sexta-feira, agosto 14, 2009

CASO 2-70
ANANDA / BUDA
O Bom Cavalo

Certo dia um não budista falou para o Buda: não estou pedindo palavras, não estou pedindo por não palavras. Buda Gautama apenas continuou sentado. O não budista o elogiou dizendo: A grande benevolência e a grande compaixão do Buda Gautama abriram as nuvens da ignorância e me possibilitaram conhecer a verdade. Então se prostrou diante do Buda e saiu.

Em seguida Mestre Ananda perguntou ao Buda: Que tipo de verdade o não budista realizou quando te elogiou?

Buda Gautama disse: É como o bom cavalo que apenas ao ver a sombra do chicote já sai correndo.

Comentário ao Koan
CASO 2-69
ANANDA / MAHAKASYAPA

Mestre Ananda perguntou o que tinha sido transmitido pelo Buda Gautama que tivesse sido diferente do manto dourado do Buda. Mestre Mahakasyapa simplesmente chamou Ananda que deve ter respondido, “sim.” O chamado do Mestre Mahakasyapa e a resposta da Ananda fazem parte de uma conversa típica da vida diária dos seres humanos.

A intenção do Mestre Mahakasyapa foi de mostrar que aquilo que recebeu do Mestre Gautama foi exatamente o comportamento natural da vida do dia a dia. Para enfatizar isto mais profundamente, Mestre Mahakasyapa pediu ao Mestre Ananda que descesse a bandeira do mastro da frente do templo, talvez um trabalho que estivesse sendo esperado para ser feito.

...

Koan publicado em postagem logo abaixo.

quarta-feira, agosto 12, 2009

Zazen no hospital


Sala de meditação do Hospital do Servidor Público Municipal

Sessões de Zazen 2ªs, das 7:00 às 9:00,
e 3ªs das 7:00 às 10:00.

O hospital fica na estação Vergueiro do Metrô
e a sala de meditação é no 9º andar.

A prática é aberta ao público em geral.

sexta-feira, agosto 07, 2009

CASO 2-69
ANANDA / MAHAKASYAPA
Descendo a Bandeira



O Segundo Patriarca, Mestre Ananda, perguntou ao Mestre Mahakasyapa:
- Respeitoso irmão estudante, que tipo de coisas concretas você recebeu que seja diferente do manto de ouro de Gautama Buda?
Mestre Mahakasyapa chamou-o e disse:
- Ananda. - Ananda olhou para ele.
Mestre Mahakasyapa disse:
- Por favor, desça a bandeira do mastro da frente do templo.
...

Koan

segunda-feira, agosto 03, 2009

Atenção-plena



Repara na quantidade de braços e faces. Veja os detalhes: as mãos, objetos, olhar, corpo. Assim viu o artista a compaixão (dentro da concepção budista). Como numa imagem congelada de cinema, o Avatar olha nas 10 direções e com milhares de braços ajuda a todos os seres.

Clique na imagem para ampliar

Como seria a ação de uma mente não-condicionada, ou muito menos condicionada? A que exatamente se prende (?) a atenção de um Bodhisattva? Como ele lida com os acontecimentos do dia-a-dia?

Lembre-se que isto é apenas uma representação, uma interpretação de algo que não possui forma, ou que está além da forma, mas que mesmo assim é extremamente acessível.

quinta-feira, julho 30, 2009

Agende-se

Veja as datas dos próximos Sesshins (retiro zen) no Templo Busshinji

Sesshin da Primavera
16, 17, 18, 19 nov 2009
Colaboração: R$ 150,00


Sesshin da Iluminação
13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 20 dez 2009
Colaboração: R$ 200,00


Inscrições no local ou por telefone.

O retiro será coordenado pela equipe de monges do Templo Busshinji, tendo como responsável o Mestre Saikawa Roshi.

O Templo Busshinji fica na Rua São Joaquim, 285. Bairro da Liberdade, São Paulo - SP. Tels: (0xx11) 3208-4345/4515



Saikawa Roshi e discípulos no Sesshin de Inverno 2009

terça-feira, julho 28, 2009



Mundo, tão pequeno mundo...


Aquele que não é livre, enxerga um mundo restrito, acredita num mundo medíocre, utiliza uma linguagem que quer confirmar a não-liberdade e faz isso a todo tempo porquê precisa provar para si mesmo a existência deste mundo fictício que cria para si. Transforma suas relações com objetos e outras pessoas neste sistema fechado, quer convencer os outros de suas idéias, fica muito chateado se tiram seu chão e, sobretudo, fica embasbacado e sem ação quando vê um outro, livre, e sofre, sofre muito quando percebe sob seu nariz a liberdade "caótica" subjacente à própria existência.

Aquele que vive o sentimento de culpa, alimenta o sentimento de culpa como se fosse um peixe num aquário, precisa confirmar este sentimento de quando em quando para que ele não desapareça, ele pede confirmação para os outros, e inclui os outros nele, e acredita que obtém um certo alívio quando percebe que outros também têm essa mesma coisa, chegam a ficar felizes até, de uma alegria fosca e volátil feita de cumplicidade triste. Levam a vida assim, no dia de ontem.

Aquele que é negativo vê um mundo azul, azul chumbo. Tudo traz no fundo a semente do mal ou da tragédia engendrada, tudo é colocado numa moldura de horror, e todo cuidado é pouco. Seu mundo esta a beira do colapso a todo o tempo e se os outros não vêem o mesmo, então talvez todas as suas crenças, e sua vida por conseqüência, possam estar envenenadas ou com mal-agouro, encosto. Ele inclui os outros em seu mundo sombrio, não raro ele se torna a vítima.

A vítima precisa do algoz, então transforma o mundo à sua volta na causa dos seus problemas. E qualquer coisa pode ser a causa, o amigo, o inimigo, o tempo frio demais, a falta de tempo, a caixa de fósforos úmida, o pólen, qualquer coisa serve para alimentar e justificar sua existência tão sofrida. A vítima precisa de outros para existir assim tão frágil e desprotegida, vivendo em seu mundinho estreito.

Aquele que é estressado agita e enerva o que está a sua volta sempre que possível, assim seu frágil mundo ganha algum sentido e ele respira aliviado, ainda que mais estressado, mas isso não importa, importa dar sentido ao seu estado de nervos.

