Ingrediente:
3 ovos,
1 xícara (chá) de açúcar,
1/4 de xícara (chá) de água,
2 xícaras (chá) de farinha de trigo,
1 colher (chá) de fermento em pó,
fatias de abacaxi,
200g de açúcar mascavo.
Modo de preparo:
Bata bem os ovos na batadeira, junte o açúcar, água, os ingrediente secos misturados. Misture bem. Unte uma assadeira e forre com o açúcar mascavo, salpique pedacinhos de margarina. Ponha fatias de abacaxi sobre o açúcar mascavo e depois coloque a massa. Asse no forno pré-aquecido durante 50 minutos. Desenforme.
quarta-feira, maio 30, 2007
segunda-feira, maio 28, 2007
Sou um ser errante
De fato, as vestimentas ricas e coloridas, a aproximação com os poderosos e influentes nada podem acrescentar à minha prática. Ninguém é obrigado a acatar esta postura. Mas uma vez que adotei o budismo como luz de proa a fim de navegar o mar tenebroso de minha existência, a atitude mais exemplar tomada pelo Louvável foi justamente a renúncia. Sem renúncia, não se pratica o Dharma. Se muitas vezes as minhas palavras são fortes em relação à prática e aos praticantes, estas também são dirigidas a mim. Quando digo aos praticantes dedicarem-se mais tempo ao zazen, esta advertência serve igualmente a mim. No campo da experiência, o budismo é uma construção constante através da mente alerta. Claro, cometemos erros pois sem os erros não haveria a experiência.
Recentemente ganhei uma bicicleta de um praticante. Não ando de bicicleta a muito tempo, por isso necessitarei me exercitar nela. A prática do Dharma é como andar de bicicleta: se a atenção se for, consequentemente, haverá a queda. Mas terei que continuar a andar, correndo o perigo de cair novamente. Certa vez ouvi de um professor: "praticar o budismo é como andar de bicicleta". Muitas vezes nos cansamos e temos que descansar, mas depois retornamos ao exercício. No meu caso, não tenho mais como abandonar a bicicleta chamado Dharma.
Quando o praticante depara-se com a seriedade da prática, deve insistir em disciplinar-se e treinar sobretudo a mente. Treinar a mente durante o zazen e no cotidiano. Uma coisa não está desassociada da outra. E com a mente alerta, o corpo também deve estar de acordo. Uma coisa é a mente entender, outra o corpo acompanhar. Por isso, a prática do Dharma deve estar além da compreensão intelectual ou cognitivo. Assim, ao praticarmos às vezes cometemos erros por falta de atenção ou do corpo ainda inebriado pelo não entendimento. Quando explicamos algo a um praticante, ele responde "Tá!". Mas em seguida esquece-se. E se não esqueceu, não consegue realizar de maneira satisfatória a tarefa requisitada. Aquele "Tá" é tão ambíguo quanto "Não entendi nada". Seria mais honesto dizer "não entendi ainda". Ao cometer o erro, pelos motivos apontados, ele poderia pensar simplesmente: "todos cometem erros, por quê não eu". Ou ainda, errar é humano. Com esta saída irresponsável, não valoriza-se muito o erro cometido e continua errando como nada tivesse acontecido. Lastimável. Do ponto de vista do budismo, poderíamos dizer "acertar é humano". Haja visto que o treinamento consiste em tornar mais humano aquele que se encontra entorpecido pelo próprio egoísmo, com a mente condicionada, com o orgulho aflorado.
Quando me encontrava no mosteiro, no Japão, esta situação era constante. Os noviços eram convocados para tocar os sinos, os tambores, os sinais. Como novatos, acabavam cometendo erros. Acontecendo isso, provocava desarmonia no ambiente, pois algo foi cometido que alterava a ordem natural do Dharma. No caso, uma batida a mais no tambor ou alguma falha no toque do martelo no sino. Era quando o noviço fazia "sanja". Oferecia-se um inceso a Buda e a plenos pulmões dizia a todos: "Sanja Yoroshu". Quer dizer, "neste momento admito ter cometido uma desarmonia". Não se pode confundir com um pedido de desculpas, pois o equívoco já teria sido cometido de maneira não premeditada. Não é isso. Fazer sanja é um ato de humildade e respeito com a prática. É o respeito que mantemos com os nossos amigos de treinamento. É respeito com Buda e Patriarcas.
Recentemente ganhei uma bicicleta de um praticante. Não ando de bicicleta a muito tempo, por isso necessitarei me exercitar nela. A prática do Dharma é como andar de bicicleta: se a atenção se for, consequentemente, haverá a queda. Mas terei que continuar a andar, correndo o perigo de cair novamente. Certa vez ouvi de um professor: "praticar o budismo é como andar de bicicleta". Muitas vezes nos cansamos e temos que descansar, mas depois retornamos ao exercício. No meu caso, não tenho mais como abandonar a bicicleta chamado Dharma.
