sexta-feira, agosto 31, 2007
Shushogi: 27
quarta-feira, agosto 29, 2007
Errantes do Samadhi (convite: 02 set)
Alto de Pinheiros
Parque Vila Lobos
Jaguaré
USP
Rio Pequeno
Butantã
Vila Sônia
Morumbi
Itaim Bibi
Parque Ibirapuera
Jardim Paulista
Pinheiros
Alto de Pinheiros
A saída será da Fnac de Pinheiros (praça dos Omaguás, 34 - porta de entrada), domingo 02 de setembro às 9h15. São mais ou menos 25 km. Levar alimentos, a bebida compramos pelo caminho. Quem não puder fazer toda a caminhada poderá fazer apenas uma parte. Até lá!
segunda-feira, agosto 27, 2007
Shushogi: 25
domingo, agosto 26, 2007
Shushogi: 24
sábado, agosto 25, 2007
Shuhsogi: 23
sexta-feira, agosto 24, 2007
Shushogi: 22
quinta-feira, agosto 23, 2007
Shushogi: 21
quarta-feira, agosto 22, 2007
Shushogi: 20
Shushogi: 19
terça-feira, agosto 21, 2007
Shushogi: 18
IV. Fazendo o voto de beneficiar todos os seres
18. Despertar para a mente da iluminação é realizar o voto de salvar todos os seres antes de salvar a si próprio. Leigo ou monge, ser celestial ou humano, sofrendo ou em paz, devemos rapidamente desenvolver a intenção de salvar os outros antes de salvar a nós mesmos.
segunda-feira, agosto 20, 2007
Verso de Transmissão
Brilha sem precisar ser polida.
Keisan Jõkin
sexta-feira, agosto 17, 2007
Shushogi: 17
"Seu Antenor"
Seu Antenor é uma pessoa comum.Aposentado, aos oitenta anos, tem problemas pulmonares e também cardíacos.Marcas prováveis de sua atividade profissional.Foi estivador.Quatrocentos reais de aposentadoria, é o que recebe para viver.Valor insuficiente, sequer para custear os seus medicamentos.
As dificuldades enfrentadas na vida, passadas e atuais, são minimizadas pela atenção e cuidados dispendidos por seus familiares - esposa, filhos, filhas, noras e netos, visitas diárias no hospital.
Seu Antenor ao relembrar o tempo que passou, reconstrói a sua vida sem ressentimento.O mar é a lembrança recorrente.Do mar sairam as sacas pesadas que transportou no lombo.Um mar com águas cristalinas ainda não contaminadas, onde botos nadavam na orla da praia.Observado com apreço por seus familiares, refaz em breves relatos a história de sua vida.
Este senhor de origem humilde e modos educados, testemunha e nos ensina com sua história pessoal que mesmo a dura realidade da vida permite acolher sentimentos de amor, alegria e gratidão.
Se estamos habilitados a viver moldados por estes sentimentos, percebemos e aceitamos as limitações e restrições frequentes à vida, e acabamos por compreender, assim como Seu Antenor, que a vida é o que fazemos dela.