Aquele que é simpático traz um belo e convincente sorriso no rosto, adora sorrir para os outros, acredita levar a alegria a todo lugar. Fica preocupado porque o mundo já não sorri tanto ou porque alguém não correspondeu ao seu sorriso. Não entende porque há tanta gente mal-humorada no mundo. Muitas vezes não se importa se o mundo não corresponde sua expectativa, mas gostaria que as pessoas fossem mais felizes, como ele.

Aquele que é bom, está sempre fazendo o melhor possível, procura sempre fazer o bem para os outros, alguns, até em detrimento de si mesmo. Assim ele espera o reconhecimento de sua bondade através dos atos bons dos outros também. Fica inconsolável quando alguém corresponde sua bondade com indiferença, malícia ou maldade. Gostaria de ser reconhecido e adorado por todos por suas boas ações. Assim ele precisa de outros atores comprometidos na sua nobre causa para existir com alegria neste mundo.

O humilde abaixa a cabeça nas situações adequadas para que continue a ser humilde no momento oportuno, assim ele reconhece sua posição limitada diante das circunstâncias. Ele vê "os de cima" em cima e se vê embaixo, porque "os de baixo" estão abaixo. A humildade é a sua bandeira, sua guerra é manter as coisas separadas, os suntuosos e arrogantes confirmam sua posição no tabuleiro e assim ele, humildemente, sabe o seu lugar.

O trabalhador acorda cedinho para a labuta, todos os dias (domingo não), e sabe: "Deus ajuda quem cedo madruga." Oferece assim convicto as melhores horas do seu dia ao trabalho, não importa muito qual, desde que o dia se consuma e no final haja a féria. Desvaloriza aqueles que não acordam tão cedo ou não trabalham tanto assim. Sente-se forte contrapondo sua posição com a dos que trabalham menos e, sempre que a vida se torna um peso, lembra que é um trabalhador exemplar, que quase não tem tempo para outras coisas na vida além do trabalho, e mesmo assim não fez nada de mal, pelo contrário, e isto o alivia, ainda que não remova o tal peso. Dessa maneira o trabalhador molda o seu mundo e ocupa o seu lugar.

Esses são eu.

....

Poderia ainda descrever dez mil parágrafos como estes falando do vaidoso, do louco, do desajustado, do habilidoso, do genioso, do general, do médico, do goleiro, do amador, do caridoso, genial, humorista, idiota, servente, presidente, executivo, vendedor, lixeiro, amoroso, extrovertido, forte, fraco, compenetrado, disperso, etc, etc, etc... Cada qual com o seu mundo, cada qual defendendo seu pequeno lote cercado, sua pequena parcela, seu pequeno quinhão de vida. Que criaram para ele, que ele acredita, cria e mantém. Vivendo na água turva e viciada do aquário, com a água que há tempos retiraram do fluxo incessante de um grande rio sem começo nem fim. Vão viver assim, acreditando num início e num fim que só se enxerga nos limites do aquário. Todos têm em comum a concepção epidérmica extremamente dualista que se define delineando bordas a todo instante entre o seu e os deles, entre o si e o outro. Todos criam e sustentam uma linguagem que mantém seu mundo intacto como uma rocha ou um castelo de cartas. Essa linguagem precisa da confirmação de outros, senão desaparece, perde o sentido. Essa linguagem, que se expressa na fala, nos gestos e nas ações, precisa ver-se refletida nos outros para perpetrar. Então criam associações para se confirmarem mutuamente, aí ganham muito mais força. E fazem algo muito, muito perigoso. Que é incluir os outros em pequenos jogos de ego, ínfimos jogos de malícia e mesquinhez que servem ainda para dar força e aparente coerência aos seus pequenos mundinhos de águas seletas. E aqueles que entram nos jogos de outros, ainda acreditam estarem fazendo os seus próprios jogos e aí não se sabe mais quem começou, não se sabe onde vai terminar, "onde acaba este sofrimento". Fazem isso de boa vontade, quase sempre, fazem porque é assim que acreditam na vida, de outra forma não sabem, não sabem viver. De outra forma encarariam um vazio tremendo, um vazio pavoroso, um vazio de trincar o dentes e ouvir os urros das bestas mais medonhas, de ouvir ecos de gerações e gerações atormentadas por todos os tipos de misérias, como as suas.

Aquele que participa destes mundos, que percebe estes mundos por todos os sentidos do corpo e da mente, aquele que freqüenta estes mundos sem discriminar, sem escolher, sem pegar e sem se apegar é chamado de Bodhisattva, ou "apto ao despertar". Aquele que encara o vazio com tranqüilidade, não vê mais a si, sabe que o vazio é um fluxo incessante sem si próprio, sem princípio, sem fim. Ele não tem medo, porque o mundo dos medos é apenas mais um e, diferente do fluxo incessante que é a existência, em total sincronia com o universo, o medo tem começo e tem fim, começa e termina neste exato momento.

Contudo, mesmo os que acreditam terem fixado seja o que for, seja qual mundo for nesta existência, estes ainda fazem parte do grande fluxo sem nome e sem mundos, que a tudo e a todos banha sem discriminação, sem escolher e sem se apegar. Que banha e conduz as marés e os oceanos verde-azulados, as aves migratórias, o céu inacreditável de tantas estrelas cintilantes, os ventos, os verões e invernos, as rãs, o cheiro de pedra molhada na beira do rio e o sol, entre tantos, tantos seres iluminados.

domingo, julho 19, 2009

União

Sempre que nos encontrarmos será a primeira vez
Temos assim um pacto de oportunidade mútua e imediata
Vejo você pela primeira vez e deixo que me veja pela primeira
vez também a cada reencontro - um pacto de liberdade

Reafirmo este ato de liberdade com todos os objetos
do cotidiano. Que a colher, o telefone, o computador,
a dor, a saudade e a mais pura alegria me vejam pela primeira vez
Você sabe, eles nos dão esta oportunidade.

Sempre que te encontrar será pela última vez
Que nosso encontro seja assim, a cada vez
E aquela história linear e fixa de cada um
e de todos nós tornar-se-á obsoleta, vaga

A vida fica viva, pulsante, presente, inteira.
E tudo isso não é preciso adquirir, nem entender
Isto já está bem aqui, faz parte da realidade em que
habitamos, como disse o Patriarca Zen Daikan Eno, isto é apenas:

Auto-usufruto da Natureza Original

Então sempre que nos encontrarmos será uma descoberta
Quando nos despedirmos se abrirá um novo mundo
Fiquemos assim, na borda da mudança eminente, sempre
façamos este pacto, caminhemos no vazio.




quinta-feira, julho 16, 2009

Comentário ao
Livro 1 - caso 3

Diferentemente do comentário inicial que cheguei a colocar aqui, o que Joshu chamou de "reconhecer a existência", não parece ser exatamente a iluminação, mas sim o estado que nos encontramos quando temos a certeza de que é preciso entrar no caminho da prática do dharma, assim tudo muda de figura, e chegamos a esta conclusão juntos na última reunião do grupo de estudos no Busshinji. Juntos percebemos que a resposta de Nansen é bastante prática, indicando o caminho do Unsui, ou seja, do monge noviço, que entra para um mosteiro (templo).