Quando o praticante depara-se com a seriedade da prática, deve insistir em disciplinar-se e treinar sobretudo a mente. Treinar a mente durante o zazen e no cotidiano. Uma coisa não está desassociada da outra. E com a mente alerta, o corpo também deve estar de acordo. Uma coisa é a mente entender, outra o corpo acompanhar. Por isso, a prática do Dharma deve estar além da compreensão intelectual ou cognitivo. Assim, ao praticarmos às vezes cometemos erros por falta de atenção ou do corpo ainda inebriado pelo não entendimento. Quando explicamos algo a um praticante, ele responde "Tá!". Mas em seguida esquece-se. E se não esqueceu, não consegue realizar de maneira satisfatória a tarefa requisitada. Aquele "Tá" é tão ambíguo quanto "Não entendi nada". Seria mais honesto dizer "não entendi ainda". Ao cometer o erro, pelos motivos apontados, ele poderia pensar simplesmente: "todos cometem erros, por quê não eu". Ou ainda, errar é humano. Com esta saída irresponsável, não valoriza-se muito o erro cometido e continua errando como nada tivesse acontecido. Lastimável. Do ponto de vista do budismo, poderíamos dizer "acertar é humano". Haja visto que o treinamento consiste em tornar mais humano aquele que se encontra entorpecido pelo próprio egoísmo, com a mente condicionada, com o orgulho aflorado.
Quando me encontrava no mosteiro, no Japão, esta situação era constante. Os noviços eram convocados para tocar os sinos, os tambores, os sinais. Como novatos, acabavam cometendo erros. Acontecendo isso, provocava desarmonia no ambiente, pois algo foi cometido que alterava a ordem natural do Dharma. No caso, uma batida a mais no tambor ou alguma falha no toque do martelo no sino. Era quando o noviço fazia "sanja". Oferecia-se um inceso a Buda e a plenos pulmões dizia a todos: "Sanja Yoroshu". Quer dizer, "neste momento admito ter cometido uma desarmonia". Não se pode confundir com um pedido de desculpas, pois o equívoco já teria sido cometido de maneira não premeditada. Não é isso. Fazer sanja é um ato de humildade e respeito com a prática. É o respeito que mantemos com os nossos amigos de treinamento. É respeito com Buda e Patriarcas.
domingo, maio 20, 2007
Mosaico vazio
"Memória e imaginação criam a ilusão do Eu"
David Hume - Filósofo inglês do séc. XVII
Esse cara entendeu a lei do Carma.
David Hume - Filósofo inglês do séc. XVII
Esse cara entendeu a lei do Carma.
Tetsuya Zazen
sexta-feira, maio 18, 2007
O hábito na prática
O principal propósito do budismo é formar o hábito de praticar com constância, como um voto. Trata-se simplesmente de fazer uma viagem diária pelo universo, passo a passo. É como caminhar na neblina. Não sabemos o que é a neblina, não sabemos por onde estamos caminhando ou por quê; temos apenas de caminhar. Essa é a prática de Buda.
KATAGIRI, Dainin. Retornando ao silêncio, São Paulo, Pensamento
KATAGIRI, Dainin. Retornando ao silêncio, São Paulo, Pensamento
quinta-feira, maio 17, 2007
A Árvore Sem Raiz
...
O segundo patriarca da linhagem Rinzai japonesa, Daito Kokushi,
diz que estudar koan é estudar a si mesmo, não apenas estudar,
mas penetrar, e realmente ver.
Perceber o que é o self.
Não apenas compreender, realizar.
...
"O que é uma árvore sem raiz?"
diz Dogen Zenji.
"O Ciprestre no Jardim,
isso é que é."
...
Tradicionalmente, o ponto importante na nossa prática
é ver essa ausência de raiz,
ver essa ausência
essa existência da ausência.
Isso é que chamamos de vazio,
sunyata.
Isso é o que Dogen Zenji diz
no começo do Shobogenzo, Genjokoan,
compreensão do koan.
"Todos os darmas são sem self."
É desse modo que existem.
Em outras palavras, todos os darmas nada são além de
Sem Raiz.
Todos os darmas não possuem self.
A inexistência do self é a chave para se compreender essa
Árvore sem Raiz.
...
Taizan Maezumi Roshi - Ensinamentos da Grande Montanha.
O segundo patriarca da linhagem Rinzai japonesa, Daito Kokushi,
diz que estudar koan é estudar a si mesmo, não apenas estudar,
mas penetrar, e realmente ver.
Perceber o que é o self.
Não apenas compreender, realizar.
...
"O que é uma árvore sem raiz?"
diz Dogen Zenji.
"O Ciprestre no Jardim,
isso é que é."
...
Tradicionalmente, o ponto importante na nossa prática
é ver essa ausência de raiz,
ver essa ausência
essa existência da ausência.
Isso é que chamamos de vazio,
sunyata.
Isso é o que Dogen Zenji diz
no começo do Shobogenzo, Genjokoan,
compreensão do koan.
"Todos os darmas são sem self."
É desse modo que existem.
Em outras palavras, todos os darmas nada são além de
Sem Raiz.
Todos os darmas não possuem self.
A inexistência do self é a chave para se compreender essa
Árvore sem Raiz.
...
Taizan Maezumi Roshi - Ensinamentos da Grande Montanha.
domingo, maio 13, 2007
segunda-feira, maio 07, 2007
Sorriso Singelo
Seguem algumas fotos do lançamento do livro "O Mundo de Shingya Nobuyuki - Sorriso Singelo", do qual Jisho Sensei foi tradutor. Na ocasião também foi inaugurada uma exposição de desenhos e esculturas do Artista que dá nome ao livro.


