segunda-feira, junho 15, 2009

Arraial Zen - A festa

Imagens do 1º Arraial Zen: material de divulgação, preparação do material de decoração, arrumação do salão e a festa. Sábado que vem, dia 20/06 tem mais! Compareçam e tragam seus
seus amigos e familiares!!!












quinta-feira, junho 04, 2009

Cultivando o campo vazio

Cultivando o campo vazio
(Hongzhi Zhengjue)

[Traduzido de Taigen Dan Leighton e Yi Wu]

[Hongzhi Zhengjue (1091–1157) foi um importante mestre chinês que ensinou no mosteiro do Monte Tiantong, onde anos mais tarde Dogen Zenji encontraria seu mestre. Hongzhi é responsável pela formalização em texto da prática da “Iluminação Silenciosa”, que Dogen posteriormente denominaria Shikantaza.]


A prática da Verdadeira Realidade

A prática da verdadeira realidade é simplesmente sentar serenamente em silenciosa introspecção. Quando você penetra isso, não pode mais ser desviado por causas externas e condições. Essa mente vazia e amplamente aberta é sutil e corretamente iluminadora. Vasta e satisfeita, sem a confusão interna dos pensamentos ávidos, efetivamente supere o comportamento habitual e compreenda o ser que não é possuído pelas emoções. Você deve ter a mente ampla, em tudo não se apoiando nos outros. Esse espírito aprumado e independente inicia-se não se perseguindo situações degradantes. Aqui você pode descansar e tornar-se limpo, puro e lúcido. Brilhante e penetrante, você pode imediatamente retornar, harmonizar-se e reagir, lidando com os acontecimentos. Tudo é desimpedido, as nuvens graciosamente flutuam sobre os picos, o luar resplandecentemente escorre pelos riachos das montanhas. O lugar todo é brilhantemente iluminado e espiritualmente transformado, totalmente desobstruído e claramente manifestando uma interação responsiva, como a caixa e sua tampa ou flechas [se encontrando]. Prosseguindo, cultive e nutra a si mesmo para incorporar a maturidade e alcançar estabilidade. Se você se harmonizar com todo os lugares com perfeita claridade e cortar fora arestas, sem depender de doutrinas, como o touro branco ou o gato selvagem, [favorecendo que o milagre surja], você poderá ser chamado de uma pessoa completa. Portanto, ouvimos que é assim que alguém do caminho da não-mente age, mas antes de concebermos a não-mente nós ainda temos que superar grandes adversidades.

Cumprindo a tarefa de Buda

[O campo vazio] não pode ser cultivado ou comprovado. Desde a origem é totalmente completo, imaculado e límpido até seu fundo. Onde tudo é correto e totalmente suficiente, conquiste o puro olho que ilumina plenamente, completando a libertação. A iluminação envolve decretar isso; a estabilidade se desenvolve com a prática disso. Nascimento e morte originalmente não têm raiz ou caule; aparecer ou desaparecer originalmente não têm sinais ou traços distintivos. A luz primordial, vazia e vigorosa, ilumina o topo da cabeça. A sabedoria primordial, silenciosa mas também gloriosa, reage às condições. Quando você alcança a verdade sem meio ou bordas, cortando fora o antes e o depois, então você compreende a totalidade da unidade. Em todo lugar as faculdades dos sentidos e os objetos apenas acontecem. Aquele que segura firme sua grande e larga língua transmite a inesgotável lâmpada, faz radiar a grande luz e executa o grande trabalho de buda, desde o início não tomando emprestado dos outros um átomo que esteja fora do dharma. Claramente essa questão ocorre no interior de sua própria casa.

Com confiança total, vagueie e brinque em Samadhi

Vazio e sem desejos, frio e fino, simples e genuíno, assim é que se derrubam e desmoronam os hábitos restantes de muitas vidas. Quando a mancha dos velhos hábitos se extingue, a luz original aparece, flamejante através de seu crânio, não admitindo outros assuntos. Vasto e espaçoso, como o céu e a água se misturando no outono, como a neve e a lua exibindo a mesma cor, esse campo é sem limites, além de direções, uma entidade de forma magnífica sem margens ou suturas. Além disso, quando você se volta para dentro e abandona tudo completamente, a realização acontece. Exatamente no momento do total abandono, deliberações e discussões ficam mil ou dez mil milhas distantes. Além disso, nenhum princípio é discernível, então o que pode haver para ser apontado ou explicado? Pessoas cujo fundo do vaso se desprendeu imediatamente encontram a total confiança. Assim, é dito para nós simplesmente concretizarmos a reação mútua e explorarmos a reação mútua, então retornarmos e entrarmos no mundo. Vagueie a brinque em samadhi. Todo detalhe claramente aparece diante de você. Som e forma, eco e sombra acontecem instantaneamente sem deixar traços. O mundo de fora e o eu-mesmo não dominam um ao outro, apenas porque nenhuma percepção de objetos surge entre nós. Apenas esse não-perceber comporta o espaço vazio das majestosas dez mil formas do domínio do dharma. Pessoas com a face original devem decretar e completamente investigar esse campo, sem negligenciar um só fragmento.