Um grande pega que tivemos foi a palavra "castrado", esta metáfora pode ser terrível para nós ocidentais, lembra animais ociosos e gordos e limitação radical - fulano se castra muito, cicrano é castrador e por aí vai. Mas o "búfalo castrado" de Nansen é o ser que propõe a si mesmo castrar seu touro interior, digamos assim, e isto significa submeter o ego selvagem a um treinamento, este sim será castrado para que apareça em seu lugar, radiante, o ser original. Sem os impulsos e desejos desenfreados do ego. A tal casa localizada na frente do portal do templo, segundo o Jisho nos contou por experiência própria, é um lugar onde os postulantes a monge, ou a entrar naquele mosteiro específico, ficam por uma semana inteira, sujeitos a um teste severo para serem admitidos ou não, aí precisam baixar a cabeça e submeter-se - um desafio para o touro selvagem. Por fim, a janela aberta para o despertar, uma visão simples e cotidiana na metáfora recorrente para iluminação, a lua.


Veja abaixo o koan ao qual se refere este comentário.

domingo, julho 12, 2009

Shinji Shobogenzo
Mestre Dogen
Livro 1 - Caso 3

Mestre Joshu Jushin do distrito de Jo perguntou ao Mestre Nansen: O que acontece para a pessoa que reconheceu a existência? Para onde ele vai?

Mestre Nansen disse: Ele vai viver numa casa de um templo localizada em frente do portal do templo e se transformará em um búfalo castrado.

Joshu Jushin disse: Mestre, muito obrigado pelos ensinamentos que recebi.

Mestre Nansen disse: A noite passada a meia noite a lua atravessou minha janela.

Comentário do
Mestre Dogen

(sobre o último koan publicado. Veja abaixo: Livro 1 - caso 2)

Este koan é idêntico à estória de Sakra Devanan Indra que perguntou ao Buda, “Como posso proteger quem quer praticar o Darma?” Buda respondeu perguntando, “Você pode ver o Darma que quer proteger? Onde ele está? O desejo de proteger o Darma é como o desejo de proteger o próprio espaço. Os praticantes budistas protegem o Darma e aos outros vivendo na verdade.”

A primeira questão do Mestre Obaku era abstrata. Ele queria saber a melhor maneira de enquadrar intelectualmente o conteúdo dos ensinamentos do seu mestre. A resposta de Hyakujo foi similar ao do Buda, porém mais direta. Mestre Hyakujo respondeu apresentando sua própria prática budista, continuando sentado em zazen.

Mestre Obaku compreendeu a intenção do comportamento do mestre. Ele então fez uma pergunta de uma maneira mais concreta. Como ele poderia transmitir os ensinamentos no futuro para aqueles com quem ele poderia não ter nenhum contato direto. Em resposta Mestre Hyakujo apenas disse que a compreensão de Obaku das ações de seu mestre, ao lado de sua preocupação com os futuros discípulos mostrou que ele era um homem que vivia na realidade.

Mestre Hyakujo ficou satisfeito por Obaku ter mudado de um nível de filosofia abstrata para um nível mais prático e realista de preocupação por seus discípulos e seus descendentes. Ele não tinha dúvida da habilidade do Mestre Obaku de resolver seus problemas.

sexta-feira, julho 10, 2009

Cortar em um


natthi ragasamo aggi natthi dosasamo gaho
natthi mohasamaj jalaj natthi tanhasama nadi

Não há fogo como a paixão (rāga), não há armadilha como a aversão (dosa);
não há rede como a delusão (moha), não há rio como a sede (taṇhā).

Conheça o blog do Seigaku, da sangha de Floripa.

quarta-feira, julho 08, 2009

Shinji Shobogenzo
Mestre Dogen
Livro 1 - Caso 2


Mestre Obaku Ki-un do Monte Obaku do distrito de Ko perguntou ao Mestre Hyakujo Ekai: Quando quiser dividir os ensinamentos que nos deu com os outros, como deverei ensiná-los?

Mestre Hyakujo Ekai apenas permaneceu sentado em seu zafu sem dizer nada.

Obaku Ki-un disse: Como posso ensinar os filhos e netos dos discípulos no futuro?

Mestre Hyakujo disse: O que você disse mostra que você é uma pessoa real.


Apresentado por Kakuho

terça-feira, julho 07, 2009

Estado de atenção

Sim, estou entre poucos.
Entre o "a pouco" e o "daqui a pouco".
Enfim, até o preconceito conta seus dias.

terça-feira, junho 30, 2009

Shinji Shobogenzo
Mestre Dogen
Livro 1 - Caso 1



Certo dia Mestre Sekito Kisen visitou o Mestre Seigen Gyoshi do templo de Jogo, no Monte Seigen no distrito de Ki.

Mestre Seigen perguntou a ele: De onde você veio?

Mestre Sekito respondeu: Vim do Monte Sokei.

Mestre Seigen levantando seu hossu perguntou: Existe alguma coisa parecida com isto no Monte Sokei?

Mestre Sekito respondeu: Não, nem no Monte Sokei, nem mesmo na Índia.

Mestre Seigen disse: Você nunca esteve na Índia, esteve?

Mestre Sekito respondeu: Se tivesse ido à Índia poderia ter encontrado um hossu como o seu.

Mestre Seigen disse: Você nunca esteve na Índia, portanto deveria dizer algo de acordo com sua experiência.

Mestre Sekito disse: O Mestre poderia expressar uma ou duas palavras concretas ao invés de deixar tudo para mim, Kisen.

Mestre Seigen Respondeu: Não me recuso a dizer algo para você, mas se o fizer você não seria capaz de atingir a meta por si mesmo.