Os monges Dosho e Jisho à entrada da Fundação Japão.

O monge Zenshin, que acaba de viajar para o Japão para treinar num mosteiro.

Shokan, ao fundo.


Jisho.

Joshin, ao fundo.

Renshin e Jikan.

Seigen.


A cerimônica do chá.


Os monges Dosho e Jisho à entrada da Fundação Japão.

O monge Zenshin, que acaba de viajar para o Japão para treinar num mosteiro.

Shokan, ao fundo.


Jisho.

Joshin, ao fundo.

Renshin e Jikan.

Seigen.


A cerimônica do chá.
domingo, maio 06, 2007
quinta-feira, maio 03, 2007
Espalhando o Dharma
Antonio Vieira, no Sermão da Sexagésima, demonstra qua as palavras pouco podem quando comparadas ao exemplo concreto. Tratando da atividade do pregador, Vieira faz distinção entre o semeador (um nome) e o que semeia (uma ação). O semeador espalha a palavra de Deus por meio das palavras, o que semeia, por meio da vida e do exemplo.
Afirma ele que este último é o verdadeiro pregador, o que é capaz de fazer a lux divina penetrar os corações e transformá-los.
Essa é uma constatação que podemos associar à nossa prática do Zen. À medida que vamos avançando no treinamento, percebemos que com palavras pouco ou nada aprenderemos sobre Sabedoria e Compaixão. No entanto, não é fácil nos livrarmos do apego e da dependência a elas.
Como Jisho san bem lembrou, Mestre Dogen ensinava que não há diferença entre monges e leigos. Podemos perceber a natureza vazia de ambos e qualquer distinção neste sentido é fruto de nossas expectativas e ilusões do que seja um monje e do que seja um leigo.
Monges e leigos recitam igualmente os 4 votos do Boddhisatva, diariamente, após o zazen da noite. Reafirmar esses votos significa assumir o compromisso de espalhar o Dharma. Seja deixando que ele se manifeste, por meio do combate aos venenos da mente, seja permitindo que ele se espalhe pelos seres da mente, seja propagando-o a todas as formas.
Monges e leigos assim o fazem. Não com palavras, mas com ações. Não com um código moral que determina que isso é certo, aquilo é errado. Ou que se deve ser bonzinho e fazer o bem. Ou que se deve perdoar o mal. Todas essas concepções são fruto de uma mente iludida pelos três venenos.
Monges e leigos cultivam um coração-mente sem limites. Ambos abrem mão de toda forma para que o Dharma se manifeste. Com isso, podem agir naturalmente, espontaneamente, conduzindo gentilmente suas ações no sentido de despertar todos os seres. Isso pode ser realizado por por aquele que profere palavras amáveis, realiza gestos bondosos, manuseia o Kyossaku ou simplesmente se mantém em silêncio, permitindo que os ânimos se acalmem.
Essa atitude deve ser cultivada seja sentado, andando ou deitado. Algumas pessoas a realizam melhor como leigos, outras, como monges.
Ambos são apenas formas. O som de prajna são os 4 votos do Boddhisatva ecoando num templo vazio.
Afirma ele que este último é o verdadeiro pregador, o que é capaz de fazer a lux divina penetrar os corações e transformá-los.
Essa é uma constatação que podemos associar à nossa prática do Zen. À medida que vamos avançando no treinamento, percebemos que com palavras pouco ou nada aprenderemos sobre Sabedoria e Compaixão. No entanto, não é fácil nos livrarmos do apego e da dependência a elas.
Como Jisho san bem lembrou, Mestre Dogen ensinava que não há diferença entre monges e leigos. Podemos perceber a natureza vazia de ambos e qualquer distinção neste sentido é fruto de nossas expectativas e ilusões do que seja um monje e do que seja um leigo.
Monges e leigos recitam igualmente os 4 votos do Boddhisatva, diariamente, após o zazen da noite. Reafirmar esses votos significa assumir o compromisso de espalhar o Dharma. Seja deixando que ele se manifeste, por meio do combate aos venenos da mente, seja permitindo que ele se espalhe pelos seres da mente, seja propagando-o a todas as formas.
Monges e leigos assim o fazem. Não com palavras, mas com ações. Não com um código moral que determina que isso é certo, aquilo é errado. Ou que se deve ser bonzinho e fazer o bem. Ou que se deve perdoar o mal. Todas essas concepções são fruto de uma mente iludida pelos três venenos.
Monges e leigos cultivam um coração-mente sem limites. Ambos abrem mão de toda forma para que o Dharma se manifeste. Com isso, podem agir naturalmente, espontaneamente, conduzindo gentilmente suas ações no sentido de despertar todos os seres. Isso pode ser realizado por por aquele que profere palavras amáveis, realiza gestos bondosos, manuseia o Kyossaku ou simplesmente se mantém em silêncio, permitindo que os ânimos se acalmem.
Essa atitude deve ser cultivada seja sentado, andando ou deitado. Algumas pessoas a realizam melhor como leigos, outras, como monges.
Ambos são apenas formas. O som de prajna são os 4 votos do Boddhisatva ecoando num templo vazio.
Quero ser monge...eu também
Vale muito mais ser um bom leigo do que um mal monge. Conforme Shunryu Suzuki (Mente Zen, Mente de Principiante) o treino de um monge não diferencia o de um leigo. Em outras palavras, o leigo deve praticar com igual intensidade que um monge. De fato, conheço leigos excelentes. Quando se fala em leigos, da forma entendida pela Soto Zen do Japão, trata-se de um Zaike, ou seja "aquele que treina e permanece em casa". Assim, o leigo cuida do templo e dos demais praticantes, consultando o monge quando isso for necessário. Não quer dizer que o leigo fique dispensado da prática como fazer zazen, participar das cerimônias, treinar os instrumentos, cozinhar durante o sesshin, manter a mente alerta, destruir o próprio ego, enfim tudo aquilo que é necessário de um praticante. No caso do zen, não fazemos aqui diferença de um monge e de um leigo.