O passo atrás e o caldeirão aprumado

Com as profundezas claras, totalmente silenciosas, completamente ilumine a fonte, vazia e energizada, vasta e brilhante. Mesmo que você tenha lucidamente escrutinizado sua imagem e nenhuma sombra ou eco encontre, ao procurar você vê que ainda distinguiu entre os méritos de centenas de promessas. Então você deve dar um passo atrás e alcançar o meio do círculo de onde a luz é emitida. De maneira extraordinária e independente, você ainda precisa abandonar a busca por méritos. Cuidadosamente perceba que o nomear engendra seres e que eles ascendem e caem com complexidade. Quando você puder compartilhar a si mesmo, então poderá lidar com as questões e terá o puro selo que estampa as dez mil formas. Viajando pelo mundo, encontrando condições, o ser alegremente entra em samadhi em todas as delusões e aceita sua função, que é esvaziar a identidade e não preencher a si mesmo. O vale vazio recebe as nuvens. A correnteza fria limpa a lua. Sem partir, sem permanecer, muito além de todas as mudanças, você pode oferecer ensinamentos sem nada obter ou esperar. Tudo em toda parte retorna ao velho chão. Nem um fio de cabelo foi movido, inclinado ou erguido. Apesar das centenas de feiúras ou milhares de estupidezas, o caldeirão aprumado é naturalmente benéfico. As respostas de Zhaouzhou “lave sua tigela” e “tome seu chá” não exigem preparativos; desde o início elas sempre foram perfeitamente aparentes. Plenamente observar cada coisa com todo o olho é a conduta espontânea de um monge que enverga o manto de tiras.

A conduta da lua e das nuvens

A conduta de pessoas do caminho é como as nuvens que fluem, sem uma mente que agarra, como a lua cheia refletindo universalmente, sem estar confinada em qualquer lugar, resplandecendo em cada uma das dez mil formas. Digno e aprumado, emerja e faça contato com a variedade de fenômenos, imaculado e sem confusão. Funcione da mesma forma para com todos os outros uma vez que todos têm a mesma substância que você. A linguagem não pode transmitir essa conduta, especulações não a alcançam. Lançando-se além do infinito e cortando fora o que depende, seja prestativo sem visar a méritos. Essa proeza não pode ser mensurada pela consciência ou pela emoção. Na jornada aceite sua função, em sua casa, por favor a execute. Compreendendo nascimento e morte, abandonando causas e condições, genuinamente conceba que desde o princípio seu espírito não pode ser detido. Assim, é dito que a mente que abarca as dez direções não se detém em nenhum lugar.

Os incríveis seres vivos

Nossa casa é um simples campo, limpo, vasto, luzidio, claramente auto-iluminado. Quando o espírito está livre de condições, quando a atenção é serena e sem cogitações, então budas e ancestrais aparecem e desaparecem, transformando o mundo. Entre os seres viventes é que se localiza o lugar original do nirvana. Quão surpreendente é que todos tenham isso mas não consigam poli-lo até torná-lo claramente brilhante. Na escuridão do não-despertar, eles fazem com que a tolice cubra sua sabedoria e a supere. Um vislumbre de iluminação pode romper isso e fazê-lo saltar fora da poeira de kalpas. Radiante e claramente branco, o campo único não pode ser desviado ou alterado nos três tempos; os quatro elementos não podem modificá-lo. A glória solitária é profundamente preservada, resistindo através do tempo antigo e do tempo presente, assim como a mescla da identidade e da diferença torna-se a mãe de toda a criação. Esse domínio manifesta a energia dos muitos milhares de seres, todas as aparências são meramente sombras desse campo. Verdadeiramente declare essa realidade.

quarta-feira, junho 03, 2009

Nem tempo, nem espaço

No ponto central da floresta
No âmago da natureza
O Dharma nunca foi pronunciado
nunca ouvido.

terça-feira, junho 02, 2009

Festa Junina Busshinji



Estamos organizando duas festas juninas para arrecadar fundos para a construção do prédio anexo ao Templo Busshinji.

As festas acontecerão nos dias 13 e 20 de junho a partir das 19h no templo Busshinji. Teremos canjica, paçoca, arroz-de-carreteiro, pipoca, milho-verde, entre outro quitutes da roça, jogos e brincandeiras e o nosso exclusivo Quentão de Saquê.

Caso queira reservar ingressos, por favor entre em contato comigo pelo e-mail brunoviana@uol.com.br

segunda-feira, junho 01, 2009

O que é justo

Depois de muitos anos de esforço, de prática e dedicação, ela foi contemplada, não com dinheiro, ou poder - pelo seu esforço e dedicação - mas apenas com uma doce desilusão e o sabor da verdade na ponta da língua - iluminando os olhos. Ela não ganhou a megassena, nem foi finalmente recompensada com a riqueza material pelo trabalho, que por tanto tempo julgare-se merecedora de, um dia receber. Agora, ela apenas foi sacudida e depois levada por uma alegria sem condições, portanto sem causas, e então o seu apartamento amplo, seu carro do ano e sua roupa boa simplesmente deixaram de ser seus. Mas na verdade, nada, mas nada mesmo ainda havia sido ganho, mesmo o sabor da verdade e o brilho no olhar ainda haviam de ser colhidos dia após dia...

quinta-feira, maio 28, 2009

Cerimônia de Aparecida Kannon
Bosatsu da Paz Universal



Desta vez faremos a cerimônia das 9h da manhã até às 20h em frente ao templo.

Durante o dia será vendido cachorro-quente, velas aquáticas e um adesivo da Cerimônia.

Todo um esforço para angariar fundos para a conclusão das obras do novo prédio, o Grande Espelho.

Apareça e contribua!

Templo Busshinji
Rua São Joaquim, 285 - Bairro da Liberdade - São Paulo

Mal

"...eu não posso causar mal, mal nenhum, a não ser a mim mesmo..."
Cazuza

sexta-feira, maio 22, 2009

Sesshin de inverno 2009


Clique na imagem acima para ampliar

Acontece de 22 a 26 de junho no Templo Busshinji o Sesshin de Inverno 2009.

As inscrições estão abertas e o período de cinco dias tem um custo de 150 reais. Avisamos que não dispomos de hospedagens, por isso os interessados devem providenciar alojamentos nos hotéis próximos, pensões ou na casa de amigos.