Caminhada cancelada
quinta-feira, agosto 16, 2007
Shushogi: 16
Errantes do Samadhi (12 ago)
Cheguei na estação Alto do Ipiranga faltando dez minutos para as nove horas, até a hora combinada para partida apenas uma abelha pousou na minha mão por uns dois minutos, depois voou, mais ninguém apareceu. Conversei rapidamente com um velho preto com roupas e boina com estampas africanas. Parti, sabendo que sete ou oito horas depois chegaria naquele mesmo lugar, porém pelo outro lado da rua. O sol tímido parecia uma lua branca por trás das densas nuvens de inverno. Virei uma esquina e me deparei com um aglomerado de evangélicos na saída do culto da manhã. No próximo quarteirão uma moça em trajes sensuais abria o portão de casa com um capacete preto na mão e um sorriso malicioso, falava aos berros com alguém dentro da casa. Ruas e mais ruas desertas. Já próximo do Parque da Independência, um senhor baixo de camisa azul e pele avermelhada, me abordou pedindo uma contribuição para a passagem do ônibus, ele tinha setenta centavos, dei-lhe um e sessenta, mas depois olhei para ele: "O senhor ainda paga passagem?", ele respondeu: "Você é branquinho assim vai ver, quando tiver quarenta, dirão que tem cinqüenta, quando tiver sessenta, dirão setenta". Pode ser. Ele agradeceu muito rapidamente e sai andando mais rápido ainda, fui atrás, pois ia na mesma direção. Quando ia passando por ele, ele me perguntou se eu ia a pé, disse que sim, ele fez menção de me devolver o dinheiro, mas eu esclareci que ia a pé de propósito. Fiz o primeiro lanche num banco do parque. Enquanto comia uma banana e uma metade de pão com mel, fiquei observando uma senhora que passeava seu cão e tentava se aproximar de uma cadela vira-lata que a seguira. Mais acima uma aula de taichi, o professor, com traços ocidentais, associava sons aos seus movimentos. Vinte minutos depois eu atravessava um viaduto sobre uma linha de trem. Um viaduto para carros com apenas uma calçada estreita para pedestres. Sempre que passo em viadutos assim redobro a atenção, é um lugar sem ponto de fuga em possível caso de assalto. Passaram por mim três homens e logo depois veio um mendigo muito sujo e molambento, com um saco plástico cheio de comida misturada. A calçada mal tem espaço para uma pessoa, fiquei pensando, se aquele mendigo resolve parar na minha frente, se ele quiser me oferecer comida por exemplo, o que eu faço? Ele vinha conversando com um "fantasma", acho que foi isso que me salvou do meu medo, o fantasma dele. Quando passou por mim abriu bastante espaço e sorrindo manteve o rosto na direção contrária a mim falando e ouvindo qualquer coisa. Lembrei que, se o pássaro que canta e a noite estrelada não estão separados de mim, aquele mendigo de certa forma também era eu. Logo depois, já descendo do outro lado do viaduto, vi lá embaixo através da cerca do viaduto uma mini-favela, uma invasão do tamanho de uma pequena praça. Casas feitas de pedaços de papelão e madeira fina. Escadas tortas que levavam a um futuro segundo andar. Esgoto a céu aberto. Pessoas em diversas atividades como um banho de caneca ou um bate papo sentado no meio fio encardido. Uma placa com dizeres tão bens escritos em fundo colorido destoava daquela paisagem. Mais curiosa era a forma como eles souberam lidar com as árvores que já existiam na praça, construindo os cômodos de suas casas à sua volta, então, dentro de uma sala pode haver o tronco e o princípio dos galhos de um jacarandá mimoso. Qunize minutos depois, após subir uma longa avenida passo num Mc Donalds apenas para me servir de suas instalações sanitárias, o que agradeço na saída. Estou na Mooca, bairro típico de colonização italiana, antigo bairro operário, com moradias em pequenos blocos de apartamentos rodeados de área verde, um lugar muito agradável. Alguém tocava a nona sinfonia de Beethoven numa gaita por trás de um portão. O sol agora esquentava um pouco, fazendo desenhos desfocados nas calçadas e nos muros. Parei para comprar uma bebida, ao sair do supermercado, vi uma moça assim de uns dezessete anos vendendo alguma coisa numa cesta, pensei, ela vai me oferecer e aconteceu. Ela precisava pagar a conta de luz, por isso estava vendendo velas e miniaturas de cadeira com um carrinho de plástico. Me propus a comprar uma miniatura, não tinha troco, ela insistiu, não tinha vendido nada ainda naquele dia "Por favor!". Entrei no mercado para trocar a nota de dez que eu tinha, lá de dentro vi que ela me esperava, era bonita com um cabelo bem tratado, uma roupa simples verde musgo. Reparei que ela tinha uns cacoetes que a fazia abrir a boca