Certa vez uma pessoa que tinha experimentando em uma outra tradição, me disse que somente os monges desenvolviam tarefas específicas, ficando os leigos em atitude de total obediência e passividade. Isso não deve acontecer, no zen. Nem mesmo o zen deve ser considerado melhor que outras tradições. Não é o caso. Apenas praticamos o Caminho, juntos com todos os seres vivos, inclusive as paredes, os telhados, os muros, as pedras, montanhas e rios.
Alguns destes leigos, por algum motivo, resolvem ser monges. Não sabemos se todos estão preparados para isso. A grande maioria, não. Trata-se apenas de mais uma ilusão. Em todo caso, talvez sirva de inspiração alguns pontos relevantes.
1. Como ensinou o jovem Sidharta, o futuro Buda, o primeiro passo é o da renúncia. Ser monge é saber, de antemão, que deve praticar o desapego incondicional de tudo: material e espiritual. Em japonês, a palavra para monge é Shukke, ou seja aquele que abandona o lar. De alguma forma, terá que abdicar-se um pouco dos laços familiares, apesar de hoje em dia os monges poderem constituir uma família. Neste caso, depende também do entendimento da esposa.
2. Aprender a perder. Quando estava no Mosteiro Shogoji, Japão, um rapaz da Universidade Provincial de Kyoto treinou conosco durante dez dias. Ele disse que procurava um sentido em sua vida. Após, vencido este período, ele confidenciou conosco: "Ganhei algo muito bom nestes dias de mosteiro, mas não sei o que realmente seja". O monge que ouviu a conversa ensinou-lhe "você não ganhou nada, você perdeu". Naquele momente, pensei estamos praticando o budismo para perder e isso me alegrou imensamente. Como dizia meu mestre, Miyoshi Roshi, nesta vida "não ganhamos nada, não perdemos nada; se não ganhamos, o que temos que perder".
3. Ser monge exige dedicação nesta atividade. Não se pode ser monge de sábado apenas: vestir-se como monge, agir como monge, sentar-se como monge. Mas uma vez que se sai do templo, retorna-se à vida ordinária e ao pensamento e atitudes ordinárias. Isso é um engano. No meu pensamento, o monge deve ser aquilo 24 horas por dia/noite. Não existe meio monge, 1/4 de monge ou ainda monge apenas de final de semana. Uma vez que se coloca o manto de Buda, o Kessá, este impregna-se ao corpo. Por isso, conforme o trabalho que o monge execute fora do templo, ele deverá usar a roupa negra de monge, que pode ser o samuê. Se existir um monge que no templo usa a roupagem de Buda, mas fora dele calça jeans, camisa de marca, não o considere.
4. Todo monge ou monja deve ter os cabelos raspados. Se isso não acontecer, equivale-se a um leigo. Não pode ser considerado monge alguém que ainda possui apego ou vaidade com a própria aparência. Ainda que seja dífícil para uma mulher raspar os cabelos, uma monja com cabelo é intolerável. Ou se quer ser monja ou leiga? No momento de uma ordenação de monja, o mestre pergunta se ela quer ser monja ou não. Sim, responde ela. Sim, significa que ela pode ter os cabelos raspados. Neste momento, diante de Buda, o mestre munido de uma navalha raspa-lhe a couro cabeludo. Assim deve continuar ela, como fosse o momento de ordenação: sem cabelos. Mas se o cabelo crescer, é o mesmo que retornar à vida de leiga.
5. Um monge deve fazer zazen. Um monge que não faz zazen, não consegue fazer zazen, não deseja fazer zazen, não é um monge da tradição de Dogen Zenji, que teria afirmado Shikantaza - "penas sentar-se". Um monge zen pode fazer muitas coisas, mas sentar-se em zazen é primordial. Não apenas uma vez por semana. Isto é pouco. Há leigos que fazem até três vezes por semana no templo. Se um leigo consegue fazer três vezes, por quê o monge pode fazer apenas uma vez? Se isto existir, o leigo terá que ensinar o zen para o monge. Este monge não tem autoridade para ensinar ao leigo, em hipótese alguma.
6. O monge massagista. Não somente no Brasil, como em outros países da América do Sul vi constantemente monges que se dedicavam também a esta terapia. É válido. Talvez somente a atividade de monge não seja suficiente para suprir as suas necessidades. No caso, uma outra atividade é necessária. Há monges massagistas, monges acupunturistas, monges moxabustão e outras variantes. Mas precisamos deixar claro: monge massagista é diferente de massagista que é monge. Se um massagista for um monge, pode ser concomitante professor de yoga, de ninjutsu, lojista, feirante, mecânico e policial. Acontecendo isso, monge é apenas uma das atividades desenvolvidas em seu leque de preferências. Neste caso, ser monge é como vestir uma camisa e depois de suada, trocar por uma outra e outra ainda.
8. O monge de biblioteca. Sem prática, não existe budismo. Um monge formado em biblioteca é tão pernicioso como o maior dos enganadores. Um monge de biblioteca substitui a prática pela teoria. Mas alguém poderia explicar em palavras o cheiro da jaca para alguém do Japão, da Europa ou dos Estados Unidos? Nunca as palavras e o entendimento mental serão suficientes para falar a respeito da jaca.
9. Um monge deve ser um monge e não apenas comportar-se como monge.
10. Se tudo isto estiver de acordo, receba a ordenação para ajudar a todos, que não seja eu o beneficiado, antes do benefício ser o de todos...
Certa vez uma pessoa que tinha experimentando em uma outra tradição, me disse que somente os monges desenvolviam tarefas específicas, ficando os leigos em atitude de total obediência e passividade. Isso não deve acontecer, no zen. Nem mesmo o zen deve ser considerado melhor que outras tradições. Não é o caso. Apenas praticamos o Caminho, juntos com todos os seres vivos, inclusive as paredes, os telhados, os muros, as pedras, montanhas e rios.