Comentário

Mestre Seigen Gyoshi foi um discípulo do Mestre Daikan Eno, o Sexto Patriarca na China, e Sekito Kisen iria se tornar seu discípulo. Mestre Sekito tinha vindo do Monte Sokei, onde Mestre Daikan tinha vivido. Mestre Seigen Gyoshi se orgulhava muito de suas palestras sobre budismo, e usando seu hossu, perguntou ao Mestre Sekito se as palestras no Monte Sokei explicavam o budismo tão bem como ele fazia. O hossu, uma pequena escova ornada com de crinas de cavalo, carregado pelos mestres budistas é um símbolo da verdade budista.

Em sua resposta Mestre Sekito usou o hossu como um símbolo concreto dos ensinamentos do Mestre Seigen. Ele disse que não havia outro ensinamento como o do Mestre Seigen em nenhum lugar, nem mesmo no lugar do qual ele veio, a Índia.
Mestre Seigen ressaltou que Mestre Sekito não poderia saber sobre a Índia, uma vez que não esteve lá, mas Mestre Sekito respondeu que poderia ser possível achar os mesmos ensinamentos do Mestre Seigen na Índia, a terra de Gautama Buda.

Porem Mestre Seigen pensou que ele poderia ser mais realístico naquilo que estava dizendo. Disse que poderiam apenas falar de nossa própria experiência.
Mestre Sekito sentiu-se um pouco perdido em como responder de maneira que satisfizesse Mestre Seigen e pediu para o mestre ajudá-lo.

Finalmente, Mestre Seigen Gyoshi disse que seria fácil para ele dizer algo, mas agindo dessa forma privaria Mestre Sekito de ter a chance de expressar sua própria verdade.

A estrutura dessa estória contém quatro diferentes pontos de vista. Primeiro o ponto de vista idealístico ou intelectual, representado pela questão do Mestre Seigen sobre discursos budistas e simbolizado pelo hossu. O segundo ponto de vista é Mestre Sekito olhar para as coisas materialisticamente. O hossu – o hossu físico real que Mestre Seigen levantou – existe apenas naquele exato lugar, não na Índia ou no Monte Sokei. Mestre Seigen não ficou satisfeito e quis ouvir algo de um ponto de vista mais realístico. Ele sabia que Mestre Sekito não estivera na Índia e pediu para ele falar de sua experiência e não de suposições. Do ponto de vista supremo, Mestre Seigen sabia que Mestre Sekito deveria aprender a como expressar sua própria verdade. Ninguém poderia fazer isso por ele.

Apresentado por Kakuho.

segunda-feira, junho 15, 2009

Arraial Zen - A festa

Imagens do 1º Arraial Zen: material de divulgação, preparação do material de decoração, arrumação do salão e a festa. Sábado que vem, dia 20/06 tem mais! Compareçam e tragam seus
seus amigos e familiares!!!












quinta-feira, junho 04, 2009

Cultivando o campo vazio

Cultivando o campo vazio
(Hongzhi Zhengjue)

[Traduzido de Taigen Dan Leighton e Yi Wu]

[Hongzhi Zhengjue (1091–1157) foi um importante mestre chinês que ensinou no mosteiro do Monte Tiantong, onde anos mais tarde Dogen Zenji encontraria seu mestre. Hongzhi é responsável pela formalização em texto da prática da “Iluminação Silenciosa”, que Dogen posteriormente denominaria Shikantaza.]


A prática da Verdadeira Realidade

A prática da verdadeira realidade é simplesmente sentar serenamente em silenciosa introspecção. Quando você penetra isso, não pode mais ser desviado por causas externas e condições. Essa mente vazia e amplamente aberta é sutil e corretamente iluminadora. Vasta e satisfeita, sem a confusão interna dos pensamentos ávidos, efetivamente supere o comportamento habitual e compreenda o ser que não é possuído pelas emoções. Você deve ter a mente ampla, em tudo não se apoiando nos outros. Esse espírito aprumado e independente inicia-se não se perseguindo situações degradantes. Aqui você pode descansar e tornar-se limpo, puro e lúcido. Brilhante e penetrante, você pode imediatamente retornar, harmonizar-se e reagir, lidando com os acontecimentos. Tudo é desimpedido, as nuvens graciosamente flutuam sobre os picos, o luar resplandecentemente escorre pelos riachos das montanhas. O lugar todo é brilhantemente iluminado e espiritualmente transformado, totalmente desobstruído e claramente manifestando uma interação responsiva, como a caixa e sua tampa ou flechas [se encontrando]. Prosseguindo, cultive e nutra a si mesmo para incorporar a maturidade e alcançar estabilidade. Se você se harmonizar com todo os lugares com perfeita claridade e cortar fora arestas, sem depender de doutrinas, como o touro branco ou o gato selvagem, [favorecendo que o milagre surja], você poderá ser chamado de uma pessoa completa. Portanto, ouvimos que é assim que alguém do caminho da não-mente age, mas antes de concebermos a não-mente nós ainda temos que superar grandes adversidades.

Cumprindo a tarefa de Buda

[O campo vazio] não pode ser cultivado ou comprovado. Desde a origem é totalmente completo, imaculado e límpido até seu fundo. Onde tudo é correto e totalmente suficiente, conquiste o puro olho que ilumina plenamente, completando a libertação. A iluminação envolve decretar isso; a estabilidade se desenvolve com a prática disso. Nascimento e morte originalmente não têm raiz ou caule; aparecer ou desaparecer originalmente não têm sinais ou traços distintivos. A luz primordial, vazia e vigorosa, ilumina o topo da cabeça. A sabedoria primordial, silenciosa mas também gloriosa, reage às condições. Quando você alcança a verdade sem meio ou bordas, cortando fora o antes e o depois, então você compreende a totalidade da unidade. Em todo lugar as faculdades dos sentidos e os objetos apenas acontecem. Aquele que segura firme sua grande e larga língua transmite a inesgotável lâmpada, faz radiar a grande luz e executa o grande trabalho de buda, desde o início não tomando emprestado dos outros um átomo que esteja fora do dharma. Claramente essa questão ocorre no interior de sua própria casa.