em pequenos espasmos e mais tarde reparei em algumas feridas ao redor da boca. Pensei, "Quem será essa pessoa?" Finalmente conseguimos trocar o dinheiro com um cara que assistia, da calçada, a uma missa protestante num enorme salão. Disse-me ela que quem fazia os objetos que ela vendia era o pai. Um pouco mais adiante como o primeiro sanduíche de carne assada com maionese que havia levado. Estou agora num segundo viaduto, atravessando outra ferrovia. Entro no bairro de Belém exatamente ao meio-dia, os sinos de uma antiga catedral confirmam o horário em doze badaladas que me assustaram a princípio. Ao lado da catedral dezenas de homens, uns velhos, outros não, jogavam dominó. Este bairro tem casas e estrutura urbana bastante decadentes, quase tudo é cinza-enegrecido. Nas ruas identifica-se um sotaque nordestino. Pego a rua catumbi e logo depois a rua cachoeira. Vejo algumas famílias passeando. Quatro amigos sentados na entrada de uma loja fechada comem um frango assado nas mãos. Um opala preto fosco que a princípio julguei estar abandonado, tem alguém em seu interior tentando insistentemente ligar o motor. Uma obra da prefeitura com um buraco mal-cheiroso. Mais à frente, ruas "medievais", ruas bastante estreitas, algo que nunca tinha visto em São Paulo. Estou no bairro Pari. Descendo uma ladeira um poodle branco sujo e sem coleira mal se dá o trabalho de me olhar, apenas me fareja em movimentos rítmicos de nariz. Mais abaixo uma criança boliviana chuta lixo. Um pouco depois dois homens também de origem boliviana passam num papo amistoso, cada um em sua bicicleta e em cada bicicleta uma barraca de feira desmontada e presa na transversal, quase não cabendo naquelas vielas. Logo depois descubro que iam para a feira onde eu passava naquele momento. Feira de imigrantes bolivianos recém-chegados, com barracas de artesanato típico, barracas-barbearia com quadros pendurados com dezenas de fotos de diferentes cortes de cabelo e barba. Noutra barraca: "Saltenhas mágicas de Don Marcos" dizia um cartaz. Atravessei as movimentadíssimas avenidas do Estado e Tiradentes. Na saída de uma faculdade, alunos comentavam preocupados as questões de uma prova acabada de fazer. Estou agora no bairro Bom Retiro, bairro tradicional de judeus que recentemente passaram a dividir com imigrantes da Coréia, o que posso constatar facilmente pelos restaurantes desse país e pelas pessoas que passam por mim, com feições orientais diferente dos chineses e japoneses. Próximo à gráfica do jornal Folha de São Paulo tomo em dois goles um delicioso suco de laranja com mamão. Já percorri metade da caminhada que me propus, estou cansado, as pernas doem um pouco, é uma hora da tarde, ainda faltam quatro horas até o final. "Será que mudo o percurso e vou direto para casa?", "Será que pego um ônibus?". Resolvo continuar, até porquê agora quem não quer parar são as minhas pernas. Subindo a avenida Angélica, em Higienópolis, passam por mim duas Ferraris, uma preta e uma vermelha, mais acima os dois carros param num posto de gasolina, pai e filho, lembro que hoje é dia dos pais. Cruzo a avenida Consolação, na avenida Paulista saco algum dinheiro num caixa rápido, compro uma cerveja sem álcool e como meu segundo sanduíche de carne assada, este sem maionese, sentado numa praça próximo ao parque Trianon. Uma menina de uns dez anos tira fotos com o pai, lembro mais uma vez que hoje é dia dos pais. Sigo meu rumo descendo o bairro de edifícios residenciais altos, Jardim Paulistano. Passo pela entrada do parque Ibirapuera e cruzo a Vila Mariana em ruas quase desertas. Já são quatro horas da tarde. Tomo um mate gelado no shopping Sta. Cruz e sigo o último trecho da viagem, descendo uma rua enorme que me levaria após alguns minutos ao meu ponto de partida. Neste caminho, uma senhora, uma vovó de uns 80 anos de idade me aborda. Pele branca e enrugada com manchas aqui e ali e olhos verdes. Com um ar muito sofrido, diz que nunca pediu nada na rua mas que agora tinha que fazê-lo. Iria se operar de alguma coisa que não me lembro o nome, me mostrou uns calombos nos ante-braços e disse que também estava sofrendo de depressão e precisa comprar uns remédios. Apenas um dos remédios custava trinta e cinco reais! Disse que em frente à igreja onde vendia bonecas de pano, as pessoas ficavam rindo dela. Comprei uma boneca e fui acabando mais esta caminhada, chegando como eu previra pelo outro lado da rua. Cheio de alegria, às quatro e cinqüenta e nove entrei na estação de metrô Alto do Ipiranga novamente. Numa trajetória circular, tracei a roda do dharma sobre a cidade de São Paulo.