Alguns destes leigos, por algum motivo, resolvem ser monges. Não sabemos se todos estão preparados para isso. A grande maioria, não. Trata-se apenas de mais uma ilusão. Em todo caso, talvez sirva de inspiração alguns pontos relevantes.
1. Como ensinou o jovem Sidharta, o futuro Buda, o primeiro passo é o da renúncia. Ser monge é saber, de antemão, que deve praticar o desapego incondicional de tudo: material e espiritual. Em japonês, a palavra para monge é Shukke, ou seja aquele que abandona o lar. De alguma forma, terá que abdicar-se um pouco dos laços familiares, apesar de hoje em dia os monges poderem constituir uma família. Neste caso, depende também do entendimento da esposa.
2. Aprender a perder. Quando estava no Mosteiro Shogoji, Japão, um rapaz da Universidade Provincial de Kyoto treinou conosco durante dez dias. Ele disse que procurava um sentido em sua vida. Após, vencido este período, ele confidenciou conosco: "Ganhei algo muito bom nestes dias de mosteiro, mas não sei o que realmente seja". O monge que ouviu a conversa ensinou-lhe "você não ganhou nada, você perdeu". Naquele momente, pensei estamos praticando o budismo para perder e isso me alegrou imensamente. Como dizia meu mestre, Miyoshi Roshi, nesta vida "não ganhamos nada, não perdemos nada; se não ganhamos, o que temos que perder".
3. Ser monge exige dedicação nesta atividade. Não se pode ser monge de sábado apenas: vestir-se como monge, agir como monge, sentar-se como monge. Mas uma vez que se sai do templo, retorna-se à vida ordinária e ao pensamento e atitudes ordinárias. Isso é um engano. No meu pensamento, o monge deve ser aquilo 24 horas por dia/noite. Não existe meio monge, 1/4 de monge ou ainda monge apenas de final de semana. Uma vez que se coloca o manto de Buda, o Kessá, este impregna-se ao corpo. Por isso, conforme o trabalho que o monge execute fora do templo, ele deverá usar a roupa negra de monge, que pode ser o samuê. Se existir um monge que no templo usa a roupagem de Buda, mas fora dele calça jeans, camisa de marca, não o considere.
4. Todo monge ou monja deve ter os cabelos raspados. Se isso não acontecer, equivale-se a um leigo. Não pode ser considerado monge alguém que ainda possui apego ou vaidade com a própria aparência. Ainda que seja dífícil para uma mulher raspar os cabelos, uma monja com cabelo é intolerável. Ou se quer ser monja ou leiga? No momento de uma ordenação de monja, o mestre pergunta se ela quer ser monja ou não. Sim, responde ela. Sim, significa que ela pode ter os cabelos raspados. Neste momento, diante de Buda, o mestre munido de uma navalha raspa-lhe a couro cabeludo. Assim deve continuar ela, como fosse o momento de ordenação: sem cabelos. Mas se o cabelo crescer, é o mesmo que retornar à vida de leiga.
5. Um monge deve fazer zazen. Um monge que não faz zazen, não consegue fazer zazen, não deseja fazer zazen, não é um monge da tradição de Dogen Zenji, que teria afirmado Shikantaza - "penas sentar-se". Um monge zen pode fazer muitas coisas, mas sentar-se em zazen é primordial. Não apenas uma vez por semana. Isto é pouco. Há leigos que fazem até três vezes por semana no templo. Se um leigo consegue fazer três vezes, por quê o monge pode fazer apenas uma vez? Se isto existir, o leigo terá que ensinar o zen para o monge. Este monge não tem autoridade para ensinar ao leigo, em hipótese alguma.
6. O monge massagista. Não somente no Brasil, como em outros países da América do Sul vi constantemente monges que se dedicavam também a esta terapia. É válido. Talvez somente a atividade de monge não seja suficiente para suprir as suas necessidades. No caso, uma outra atividade é necessária. Há monges massagistas, monges acupunturistas, monges moxabustão e outras variantes. Mas precisamos deixar claro: monge massagista é diferente de massagista que é monge. Se um massagista for um monge, pode ser concomitante professor de yoga, de ninjutsu, lojista, feirante, mecânico e policial. Acontecendo isso, monge é apenas uma das atividades desenvolvidas em seu leque de preferências. Neste caso, ser monge é como vestir uma camisa e depois de suada, trocar por uma outra e outra ainda.
8. O monge de biblioteca. Sem prática, não existe budismo. Um monge formado em biblioteca é tão pernicioso como o maior dos enganadores. Um monge de biblioteca substitui a prática pela teoria. Mas alguém poderia explicar em palavras o cheiro da jaca para alguém do Japão, da Europa ou dos Estados Unidos? Nunca as palavras e o entendimento mental serão suficientes para falar a respeito da jaca.
9. Um monge deve ser um monge e não apenas comportar-se como monge.
10. Se tudo isto estiver de acordo, receba a ordenação para ajudar a todos, que não seja eu o beneficiado, antes do benefício ser o de todos...
sábado, abril 28, 2007
O budista de livro
Nada mais inóspito do que aquele pseudo budista que se considera o tal após ler livros de budismo. Nada mais vergonhoso e falso. Da mesma forma, que não se torna mágico lendo livros de mágica, piloto de carros lendo livros de Fórmula 1, marxista lendo livros de Marx e nem humorista com a leitura das piadas de papagaio. É preciso prática em todos os exemplos citados. No budismo não é diferente.