A Cerimônia de Abertura deve ocorrer no dia 22, às 10hs. Os inscritos devem chegar antes deste horário para os preparativos como entrega e preparo de oryoki, para os que não tiverem, ocupação dos locais de prática, funções, etc.

O retiro será coordenado pela equipe de monges do Templo Busshinji e, como responsável, o Superior Dosho Saikawa.

O Templo Busshinji fica na Rua S. Joaquim, 285, Bairro da Liberdade, São Paulo. Inscrições no local. Tels: (0xx11) 3208-4345/4515

segunda-feira, maio 18, 2009


O tempo psicológico está para as pessoas assim como o vidro está para a mosca.
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terça-feira, maio 12, 2009

Sankon Zazen Setsu

Sankon Zazen Setsu
Três tipos de praticantes Zen

Keizan Zenji

Aquele cujo zazen é do tipo mais profundo não tem interesse em como os Budas podem surgir no mundo atual. Ele não especula sobre as verdades que não podem ser transmitidas nem pelos Budas e Ancestrais. Ele não tem nenhuma doutrina sobre “todas as coisas serem expressão do self” porque ele está além de “iluminação” e “delusão”. Uma vez que suas visões nunca partem de ângulos dualistas, nada o obstrui, mesmo quando distinções aparecem. Ele apenas come quando tem fome. Ele apenas dorme quando está cansado.

Aquele cujo zazen é do tipo médio abandona tudo e rompe todas as amarras. Através do dia ele nunca está ocioso e assim cada momento da vida, cada respiração, é a pratica do Dharma. Ou então ele pode concentrar-se em um koan, olhos fixos, com o olhar em um ponto como a ponta do nariz. Considerações sobre vida e morte, ir e ficar não são vistas em sua face. A mente da discriminação não pode jamais penetrar a mais profunda imutável verdade, nem entender a Mente-de-Buda. Uma vez que não há pensamentos dualistas, ele é iluminado. Do mais distante passado até o presente momento, a sabedoria é sempre brilhante, límpida e reluzente. Todo o universo através das dez direções é subitamente iluminado por sua fisionomia, todas as coisas são vistas em detalhe em seu corpo.

Aquele cujo zazen é apenas comum vê as coisas de todos os lados e liberta-se de boas e más condições. A mente naturalmente expressa a Verdadeira Natureza de todos os Budas porque Buda está exatamente onde seus pés estão. Assim, ações incorretas não surgem. As mãos se unem no mudra da realidade e não estão atadas a nenhuma escritura. A boca está firmemente fechada, como se os lábios estivessem selados, e nenhuma palavra de doutrina é dita. Os olhos nunca estão plenamente abertos nem fechados. Nada é visto do ponto de vista da fragmentação e palavras boas e más não são ouvidas. O nariz não discrimina os cheiros como bons ou maus. O corpo não se apóia em nada e toda a delusão cessou. Uma vez que delusões não perturbam a mente, nem pesar nem júbilo aparecem. Exatamente como uma escultura de madeira de Buda, tanto a substância quanto a forma são verdade. Pensamentos mundanos podem surgir, mas eles não perturbam porque a mente é um espelho brilhante, sem traços de sombras.

Os Preceitos surgem naturalmente do zazen, sejam eles os cinco, oito ou os Grandes Preceitos do Boddhisattva, os Preceitos monásticos, as três mil regras de conduta, os oitenta mil Ensinamentos ou o supremo Dharma dos Buddhas e Ancestrais Despertos. Nenhuma prática, definitivamente, pode ser equiparada ao zazen.

Se um só mérito pode ser alcançado com a prática do zazen, é mais vasto que a construção de cem, mil ou incontáveis mosteiros. Pratique shikantaza, apenas sentando-se incessantemente. Fazendo isso, nos libertamos do nascimento e morte e realizamos nossa própria Natureza-de-Buda que está escondida.

Em perfeito bem-estar, vá, fique, sente e deite-se. Vendo, ouvindo, entendendo e sabendo são a manifestação natural da Verdadeira Natureza. Do princípio ao fim, mente é mente, além de argumentos sobre conhecimento e ignorância. Apenas faça zazen com tudo aquilo que você é. Nunca se perca disso ou distancie-se disso.

segunda-feira, maio 04, 2009

Refúgio


"Verdade é o que nunca foi escondido. Se você tiver olho, dá para ver à sua frente, está tudo manifestado."
Mestre Tokuda

sexta-feira, maio 01, 2009



- Mestre, o que faço para parar de pensar tolices? A todo momento me vêm coisas inúteis à mente.
- Jusshi - respondeu o mestre - você fala tolices na presença do mestre para que o mestre as ouça?
- Não, não. Na presença do mestre procuro me concentrar, muitas vezes não consigo pensar em nada sequer! - respondeu o discípulo.
- Jusshi, você fala coisas inúteis com o mestre?

O discípulo olhou para o mestre e a resposta estava em seus olhos, nenhuma palavra saiu de sua boca. O mestre ficou em silêncio, e o silêncio perdurou por poucos segundos sem fim. Neste momento Jusshi se iluminou.