quarta-feira, agosto 15, 2007
Encontros necessários
Terça-feira à noite, o templo vazio, só um monge praticando, sozinho. No momento do kinhin, o porteiro abre cuidadosamente a porta do salão e chama-lhe: “Há um homem na portaria, ele veio de longe, não conhece muito bem a cidade, não sabia dos horários apropriados, você pode recebê-lo?” Há dias certos para que iniciantes recebam as intruções para o zazen, o que é feito na sala de chá, mas, como não há ninguém nessa noite, o monge concorda em receber o homem. O porteiro desce, abre o portão do templo e o homem entra. Em voz baixa saúda o monge e, meio sem jeito, pergunta se é preciso tirar os sapatos. Assim que os descalça e põe os chinelos, entra na Sala de Buda. O monge indica-lhe um zafu ao lado do seu e começa a explicar os procedimentos para o zazen. O homem, um pouco confuso, o interrompe: “Desculpe-me, mas não entendo o que você diz. É que esta é a primeira vez que venho a uma igreja messiânica”. Supreso, o monge lhe esclarece que estavam num templo budista, a igreja messiânica era no quarteirão de cima. O homem se dá conta de que havia “entrado na igreja errada”. Após alguns segundos de hesitação, o homem pergunta: “Mas vocês também fazem cerimônias para os antepassados? É que eu queria fazer uma para os meus.” O monge lhe diz que sim. O homem se alegra, pergunta os detalhes, anota o telefone da secretaria e sai aliviado e contente. O monge volta para o zafu.
O homem aprendeu que não há igreja errada.
E o monge aprendeu que, antes de mais nada, é preciso perguntar: "O que você deseja"?
Shushogi: 15
da crítica
terça-feira, agosto 14, 2007
Samantabhadra-Sutra.
O oceano de todos os obstáculos kármicos
eleva-se unicamente das ilusões.
Se você quer arrepender-se,
sente-se na postura correta e concentre-se na verdadeira realidade.
Todos os delitos são como a geada e o orvalho.
O sol da sabedoria permite-lhes evaporarem-se.
Sobre Shushogi
Como todo texto, pode ser lido sob inúmeros vieses: teológico, literário, histórico, marxista etc. Pode ser cotejado com outros textos budistas ou mesmo comparado ao pensamento das diversas tradições.
Para o praticante, deve servir fundamentalmente de inspiração para a prática. O praticante sincero, que renunciou à compreensão limitada do intelecto e lançou-se nos domínios do não nascimento, não perde de vista o caráter aprisionador das palavras. Um exemplo pode ser dado a partir de Fukanzazengi.
Neste texto, apresentam-se as instruções para a prática de zazen. Um estudioso pode lê-lo por toda a sua vida. Há alguns pontos de difícil compreensão: o que significa, por exemplo, “pensar além do pensar e do não-pensar”? Quais a similaridades entre o Shikantaza ensinado por Dogen e o Vipassana? Então se recorre a outros textos, Zanmai-Ozanmai, Zazenshin e assim por diante. Pode-se bem passar uma vida nessa atividade. Ou pode-se praticar o zazen, sobre um cobertor enrolado, no quarto, virado para a parede, assim que as crianças dormirem.
Voltando ao Shushogi, o mesmo se aplica. Sua leitura deve ser tão fugaz como as gotas de orvalho na manhã, para usar um símile apreciado por Dogen. Assim que as palavras são lidas, elas já não mais existem, quem as leu igualmente, o papel também, assim como a tinta, os olhos e a mente. Livre, o praticante põe o livro de lado e senta-se no samadhi diante da parede.
Aquele que pratica o zazen buscando a iluminação, certamente fracassará. Assim como aquele que lê buscando a compreensão.
Em Fukanzazengi Dogen é enfático: não há diferenciação entre prática e iluminação. Este ponto é fundamental.
Qual é, então, o objetivo de ler esse texto? E qual é o objetivo de praticar zazen?
Shushogi: 14
segunda-feira, agosto 13, 2007
Criticando o Shushogi
12º. Alguns desafortunados e isentos de virtude são incapazes de ouvir a pronúncia dos Três Tesouros, mais ainda de tomar abrigo neles. Quando cometem erros, ficam temerosos e acabam buscando conforto nos espíritos que habitam as montanhas, nos fantasmas errantes e nos ensinamentos duvidosos. Desconhecem que agindo desta forma, não podem se livrar da rede dos sofrimentos. Se assim for, com urgência tomemos abrigo nos Três Tesouros, capaz não apenas de aliviar-nos do sofrimento mas principalmente possibilitar a realização da Iluminação.