Por isso, substituir a prática pela leitura é uma ofensa ao próprio budismo. Alguns nem ao menos sentam-se em zazen, mas como já leram algo, dizem que são entendidos no assunto. Ledo engano. Houve época em que os primeiros interessados no budismo deliciavam-se com a leitura de D.T. Suzuki em obras primorosas como "Introdução ao zen budismo", pela Cultrix. Ao lado deste, década de 60, 70, os outros autores eram o místico Thomas Merton, Allan Watts, depois Phillip Kapleau. Mas superada a leitura, enquanto uns seguiram lendo outros, outros desistiram e outros ainda partiram para a prática do zen. Por isso, não pode ser considerado um praticante aquele que limita-se às leituras dirigidas ou não, esquecendo-se em sentar-se ou ainda diminuindo a sua importância. A estes, podemos considerar um estudioso livresco do zen.
A respeito, o fundador da Soto Zen, Eihei Dogen combateu drasticamente todo intelectualismo existente no Monte Hiei em detrimento à prática. Algumas escolas, não zen, dispensam a prática e enaltecem a devoção, o ritual, os exercícios tântricos. Mas isto não se aplica ao zen. Neste, estudar o zen é dispor-se a sentar-se em zazen. Uma vez por semana, duas, três vezes se possível. Sentar-se em zazen é melhor do que ler todo o Shobogenzo e decorar todos os sutras de Lótus e os Prajnas juntos.
Os que dizem praticar o zen mas não se sentam, seria mais sincero mudar de escola. Afinal, todos são livres em dedicar-se em algum tipo de treinamento: experiência ou teoria, iluminação ou delusão, corpo ou espírito, dia ou morte... Na verdade, toda esta divisão é fruto de nossa produnfa ilusão, pois nada se encontra separado. Para se entender isso, basta sentar-se em zazen. Quem pensa demais, não tem tempo para a prática. Mas quando atuamos conforme o não pensamento, a ação começa a existir. É a ação no tempo do "aqui e agora", é a ação no espaço do "aqui e agora".
Por isso, substituir a prática pela leitura é uma ofensa ao próprio budismo. Alguns nem ao menos sentam-se em zazen, mas como já leram algo, dizem que são entendidos no assunto. Ledo engano. Houve época em que os primeiros interessados no budismo deliciavam-se com a leitura de D.T. Suzuki em obras primorosas como "Introdução ao zen budismo", pela Cultrix. Ao lado deste, década de 60, 70, os outros autores eram o místico Thomas Merton, Allan Watts, depois Phillip Kapleau. Mas superada a leitura, enquanto uns seguiram lendo outros, outros desistiram e outros ainda partiram para a prática do zen. Por isso, não pode ser considerado um praticante aquele que limita-se às leituras dirigidas ou não, esquecendo-se em sentar-se ou ainda diminuindo a sua importância. A estes, podemos considerar um estudioso livresco do zen.
A respeito, o fundador da Soto Zen, Eihei Dogen combateu drasticamente todo intelectualismo existente no Monte Hiei em detrimento à prática. Algumas escolas, não zen, dispensam a prática e enaltecem a devoção, o ritual, os exercícios tântricos. Mas isto não se aplica ao zen. Neste, estudar o zen é dispor-se a sentar-se em zazen. Uma vez por semana, duas, três vezes se possível. Sentar-se em zazen é melhor do que ler todo o Shobogenzo e decorar todos os sutras de Lótus e os Prajnas juntos.
Os que dizem praticar o zen mas não se sentam, seria mais sincero mudar de escola. Afinal, todos são livres em dedicar-se em algum tipo de treinamento: experiência ou teoria, iluminação ou delusão, corpo ou espírito, dia ou morte... Na verdade, toda esta divisão é fruto de nossa produnfa ilusão, pois nada se encontra separado. Para se entender isso, basta sentar-se em zazen. Quem pensa demais, não tem tempo para a prática. Mas quando atuamos conforme o não pensamento, a ação começa a existir. É a ação no tempo do "aqui e agora", é a ação no espaço do "aqui e agora".
Nem melhores, nem piores
Um mito acabou se formando no ocidente a respeito do budismo, por falta de informações, ou porque um discurso edulcorado a respeito dele construiu uma imagem errada. Nas falas e livros escritos pelo Dalai Lama, a compaixão é tema presente muito mais do que a Iluminação e dos malefícios produzidos pela existência do ego. Por outro lado, ainda hoje confunde-se o Zen com a atitude alienada de grande paz interior, isento de raiva e ignorância. Este mito chegou ao ponto de colocar os praticantes do budismo na margem irreal do decurso da história. Seriam portanto, seres acima do padrão de normalidade, vivendo em outras ondas celebrais, retirado nas montanhas e fazendas alternativas. Mas tudo isso não passa de um tremendo engodo, uma grande balela.
Claro que o praticante do budismo leva em consideração valores como o da compaixão, da sabedoria, do desapego, da renúncia. Não se trata de palavras que enfeitam os discursos dos budistas televisivos e da midia impressa. Nada disso. Estamos tratando de condições reais de existência, no qual a compaixão deve ser inventada a cada instante através da experiência. Não existe uma compaixão distanciada da experiência. Se alguém disser que existe, tal colocação é falsa. O mesmo se refere à sabedoria, ao desapego e a renúncia. Assim, aquilo que se chama prática budista é justamente este comportamento de vigilância constante dos próprios ânimos, da atenção permanente. É necessário esforço para que isso realmente ocorra.
Mesmo com tal atitude, nenhum budista ou seu praticante pode ser considerado melhor do que um outro, que professa atitude e comportamentos diferentes. É pior um praticante de budismo pensar desta forma do que um outro pensar assim. Se um outro pensar assim, existe um motivo: desconhecimento. Mas se um budista pensar que ele é especial, então a prática se deteriora e aquele se torna o mais deludido dos homens.