Com confiança total, vagueie e brinque em Samadhi

Vazio e sem desejos, frio e fino, simples e genuíno, assim é que se derrubam e desmoronam os hábitos restantes de muitas vidas. Quando a mancha dos velhos hábitos se extingue, a luz original aparece, flamejante através de seu crânio, não admitindo outros assuntos. Vasto e espaçoso, como o céu e a água se misturando no outono, como a neve e a lua exibindo a mesma cor, esse campo é sem limites, além de direções, uma entidade de forma magnífica sem margens ou suturas. Além disso, quando você se volta para dentro e abandona tudo completamente, a realização acontece. Exatamente no momento do total abandono, deliberações e discussões ficam mil ou dez mil milhas distantes. Além disso, nenhum princípio é discernível, então o que pode haver para ser apontado ou explicado? Pessoas cujo fundo do vaso se desprendeu imediatamente encontram a total confiança. Assim, é dito para nós simplesmente concretizarmos a reação mútua e explorarmos a reação mútua, então retornarmos e entrarmos no mundo. Vagueie a brinque em samadhi. Todo detalhe claramente aparece diante de você. Som e forma, eco e sombra acontecem instantaneamente sem deixar traços. O mundo de fora e o eu-mesmo não dominam um ao outro, apenas porque nenhuma percepção de objetos surge entre nós. Apenas esse não-perceber comporta o espaço vazio das majestosas dez mil formas do domínio do dharma. Pessoas com a face original devem decretar e completamente investigar esse campo, sem negligenciar um só fragmento.

O passo atrás e o caldeirão aprumado

Com as profundezas claras, totalmente silenciosas, completamente ilumine a fonte, vazia e energizada, vasta e brilhante. Mesmo que você tenha lucidamente escrutinizado sua imagem e nenhuma sombra ou eco encontre, ao procurar você vê que ainda distinguiu entre os méritos de centenas de promessas. Então você deve dar um passo atrás e alcançar o meio do círculo de onde a luz é emitida. De maneira extraordinária e independente, você ainda precisa abandonar a busca por méritos. Cuidadosamente perceba que o nomear engendra seres e que eles ascendem e caem com complexidade. Quando você puder compartilhar a si mesmo, então poderá lidar com as questões e terá o puro selo que estampa as dez mil formas. Viajando pelo mundo, encontrando condições, o ser alegremente entra em samadhi em todas as delusões e aceita sua função, que é esvaziar a identidade e não preencher a si mesmo. O vale vazio recebe as nuvens. A correnteza fria limpa a lua. Sem partir, sem permanecer, muito além de todas as mudanças, você pode oferecer ensinamentos sem nada obter ou esperar. Tudo em toda parte retorna ao velho chão. Nem um fio de cabelo foi movido, inclinado ou erguido. Apesar das centenas de feiúras ou milhares de estupidezas, o caldeirão aprumado é naturalmente benéfico. As respostas de Zhaouzhou “lave sua tigela” e “tome seu chá” não exigem preparativos; desde o início elas sempre foram perfeitamente aparentes. Plenamente observar cada coisa com todo o olho é a conduta espontânea de um monge que enverga o manto de tiras.

A conduta da lua e das nuvens

A conduta de pessoas do caminho é como as nuvens que fluem, sem uma mente que agarra, como a lua cheia refletindo universalmente, sem estar confinada em qualquer lugar, resplandecendo em cada uma das dez mil formas. Digno e aprumado, emerja e faça contato com a variedade de fenômenos, imaculado e sem confusão. Funcione da mesma forma para com todos os outros uma vez que todos têm a mesma substância que você. A linguagem não pode transmitir essa conduta, especulações não a alcançam. Lançando-se além do infinito e cortando fora o que depende, seja prestativo sem visar a méritos. Essa proeza não pode ser mensurada pela consciência ou pela emoção. Na jornada aceite sua função, em sua casa, por favor a execute. Compreendendo nascimento e morte, abandonando causas e condições, genuinamente conceba que desde o princípio seu espírito não pode ser detido. Assim, é dito que a mente que abarca as dez direções não se detém em nenhum lugar.

Os incríveis seres vivos

Nossa casa é um simples campo, limpo, vasto, luzidio, claramente auto-iluminado. Quando o espírito está livre de condições, quando a atenção é serena e sem cogitações, então budas e ancestrais aparecem e desaparecem, transformando o mundo. Entre os seres viventes é que se localiza o lugar original do nirvana. Quão surpreendente é que todos tenham isso mas não consigam poli-lo até torná-lo claramente brilhante. Na escuridão do não-despertar, eles fazem com que a tolice cubra sua sabedoria e a supere. Um vislumbre de iluminação pode romper isso e fazê-lo saltar fora da poeira de kalpas. Radiante e claramente branco, o campo único não pode ser desviado ou alterado nos três tempos; os quatro elementos não podem modificá-lo. A glória solitária é profundamente preservada, resistindo através do tempo antigo e do tempo presente, assim como a mescla da identidade e da diferença torna-se a mãe de toda a criação. Esse domínio manifesta a energia dos muitos milhares de seres, todas as aparências são meramente sombras desse campo. Verdadeiramente declare essa realidade.

quarta-feira, junho 03, 2009

Nem tempo, nem espaço

No ponto central da floresta
No âmago da natureza
O Dharma nunca foi pronunciado
nunca ouvido.

terça-feira, junho 02, 2009

Festa Junina Busshinji



Estamos organizando duas festas juninas para arrecadar fundos para a construção do prédio anexo ao Templo Busshinji.

As festas acontecerão nos dias 13 e 20 de junho a partir das 19h no templo Busshinji. Teremos canjica, paçoca, arroz-de-carreteiro, pipoca, milho-verde, entre outro quitutes da roça, jogos e brincandeiras e o nosso exclusivo Quentão de Saquê.

Caso queira reservar ingressos, por favor entre em contato comigo pelo e-mail brunoviana@uol.com.br

segunda-feira, junho 01, 2009

O que é justo

Depois de muitos anos de esforço, de prática e dedicação, ela foi contemplada, não com dinheiro, ou poder - pelo seu esforço e dedicação - mas apenas com uma doce desilusão e o sabor da verdade na ponta da língua - iluminando os olhos. Ela não ganhou a megassena, nem foi finalmente recompensada com a riqueza material pelo trabalho, que por tanto tempo julgare-se merecedora de, um dia receber. Agora, ela apenas foi sacudida e depois levada por uma alegria sem condições, portanto sem causas, e então o seu apartamento amplo, seu carro do ano e sua roupa boa simplesmente deixaram de ser seus. Mas na verdade, nada, mas nada mesmo ainda havia sido ganho, mesmo o sabor da verdade e o brilho no olhar ainda haviam de ser colhidos dia após dia...

quinta-feira, maio 28, 2009

Cerimônia de Aparecida Kannon
Bosatsu da Paz Universal



Desta vez faremos a cerimônia das 9h da manhã até às 20h em frente ao templo.

Durante o dia será vendido cachorro-quente, velas aquáticas e um adesivo da Cerimônia.

Todo um esforço para angariar fundos para a conclusão das obras do novo prédio, o Grande Espelho.