Esta é a tradução comentada do parágrafo 12 de Shushogi. A respeito, tenho a dizer que Shushogi é uma compilação simplificada de partes de Shobogenzo. Teria sido divulgado para os leigos japoneses, usado atualmente nas cerimônias memoriais. Na minha tradução não se usa o termo santuários não budistas, referindo-se às manifestações de uma religiosidade primitiva conhecido por xintoísmo. Ao ser lido sem conhecer o contexto em que foi publicado, talvez pareça estranho a menção de práticas supersticiosas no Japão. Tais práticas estariam enraizadas na cultura autóctene. Não que se tenha que negar estas práticas. O que se coloca é justamente a natureza de uma religião que almeja a Iluminação. O budismo como o entendemos enfatiza a prática somada a uma disciplina, que possa conduzir à renúncia e assim diminuir os efeitos do sofrimento. Não estamos capacitados a referirmo-nos às outras tradições religiosas, sejam monoteístas e politeístas, nos quais não insere-se o budismo. Mas o budismo ensina a compaixão, não como mero estado emocional carregado de fé, mas como um ato de sabedoria. No caso, haveremos de conviver com as múltiplas manifestações culturais e religiosas, algumas delas fundamentalistas. Nesta situação, não por tolerância, muito mais por compaixão. Nem mesmo este ato torna os budistas melhores do que os outros. Achar que os budistas estão acima de qualquer outra religião, cultura, etnia, e por isso alimentar a vaidade da pureza de seus atos me parece irreal. Por outro lado, apegar-se à linguagem unicamente é desconsiderar a realização da prática concreta nos campos históricos da ambigüidade criados pela ilusão de Maya. É preferível praticar ao invés de patinar nos deslizes da própria ignorância. Nada substitui a prática. Nada substitui o zazen. Afinal, foi assim que fez o príncipe Sidharta!
Podemos falar de budismo, desde que se considere a prática. Sem ela, um budismo de leituras paralelas não torna o leitor praticante. Se temos que falar de budismo, podemos começar com as nossas ações realizadas: ajudou alguém? visitou algum asilo? alguma creche?; verificou que a sua raiva é produto de sua própria mente iludida?; que sua vaidade é uma droga?; que toda droga cria mais ilusão e sofrimento? Se estes atos não forem considerados, um budismo apenas de palavras é imoral.
Mente dividida
Tratando-se das experiências do sagrado, de muito a distância entre as partes tornou-se censo comum. Mergulhado num universo fantástico no qual desfilam os símbolos, estes continuam símbolos nos discursos apologéticos, sem contaminar-se com a poeira das vaidades do mundo da cultura e da produção histórica. Como fossem coisas diferentes. Enfim, o maniqueísmo racional das polaridades eqüidistantes acabou permeando a nossa forma de atuar no mundo.
Não se trata, no entanto, apenas das religiões adâmicas e messiânicas este condicionamento. Outras tradições religiosas, inclusive, erram ao cometer o mesmo deslize. E nem o budismo zen pode escapar desta situação. Comprova este fato o comportamento de muitos praticantes, que diferenciam a vida comum da vida em ação meditativa durante o zazen. Surge neste momento, o perigo. Se não se consegue estender a prática da meditação sem objetivos, com a prática do cotidiano, então a ilusão não pode ser maior. Deixa transparecer a impressão de que o zazen é um paliativo diante da violência emocional durante a lida.
Neste caso, talvez haja falta de prática mais intensa, pois a mente em atenção cede lugar para a mente condicionada. Alguém chegou a me dizer de que a vida comum não acolhe a prática budista da Iluminação. Para quem se esforça a ensinar esta prática, esta afirmação não poderia ser mais desanimadora. Venceu a mente condicionada. Para esta mente, a aceitação das regras do jogo social, da maneira como apresentada, é fator determinante da vida. Se assim for, nada valerá a prática budista. A prática budista é justamente para quebrar tal condicionamento, a fim de sairmos das malhas da ilusão. Esta mente condicionada justifica que o mundo do trabalho impõe determinadas atitudes como responder a altura, quando agredido, fazer o jogo político, levar vantagens, buscar recompensas e lucros. Assim fica difícil a vivencia da sabedoria e compaixão ensinada pelo budismo. Na verdade, a prática budista deve se realizar nas condições mais efêmeras, contraditórias e deselegantes de nossa vida. Não que este mundo em que vivemos seja a realidade, pelo contrário, a ilusão criada por Mara. Trata-se de mundo de samsara, inconsistente em sua natureza, um sonho dentro de um outro sonho. Ainda assim, pela sua chama de sensualidade e atração, o som do flautista de Hamelin, somos conduzidos como ratos para se atirar nas correntezas do rio. Em todo momento, recusamos a Iluminação, o caminho da compaixão, em detrimento ao ciclo de sofrimentos produzidos pelo nosso próprio karma. O karma da ignorância.