Como parte da cultura universal, o budista é um ser normal, igual a tantos outros, com os mesmo sentimentos. Como vive na sociedade, acaba reproduzindo em seus lares e locais de treinamento o mesmo comportamento dela. Não poderia ser diferente. Nada existe de especial num praticante budista. O diferencial é que ele assume o compromisso de identificar a raiva assim que esta se manifesta e saber de sua inconsistência. O budista treina a mente nestas situações. Alguns treinam mais, outros menos. Não quer dizer, que o budista conseguiu acabar com a própria raiva, a própria ignorância, a própria ira. Não. Por saber de sua existência, ele esforça-se em diminuir a sua manifestação.
A representação do budismo é a da flor de lótus surgindo no meio de um pântano. A sociedade é este pântano, com todas as suas paixões, vícios e preconceitos, mas temos a capacidade de surgir nela como flor maravilhosa.
Claro que o praticante do budismo leva em consideração valores como o da compaixão, da sabedoria, do desapego, da renúncia. Não se trata de palavras que enfeitam os discursos dos budistas televisivos e da midia impressa. Nada disso. Estamos tratando de condições reais de existência, no qual a compaixão deve ser inventada a cada instante através da experiência. Não existe uma compaixão distanciada da experiência. Se alguém disser que existe, tal colocação é falsa. O mesmo se refere à sabedoria, ao desapego e a renúncia. Assim, aquilo que se chama prática budista é justamente este comportamento de vigilância constante dos próprios ânimos, da atenção permanente. É necessário esforço para que isso realmente ocorra.
Mesmo com tal atitude, nenhum budista ou seu praticante pode ser considerado melhor do que um outro, que professa atitude e comportamentos diferentes. É pior um praticante de budismo pensar desta forma do que um outro pensar assim. Se um outro pensar assim, existe um motivo: desconhecimento. Mas se um budista pensar que ele é especial, então a prática se deteriora e aquele se torna o mais deludido dos homens.
Como parte da cultura universal, o budista é um ser normal, igual a tantos outros, com os mesmo sentimentos. Como vive na sociedade, acaba reproduzindo em seus lares e locais de treinamento o mesmo comportamento dela. Não poderia ser diferente. Nada existe de especial num praticante budista. O diferencial é que ele assume o compromisso de identificar a raiva assim que esta se manifesta e saber de sua inconsistência. O budista treina a mente nestas situações. Alguns treinam mais, outros menos. Não quer dizer, que o budista conseguiu acabar com a própria raiva, a própria ignorância, a própria ira. Não. Por saber de sua existência, ele esforça-se em diminuir a sua manifestação.
A representação do budismo é a da flor de lótus surgindo no meio de um pântano. A sociedade é este pântano, com todas as suas paixões, vícios e preconceitos, mas temos a capacidade de surgir nela como flor maravilhosa.
Nos portais da prática
O que realmente leva uma pessoa a ser um praticante do budismo? Não posso afirmar de maneira generalizada, com uma resposta definitiva, como "só o budismo salva" se nem ao mesmo conseguir definir direito no que consiste a salvação. Neste caso, se o budismo se tornar uma religião salvítica, comum a tantas outras, que depende unicamente de um agente exterior, negará os motivos de lhe deu origem. Quando o monge indiano Bodhidharma encontrava-se no interior de uma caverna, nas cercanias do Mosteiro Shaolin, teria sido importunado pelo neófito anacoreta Eka. Então, Bodhidharma dissuadiu-o a retirar-se. "Vá embora daqui" - desencorajou-o. Entretanto, Bodhidharma continuou insistindo "quero que me ensine". Mas o outro, energicamente aconselhou-o a procurar outros caminhos. Não o budismo. Diante da insistência, Bodhidharma explicou que para treinar budismo era necessário muita disposição, pois do contrário aquilo se tornaria um sofrimento a mais. E disposição tinha Eka ao ponto de, a afim de demonstrá-la, desembainhou sua adaga e decepou o braço esquerdo. Sem nada mais dizer, Eka foi aceito e se tornou no segundo patriarca chinês da linhagem zen budista.
Este modelo foi adotado pelos mosteiros zen de todo o oriente: da China, da Coréia e do Japão. Ainda é assim que acontece quando um noviço pede para adentrar os portões de um mosteiro. "O que você quer aqui?" - grita ameaçadoramente o monge que guarda o portal. Como toda resposta não é suficientemente firme, o noviço fica esperando. Muitas vezes neva e o noviço usa apenas o manto de monge, um sombrero e sandálias de palha. Se quiser desistir, pode se retirar que ninguém irá impedí-lo. Depois que o noviço convence o porteiro a sua disposição em treinar, fica enclausurado por uma semana no quarto isolado - o tangaryo. Neste interím, alguns pedem para ir embora.
Acredito que este princípio deve nortear os diversos centros de prática zen pelo mundo todo. No locam em que treino, ainda é assim. Muitos são os novatos. É quando o monge instrutor dirigindo-se a eles explica: "o budismo não serve para obter poderes sobrenaturais, não cura doenças, não torna ninguém mais rico". Em outra palavras, o budismo não serve para nada. "Mas se ainda assim, desejarem ingressar neste caminho usem a mesma cor negra do manto dos monges e iniciem-se nesta prática" - aconselha ele. Assisti certa vez, um monge dizer que aqueles que desejavam obter vantagens ao praticar o budismo que se retirassem daquela sala. Maneira bastante insólita em se tratando da cultura brasileira. Muito dura. Não obstante, a dureza é importante na medida que mostra a sinceridade da prática, que dispensa franjas e serpentinas. Os que se sentiram ofendidos, maltratados, não voltaram mais. Mas outros, justamente por terem ouvido tais palavras ficaram e desenvolveram uma prática intensiva.
