morto,
se há tantos petroleiros à deriva?

Por que as abelhas não se associam aos
vagalumes para fazerem mel à noite?

Boas novas/velhas


Palavras que confirmam e reforçam nossa prática.
Obrigado a todos que têm se empenhado para que o verdadeiro Dharma chegue até nós.

sábado, dezembro 27, 2008

Margha

"(...) Mas também existe a idéia fundamental. A palavra sânscrita para isso é Margha, e significa caminho. É a trilha de volta a você mesmo. O mito provém da imaginação e leva de volta a ela. A sociedade ensina o que são os mitos, e em seguida o libera para que em suas meditações você possa seguir o caminho certo."

Joseph Campbell, do livro "O Poder do Mito"

quarta-feira, dezembro 24, 2008

Perguntas de férias I

Quem solta no céu as
gaivotas como papagaios?

Onde vai dar esta estrada
que vai do nada ao nada?

Por que ninguém faz um abaixo assinado
contra a extinção dos vulcões?

quarta-feira, dezembro 10, 2008

POR QUE O BUDISMO ENCANTA O OCIDENTE?

O budismo faz tanto sucesso no Ocidente porque possui
características que correspondem às tendências da pósmodernidade
neoliberal. Num mundo em que muitas religiões se
sustentam em estruturas autoritárias e apresentam desvios
fundamentalistas, o budismo apresenta-se como uma nãoreligião,
uma filosofia de vida que não possui hierarquias,
estruturas nem códigos canônicos. No budismo não há a idéia
de Deus, nem de pecado. Centrado no indivíduo e baseado na
prática da yoga e da meditação, o budismo não exige
compromissos sociais de seus adeptos, nem submissão a uma
comunidade ou crença em verdades reveladas. Há, contudo,
muitos budistas engajados em lutas sociais e políticas.
Nessa cultura do elixir da eterna juventude, em que o
envelhecimento e morte são encarados, não como destinos, mas
como fatalidades, o budismo oferece a crença na reencarnação.
Acreditar que será possível viver outras vidas além dessa é
sempre consolo e esperança para quem se deixa seduzir pela
idéia da imortalidade e não se sente plenamente realizado nessa
existência.
Outro aspecto do budismo que o torna tão palatável no Ocidente
é a sua adequação a qualquer tendência religiosa. Pode-se ser
católico ou protestante e abraçar o budismo como disciplina
mental e espiritual, sem conflitos. Mesclar diferentes tradições
religiosas é uma tendência crescente para quem respira a
ideologia pós-moderna do individualismo exacerbado, segundo
a qual cada um de nós pode ser seu próprio papa ou pastor, sem
necessidade de referências objetivas.
Como método espiritual, o budismo é de grande riqueza, pois
nos ensina a lidar, sem angústia, com o sofrimento; a limpar a
mente de inquietações; a adotar atitudes éticas; a esvaziar o
coração de vaidades e ambições desmedidas; a ir ao encontro
do mais íntimo de nós mesmos, lá onde habita aquele Outro que
funda a nossa verdadeira identidade.

FREI BETTO

Monges fazem do Copan um templo zen.

Uma vez por mês, eles praticam do alto do prédio ‘zazen’, a meditação sentada.


Uma vez por mês, o edifício Copan, um dos principais cartões-postais de São Paulo, se transforma num inusitado templo budista. É toda terceira sexta-feira do mês, às 7h, quando monges zen da escola Busshinji sobem os 37 andares até o heliponto para praticar a meditação sentada – zazen, sendo “za” sentar e “zen” meditação.

Em fileira, de pernas cruzadas, colunas ereta e atenção na respiração, eles têm à frente centenas de prédios e, no horizonte, o pico do Jaraguá, na zona norte. Apesar do barulho, desligam-se do mundo exterior por uma hora, até ouvirem as oito badaladas do sino da igreja Nossa Senhora da Consolação, na vizinha Praça Roosevelt.

A meditação do alto do prédio surgiu com o cineasta Bruno Mitih, 41, budista há quatro anos. “A primeira idéia foi levar a prática do templo para a rua, e o edifício Copan se apresenta como a montanha dos budistas zen da cidade”.

O professor-monge Jisho Handa, 53, vê o Copan como representação de São Paulo; por isso a escolha. “No heliponto estamos num dos pontos mais altos do centro e a observamos num ângulo de 360°. Assim, expandimos nossas energias.”

O objetivo do grupo, diz Handa, é levar harmonia e compaixão ao maior número de pessoas possíveis. “Vivemos numa cidade cheia de desordem e injustiça. Queremos criar uma sintonia com toda a cidade e inconscientemente a cidade medita conosco, como se fosse uma onda de radio.”

A meditação no alto do Copan é aberta a interessados.

Segundo o sindico do Copan, Afonso Celso dos Prazeres, 69, a idéia foi aceita já no primeiro pedido do grupo. “Sou solidário a qualquer demonstração de ajuda a cidade”, diz. “Inclusive faço meditações em casa.”


Danilo Verpa - repórter-fotográfico.