º º º

Uma grande prática é parar de falar coisas inúteis, repetitivas, que sabemos que não servem e não acrescentam nada a nada. Que, se servem, servem apenas para esconder o silêncio, o silêncio da amizade, da beleza de uma planta, ou de uma cadeira velha. Esta prática se torna mais difícil na presença de grupos de amigos onde acreditamos estar presentes alimentando este tipo de conversa inútil. Nessas horas calar e observar é uma grande coisa. A fala é a nossa expressão, a fala é um sistema, ela alimenta corpo e mente num ciclo onde corpo e mente voltam a alimentar novamente a fala. Esse círculo é constante e sem fim, então se o alimentamos com inutilidades ele gera inutilidades, perda de energia e tempo, e se o alimentamos com essas coisas, essas coisas terão que sair em algum momento, e aí é difícil não falar, parece quase impossível não falar tolices, estamos transbordando. Ao mesmo tempo que se o alimentamos com o nobre silêncio, ou com conversas consequentes dentro da prática da iluminação, é nessa direção que nosso corpo e mente seguirão.

A roda do samsara e a roda do dharma.

Claro que, o bom, velho e fino, senso de humor é uma outra categoria.

quarta-feira, abril 29, 2009

O novo prédio para a prática do zen

Grande espelho é nome do novo prédio anexo ao Templo Busshinji. Grande espelho é a ausência total de ego e profunda integração com a natureza original das coisas.

Continuamos recebendo doações para finalização das obras, faça a sua colaboração!

Você pode fazer uma doação para a construção do novo prédio do Templo Busshinji, ligue para 11 3208-4515 ou 3208-4345 e fale com Satico Suzuki ou Mitsuyo Kamimura.








Aqui faremos a prática do total silêncio, de corpo e mente, o Shikan-taza. Aqui é o zendô.


Vista do terraço, onde haverá jardins.

segunda-feira, abril 27, 2009

Aniversários


Nesta quinta-feira passada foi aniversário de 60 anos de nosso Mestre Saikawa. Comemoramos no sábado seguinte com um pouco de vinho, alegria e muita descontração, logo após a cerimônia de Aparecida Kannon Bosatsu.


E foi também aniversário de nossa inestimável amiga e companheira Sawa San.


(Clique na imagem para ampliar)

sexta-feira, abril 24, 2009

Arhat


Os contemplativos empenham-se,
em morada eles não se aprazem;
Como cisnes abandonando a lagoa,
abandonam eles morada após morada.
(Dhammapada)

quinta-feira, abril 16, 2009

Nada muda


"Quando nos encontramos livres de amarras - sem cogitar o bem ou do mal - é preciso não abismar-se no vazio puro e assumir a imobilidade da morte. Melhor esforçar-se para ampliar o saber e os conhecimentos a fim de alcançar o estado original e compreender a fundo a sabedoria de todos os iluminados. Deve-se cultivar um convívio harmonioso e simpático com os outros e banir a idéia paralisante do "eu" e do "tu" até chegar à completa liberação e à plena certeza de sua verdadeira natureza - que é imutável."

Huei-Neng

sábado, abril 11, 2009

Retiro de Outono - Templo TAIKANJI

II Retiro de Outono
18 a 21 de abril de 2009

Passe um feriado muito especial com práticas de Meditação Zazen e Hatha Yoga, além de uma alimentação vegetariana saudável e balanceada, em meio à Serra da Mantiqueira, no belíssimo Templo Zen Budista TAIKANJI- Pedra Bela, SP.

Programação diária:
Zazen - 6 períodos de 30 min.
2 aulas de Hatha Yoga com Dafnis C. Proença
Palestra e caminhada na mata

Mais informações e contato: Monge Enjo Stahel (11) 9555-2378
Contribuição: R$ 70,00/dia (vagas limitadas)
Obs: Levar roupa de cama, cobertor, lanterna e chinelo para usar dentro da casa.

quinta-feira, abril 09, 2009

Templo TAIKANJI

TEMPLO TAIKANJI , em Pedra Bela , no pé da Mantiqueira.
Zazen , yoga , deliciosa comida vegetariana , belíssima paisagem ....












ENJO-San é o Maestro que conduz com serenidade , gentileza e harmonia a integração dos praticantes com a Natureza.

Cada ásana me faz una com o Universo e me confundo com a majestosa ninféia no lago , com as flores lindas , diferentes , com o som dos insetos e das folhas dançando ao vento , com os bambus de várias espécies , com os cachorrinhos recém nascidos que dormem nos sapatos ....


Lá , até a chuva é mais bonita !

Ahhh, como é bela Pedra Bela !!!

segunda-feira, abril 06, 2009

O lado escuro da lua

É tão difícil e doloroso lidar com os outros
eles nos tiram do eixo e não correspondem
ao que gostaríamos que fossem
ou não estão a todo momento no mesmo palco (teatro) que nós

É tão difícil lidar com nós mesmos
acabamos sempre perdendo o eixo
e não somos como gostaríamos que fôssemos
ou erramos quase sempre nos mesmos pontos o nosso papel

O inferno são os outros, diz Sartre
O inferno somos nós mesmos

Um aparente jogo de espelhos
Carma circular gigantesco
se auto-alimentando dentro de um sonho
Perpetuando a ignorância em arroubos de descontroles e conveniências

Deixemos, agora, de acreditar, de verdade!, no teatro da sociedade...

Porquê toda a nossa dificuldade em lidar com o outro
é a mesma em lidar com nós mesmos
Toda agressividade que vem do outro
é a nossa agressividade quando respondemos a altura
ou nos chateamos com isso
Toda a gozação e despeito é o pouco caso que encerramos e manifestamos aqui dentro simultaneamente quando nos tornamos vítimas nesse jogo - a mesma moeda

Aí está o valor da sangha, convivemos com pessoas
que aceitam participar do mesmo palco, da mesma peça
Dramaturgia sem história, sem fim e sem princípio
Embora haja figurino, papéis e até objetivos aparentes

Devemos aceitar o vazio entre nós todos
E não mais uma vez sofrer (entrar em conflito) à altura do sofrimento (conflitos) do outro
Isso não é compaixão. Se eu puder ver a insatisfação do outro
e puder ver a minha própria insatisfação, e saber
silenciar, e saber calar aqui e agora, e contemplar...