Para que isto ocorra, é necessário sabiamente entender do que se trata o budismo. Não é um budismo de convencimento através de argumentos persuasivos, como acontece com as pregações. Nunca a palavra será o suficiente para dizer a verdade. Nunca a palavra poderá substituir a experiência. E nem a fé é tão importante quanto a experiência
Neste processo de negação, de início, o praticante iniciante deve ir lapidando o seu próprio ego, reconhecendo nele a raiz do sofrimento e de toda ignorância. Não importa quem seja o iniciante: advogado, engenheiro, arquiteto, filósofo, cozinheira ou quem quer que seja. Todos são iguais, sem distinção. Quer dizer, nada sabem. Com este espírito, o de nada saber, iniciam a prática. Iniciam como fosse a primeira vez, com a inocência no coração e o sorriso nos lábios. Quem se apresentar de maneira diferente, como a de ensinar ao invés de aprender, de mandar ao invés de obedecer, de falar ao invés de calar, de levantar-se ao invés de sentar-se, não serve para a prática. Se praticar, será o praticante falso. E praticantes falsos devem existir aos montes espalhados nas esferas do Dharma. Estão iludidos... E justamente estes, que deveriam ser cortados logo no início.
Este modelo foi adotado pelos mosteiros zen de todo o oriente: da China, da Coréia e do Japão. Ainda é assim que acontece quando um noviço pede para adentrar os portões de um mosteiro. "O que você quer aqui?" - grita ameaçadoramente o monge que guarda o portal. Como toda resposta não é suficientemente firme, o noviço fica esperando. Muitas vezes neva e o noviço usa apenas o manto de monge, um sombrero e sandálias de palha. Se quiser desistir, pode se retirar que ninguém irá impedí-lo. Depois que o noviço convence o porteiro a sua disposição em treinar, fica enclausurado por uma semana no quarto isolado - o tangaryo. Neste interím, alguns pedem para ir embora.
Acredito que este princípio deve nortear os diversos centros de prática zen pelo mundo todo. No locam em que treino, ainda é assim. Muitos são os novatos. É quando o monge instrutor dirigindo-se a eles explica: "o budismo não serve para obter poderes sobrenaturais, não cura doenças, não torna ninguém mais rico". Em outra palavras, o budismo não serve para nada. "Mas se ainda assim, desejarem ingressar neste caminho usem a mesma cor negra do manto dos monges e iniciem-se nesta prática" - aconselha ele. Assisti certa vez, um monge dizer que aqueles que desejavam obter vantagens ao praticar o budismo que se retirassem daquela sala. Maneira bastante insólita em se tratando da cultura brasileira. Muito dura. Não obstante, a dureza é importante na medida que mostra a sinceridade da prática, que dispensa franjas e serpentinas. Os que se sentiram ofendidos, maltratados, não voltaram mais. Mas outros, justamente por terem ouvido tais palavras ficaram e desenvolveram uma prática intensiva.
Para que isto ocorra, é necessário sabiamente entender do que se trata o budismo. Não é um budismo de convencimento através de argumentos persuasivos, como acontece com as pregações. Nunca a palavra será o suficiente para dizer a verdade. Nunca a palavra poderá substituir a experiência. E nem a fé é tão importante quanto a experiência
Neste processo de negação, de início, o praticante iniciante deve ir lapidando o seu próprio ego, reconhecendo nele a raiz do sofrimento e de toda ignorância. Não importa quem seja o iniciante: advogado, engenheiro, arquiteto, filósofo, cozinheira ou quem quer que seja. Todos são iguais, sem distinção. Quer dizer, nada sabem. Com este espírito, o de nada saber, iniciam a prática. Iniciam como fosse a primeira vez, com a inocência no coração e o sorriso nos lábios. Quem se apresentar de maneira diferente, como a de ensinar ao invés de aprender, de mandar ao invés de obedecer, de falar ao invés de calar, de levantar-se ao invés de sentar-se, não serve para a prática. Se praticar, será o praticante falso. E praticantes falsos devem existir aos montes espalhados nas esferas do Dharma. Estão iludidos... E justamente estes, que deveriam ser cortados logo no início.
quinta-feira, abril 26, 2007
Seja amável consigo mesmo
"Tosan Ryokai alcançou a iluminação várias vezes. Certa vez quando estava cruzando um rio, ele se viu refletido na água e compôs um verso: Não tente descobrir quem você é. Se tentar descobrir quem você é, o que compreender, estará bem distante de você.Você só terá uma imagem de si mesmo.Na verdade, você está no rio.Pode-se dizer que aquilo é apenas uma sombra ou um reflexo de si mesmo, mas se você olhar cuidadosamente com um sentimento afetuoso aquele é você. "
Shunryu Suzuki - Nem Sempre é Assim: Praticando o Verdadeiro Espírito Zen.
Shunryu Suzuki - Nem Sempre é Assim: Praticando o Verdadeiro Espírito Zen.
terça-feira, abril 24, 2007
"Considera que a flor mais delicada, mais depressa fenece e perde o perfume: guarda-te, portanto, de querer caminhar pelo espírito de sabor, porque não serás constante; mas escolhe para ti um espírito forte, não apegado a coisa alguma, e encontrarás doçura e paz em abundância; porque a fruta mais saborosa e duradoura colhe-se em terra fria e seca."
São João da Cruz - Obras Completas
São João da Cruz - Obras Completas
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