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Caminho para a maturidade



Cinco coisas que podem trazer a maturidade para a prática do Dharma:
  1. Um amigo espiritual, um bom companheiro na vida sagrada
  2. O treinamento para a moralidade e a conduta perfeitas
  3. Envolvimento em conversas adequadas. Conversas não centradas no ego e que dizem respeito à libertação do coração, à liberdade e à iluminação. São conversas sobre querer pouco, contentamento, retiro, energia, moralidade, meditação, sabedoria, liberação e sobre o conhecimento e a visão das coisas como elas realmente são
  4. A energia e o esforço para abandonar estados da mente que são cheios de luxúria, raiva e confusão, e para o desenvolvimento de estados mentais claros cheios de genorosidade de compaixão. É preciso vigor e persistência para cultivar estes estados mentais positivos
  5. Desenvolvimento da compreensão e da percepção, que por fim irão levar à sabedoria e e à percepção dos Budas
O Buda

quinta-feira, novembro 27, 2008

Onde encontrar o Dharma

Uma vez, fiz um vídeo-retrato de uma pantera negra. Depois de tirar as correntes do animal, parte da equipe saiu e a domadora avisou: "Se a pantera correr em direção a você, não se mova". Durante a filmagem, o animal ficou meia hora sem se mexer, assim como eu e os técnicos. O que foi marcante é que, de certa maneira, todos nos sentimos como a pantera: estávamos todos escutando e respirando juntos. Havia uma entidade na sala. E estávamos ouvindo não só com os ouvidos, mas da forma como uma pantera ouve: com o corpo. Uma das chaves para entender todo o meu trabalho é a natureza de um animal. Acho que foi [o escritor e dramaturgo alemão Heinrich von] Kleist (1777-1811) quem disse que um bom ator é como um urso: jamais será o primeiro a atacar. Bob Wilson, dramaturgo, para a Folha de São Paulo



Na floresta de madeira de sândalo não cresce nenhuma outra árvore. Só os leões vivem nessa floresta profunda, densa, silenciosa. E por toda parte, nesse bosque tranqüilo, os leões brincam livremente. Todos os animais da terra e todos os pássaros do céu fogem do leão; só os leõezinhos caminham atrás do leão. Com apenas três anos de idade, eles já são capazes de rugir. E mesmo se os chacais quisessem imitar esses leões, reis do Dharma, eles não poderiam impedir que os cem mil demônios abrissem a boca livremente.Yoka Daïshi, do livro Shodoka - O Canto do Satori Imediato

quarta-feira, novembro 26, 2008

Sesshin da Iluminação 2008

Sesshin da Iluminação – Busshinji

Estão abertas as inscrições para o Sesshin da Iluminação (Rohatsu Sesshin) no Templo Busshinji, São Paulo. As atividades iniciam-se no dia 10, a partir das 9 horas. Na parte da manhã serão dadas instruções gerais e a maneira de se utilizar o oryoki, para as refeições formais. Serão entregues também o livro de orações. Após o almoço, às 13h15, haverá o ingresso do monge Shussô (líder dos alunos e demais monges) e a Cerimônia de Abertura.
As atividades diárias iniciam-se às 6horas, estendendo-se até às 19h30. No total haverá dez sessões de zazen, de 40 minutos, 10 minutos de kinnhin, e 10 para o uso do banheiro. As refeições da manhã (Tempatsu) e o almoço (Tempatsu) serão realizados na Sala de Buda, na postura de zazen. O chá da tarde, igualmente, nesta posição. O jantar (yakuseki) será feito de maneira informal, na sala de chá.
No encerramento deste sesshin da Iluminação, atendendo a tradição deste templo e, igualmente, outros centros de prática, as atividades estender-se-ão até as 3 horas, da manhã de 17. Após a finalização, haverá uma cerimônia de encerramento e de iluminação do príncipe Sidharta, que se tornara no Buda. De acordo com a transmissão, Buda sentara-se no décimo segundo mês por sete dias, sendo que na manhã do sétimo, ele alcançara a libertação. Esta experiência é realizada também pelos alunos inscritos no Sesshin da Iluminação. Nesta manhã, o monge superior (Docho) submete-se ao shosan, quando alguns praticantes colocam questões (mondo) a ele, e respondidas publicamente.
Na cerimônia, os praticantes têm a oportunidade de servirem-se de gomishuku (alimento dos cinco paladares), remetendo-se ao encontro de Sidharta com a camponesa Sujata. Diz a lenda que Sujata teria oferecido para o príncipe aquele alimento, assim pode recuperar-se do desgaste e, fortalecido, logrou obter a iluminação.
Para este sesshin, o custo é de R$ 200. Não temos no momento uma infra-estrutura para acomodar os praticantes. Por isso, para aqueles vêm de lugares distantes, um hotel nas proximidades deve ser providenciado. Quanto a isso, a recepção do Templo Busshinji poderá fazer a reserva. Informações pelo telefone 11-3208-4515. Rua São Joaquim, 285, Liberdade, São Paulo.

sexta-feira, novembro 21, 2008

No caminho do meio, a pedra é o caminho


Se todo carma é ação
está além da reação.
Cada objeto nesse mundo
é puro percurso, pura ação.