Apareça e contribua!

Templo Busshinji
Rua São Joaquim, 285 - Bairro da Liberdade - São Paulo

Mal

"...eu não posso causar mal, mal nenhum, a não ser a mim mesmo..."
Cazuza

sexta-feira, maio 22, 2009

Sesshin de inverno 2009


Clique na imagem acima para ampliar

Acontece de 22 a 26 de junho no Templo Busshinji o Sesshin de Inverno 2009.

As inscrições estão abertas e o período de cinco dias tem um custo de 150 reais. Avisamos que não dispomos de hospedagens, por isso os interessados devem providenciar alojamentos nos hotéis próximos, pensões ou na casa de amigos.

A Cerimônia de Abertura deve ocorrer no dia 22, às 10hs. Os inscritos devem chegar antes deste horário para os preparativos como entrega e preparo de oryoki, para os que não tiverem, ocupação dos locais de prática, funções, etc.

O retiro será coordenado pela equipe de monges do Templo Busshinji e, como responsável, o Superior Dosho Saikawa.

O Templo Busshinji fica na Rua S. Joaquim, 285, Bairro da Liberdade, São Paulo. Inscrições no local. Tels: (0xx11) 3208-4345/4515

segunda-feira, maio 18, 2009


O tempo psicológico está para as pessoas assim como o vidro está para a mosca.
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terça-feira, maio 12, 2009

Sankon Zazen Setsu

Sankon Zazen Setsu
Três tipos de praticantes Zen

Keizan Zenji

Aquele cujo zazen é do tipo mais profundo não tem interesse em como os Budas podem surgir no mundo atual. Ele não especula sobre as verdades que não podem ser transmitidas nem pelos Budas e Ancestrais. Ele não tem nenhuma doutrina sobre “todas as coisas serem expressão do self” porque ele está além de “iluminação” e “delusão”. Uma vez que suas visões nunca partem de ângulos dualistas, nada o obstrui, mesmo quando distinções aparecem. Ele apenas come quando tem fome. Ele apenas dorme quando está cansado.

Aquele cujo zazen é do tipo médio abandona tudo e rompe todas as amarras. Através do dia ele nunca está ocioso e assim cada momento da vida, cada respiração, é a pratica do Dharma. Ou então ele pode concentrar-se em um koan, olhos fixos, com o olhar em um ponto como a ponta do nariz. Considerações sobre vida e morte, ir e ficar não são vistas em sua face. A mente da discriminação não pode jamais penetrar a mais profunda imutável verdade, nem entender a Mente-de-Buda. Uma vez que não há pensamentos dualistas, ele é iluminado. Do mais distante passado até o presente momento, a sabedoria é sempre brilhante, límpida e reluzente. Todo o universo através das dez direções é subitamente iluminado por sua fisionomia, todas as coisas são vistas em detalhe em seu corpo.

Aquele cujo zazen é apenas comum vê as coisas de todos os lados e liberta-se de boas e más condições. A mente naturalmente expressa a Verdadeira Natureza de todos os Budas porque Buda está exatamente onde seus pés estão. Assim, ações incorretas não surgem. As mãos se unem no mudra da realidade e não estão atadas a nenhuma escritura. A boca está firmemente fechada, como se os lábios estivessem selados, e nenhuma palavra de doutrina é dita. Os olhos nunca estão plenamente abertos nem fechados. Nada é visto do ponto de vista da fragmentação e palavras boas e más não são ouvidas. O nariz não discrimina os cheiros como bons ou maus. O corpo não se apóia em nada e toda a delusão cessou. Uma vez que delusões não perturbam a mente, nem pesar nem júbilo aparecem. Exatamente como uma escultura de madeira de Buda, tanto a substância quanto a forma são verdade. Pensamentos mundanos podem surgir, mas eles não perturbam porque a mente é um espelho brilhante, sem traços de sombras.

Os Preceitos surgem naturalmente do zazen, sejam eles os cinco, oito ou os Grandes Preceitos do Boddhisattva, os Preceitos monásticos, as três mil regras de conduta, os oitenta mil Ensinamentos ou o supremo Dharma dos Buddhas e Ancestrais Despertos. Nenhuma prática, definitivamente, pode ser equiparada ao zazen.

Se um só mérito pode ser alcançado com a prática do zazen, é mais vasto que a construção de cem, mil ou incontáveis mosteiros. Pratique shikantaza, apenas sentando-se incessantemente. Fazendo isso, nos libertamos do nascimento e morte e realizamos nossa própria Natureza-de-Buda que está escondida.

Em perfeito bem-estar, vá, fique, sente e deite-se. Vendo, ouvindo, entendendo e sabendo são a manifestação natural da Verdadeira Natureza. Do princípio ao fim, mente é mente, além de argumentos sobre conhecimento e ignorância. Apenas faça zazen com tudo aquilo que você é. Nunca se perca disso ou distancie-se disso.

segunda-feira, maio 04, 2009

Refúgio


"Verdade é o que nunca foi escondido. Se você tiver olho, dá para ver à sua frente, está tudo manifestado."
Mestre Tokuda

sexta-feira, maio 01, 2009



- Mestre, o que faço para parar de pensar tolices? A todo momento me vêm coisas inúteis à mente.
- Jusshi - respondeu o mestre - você fala tolices na presença do mestre para que o mestre as ouça?
- Não, não. Na presença do mestre procuro me concentrar, muitas vezes não consigo pensar em nada sequer! - respondeu o discípulo.
- Jusshi, você fala coisas inúteis com o mestre?

O discípulo olhou para o mestre e a resposta estava em seus olhos, nenhuma palavra saiu de sua boca. O mestre ficou em silêncio, e o silêncio perdurou por poucos segundos sem fim. Neste momento Jusshi se iluminou.

º º º

Uma grande prática é parar de falar coisas inúteis, repetitivas, que sabemos que não servem e não acrescentam nada a nada. Que, se servem, servem apenas para esconder o silêncio, o silêncio da amizade, da beleza de uma planta, ou de uma cadeira velha. Esta prática se torna mais difícil na presença de grupos de amigos onde acreditamos estar presentes alimentando este tipo de conversa inútil. Nessas horas calar e observar é uma grande coisa. A fala é a nossa expressão, a fala é um sistema, ela alimenta corpo e mente num ciclo onde corpo e mente voltam a alimentar novamente a fala. Esse círculo é constante e sem fim, então se o alimentamos com inutilidades ele gera inutilidades, perda de energia e tempo, e se o alimentamos com essas coisas, essas coisas terão que sair em algum momento, e aí é difícil não falar, parece quase impossível não falar tolices, estamos transbordando. Ao mesmo tempo que se o alimentamos com o nobre silêncio, ou com conversas consequentes dentro da prática da iluminação, é nessa direção que nosso corpo e mente seguirão.