O sofrimento do outro pede ação, ou não-ação
O ciúme, o mau-humor, a agressividade, a inveja, o medo
são sofrimentos nossos, dividimos isso. Ou não...
Também a dor, a doença, a perda e a velhice são comuns.
Ajudar efetivamente é compaixão.

Sobretudo, compartilhamos o caminho
Compartilhamos o método para o acordar
Somos inspiração, uns para os outros
Não seguimos nem somos os "nossos" carmas.
Observamos e somos o próprio Dharma.

sexta-feira, abril 03, 2009

Lendo o registro de Eihei Dogen

por Mestre Ryôkan

(traduzido para o francês e inglês por Daniel Leignton e Kazuaki Tanahashi)

Em uma noite sombria de primavera, por volta de meia-noite,
a chuva misturada à neve caía sobre os bambus no jardim.
Eu buscava tranqüilidade em minha solidão, mas não alcançava.
Minha mão, atrás de mim, alcançou o "Registro de Eihei Dogen".
Diante de minha mesa de estudos, sob a janela aberta, ofereci incenso, acendi uma luz e me pus a ler, tranqüilamente.
"Corpo-espírito abandonados" é simplesmente a verdade última.
Em milhares de posturas, dez mil aspectos: um dragão brinca com uma jóia.
Sua compreensão além das categorias [padrões condicionados], purifica a corrupção corrente [as impurezas da mente-espírito].
O estilo do grande mestre reflete a imagem da Índia.

Me recordo de tempos passados, quando vivia no Monastério Entsu,
e meu mestre ensinava o Shobogen, o olho da verdadeira lei.
Naquela época, houve uma ocasião de me voltar para a Lei,
então pedi permissão para lê-lo, e eu o estudei intimamente.
Pude compreender que até então eu dependera somente de minhas próprias capacidades.
Depois disso, abandonei meu professor e perambulei por toda parte.
Entre Dogen e mim, que relação há?
Por toda parte onde eu ia, praticava com devoção o olho do verdadeiro Dharma.
alcançando as profundezas e chegando ao veículo [quantas vezes alcancei a corrente, quantas vezes alcancei as profundezas?]
Neste ensinamento, não há falta. Assim, estudei completamente o mestre de todas as coisas [aquilo que rege todos os fenômenos].

Agora, quando tomo em minhas mãos o Registro de Eihei Dogen e o examino,
o tom não se harmoniza com as crenças comuns.
Ninguém soube distinguir a jóia da pedra.
Por quinhentos anos esteve coberto de pó,
simplesmente porque ninguém teve um olho para distinguir o dharma.
Para quem toda esta eloquencia foi exposta? [a quem se destinavam estas palavras eloquentes?]
Lamento tempos passados e o presente me aflige. Meu coração está exausto. [Ansiando por tempos passados e lamentando o presente, meu coração está exausto].

Uma noite, sentado diante da luz, minhas lágrimas se puseram a correr, e caíram sobre o registro do antigo Buda de Eihei.
Pela manhã, o velho homem que morava ao lado veio ao meu eremitério de palha [minha cabana de palha].
Ele me perguntou por que o livro estava molhado.
Eu queria dizer algo, mas nada me ocorria.
Eu estava profundamente embaraçado, incapaz de dar uma explicação.
Meu espírito profundamente agitado, deixei pender a cabeça por um instante e então encontrei algumas palavras:
"A chuva da noite passada se infiltrou na cabana e encharcou minha estante de sutras".

(Tradução para o português: Martha Waryu)

Postagem a pedido de Karin Waryu

quinta-feira, abril 02, 2009

Dia sim

Não há nada melhor do que nada fazer
Seja de dia, à noite ou pela madrugada
Fazer nada, de pé, sentado ou deitado
E nem sequer cogitar ter feito algo

Assim perambulam os dias
Assim o tempo não vai passando
E o futuro não amedronta, porquê nunca vem
Só dormindo, que ainda não é possível - nada fazer.

Um conhecido revelou não ter tempo pois precisa se ocupar
em 4 trabalhos distintos para garantir a aposentadoria
Não tem tempo para cultivar o corpo (mente) além do samsara
Vendo assim é que me descobri aposentado, desde há muito
Tendo muito tempo para fazer muito daquilo que só teria tempo
de fazer quando enfim um dia me aposentasse.
Porém, como esse dia não há de chegar,
vou ainda produzindo coisas no dia-a-dia,
aperfeiçoando e vendendo coisas sem fim.
Muito embora reconheça a grandeza do Nada Fazer
Seja de dia, à noite ou pela madrugada...

domingo, março 29, 2009

Da fonte

Não saber que um sábio é sábio, é ingenuidade
Acreditar que um sábio é sábio, é ignorância
Ver além das formas é chamado de sábio e reune o que foi separado

terça-feira, março 24, 2009

Andar sem pegar



Sim, quando se está no caminho, passo a passo, cada passo é tão inteiro por si só, tão revelador, que morrer, se acaso acontecer, não será motivo para tristeza e aflição. Porquê estar no caminho é saber-se morto desde o início, é estar vastamente vivo, sem sequer supor possuir a vida, ou qualquer outra coisa. Porquê se afligir se a lua continuará o seu ciclo, o sabiá laranjeira sem nome ainda irá pousar no jacarandá mimoso e as ondas do mar irão lamber docemente os pés da criança iluminada. Se estou vivendo, estou vivo, se estou morrendo, então estou morto, neste instante. Sequer pensar nisso não invalida a questão, da mesma forma que pensar qualquer coisa que seja não legitima esta coisa. O Dharma tem uma lógica avassaladora mas é ainda mais. Manter-se na ignorância não gera segurança, caminhar pelas margens não nos une ao rio. Ver o céu sem a luz do sol não desfaz os mundos nem transcende vidas. Caminhar com os próprios pés é o único caminho.

sexta-feira, março 20, 2009

O Ciclo do Samsara



Esta animação foi produzida para Douleurs Sans Frontières (Dor Sem Fronteiras), uma Ong humanitária francesa que trabalha na área de saúde.

terça-feira, março 17, 2009

Encontro

O caminho...
Passos e respiração.
Rios de sangue comunicam o "dentro" pelo "fora"
Na rede de brahman todos os umbigos são um.