Todo objeto é caminho.
A banana, da terra ao cacho
A pedra, do pó ao pó
A montanha, em seu movimento incessante

Todo objeto vai do ponto A ao ponto B
A raiva passa
O amor vem e vai
A amizade também tem seu tempo

A atenção-plena é acessada apenas pela atenção-plena.
Toda verdade não prescinde da verdade para ser observada.
Ela abre os olhos de quem a procura profundamente
eliminando toda a ignorância do percurso.
Se há medo ou desânimo, a verdade diz que é ilusão
Se há alegria, diz que é só a metade
Se encontra a liberdade, diz: é Verdade!

Mas como saber se é liberdade, se dela não se provou?
Como buscar a liberdade sem saber a verdade?
Mas... e quem vai querer?

Renasce o sol miudinho nos meus olhos tristes
Rebenta um vulcão na boca do estômago
Me visita todo dia pela manhã o Sabiá Laranjeira.
Pergunto a ele o que é a liberdade
Ele me olha atento e deixa chegar bem pertinho
depois voa com uma pitanga no bico.

Fico não pensando nisso.

quarta-feira, novembro 19, 2008

Zazenshin (completo)

A lanceta da meditação sentada
(Dogen Zenji)

Agora, mais de 80 anos desde [os dias do] Mestre Chan Hongzhi, lendo seu “Lanceta da Meditação Sentada”, eu compus esse “Lanceta da Meditação Sentada”.

Função essencial de todos os budas,
Essência da função de todos ancestrais –
Presente sem pensar;
Completo sem interagir.
Presente sem pensar,
sua presença é inerentemente íntima;
Completo sem interagir,
Sua completude é inerentemente confirmada.
Sua presença inerentemente íntima
É sempre sem manchas ou impurezas;
Sua completude inerentemente confirmada,
É sempre sem o ereto ou o inclinado.
Intimidade sempre sem manchas ou impurezas,
sua intimidade abandona sem jogar fora;
Confirmação sempre sem ereto ou inclinado,
Sua confirmação realiza esforço sem expressar.
A água é completamente límpida até a terra;
Um peixe segue adiante como um peixe.
O céu é vasto por todo o firmamento,
Um pássaro voa exatamente como um pássaro.

Não é que a “Lanceta da Meditação Sentada” do Mestre Chan Hongzhi não tenha expressado corretamente isso, mas isso também pode ser dito dessa forma. Acima de tudo, descendentes dos budas e ancestrais devem estudar a meditação sentada como “o grande assunto”. Esse é o selo autêntico da transmissão única.

A lanceta do zazen
(Hongzhi Zhengjue) [Wanshi Shogaku]

Apresentação de Dogen Zenji:
Entre as “Lancetas da Meditação Sentada”, a única que é dos budas e ancestrais é a do Reverendo Zhengjue, o Mestre Chan Hongzhi, do Monastério Tiantong, renomado Monte Taipai, no distrito de Jingyuan, na Grande Song. esse é uma verdadeira "lanceta da meditação sentada". Essa expressa corretamente. Sozinha, radia através da superfície e do interior do reino do dharma. É [a declaração de] um buda e ancestral entre budas e ancestrais do passado e presente. Budas anteriores e budas posteriores foram lancetados por essa “Lanceta”; ancestrais do presente e do passado aparecem dessa “Lanceta”. Eis essa “Lanceta da meditação sentada” (Dogen Zenji, Zazenshin).


Lanceta da meditação sentada
Zhengjue, por designação imperial Mestre Chan Extensa Sabedoria

Função essencial de buda após buda,
Essência da função de ancestral após ancestral
Saber sem tocar coisas,
Iluminar sem encarar objetos.
Sabendo sem tocar as coisas,
Seu saber é inerentemente sutil;
Iluminando sem encarar os objetos,
Seu iluminar é inerentemente misterioso.
Seu saber inerentemente sutil,
É sempre sem qualquer pensamento discriminativo;
Seu iluminar inerentemente misterioso,
É sempre sem nem um fio de cabelo de indício.
Sempre sem pensamento discriminativo,
Seu saber é raro e insuperável;
Sempre sem nenhum fio de cabelo de indício,
Seu iluminar compreende sem agarrar.
A água é límpida até o fundo;
Um peixe indolentemente segue adiante.
O céu é vasto sem horizonte;
Um pássaro voa ao longe, bem longe.


Comentário de Dogen Zenji
A “lanceta” nessa “Lanceta da Meditação Sentada” significa “a manifestação da grande função”, “o comportamento além da imagem e do som”; é a “sutura antes que seus pais nascessem”. Significa "é melhor você não difamar os budas e ancestrais"; "você não evita destruir seu corpo e perder sua vida”; é “uma cabeça de um metro e um pescoço de cinco centímetros” [alusões a expressões clássicas do Chan para sabedoria, aqui vistas como “lancetas” médicas (nota da Tradução inglesa)].

"Função essencial de buda após buda". Os budas sempre tomam os “budas” como sua “função essencial” – essa é a “função essencial” que é concretizada aqui; isso é “meditação sentada” (Dogen Zenji, em Zazenshin).