Penso que aqueles que escolheram a prática budista como norteador de suas vidas, como candidatos potenciais à Iluminação. Mais do que palavras de alento, estes praticantes necessitam da experiência da Iluminação no próprio samsara. Quando puderem sentir o mundo como único, sem diferenciações, nem divisões, então a sabedoria estará mais próxima. Até mesmo os iludidos, os deludidos, conseguirão triunfar, desde que a mente se torne única com o mundo, este mundo único.
A experiência com o sagrado no contexto do budismo zen é o reconhecimento do mundo da ilusão como terreno fértil para o plantio e semeadura da Iluminação. Não existe fuga para o budismo, nem para fora dele. Não existe fuga deste mundo em que vivemos. Quanto mais tentamos fugir dele, mais nos encontramos nas entranhas da existência delusão/iluminação.
Shushogi: 13
domingo, agosto 12, 2007
Shushogi: 12
sábado, agosto 11, 2007
Shushogi: 11
III. Recebendo os preceitos e a ordenação
11. Em seguida, devemos venerar profundamente os três tesouros: o Buda, o Dharma e a Sangha. Devemos fazer o voto de venerar os três tesouros igualmente em nossas vidas e corpos futuros. Essa respeitosa veneração ao Buda, ao Dharma e à Sangha é o ensinamento que os budas e os patriarcas da Índia e da China corretamente nos transmitiram.
Shunryu Suzuki Roshi

sexta-feira, agosto 10, 2007
Shushogi: 10
10. “De todo nosso mau carma do passado, nascido do apego, raiva e ignorância, manifestado por nosso corpo, fala e mente, nos arrependemos.” Se nos arrependermos dessa forma, certamente receberemos a ajuda invisível dos budas e ancestrais. Mantendo isso em mente e agindo da maneira correta, devemos nos arrepender sinceramente diante de Buda. O poder desse arrependimento cortará pelas raízes o mau carma.
quinta-feira, agosto 09, 2007
Shushogi: 9
9. A essência do arrependimento é expressa desta forma: “Apesar de termos acumulado muitos maus carmas no passado, produzindo causas e condições que obstruem nossa prática do caminho, que os budas e os patriarcas que alcançaram a Iluminação sejam compassivos, nos libertando da retribuição cármica, removendo os obstáculos à prática do caminho e dividindo conosco sua compaixão, pois é por meio dela que seus méritos e ensinamentos preenchem todo o universo”. Buda e os patriarcas já foram como nós; no futuro, seremos como eles.
Errantes do samadhi (convite)

Neste domingo próximo, dia 12, estamos organizando uma caminhada pela cidade de São Paulo. Andaremos apenas por andar, em silêncio. Serão quase 30 km, em mais ou menos 7 horas de caminhada. Vamos nos encontrar na saída da nova estação de metrô Alto do Ipiranga às 9h da manhã. Saída 9h15.
Deve-se levar alimentação para todo o percurso, bebidas podemos adquirir pelo caminho. Serão 3 paradas de 10 a 15 minutos para descansar e se alimentar. Para vestir: roupas leves, porém é bom levar casaco e até guarda-chuva.
Roteiro: Alto do Ipiranga, Água Rasa, Mooca, Belém, Pari, Bom Retiro, Santa Cecília, Consolação, Jardim Paulista, Parque Ibirapuera, Vila Mariana, Alto do Ipiranga.
Lembro que quem não puder fazer todo o percurso, poderá fazer apenas uma parte.
Até lá!
quarta-feira, agosto 08, 2007
Shushogi: 8
8. Portanto, devemos nos arrepender, com toda sinceridade, diante de Buda. O poder do mérito que resulta de arrepender-se dessa forma diante de Buda nos salva e nos purifica. Esse mérito encoraja o livre crescimento da fé e do pleno esforço. Quando a fé surge, ela transforma a nós e a todos, e seus benefícios se estendem a todos os seres, animados e inanimados.
terça-feira, agosto 07, 2007
O espelho do zendô
Zendô: Local de prática do zazen, "meditação" sentada.