O cansaço se cansa, pouco mais, pouco menos
A dor dói e as paisagens continuam lá, onde não estão
a memória sempre acaba e já não há trilhas a vista
O olho olha sem ver, o desejo deseja sem o objeto

Um pé atrás do outro, qual vai à frente?
Acácias deslizam como sonhos palpáveis pelos cantos dos olhos
Calçadas seguem seu curso para nenhum lugar
Caminhos se cruzam sem nunca chegar

domingo, março 15, 2009

Como praticar zazen

"Quando eu me impulsionava para frente eu era arrastado. Quando eu ficava no mesmo lugar eu afundava. Assim eu cruzei a torrente sem me impulsionar para frente e sem ficar parado no mesmo lugar."

(Ogha-tarana Sutta, Cruzando a Torrente, em Acesso ao Insight)

sexta-feira, março 06, 2009

Margha

Seguirei aquela nuvem
até que chova em meus pés.
Perambulando sem nunca chegar
É assim que agora me encontro...

Já não há lembranças
Nem mais tempo para viver
Junto este corpo às margaridas sem dono da beira da estrada
e às estrelas que na cidade não se vê.

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

A chuva

Depois de cinco dias de muito calor durante
o Sesshin da Gratidão, a primeira chuva chegou
no meio da tarde e disse:

Só a chuva pode chover.
Apenas o gênero humano pode agir em compaixão.
No universo, absolutamente nada muda, nada.



Nada muda, neste exato momento.
Cada coisa está em seu devido lugar.

Precisamos dizer sim ao mundo!
Sim às tragédias, à guerra, à violência,
à liberdade e à alegria simples.

E a maneira que temos de dizer sim
ao mundo é a compaixão.

Somos a chuva.


Os participantes do retiro.

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Mente aberta

Obama faz discurso chocante para alguns mas realista e atual para outros. Para que não se confunda mais mitos (revelação mística) particulares e conhecimento humano secular, esse deve funcionar para todos sem distinção, de maneira que todos tenham acesso à segurança. Embora saibamos que discurso e prática política muitas vezes acabem não correspondendo, há aqui um bom indício, vindo da boca do presidente da nação mais influente do planeta.

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Locais de prática

Além da prática diária no templo Busshinji, membros desta Sanghakaya promovem sessões de zazen com instruções nos seguintes locais:

ZAZEN NO HOSPITAL

Aberto ao público em geral.

Local:
Hospital do Servidor Público Municipal
9º andar – Sala de Meditação.
Rua Castro Alves, 60 – Aclimação
Metrô Vergueiro

Horários:
Segundas e terças-feiras, das 7 às 10h.

ZAZEN NA PRAÇA

Aberto ao público em geral

Local:
Praça Barão Pinto Lima – conhecida como Praça do Boaçava (Alto de Pinheiros)
(na praça, dirija-se ao lado oposto ao das quadras, onde há uma grande paineira)

Horário:
Domingos, às 10:00. Em caso de chuva, não há prática.

Informações:
zazenoeste@yahoo.com.br
http://zazenoeste.blogspot.com/

Todos estão convidados a comparecer e a divulgar.

Haikais de Ano Novo

.
.
Durante o Ano Novo
as melancias cortadas
num grande sorriso.
Jisho Handa


Ano Novo.
Corre a seiva leitosa
dos galhos podados.
Wajun Ezê


Coruja branca!
Flap, flap, some no céu negro.
Fogos de de fim de ano.
Seigen Mitih


Feliz Ano Novo...
do outro lado da linha
uma voz mais fraca.
Waco Baldan


no asilo, em silêncio
todos dormem profundamente
noite de ano novo.
Koun Campos


Publicado no Jornal Busshin, edição de janeiro.