Tradução: Koun

segunda-feira, novembro 17, 2008

Soanka

Canção da Cabana coberta de relva

(Sekito Kisen)

Construí uma cabana de relva onde não há nada valioso.
Após me alimentar, eu relaxo e tiro uma soneca.
Quando ela ficou pronta, novas ervas brotaram.
Agora nela se mora coberto por trepadeiras.
A pessoa na cabana vive aqui calmamente,
Sem se prender ao dentro, ao fora ou ao entre.
Nos lugares em que as pessoas do mundo vivem, ela não vive.
Os domínios que as pessoas do mundo amam, ela não ama.
Apesar de a cabana ser pequena, ela contém o mundo todo.
Em três metros quadrados, um velho homem ilumina formas e sua natureza.

Um bodhisattva do Grande Veículo confia sem dúvida.
As pessoas medíocres ou rasteiras não podem evitar divagar:
Essa cabana vai ou não se estragar?
Estragável ou não, o mestre original está presente,
sem se deter no sul ou norte, leste ou oeste.
Firmemente fundado na estabilidade, não pode ser superado.
Abaixo dos verdes pinheiros, uma janela luminosa –
Palácios de jade ou torres de rubi não podem ser comparados com isso.

Apenas sentar com a cabeça coberta, todas a coisas descansam.
Assim, esse monge da montanha definitivamente não entende.
Vivendo aqui ele não mais se esforça para se libertar.
Quem orgulhosamente providenciaria assentos, tentando seduzir convidados?
Vire ao contrário a luz para que brilhe no interior, então apenas retorne.

A vasta e inconcebível fonte não pode ser fitada nem evitada.
Encontre os mestres ancestrais, familiarize-se com suas instruções,
Junte relva para construir uma cabana, e não desista.
Deixe ir centenas de anos e relaxe completamente.
Abra suas mãos e caminhe, inocente.
Milhares de palavras, miríades de interpretações.
São apenas para libertar você das obstruções.
Se você desejar conhecer a pessoa imortal da cabana,
Não se separe desse saco de pele aqui e agora.

Tradução: Koun

sexta-feira, novembro 14, 2008

Iluminação SIlenciosa

Marco do caminho da iluminação silenciosa
Hongzhi Zhengjue (1091–1157)

[A partir da tradução inglesa de Taigen Leighton e Yi Wu]


Silente e sereno, esquecendo as palavras, luminosa claridade surge em sua presença.

Quando você a reflete, torna-se vasto, quando você a incorpora, eleva-se espiritualmente.

Espiritualmente solitária e brilhante, a iluminação interior restabelece o milagre,

Orvalho ao luar, um rio de estrelas, pinheiros cobertos de neve, nuvens envolvendo os cumes.

No escuro é mais brilhante; escondida, tanto mais se manifesta.

A garça sonha na névoa chuvosa. As águas do outono fluem longe, à distância.

Kalpas sem fim são totalmente vazios, todas as coisas são completamente as mesmas.

Quando o milagre existe na serenidade, toda realização é esquecida na iluminação.

O que é esse milagre? A visão alerta através da confusão

É o caminho da iluminação silenciosa e a origem de uma sutil radiância.

A visão penetrando na sutil radiâncioa é tecer ouro num tear de jade.

O ereto e o inclinado rendem-se um ao outro; luz e escuridão são interdependentes.

Não dependendo dos sentidos e do objeto, no tempo correto eles interagem.

Tome o remédio das boas visões. Bata o tambor untado de veneno.

Quando eles interagem, matar ou dar a vida são decisões suas.

Através do portão se emerge e os galhos sustentam frutos.

Apenas o silêncio é a fala suprema, apenas a iluminação é a resposta universal.

Reagindo sem cair em realizações, falando sem envolver ouvintes.

As dez mil formas majestosamente cintilam e expõem o Dharma.

Todos objetos o atestam, todos em diálogo.

Dialogando e atestando, eles reagem apropriadamente uns aos outros.

Mas se a iluminação negligencia a serenidade, então a agressividade surge.

Atestando e dialogando, eles reagem uns aos outros apropriadamente;

Mas se a serenidade negligencia a iluminação, as trevas conduzirão ao dharma perdido.

Quando a iluminação silenciosa é realizada, o lótus floresce, o sonhador desperta,

Centenas de rios fluem para o oceano, mil cadeias de montanhas fitam o pico mais alto.

Como gansos preferem leite, como abelhas juntam néctar,

quando a iluminação silenciosa alcança seu ponto definitivo, eu ofereço meu ensinamento.

O ensinamento da iluminação silenciosa penetra das alturas até os alicerces.

O corpo sendo shunyata, os braços em mudra,

Do início ao fim as cambiantes aparências e as dez mil diferenças compartilham um padrão.

O Senhor Ho ofereceu jade [ao Imperador; Ministro] Xiangru apontou para suas imperfeições.

Encarar as mudanças tem seus princípios, a grande função é sem esforço.

O governante permanece no reino, o general vai além das fronteiras.

O ensinamento de nossa escola atinge direta e verdadeiramente o ponto.

Transmita isso a todas as direções, sem desejar ganhar algum crédito.