A roda do samsara e a roda do dharma.

Claro que, o bom, velho e fino, senso de humor é uma outra categoria.

quarta-feira, abril 29, 2009

O novo prédio para a prática do zen

Grande espelho é nome do novo prédio anexo ao Templo Busshinji. Grande espelho é a ausência total de ego e profunda integração com a natureza original das coisas.

Continuamos recebendo doações para finalização das obras, faça a sua colaboração!

Você pode fazer uma doação para a construção do novo prédio do Templo Busshinji, ligue para 11 3208-4515 ou 3208-4345 e fale com Satico Suzuki ou Mitsuyo Kamimura.








Aqui faremos a prática do total silêncio, de corpo e mente, o Shikan-taza. Aqui é o zendô.


Vista do terraço, onde haverá jardins.

segunda-feira, abril 27, 2009

Aniversários


Nesta quinta-feira passada foi aniversário de 60 anos de nosso Mestre Saikawa. Comemoramos no sábado seguinte com um pouco de vinho, alegria e muita descontração, logo após a cerimônia de Aparecida Kannon Bosatsu.


E foi também aniversário de nossa inestimável amiga e companheira Sawa San.


(Clique na imagem para ampliar)

sexta-feira, abril 24, 2009

Arhat


Os contemplativos empenham-se,
em morada eles não se aprazem;
Como cisnes abandonando a lagoa,
abandonam eles morada após morada.
(Dhammapada)

quinta-feira, abril 16, 2009

Nada muda


"Quando nos encontramos livres de amarras - sem cogitar o bem ou do mal - é preciso não abismar-se no vazio puro e assumir a imobilidade da morte. Melhor esforçar-se para ampliar o saber e os conhecimentos a fim de alcançar o estado original e compreender a fundo a sabedoria de todos os iluminados. Deve-se cultivar um convívio harmonioso e simpático com os outros e banir a idéia paralisante do "eu" e do "tu" até chegar à completa liberação e à plena certeza de sua verdadeira natureza - que é imutável."

Huei-Neng

sábado, abril 11, 2009

Retiro de Outono - Templo TAIKANJI

II Retiro de Outono
18 a 21 de abril de 2009

Passe um feriado muito especial com práticas de Meditação Zazen e Hatha Yoga, além de uma alimentação vegetariana saudável e balanceada, em meio à Serra da Mantiqueira, no belíssimo Templo Zen Budista TAIKANJI- Pedra Bela, SP.

Programação diária:
Zazen - 6 períodos de 30 min.
2 aulas de Hatha Yoga com Dafnis C. Proença
Palestra e caminhada na mata

Mais informações e contato: Monge Enjo Stahel (11) 9555-2378
Contribuição: R$ 70,00/dia (vagas limitadas)
Obs: Levar roupa de cama, cobertor, lanterna e chinelo para usar dentro da casa.

quinta-feira, abril 09, 2009

Templo TAIKANJI

TEMPLO TAIKANJI , em Pedra Bela , no pé da Mantiqueira.
Zazen , yoga , deliciosa comida vegetariana , belíssima paisagem ....












ENJO-San é o Maestro que conduz com serenidade , gentileza e harmonia a integração dos praticantes com a Natureza.

Cada ásana me faz una com o Universo e me confundo com a majestosa ninféia no lago , com as flores lindas , diferentes , com o som dos insetos e das folhas dançando ao vento , com os bambus de várias espécies , com os cachorrinhos recém nascidos que dormem nos sapatos ....


Lá , até a chuva é mais bonita !

Ahhh, como é bela Pedra Bela !!!

segunda-feira, abril 06, 2009

O lado escuro da lua

É tão difícil e doloroso lidar com os outros
eles nos tiram do eixo e não correspondem
ao que gostaríamos que fossem
ou não estão a todo momento no mesmo palco (teatro) que nós

É tão difícil lidar com nós mesmos
acabamos sempre perdendo o eixo
e não somos como gostaríamos que fôssemos
ou erramos quase sempre nos mesmos pontos o nosso papel

O inferno são os outros, diz Sartre
O inferno somos nós mesmos

Um aparente jogo de espelhos
Carma circular gigantesco
se auto-alimentando dentro de um sonho
Perpetuando a ignorância em arroubos de descontroles e conveniências

Deixemos, agora, de acreditar, de verdade!, no teatro da sociedade...

Porquê toda a nossa dificuldade em lidar com o outro
é a mesma em lidar com nós mesmos
Toda agressividade que vem do outro
é a nossa agressividade quando respondemos a altura
ou nos chateamos com isso
Toda a gozação e despeito é o pouco caso que encerramos e manifestamos aqui dentro simultaneamente quando nos tornamos vítimas nesse jogo - a mesma moeda

Aí está o valor da sangha, convivemos com pessoas
que aceitam participar do mesmo palco, da mesma peça
Dramaturgia sem história, sem fim e sem princípio
Embora haja figurino, papéis e até objetivos aparentes

Devemos aceitar o vazio entre nós todos
E não mais uma vez sofrer (entrar em conflito) à altura do sofrimento (conflitos) do outro
Isso não é compaixão. Se eu puder ver a insatisfação do outro
e puder ver a minha própria insatisfação, e saber
silenciar, e saber calar aqui e agora, e contemplar...

O sofrimento do outro pede ação, ou não-ação
O ciúme, o mau-humor, a agressividade, a inveja, o medo
são sofrimentos nossos, dividimos isso. Ou não...
Também a dor, a doença, a perda e a velhice são comuns.
Ajudar efetivamente é compaixão.

Sobretudo, compartilhamos o caminho
Compartilhamos o método para o acordar
Somos inspiração, uns para os outros
Não seguimos nem somos os "nossos" carmas.
Observamos e somos o próprio Dharma.

sexta-feira, abril 03, 2009

Lendo o registro de Eihei Dogen

por Mestre Ryôkan

(traduzido para o francês e inglês por Daniel Leignton e Kazuaki Tanahashi)

Em uma noite sombria de primavera, por volta de meia-noite,
a chuva misturada à neve caía sobre os bambus no jardim.
Eu buscava tranqüilidade em minha solidão, mas não alcançava.
Minha mão, atrás de mim, alcançou o "Registro de Eihei Dogen".
Diante de minha mesa de estudos, sob a janela aberta, ofereci incenso, acendi uma luz e me pus a ler, tranqüilamente.
"Corpo-espírito abandonados" é simplesmente a verdade última.
Em milhares de posturas, dez mil aspectos: um dragão brinca com uma jóia.
Sua compreensão além das categorias [padrões condicionados], purifica a corrupção corrente [as impurezas da mente-espírito].
O estilo do grande mestre reflete a imagem da Índia.