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Meu cão, meu mestre



Já faz muito tempo, uns 25 anos mais ou menos, mas lembro como se fosse hoje, aquilo é como uma fonte, até hoje me sirvo dela. Eu devia ter uns 16 anos, vivia com minha família e tínhamos um cão, um Husky Siberiano, aquele cão de puxar trenó, preto e branco de olhos azuis. O criamos em nosso quintal desde os 4 meses de idade, eu particularmente era como um irmão para ele, assim ele devia considerar, dava comida, banho e brincava muito, rolávamos no chão muitas vezes. Seu nome era Rostof, um nome meio besta, mas que já veio com o bicho, coisas de criador imagino, um nome russo já que a raça vem da Sibéria. Às vezes ele sumia pulando a cerca do quintal e aí coincidentemente sumia uma galinha de um vizinho não muito distante. Quando passeava com ele normalmente era obrigado a andar apressadamente, tentando resistir à força daquele cachorro puxador de trenó. Rostof era um ser muito especial, sentava-se como gente, as patas dianteira no chão da sala e a traseira sobre o sofá, ficava assim, com a lingua de fora, olhando com naturalidade. Outras vezes ele "falava". Lembro de um encontro de família onde os primos se reuniram sentados no chão em círculo para brincar de telefone sem fio, ou algo do gênero, e ele sentou ao lado e começou uma ladainha gutural, que não era nem latido nem uivo, se o jogo teve ganhador, Rostof sem dúvida levou a melhor. Mas um dia o tempo fechou, cheguei em casa e ele havia feito xixi na minha cama, e não era a primeira vez. Bem, eu o chamei, ele já veio com o rabo entre as pernas e a cabeça baixa, mostrei a ele o que não devia ter feito e aí, indo além, muito além das minhas capacidades racionais, comecei a bater nele cada vez mais forte, e mais forte, e ele não reagia, apenas aguentava, e eu batia mais, até que resolvi bater com um pedaço de tábua, bati, uma, duas, três vezes. Então ele simplesmente abriu e fechou a boca controladamente no meu pulso esquerdo, deixando as marcas dos caninos na minha pele. Não saia sangue, mas estavam lá, quatro furos profundos. Assustado, soltei meu amigo, que foi em pequeno trote se recolher em sua casinha no fundo do quintal. Passaram-se dias, um, dois, três. Ficamos de mau, não olhávamos mais um para o outro, eu não dava mais comida nem sentia aquele pelo grosso entre as mãos, nem o levava mais para passear. Ele da sua parte também resistia. No terceiro dia, eu estava sentado numa cadeira baixinha falando ao telefone com um amigo quando sinto algo roçando em minhas pernas, era ele, Rostof. Encostou-se em mim suavemente e ficou imóvel. Olhei para aquele animal e fui brutalmente convencido daquele ato, era um ato puro de compaixão, era um momento de de extrema Inteligência. Afaguei seu corpo, sua cabeça, senti um grande alívio. Então eu me pus a pensar, de onde veio toda aquela raiva que me cegou diante do meu amigo, e por que ele não resistia a urinar em minha cama? Nesse dia, aquele cão, que chamava de "meu cão", me ensinou a compaixão e ganhou a liberdade, não era mais o "meu" cão, era apenas Cão. Algo ali estava a mais e era o significado daquele pronome possessivo em minha mente, então na verdade quem ganhou a liberdade fui eu. Algum tempo depois meus pais mudaram-se e tivemos que nos separar de Rostof, foi quando ele realmente ganhou a liberdade, indo morar numa chácara com uma bela companheira. Depois disso nunca mais o vi.

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Aparecida Kannon - Janeiro

Durante a cerimônia de Aparecida Kannon (BODHISATTVA da compaixão), são oferecidos doces ao público que passa na calçada em frente ao templo Busshinji. As pessoas então podem oferecer velas expressando seus desejos de compaixão. Simultaneamente doações a partir de 1 real são recolhidas para a construção do novo prédio e manutenção do templo existente.






quinta-feira, janeiro 29, 2009

O Buda em Jesus


Não só os budistas se iluminam, dizer o contrário seria uma heresia do ponto de vista do próprio budismo. A iluminação refere-se ao gênero humano, e pronto. Esta percepção deve ser benéfica para nós praticantes do dharma brasileiros ou residentes no Brasil, já que vivemos num país cristão. Se nossos neurônios foram formados nessa realidade, com certeza o cristianismo está em nós, budistas. E não deveríamos negá-lo. E deveríamos perder o medo dessa herança. Porquê o medo é o desejo de não perder algo, e aqui no caso são os conceitos fixos sobre o cristianismo/catolicismo que vamos perder.

Ultrapassadas as questões dogmáticas da igreja católica, ultrapassados todos os dogmas, percorrido este caminho, vê-se que o prajna (a Sabedoria) é comum a todos em nossa potencialidade búdica, sejamos católicos, muçulmanos ou jainistas.

"Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." - João 14:6. Estas são palavras atribuídas a Jesus Cristo e encontradas na bíblia, e podem ser reveladas no dharma da seguinte forma: a primeira parte da frase diz que "Eu", "Caminho", "vida" e "verdade" são exatamente a mesma coisa, este "Eu" é cada um de nós manifestado neste mundo e a própria "vida" é o "caminho" e a única trilha verdadeira, a única trilha para se atingir a verdade, porquê o próprio caminho que é a vida já é a verdade intrínseca, não tem outra. Mas a mente humana e seus pensamentos sobrepostos cria outras verdades (dogmas) e não trilha o caminho da vida verdadeira, se perde nos desejos e se alivia dos sofrimentos na busca incessante de prazeres no sansara. A segunda parte da frase de Cristo fala do "Pai", que aqui é o ser plenamente realizado, o gênero humano maduro, o não-tempo. O "Pai" aqui é simbólico, mitológico. E ele termina dizendo que ninguém se torna um com esta mente "Pai" cósmica, se não for através "dele", ou seja, aqui a frase retorna ao início, este "dele" é o "Eu" que é a verdade e que é o próprio caminho manifestado, que por sua vez é a própria vida de cada um de nós - este espaço-tempo limitado que temos. Esta frase atribuída a Cristo é uma parábola, ou seja, é circular, o final da frase encontra o início e se potencializa. Esta compreensão talvez sirva para resolver conflitos internos.

Agora compreendido pode ser esquecido, neste momento.

terça-feira, janeiro 27, 2009

Aroadr

Se a gtnee tem que aroadr almuga csioa, essa csioa só pdoe ser o destonscruir dos nsosos pceronteicos avratés da pórpira liderbade adnivda do ovserbar o noã-pceronteico. E isso svree praa tduo, ddese os pceronteicos mias brara-pseada até o nmoe dqauela folr lliás que dá em ccahos nas vanardas.

segunda-feira, janeiro 26, 2009

quinta-feira, janeiro 22, 2009

O princípio



Esta plaquinha é muito comum nos banheiros masculinos, dentro dos boxes onde há o vazo sanitário. E por mais bizarro que pareça, é assim que começam as religiões. Hoje eu leio este aviso e penso: é claro, nem precisava colocar isso aí. Mas na minha adolescência, talvez não fosse assim tão claro, nada claro eu diria. Não que eu tivesse o hábito de depredar banheiros, mas também não ligava muito.