Zen no Chile (novo blog)


“Para aquel que en el silencio olvida las palabras, la realidad se manifiesta claramente. El que alcanza el despertar silencioso forma parte de nuestra tradición. El despertar silencioso sube hasta la mas elevada cima y desciende hasta lo más profundo”

Leia mais no blog editado pelo monge chileno Meiyo, "Mas que Palabras"

terça-feira, novembro 11, 2008

Texto de Ryohan Shingu

Entre os meus documentos, o texto em seguida foi achado.

A visão japonesa do Homem

*Apanhado da saudação proferida pelo Superior Ryohan Shingu durante o Culto Ecumênico comemorativo da formatura da turma de 1968 da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP.

A visão japonesa do homem se baseia no pensamento budista. Apresentamos aqui um de seus aspectos.

No Budismo, é costume dividir os tipos humanos em dez categorias, segundo se adiantamento e conteúdos de seu espírito. São elas expressas em linguagem simbólica, como se constituíssem dez planos diferentes de existência.

1) Infernal – a mais baixa das categorias, englobando os que se submergem totalmente em atos contrários à natureza humana, alcançando por conseqüência sofrimentos sem conta.

2) Animal – categoria onde falta todo e qualquer refreamento, etiqueta ou regra de conduta, bem como a consciência. Os indivíduos agem inteiramente levados por seus instintos, sem levar em conta circunstâncias, hora e lugar.

3) Demônios famintos – outra categoria inconsciente, em que os seres se deixam levar por seus desejos, sem conseguir satisfaze-los nunca, agindo como famintos ou sedentos desesperados.

4) Titãs – seres que às vezes conseguem praticar o bem, mas vivem em conflito ideológico e constantemente lutam, de maneira inconsciente.

5) Celeste – plano dos que, embora inconscientemente, agiram conforme a ética e por conseguinte experimentam sensação agradável de viver num paraíso pleno de delícias. Porém, como não há consciência, terminada a energia gerada por suas boas ações, precipitam-se no plano infernal.

6) Humana – categoria onde alegrias e sofrimentos coexistem em partes iguais, e pela primeira vez desperta a consciência. Busca-se o conhecimento da essência da felicidade e das causas do sofrimento; escolhe-se conscientemente o caminho a seguir, consciente e racionalmente. A escolha correta permite dar o primeiro passo na trilha da perfeição humana.

7) Discípulos que ouvem a Lei – aqui, como primeiro passo para a perfeição, o homem aprende as Quatro Nobres Verdades, que esclarecem a natureza do mundo e os métodos que levam à perfeição, segundo o Budismo.

8) Os que discernem sozinhos a Lei – Aqui o homem compreende e pratica a Lei da Originação Condicionada, objeto das contemplações de Buda. Transcende o domínio dos instintos vulgares e age conforme a Lei, sempre de uma maneira racional, sem se deixar possuir pelas paixões e emoções; consegue transcender a vida e a morte, alcançando uma perfeita tranqüilidade de espírito.

9) Bodhisattva – Desenvolve-se espontaneamente a partir do anterior. O indivíduo já está apto a atingir a décima categoria.

10) Búdica – mas faz um voto de não atingi-la enquanto não conseguir instruir todos os seres viventes. Passeia livremente pelas categorias anteriores, empenhando-se na salvação alheia e na plena realização dos ideais búdicos. Incessantemente pratica e prega as Seis Virtudes do Bodhisattva ( Seis Paramitas): Caridade, Moralidade, Paciência, Perseverança, Concentração e Sabedoria. É um praticante do Caminho de Buda e uma encarnação da Misericórdia.

No Japão considera-se que todo o Homem deve viver como um Bodhisattva, para atingir a perfeição. O ideal do Bodhisattva é lembrado nas festas dos equinócios, celebradas no início da primavera e do outono. O dia de equinócio, em que o sol transpõe a linha do Equador, nem quente nem frio, dia e noite de igual duração, ameno e agradável, é destinado a honrar a memória dos antepassados virtuosos, ao passo que os três dias anteriores e os três posteriores são consagrados aos Seis Paramitas. São duas semanas anuais dedicadas à auto-reflexão, ao auto-aprimoramento e ao aprendizado das virtudes beneficiadoras da humanidade. Visam fazer de todo o homem um Bodhisattva, um ser que marcha para a perfeição. São celebradas há 1.500 anos.

Criticam-se os japoneses como exageradamente obsequiosos; isso é fruto das diretrizes de educação no Japão moderno, que esvaziaram o ideal de Bodhisattva de seu espírito, conservando só a forma.

A verdadeira concepção japonesa do Homem é a conscientização e prática do ideal do Bodhisattva, que possibilita o progresso e a coexistência pacífica da humanidade.