Me recordo de tempos passados, quando vivia no Monastério Entsu,
e meu mestre ensinava o Shobogen, o olho da verdadeira lei.
Naquela época, houve uma ocasião de me voltar para a Lei,
então pedi permissão para lê-lo, e eu o estudei intimamente.
Pude compreender que até então eu dependera somente de minhas próprias capacidades.
Depois disso, abandonei meu professor e perambulei por toda parte.
Entre Dogen e mim, que relação há?
Por toda parte onde eu ia, praticava com devoção o olho do verdadeiro Dharma.
alcançando as profundezas e chegando ao veículo [quantas vezes alcancei a corrente, quantas vezes alcancei as profundezas?]
Neste ensinamento, não há falta. Assim, estudei completamente o mestre de todas as coisas [aquilo que rege todos os fenômenos].

Agora, quando tomo em minhas mãos o Registro de Eihei Dogen e o examino,
o tom não se harmoniza com as crenças comuns.
Ninguém soube distinguir a jóia da pedra.
Por quinhentos anos esteve coberto de pó,
simplesmente porque ninguém teve um olho para distinguir o dharma.
Para quem toda esta eloquencia foi exposta? [a quem se destinavam estas palavras eloquentes?]
Lamento tempos passados e o presente me aflige. Meu coração está exausto. [Ansiando por tempos passados e lamentando o presente, meu coração está exausto].

Uma noite, sentado diante da luz, minhas lágrimas se puseram a correr, e caíram sobre o registro do antigo Buda de Eihei.
Pela manhã, o velho homem que morava ao lado veio ao meu eremitério de palha [minha cabana de palha].
Ele me perguntou por que o livro estava molhado.
Eu queria dizer algo, mas nada me ocorria.
Eu estava profundamente embaraçado, incapaz de dar uma explicação.
Meu espírito profundamente agitado, deixei pender a cabeça por um instante e então encontrei algumas palavras:
"A chuva da noite passada se infiltrou na cabana e encharcou minha estante de sutras".

(Tradução para o português: Martha Waryu)

Postagem a pedido de Karin Waryu

quinta-feira, abril 02, 2009

Dia sim

Não há nada melhor do que nada fazer
Seja de dia, à noite ou pela madrugada
Fazer nada, de pé, sentado ou deitado
E nem sequer cogitar ter feito algo

Assim perambulam os dias
Assim o tempo não vai passando
E o futuro não amedronta, porquê nunca vem
Só dormindo, que ainda não é possível - nada fazer.

Um conhecido revelou não ter tempo pois precisa se ocupar
em 4 trabalhos distintos para garantir a aposentadoria
Não tem tempo para cultivar o corpo (mente) além do samsara
Vendo assim é que me descobri aposentado, desde há muito
Tendo muito tempo para fazer muito daquilo que só teria tempo
de fazer quando enfim um dia me aposentasse.
Porém, como esse dia não há de chegar,
vou ainda produzindo coisas no dia-a-dia,
aperfeiçoando e vendendo coisas sem fim.
Muito embora reconheça a grandeza do Nada Fazer
Seja de dia, à noite ou pela madrugada...

domingo, março 29, 2009

Da fonte

Não saber que um sábio é sábio, é ingenuidade
Acreditar que um sábio é sábio, é ignorância
Ver além das formas é chamado de sábio e reune o que foi separado

terça-feira, março 24, 2009

Andar sem pegar



Sim, quando se está no caminho, passo a passo, cada passo é tão inteiro por si só, tão revelador, que morrer, se acaso acontecer, não será motivo para tristeza e aflição. Porquê estar no caminho é saber-se morto desde o início, é estar vastamente vivo, sem sequer supor possuir a vida, ou qualquer outra coisa. Porquê se afligir se a lua continuará o seu ciclo, o sabiá laranjeira sem nome ainda irá pousar no jacarandá mimoso e as ondas do mar irão lamber docemente os pés da criança iluminada. Se estou vivendo, estou vivo, se estou morrendo, então estou morto, neste instante. Sequer pensar nisso não invalida a questão, da mesma forma que pensar qualquer coisa que seja não legitima esta coisa. O Dharma tem uma lógica avassaladora mas é ainda mais. Manter-se na ignorância não gera segurança, caminhar pelas margens não nos une ao rio. Ver o céu sem a luz do sol não desfaz os mundos nem transcende vidas. Caminhar com os próprios pés é o único caminho.

sexta-feira, março 20, 2009

O Ciclo do Samsara



Esta animação foi produzida para Douleurs Sans Frontières (Dor Sem Fronteiras), uma Ong humanitária francesa que trabalha na área de saúde.

terça-feira, março 17, 2009

Encontro

O caminho...
Passos e respiração.
Rios de sangue comunicam o "dentro" pelo "fora"
Na rede de brahman todos os umbigos são um.

O cansaço se cansa, pouco mais, pouco menos
A dor dói e as paisagens continuam lá, onde não estão
a memória sempre acaba e já não há trilhas a vista
O olho olha sem ver, o desejo deseja sem o objeto

Um pé atrás do outro, qual vai à frente?
Acácias deslizam como sonhos palpáveis pelos cantos dos olhos
Calçadas seguem seu curso para nenhum lugar
Caminhos se cruzam sem nunca chegar

domingo, março 15, 2009

Como praticar zazen

"Quando eu me impulsionava para frente eu era arrastado. Quando eu ficava no mesmo lugar eu afundava. Assim eu cruzei a torrente sem me impulsionar para frente e sem ficar parado no mesmo lugar."

(Ogha-tarana Sutta, Cruzando a Torrente, em Acesso ao Insight)

sexta-feira, março 06, 2009

Margha

Seguirei aquela nuvem
até que chova em meus pés.
Perambulando sem nunca chegar
É assim que agora me encontro...

Já não há lembranças
Nem mais tempo para viver
Junto este corpo às margaridas sem dono da beira da estrada
e às estrelas que na cidade não se vê.