Na verdade, para quem isto é obvio? Muitos descontam suas pequenas misérias individuais nos bens de uso público, muitas mentes confusas em revolta, todas com suas razões pessoais, muitas vezes coisas da idade. Outros, mais velhos, talvez estejam muito ocupados com seus pensamentos particulares para tomarem tento com a situação em que se encontram, outros acham que sempre vai haver alguém para fazer as coisas por ele.

Sentimo-nos crianças ao ler estas palavras, crianças ouvindo o pai ou a mãe dando um pequeno sermão, de como se comportar bem quando se está sozinho. Este é um dos poucos lugares em que estamos realmente sozinhos. Algumas pessoas até mantém o banheiro limpo, mas agem por culpa ou porquê mesmo sozinhos sentem que alguém as está observando.

Mas voltando ao "óbvio". É claro que aquele banheiro não é só meu, claro que depois de mim alguém mais entrará, e este alguém serei eu mesmo, várias vezes ao longo do dia. Pois se somos todos Budas, também somos Budas no banheiro urinando e evacuando. E depois de nós outros Budas entrarão para fazer suas necessidades fisiológicas. Então está claro, utilizo o momento presente, o aqui e agora, que é o único tempo que disponho para agir, e deixo o ambiente harmônico para a próxima pessoa. Bem, esta obviedade toda precisa ser escrita por algum motivo, e aí nascem os novos testamentos, os torás, os vedas, tri-pitakas, alcorões e outros, cada um sob um ponto de vista, uns mais, outros menos abertos. Mas aí nascem as religiões, no interior de cada banheiro.

quarta-feira, janeiro 21, 2009

Sesshin da Gratidão

Acontece durante o período do carnaval (19 a 24 de fevereiro), o Sesshin da Gratidão, no Templo Busshinji. As pessoas interessadas, sejam alunos desta instituição, bem como de outros templos, poderão se inscrever. O custo total é de R$ 200,00. Para os períodos curtos, de um a dois dias, o custo é de R$ 30 a diária. Como no dia 19, quinta, e 20, sexta, muitos ainda trabalham, poderão fazer, se assim desejarem, o sesshin a partir do sábado. Aconselha-se que os interessados tenham experiência em zazen, pois o tempo de meditação é bastante longo. Fazemos 40 minutos, com 10 minutos para kinnhin, sobrando apenas 10 minutos para o descanso. A alimentação também é realizada sentada na sala de zazen. O início se dá às 6 horas, encerrando às 19h30.


Não temos condições de aceitar aceitar alunos que dependam de acomodações para dormir, pois inexiste, no momento, infra-estrutura adequada para isso. A sugestão é que hospedem-se nos hotéis das redondezas.


Usar roupas apropriadas: na cor preta, calça de moleton ou similar; trazer sandálias havaianas.


As normas deste sesshin são os seguintes: não trazer e nem usar telefones, não deixar o templo no período das atividades, fazer as tarefas requisitadas, não conversar, chegar no horário e sair no horário. Os casos excepcionais serão resolvidos pelos monges.


Aqueles que têm problemas de alimentação (pressão alta, alergia, recomendações médicas), problemas de socialização, problemas emocionais, recomendamos não participar.


Inscrições no Templo Busshinji, no dia de abertura, dia 19, às 9h30. Ocasião em que haverá instruções para a utilização de oryoki - utensílios para as refeições, e distribuição de cadernos de sutras. O encerramento acontece dia 24, às 12h. Em casos de desistência, o valor pago não será devolvido. Mais informações: 11 3208-4515 ou 3208-4345


terça-feira, janeiro 20, 2009

Haicai

Final de ano chega.
Catando todos os trecos
mendigo em mudança.


Calendário velho.
Com um beijo me despeço
da moça sem nome.


O trovão ribomba.
Debaixo da mesma cama
o cachorro e o gato.


Quebrando o silêncio
repicar em meus ouvidos.
Chuva de verão.


Caminho de casa
me indica a dama-da-noite
na curva sem luz.

Mal chega janeiro
as contas a pagar batem
a porta de casa.

Nos passos do velho
o tempo quase parado.
Janeiro arrastado.

sábado, janeiro 17, 2009

Silêncio!



Novo blog da zen-budista Sodö, de Florianópolis. Confira textos e atividades ligadas à prática zen na ilha.

sexta-feira, janeiro 16, 2009


Os mensageiros animais, enviados pelo Poder Invisível, já não servem mais, como nos tempos primevos, para ensinar e guiar a humanidade. Ursos, leões, elefantes, cabritos e gazelas estão nas jaulas dos nossos zoológicos. O homem não é mais o recém-chegado a um mundo de planícies e florestas inexploradas, e nossos vizinhos mais próximos não são as bestas selvagens, mas outros seres-humanos...
Joseph Campbell


Garoto palestino atira pedra em policiais israelenses de
fronteira num campo de refugiados na Cisjordânia (jornal Folha de São Paulo, 30/12/2008)

terça-feira, janeiro 13, 2009

Dentro

Dentro
(Ferreira Gullar)

“O um é um e não é dois”
Parmênides, de Platão

estamos dentro de um dentro
que não tem fora

e não tem fora porque
o dentro é tudo o que há

e por ser tudo
é o todo:
tem tudo dentro de si

até mesmo o fora se,
por hipótese,
se admitisse existir