Que possam os formandos, em suas profissões e esferas de ação praticar o ideal do Bodhisattva, vivendo assim para o desenvolvimento da nação e o progresso do gênero humano.

sexta-feira, novembro 07, 2008

Zazen no hospital

Um dos epítetos de Buda Shakyamuni é "Rei da Medicina".
Quando recitamos os três tesouros, declaramos: tomamos refúgio no Dharma porque é um bom remédio.
Essas alusões à medicina e a remédios não dizem respeito aos males do corpo, mas às aflições e tormentos da mente. Buda e Dharma são o médico e o remédio que nos curam dos venenos mentais, nos trazem grande alívio, alegria e bem-estar para que possamos aproveitar cada momento da vida com tudo aquilo que ele tem a nos oferecer e tudo aquilo que temos a oferecer ao mundo.

Através do zazen, podemos despertar qualidades naturais de alegria, compaixão, liberdade, harmonia e respeito para com todos os seres, favorecendo, assim, o desenvolvimento de uma comunidade pacífica e feliz.

Nesse sentido, iniciam-se a partir de 10 de novembro práticas de zazen no Hospital do Servidor Público Municipal, sob responsabilidade dos monges Jisho e Koun e do praticante Shokan. A prática é aberta ao público em geral (e não apenas a funcionários, pacientes e visitantes).

O Hospital conta com uma sala de meditação, com vários zafus e zabutons, num recinto agradável e apropriado para o zazen.

Todos estão convidados a participar e a divulgar essa iniciativa.

Local:
Hospital do Servidor Público Municipal
9º andar – Sala de Meditação.
Rua Castro Alves, 60 – Aclimação
Metrô Vergueiro


Horários:

Segundas e terças-feiras
7:00, 7:45, 8:30, 9:15.

quarta-feira, novembro 05, 2008

Novo prédio

Segue a todo vapor a construção do novo prédio do templo Busshinji (São Paulo). Nele haverá estacionamento coberto, salão de eventos, zendô e jardim suspenso. A previsão de término das obras é fevereiro de 2009. Apesar disso ainda falta verba para a total acabamento, como móveis, louças e decoração.



"Com este centro a escola zen budista mais importante do Japão começa um importante movimento, tornar possível formar monges e professores do Dharma, com o método tradicional da escola, sem que seja necessário morar no Japão e aprender sua língua (aprender a ler e escrever é uma tarefa de anos).

"Novos centros como este existirão na França (La Gendroniére) e nos EUA, isto marca a internacionalização formal da escola zen depois de meio século de presença no ocidente. Esperamos inaugurar o centro de SP no segundo semestre de 2009." texto complementar contribuição do blog O Pico da Montanha

Você pode fazer uma doação para a construção do novo prédio do Templo Busshinji, ligue para 11 3208-4515 ou 3208-4345 e fale com Satico Suzuki ou Mitsuyo Kamimura.

terça-feira, novembro 04, 2008

Treinamento monástico

"Nas condições ideais, ao receber a ordenação, o monge-noviço entra na fase do treinamento de “calar a boca e limpar o chão”, um período onde é permitido muito pouco contato com o público em geral (quanto menos “aparecer”, melhor) e todo o seu esforço é canalizado em sentar em zazen, praticar o samu (trabalho ou atividade diária) e observar, escutar, perceber – aprender com o corpo e o coração."

Leia mais no site da Monja Isshin.

Ouça também no final do texto a orientação dada por Saikawa Roshi ao monge Meiyô Vargas, durante sua recente (re)ordenação.

Monges em treinamento, templo Eiheiji, Fukui, Japão. Foto: Hiroji Kubota - Magnum Photos

domingo, novembro 02, 2008

Zazen no cemitério

sentado no cemitério
sem dividir vida e morte
a cerejeira dá sombra
o cipreste aponta o céu
por um só caminho
passam vivos e mortos
este monge permanece firme em seu propósito
praticando o não-saber
os visitantes comentam: este viveu muito, aquele pouco
o mestre sussurra no ouvido do aluno:
muito ou pouco, nem o céu pode medir
famílias trazem flores, baldes e vassouras
é dia de faxina nas sepulturas
os que podem pagam para alguém limpar o mármore
os que não podem esfregam eles mesmos o cimento, suando sob o sol
quando estamos sonhando, não há nada fora do sonho
quando se desperta, não há nada que já não estivesse desperto
não se guarda um pedaço de sonho, nem se retém o momento do despertar
de um lado do muro a criança corre, a mãe ralha, o pai se cala, a avó descansa
de outro lado, pedintes e inválidos sob a sombra do muro
os fantasmas transitam de um lado para o outro
um gato entra e sai sem passar pelo portão
ainda criança este monge sonhava
entender vida-e-morte
não há ninguém para entender
sobre uma lápide o gato lambe a pata

domingo, outubro 26, 2008

Refugiar-se


"Se o ser que mais amo no mundo (viesse) me perguntar que escolha ele deve fazer, e qual é o refúgio mais profundo, mais inatacável e mais doce, eu lhe diria para abrigar seu destino no refúgio da alma que se aperfeiçoa".