Shushogi: 7
II. O arrependimento e a extinção do mau carma
7. Os budas e os ancestrais, devido à sua ilimitada compaixão, abriram os portais do caminho para que todos os seres, humanos e celestiais, possam realizar a iluminação. Apesar de a retribuição cármica por más ações aparecer em um dos três períodos de tempo, o arrependimento diminui seus efeitos e elimina o mau carma, trazendo purificação.
segunda-feira, agosto 06, 2007
Shushogi: 6
domingo, agosto 05, 2007
Shushogi: 5
5. As conseqüências do bem e do mal ocorrem em três períodos do tempo: retribuição experimentada na vida presente, retribuição experimentada na vida seguinte a esta e retribuição experimentada nas vidas subseqüentes. Este é primeiro ponto que deve ser estudado e esclarecido quando se pratica o caminho dos budas e dos patriarcas. Caso contrário, muitos de vocês cometerão erros e desenvolverão falsos pontos de vista. Não apenas isso, mas cairão em maus mundos, passando por longos períodos de sofrimento.
sábado, agosto 04, 2007
Shushogi: 4
4. Evite se associar a pessoas iludidas, ignorantes sobre a lei da causalidade e da retribuição cármica. Elas não estão conscientes dos três estágios do tempo e são incapazes de distinguir o bem do mal. Porém a lei da causalidade é ao mesmo tempo clara e impessoal; inevitavelmente aqueles que fazem o mal caem em reinos inferiores de existência e aqueles que fazem o bem ascendem a reinos superiores. Se não houvesse a causalidade, os budas não teriam aparecido neste mundo, nem Bodhidharma teria ido à China.
sexta-feira, agosto 03, 2007
Shushogi: 3
quinta-feira, agosto 02, 2007
Shushogi: 2
2. É difícil nascer como ser humano e ainda mais difícil encontrar os ensinamentos de Buda.
Contudo, graças às virtudes acumuladas no passado, não apenas pudemos nascer como humanos como também pudemos encontrar os ensinamentos de Buda.
Dentro do campo do nascimento-morte, nossa vida atual é a melhor de todas; não desperdicemos futilmente nossos corpos, abandonando-os aos ventos da impermanência.
quarta-feira, agosto 01, 2007
Shushogi: 1
O significado da prática-iluminação
I. Introdução geral
1. O completo esclarecimento do significado do nascimento e da morte é a questão mais importante para aqueles que percorrem o caminho de Buda.
Se há Buda no nascimento e na morte, então não há nascimento e morte.
Simplesmente compreenda que nascimento e morte são a iluminação em si mesmos, não havendo nascimento-morte a ser odiado, nem iluminação a ser desejada.
Assim, pela primeira vez, você estará livre do nascimento e da morte.
Compreender este problema é de suprema importância.
Shushogi
Um deles, um leigo chamado Ouchi Seiran (1845-1918), serviu como figura central ao preparar a obra publicada pelo comitê, chamada Tojo Zaike Shushogi. A Escola Soto Zen concluiu que esse material seria excelente para ensinar os leigos, e pediu a Takiya Takushu Zenji de Eiheiji e a Azegami Baisen Zenji de Sojiji que fizessem uma revisão do conteúdo desse trabalho. No dia 1º de Dezembro de 1890, a obra foi distribuída com o nome de Soto Kyokai Shushogi. Esse é o trabalho que conhecemos hoje como Shushogi.
As doutrinas da Escola Soto Zen formam um ensinamento que advoga o Buda-Darma corretamente transmitido de mente-a-mente desde Shakyamuni Buda através de sucessivas gerações de monges, shikantaza (apenas sentar) e “A Mente em si mesma é Buda.”
O Shushogi nos ensina como é possível conscientemente praticar esse ensinamento em nossa vida diária e como elevar nossa vida de fé.
(fonte: Sotozen-net)
O então superior do templo Busshinji, Miyoshi Roshi, freqüentemente enfatizava a importância da leitura desse sutra. Nos anos que aqui esteve, empenhou-se em recomendar que os praticantes o lessem e estudassem, solicitando que fossem feitas traduções para o português.