Maeterlinck

terça-feira, outubro 21, 2008

Sesshin da Iluminação - Busshinji

Estará acontecendo de 10 a 17 de dezembro no Templo Busshinji o Sesshin da Iluminação - Rohatsu Sesshin. Coordenado pelo Superior Dosho Saikawa e equipe de monges do templo. As inscrições podem ser feitas diretamente no Templo Busshinji a um custo de R$ 200. Não haverá pernoite no local. Aqueles que vierem de outros estados e países, devem solicitar a reserva de um hotel nas imediações, que pode ser feito pela recepção do templo.

domingo, outubro 19, 2008

Neurocientista vê seu cérebro se deteriorar

A norte-americana Jill Bolte Taylor descreve em livro sua experiência com o derrame que sofreu aos 37 anos


Jill Bolte, 49, que dá aulas de neuroanatomia


Às 7h de uma manhã de inverno, Jill Bolte Taylor acordou com uma forte dor de cabeça. A luz do sol ofuscava seus olhos. Ao ir até o banheiro, notou certa dificuldade para se equilibrar. Além disso, seu raciocínio estava confuso. Ainda assim, conseguiu tomar banho e se vestir. Só quando seu braço direito ficou paralisado, entendeu: estava tendo um derrame.
Neuroanatomista do Banco de Cérebros de Harvard, Jill passou as quatro horas seguintes observando a própria deterioração cerebral. O processo afetou linguagem, memória e movimentos -e a levou ao "nirvana". Era dia 10 de dezembro de 1996, e Jill tinha 37 anos. Neste ano, ela galgou a lista de mais vendidos nos EUA com o relato de sua recuperação -"A Cientista que Curou Seu Próprio Cérebro" (Ediouro).
O nirvana de Jill decorreu de especificidades de seu AVC (acidente vascular cerebral). Ela teve uma hemorragia no lado esquerdo do cérebro, ligado ao raciocínio lógico. Com o dano, prevaleceu o lado direito, mais abstrato e emocional. O resultado, conta, foi a suspensão da noção de tempo e a sensação de união com o universo.
Nesse ínterim, teve algumas "ondas de clareza". Numa delas, lembrou o telefone da mãe, mas não quis preocupá-la. Então ficou esperando outra "onda" que lhe permitisse lembrar o telefone do trabalho. Quando conseguiu ligar, descobriu que não sabia mais falar. Por sorte, reconheceram sua voz.
"Não senti medo", disse Jill à Folha. "Eu era uma cientista vendo meu cérebro avançar nesse processo incrível de deterioração e não previ que ficaria tão doente. E, quando chegou a hora em que eu poderia morrer, senti uma profunda paz."
A sensação era tão prazerosa que ela diz ter se questionado sobre o benefício da recuperação -o simples ato de ligar uma palavra à imagem mental certa levava horas e a deixava esgotada. O que a motivou a deixar a "divina serenidade" e encarar a reabilitação foi o desejo de ensinar aos outros como atingir a mesma tranqüilidade.
O que Jill propõe é uma forma de aquietar o lado esquerdo do cérebro para aproveitar as vantagens do lado direito.
Uma de suas estratégias consiste em focar a atenção em aspectos sensoriais (como aromas e sons) para se prender ao presente. Outra dica é orar e meditar. No livro, Jill cita um estudo que relaciona a neuroanatomia a experiências espirituais. A pesquisa avaliou praticantes de meditação e freiras e constatou que essas práticas reduziam a atividade de certas áreas do lado esquerdo.
"Nossa habilidade de experimentar a religião e a fé é baseada no cérebro. Quando os neurônios são ativados ou inibidos, experimentamos a união com algo maior", afirma Jill.

Críticas
Pelo tom de auto-ajuda, o discurso atrai críticas. "Há cientistas com a cabeça fechada que estão interessados em discutir a ciência no livro, mas não há uma ciência nova lá. Só uma vivência que condensa o que já se sabe", diz Jill.
Para ela, um dos melhores "remédios" foi o sono. Nas primeiras semanas após o AVC, sua rotina consistia em dormir por seis horas, passar 20 minutos acordada, tentando alcançar algum avanço cognitivo ou físico, e dormir de novo.
Ela também destaca o estímulo que recebeu da mãe nas atividades do dia-a-dia: perguntas cujas respostas eram "sim" ou "não" foram substituídas por questões de múltipla escolha, para que a filha precisasse elaborar uma resposta. "Embora saibamos muito sobre o cérebro, acho que temos um trabalho relativamente pobre na reabilitação cerebral", afirma Jill. "Não honramos o poder curativo do sono. Nos EUA, é comum acordar os pacientes cedo, dar-lhes anfetaminas e empurrá-los para um local repleto de estímulos, com TV ou rádio ligados. Meu cérebro queria dormir justamente para não ter de processar a estimulação excessiva."
Outro erro comum, a seu ver, consiste em dizer aos pacientes que a recuperação pára após os primeiros seis meses. Jill só voltou a fazer operações matemáticas, por exemplo, cinco anos após o trauma.
Hoje, ela dá aulas de neuroanatomia na Universidade Indiana e retomou uma atividade: a de "cientista cantora". A alcunha surgiu quando Jill iniciou uma campanha em prol da doação de cérebros para pesquisa. Como o tema deixava as pessoas tensas, ela tentava descontraí-las passando a mensagem por meio de músicas.
Seu interesse sobre o cérebro tem uma origem familiar. Com um irmão portador de esquizofrenia, ela queria entender como ele pensava. Acabou entendendo mais sobre si mesma.

Amarílis Lage da reportagem local,Folha de São Paulo


Leia mais sobre o assunto

quarta-feira, outubro 08, 2008

Samsara

Praticar o Zazen, é a maneira de não permitir que os carmas da cultura do pensamento humano, manifestados também nas chamadas relações psicológicas cimentados na ficção social, se estagnem em nosso corpo-mente.
É manter apenas a Origem Criativa do Dharma.
Em todo aqui e agora.
.

Representação do Patriarca Zen, Bodhidharma.

quinta-feira, setembro 25, 2008

SENTENCIADO À MORTE

Antes de ser um monge, Zhijue era um oficial do governo, justo é sábio.Uma vez servindo o imperador como administrador provincial, sem falar nada a ninguém, usou
dinheiro publico para ajudar os pobres.Outros oficiais descobriram isto e contaram ao
imperador, que ficou muito surpreso.Ele e outros oficiais da corte ponderaram porque Zhijue havia feito tal coisa. Ainda assim era um crime grave e foi sentenciado à morte.
Na condenação, no entanto, o imperador disse aos seus ministro,Ele é um academico e sábio. Talvez tenha profundas razões para ter cometido tal crime. Se ele se lamentar e vacilar quando for decapitado, vá em frente e o mate. No entanto, se não, deve ter razões para isto e não deve ser executado.
o dia da execução chegou. Os oficiais iam decapitar Zhijue. Mas não parecia se lamentar. Ao contrário,parecia feliz e disse, "Dou minha vida terrena para todos os seres viventes. "Ouvindo isto, os oficiais ficaram surpresos e em dúvida. Ao reportarem ao Imperador, ele disse, "Como pensei, ele deve ter profundas razões."
Quando interrogado da razão de ter cometido o crime, Zhijue respondeu, "Abandonando minha posição de oficial, sacrificando minha vida e dando ajuda aos outros, fiz do ensino Budista o meu fundamento e adotei um coração de compaixão para todos os seres vivos. No próximo mundo serei um monge e me devotarei completamente ao caminho Budista."
Ao ouvir isto, o imperador ficou profundamente comovido e anulou sua sentença pedindo-lhe que se tornasse um monge e adotasse o nome Yanshou porque seu tempo de vida (shou), foi extendido (yan).
Monges hoje devem ter a atitude que Zhijue demonstrou. Não ligando para suas vidas devem ter profunda compaixão pelas pessoas. devem se determinar para usar suas vidas de acordo com os ensinos de Buda.
Aqueles que tiveram esta atitude devem mantê-la. Sem experimentar esta atitude, é impossível se iluminar para o Dharma.

Shõbõgenzõ Zuimonki (vol. 2, seção 9).
Caminho Zen ( Vol.7, N° 1. 2002)

Sempre aberta

Se a mente não está presa pelas bordas
então o zen não é japonês e é brasileiro
sem ser ao mesmo. Não importa se comemos
susshi, usamos samuê ou entoamos sutras
na lingua do Nihon.

Pergunte ao sol, e ele responderá
com um caloroso silêncio.

domingo, setembro 21, 2008

Ser cósmico


Mesmo sabendo que o sol nascerá sempre
porquê ele nunca se põe, e que à noite,
o brilho prateado da lua ainda é sua luz.
Mesmo assim posso ficar triste.
Mas apenas uma tristeza de lua nova,
uma alegria de lua nova.

quinta-feira, setembro 18, 2008

Fonte


Na prática do sesshin ficamos livres para reconhecer nossa própria força de uma maneira profundamente nova, insuspeita.

sábado, setembro 06, 2008

Sesshin Especial

Sesshin Especial de Treinamento de Monges
Superintendência da Escola Zen Soto da América do Sul

Estará acontecendo de 6 a 10 de outubro no Templo Enkoji (Itapecerica da Serra – SP) sesshin especial, dirigido principalmente a monges dos grupos representativos em toda a América do Sul. Tem como responsável pelas atividades o Superior Dosho Saikawa, Superintendente da Escola Zen Soto da América do Sul. Inúmeros missionários (Fukyoshi) estarão auxiliando durante o curso.
Tem como objetivo a atualização e aprimoramento dos monges no que se refere às atividades formais da tradição budista Zen Soto. Inclui-se nesta a realização de cerimônias (Chôka, Nichu Fugin, Banka Fugin. Rakanpai, Ryaku Fusatsu e outros), a utilização de oryoki (tigelas), a recitação formal das orações durante as refeições (em japonês), as prostrações (sanpai), o uso correto do zagu etc.
As inscrições devem ocorrer antecipadamente no Templo Busshinji, São Paulo, com o pagamento de uma taxa de R$ 200,00. Durante o acontecimento haverá instalações para a acomodação dos interessados. Deve-se levar cobertor, lençol e chinelos, além dos objetos de uso pessoal. Se o interessado não puder participar diariamente das atividades o valor pago integralmente será mantido.
A condução será fornecida pela organização, levando e trazendo os inscritos do Templo Busshinji para o Templo Enkoji e o contrário.

Fone: (011) 3208-4515 - Templo Busshinji